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O CASO PARTE II

  Talvez o Pai me responda, mas sinto que está cansado, desiludido, não, tenho que o deixar descansar. O Pai dá-me um beijo no topo da cabeça, abre a porta do quarto devagarinho para não incomodar a Mãe e eu fecho-me no meu a pensar em tudo o que aconteceu. No dia seguinte, chego tarde e cansada, o Armando encheu o meu " voicemail" com mensagens que ignoro e apago rapidamente. Encontro o carrinho dos gémeos no corredor, a Matilde deve estar na cozinha a conversar com a Mãe, suponho, cada uma com um bebé ao colo. O quê??? a voz da Matilde soa aguda, o Pai suspeita que o Meireles é corrupto??? Sei que és amiga dele, diz a Mãe, tive um caso com ele, corrige a Matilde, e foi, continua a ser um bom amigo; é difícil acreditar que ele tenha feito isso! A Mãe suspira, o Pai também não acredita! Acha que há qualquer coisa escondida nesta história, só não sabe bem o quê, explica, o Meireles " desapareceu" e isso não abona nada a seu favor! " Desapareceu" como? pergu...

O CASO

  Com a tragédia a tocar-nos de perto, não tenho coragem de dizer aos Pais que quero sair de casa, que eu e o Armando falamos em morar juntos como um casal. Não vejo qual é o problema, insiste, trabalhamos os dois, teremos que controlar os gastos, mas creio que podemos dar o salto. Eu estou hesitante, há qualquer coisa nele que não " bate certo", explico à Matilde, mas a minha irmã, ocupada a tentar acalmar dois bebés furiosos , encolhe os ombros, então não arrisques! aconselha. Nessa noite, o Armando exige uma resposta, torce-me o braço e o olhar é frio como o aço. Liberto o braço, o Armando ergue a mão, mas eu esquivo-me e ele tropeça e caí. Ah, peste! Vais pagar tudo! grita, mas eu volto a esquivar-me e a queda é aparatosa. Esqueces-te que sou filha de um Inspector, aprendi muito sobre defesa pessoal, troço, nem pensar viver contigo!  O Armando está furioso, ainda mais porque a malta que assistiu ao " confronto " no parque de estacionamento ri-se. Deixa-me sozinh...

A GOVERNANTA FIM

  A D.Carolina começa a gritar então, toda a dor que escondeu da família liberta-se e eu apenas a escuto. Ouço-a suspirar por fim, estendo-lhe a caixa com lenços, o relógio apita e desligo o forno. Pode ajudar-me, D.Margarida? pede a D.Carolina, preciso de ir à casa de banho, quero lavar a cara antes que algum dos meus filhos chegue. É uma caminhada lenta até à casa de banho, a D.Carolina recusa-se a usar a cadeira de rodas, a fisioterapeuta diz que tenho que andar, explica, demore o tempo que demore! Deixo-a na casa de banho, chame quando quiser, digo e volto para a cozinha, acabo de pôr a mesa. Entretanto, a Inês chega, como sempre excitada, pergunta pela Mãe, peço-lhe para ir ter com ela à casa de banho. Mas primeiro lave essas mãos! grito, mas a Inês ri-se, desaparece no corredor, ouço-a a brincar com a Mãe. O Matias e o Edgar entram a discutir, qualquer coisa sobre o carro que ficou mal estacionado, não te pago a multa, declara o Matias e o Edgar fica indignado, começa a prote...

A GOVERNANTA PARTE V

  Só queria saber se a Carolina passou bem a noite, diz a irmã, tentei falar com a Filipa, mas ela tem o telemóvel desligado. Estão na fisioterapia, respondo, já tinham partido quando cheguei. O Edgar disse-me que a D.Carolina não esteve muito confortável durante a noite, que teve que ajudar a irmã a mudá-la de posição. Isto vai demorar o seu tempo. A D.Teresa suspira, sinto que a minha irmã está desanimada, confessa, não sei como a posso ajudar. Basta estar presente, repito o que tantas vezes me foi dito e que aprendi ser verdade, às vezes, é tudo o que é preciso, continuo, e a D.Carolina sabe que pode contar com a D.Teresa. Estou sempre a pensar que podia fazer mais alguma coisa, interrompe a D.Teresa, ela e o Gustavo sempre foram um casal tão unido. Mas a D.Carolina é uma mulher forte, tem é que recuperar e organizar-se, atalho, temos que lhe dar tempo e espaço para que o consiga. Acho que estou a ser muito protectora, concorda a D. Teresa, o Pedro também me acusa disso! Ok, dig...

A GOVERNANTA PARTE IV

Ouço uma gargalhada, parece vir do quarto da D.Carolina, curiosa bato à porta e entro. A Inês está com um livro na mão, declama um trecho, acabo por me rir também, a voz, a cara de Inês são muito expressivas. Melhor parares agora, Inês, não aguento muito mais, pede a D. Carolina, tinha-me esquecido das tuas vozes. Mas esse é o meu objectivo, diz a Inês, divertir a Mãe, mantê-la feliz e estavam os manos preocupados! Preocupados com quê? questiona a Mãe, mas a filha encolhe os ombros, dá-lhe um beijo e saí do quarto. Ouço-a falar com os sobrinhos, já está a preparar qualquer coisa, espero que não seja um jogo violento para revolucionar a casa. A D. Carolina suspira, arranjo-lhe as almofadas, posso ajudar em alguma coisa? mas a D.Carolina abana a cabeça, fecha os olhos. A Filipa chega pouco depois, deixo o jantar pronto no forno, alguém há-de fazer o molho para a salada, talvez o Edgar, não sei. Está muito desanimada, explico ao jantar, a Inês fê-la rir, aquela rapariga é muito expressiva...

A GOVERNANTA PARTE III

  Antes de voltar para a cozinha, passo pelo quarto da D. Carolina, penso que ela está a dormir, mas ela chama-me. Não consigo dormir, explica, estou inquieta, um pouco dorida, mudo-lhe as almofadas, ajuda-a a sentar-se mais direita, obrigada, diz. Quer um chá, uma torrada? ofereço, mas a D.Carolina abana a cabeça, estou apenas cansada, afirma, a pensar porque é que isto aconteceu? Há coisas inexplicáveis, concordo, ainda hoje não consigo aceitar a morte do meu filho, mas a D.Carolina tem uma família muito unida, não digo que a dor desapareça, afirmo, mas continuamos a viver. Nunca pensei que fosse ele o primeiro a partir, continua a D.Carolina, tinha tantos planos!!! e suspira. A senhora pode continuar esses planos, sugiro, tem o tempo ocupado, os seus filhos ajudam. A D.Carolina sorri, mas não hoje! responde, é a minha vez de sorrir, temos todo o tempo do Mundo! Os netos devem estar a chegar e a Inês também! Que tal se lancharem aqui tipo de piquenique? Mas a D.Carolina confessa ...

A GOVERNANTA PARTE II

  E u sei isso muito bem! riposta a Inês, mas posso ler em voz alta, fazer vozes para cada personagem e a Mãe vai adorar, concluí. Não estamos a falar disse, corrige a Filipa e a irmã encolhe os ombros, ajudo-a também a vestir e a despir-se, ok? Que complicados vocês são! Eu vou mudar-me para cá, explica a Filipa, pelas razões óbvias. Só enquanto a Mãe precisar...acrescenta, entre todos, vamos tentar que a Mãe tenha uma recuperação fácil. Os irmãos ficam em silêncio por uns minutos, não sabem muito bem como é que a Mãe está a aceitar a morte do Pai e eu suspiro também. Isso também me está a preocupar, não sei o que esperar, devo ou não falar com ela sobre o Dr Gustavo? confesso, observa-a, se ela falar no assunto, fala, caso contrário, conta-lhe anedotas, inventa histórias engraçadas, fá-la rir, aconselha o meu marido. Quando A D.Carolina entra, a Filipa empurra a cadeira de rodas, a primeira coisa que noto é que está mais magra, os olhos muito tristes, aperta-me a mão quando me vê...