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CALAR - PARTE II

Não devia ter deixado que a situação evoluísse...  Não era a primeira vez que o Carlos a maltratava, mas Vera sempre achou que a melhor política era ignorar os comentários. Talvez fosse realmente um sinal de fraqueza como as outras pessoas sussurravam... Sim, toda a gente comentava a situação, embora não o fizesse abertamente. Nem ia passar a vida a tentar adivinhar o que o Carlos iria dizer; não faria mais nada na vida. Contudo, é apanhada desprevenida naquele dia em que o Carlos irrompe pela sala e acusa-a de ter dado informações erradas. " Informações erradas? Mas estás a falar do quê?" pergunta a Vera, sem perceber nada e já a rever mentalmente os acontecimentos do dia anterior. " O cliente diz que nunca lhe disse que precisava da peça até ao dia dois e que tem provas!" repete o Carlos. " Que cliente? Que peça?" volta a questionar a Vera. " Sabes muito bem de que cliente estou a falar...." diz o Carlos. A Márcia acon...

CALAR

Vera não quer acreditar no que acaba de ouvir. " Se não te calares, lixo-te!" ...  Lixa-me, porque discordei da solução que defendeu e apresentei outra que o chefe validou? Este tipo não funciona bem, pensa e pergunta " onde está o espírito de equipa?". Há algum problema comigo, não sei trabalhar com esta gente, o objectivo de se trabalhar em equipa não é trocar ideias? Ainda bem que ele não me está a ouvir, dizia já que me estou a armar em vítima! " Olá, o que se passa? Estás outra vez com aquele ar de comprometida; foi o Carlos que te aborreceu?" pergunta a Márcia. " Ficou aborrecido porque o Chefe concordou com a minha solução para o projecto." confessa a Vera. " Mas era mais simples, mais eficiente! O que é que ele quer?" diz a Márcia " Tens que lhe fazer frente; caso contrário, ele continua a maltratar-te." " Se lhe respondo à letra, diz que estou a ser malcriada e que não merece...

SEM GRAÇA - FIM

A relação entre as quatro mulheres modifica-se e é já a Guilhermina quem lhes conta semanas mais tarde de que o advogado conseguiu impedir a venda. Agora é o Tribunal quem analisa as propostas e as discute com os respectivos advogados. As outras sentem que a Guilhermina está mais aliviada, embora a Maria João tenha sérias dúvidas de que o assunto esteja encerrado. Antes das férias, sabem que receberam uma proposta que corresponde ao que pretendem e os advogados acham que devem aceitar. Adivinha-se férias complicadas para a Guilhermina, talvez lhe telefone, pensa a Clara, mas é absorvida pelo programa organizado pela família para se divertirem. É só quando regressam à empresa que sabem pela Cristina que a casa foi vendida pelo valor pretendido e o dinheiro dividido. O problema foi a partilha do recheio; combinaram uma data para se encontrarem lá e escolherem os objectos que seriam vendidos e os que iriam para as respectivas casas. " O idiota foi lá na...

SEM GRAÇA - PARTE V

A Guilhermina não fala sobre o que se está a passar, mas todas concordam que está mais simpática. " Talvez tenha percebido que não adianta nada descarregar nos outros!" opina a Maria João. " Ou que há uma diferença entre uma crítica construtiva e uma humilhação!" diz a Clara. " Ou quer simplesmente falar!" responde a Paula " Não necessariamente sobre o que se está a passar, mas sobre qualquer coisa que a distraia." As outras ponderam no assunto e resolvem convidar a Guilhermina para almoçar num restaurante ali perto. A Guilhermina fica surpreendida com o convite, mas aceita. Pedem uma mesa recuada, escolhem o prato do dia e a Paula inicia a conversa: " Como está? A Guilhermina tem estado um pouco aborrecida, podemos ajudar nalguma coisa?" " Realmente, não tenho estado bem e peço desculpa se fui inconveniente..." desculpa-se a Guilhermina. " Não há problema! Todos temos problemas, uns ...

SEM GRAÇA - PARTE IV

A Guilhermina desaparece por uns dias e há muitos rumores, alguns bastante absurdos. A Maria João tem que ir aos Recursos Humanos e enquanto espera pelo dossier, pergunta baixinho à Cristina: " Sabes alguma coisa sobre a Guilhermina? Já não aparece há uns dias; presumo que tenha falado com o chefe, mas como vives perto..." " Ah, não tenho a certeza, mas falam de que o marido vendeu a casa à rebeldia..." a Cristina suspira e continua " claro que a Guilhermina soube e está a discutir o assunto com um advogado." " Mas ele pode fazer uma coisa dessas? Se a casa está em nome dos clientes...." comenta a Maria João, mas a Cristina encolhe os ombros e confessa que não sabe mais nada. As outras ficam espantadas com as notícias. " Estou mesmo com muito pena dela!" repete a Clara " Como? Como é que ele fez?" " Só se falsificou a assinatura dela!" avança a Paula. " Se o fez, é fraude!...

SEM GRAÇA - PARTE III

Mas a Guilhermina abana a cabeça e afasta-se. Conta a Paula mais tarde que a encontrou no corredor, a falar ao telemóvel e com cara de preocupada. " O que se passará com ela? " comenta a Clara. " Diz a Cristina dos Recursos Humanos que não estão a chegar a acordo relativamente à casa." confidencia a Maria João. " E como é que essa sabe?" exclama a Paula, mas todas sabem que a Cristina é a " bisbilhoteira oficial" da empresa. Mas a verdade é que a Cristina vive na mesma zona residencial da Guilhermina e as novidades sabem-se depressa. Não é de admirar que saiba que a Guilhermina se recusou a sair da casa, que exigiu que ela fosse vendida, uma vez que contribuiu também para o pagamento do empréstimo.  Ou que não chegam a acordo quanto ao montante a pedir, isto porque há um vizinho interessado em adquirir a casa, mas acha o preço muito elevado. O ex-marido até aceitava a verba proposta, mas a Guilhermina não acha que...

SEM GRAÇA - PARTE II

Contudo, o dia é tão intenso que não tem tempo para fazerem considerações sobre o assunto. Naquele dia, a Maria João está mal disposta. Teve um discussão com o marido por causa da matrícula do filho na nova escola. " Não tínhamos decidido que ele iria para a Escola da Torre??" pergunta. " Mas os amigos dele vão para esta e são miúdos que ele conhece desde o pré-escolar!" argumenta o marido. " E, quem o vai buscar? Tens horário livre, mas eu não!" diz a Maria João e como parece que o marido tem tudo planeado, bate com a porta e saí. Não aceita muito bem as críticas da Guilhermina e é muito pouco diplomática na resposta. " A Maria João está a ser arrogante e eu não mereço que me fale assim!" comenta a Guilhermina. " Desculpe, estou a ter um mau dia. Não entendo porque é que o cliente falou consigo e não comigo!" explica a Maria João. " Ah, detesto que as pessoas me peçam desculpa! É um sinal de fraqu...