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TEMPOS ESQUECIDOS

Tarde quente, de fim de Verão! Tarde esquecida em jogos, risos e corridas - própria de quem espera tudo da vida! De quem é criança e ainda não se apercebeu das armadilhas que a vida esconde e dos conselhos de quem, por maldade, diz "Eu bem que avisei!". Talvez tenha avisado, mas é como Pascal diz "O coração, às vezes, tem razões que a própria razão desconhece" . Eu sei que é verdade; faço muitas vezes essa pergunta a mim própria, mas não tenho resposta. Ou tenho medo de enfrentar aquela verdade, que sei que existe, que é palpável, mas tenho de magoar alguém que é muito importante para mim. Talvez compreenda, porque nada tem a ver com os sentimentos que nos unem! Penso simplesmente na criança que fui e desejo voltar àquelas tardes longas, prazenteiras, em que o mundo girava, apenas para os outros!!!

UM DIA ASSIM

Um dia perfeito?? Aquele em que se desliga tudo - o computador, a rádio, a televisão e mesmo o telemóvel! Aquele em que nos esquecemos que, no dia seguinte voltaremos a enfrentar uma rotina, com a qual, às vezes, temos dificuldade em lidar! Aquele dia em que parece que morremos para o mundo, mas nunca para nós próprios! Instalamo-nos confortavelmente no nosso quarto ou no terraço, à sombra e abrimos um livro, naquele ponto chave da trama, onde o possível se torna o impossível e o impossível é possível! Há muito que não tenho um dia assim!

A PINTURA DO CÉU

Ontem, o céu parecia uma pintura. Parecia que o pintor tinha acabado de preparar a tela e começado a cobri-la com a cor base. Escolheu um azul, tão translúcido que até feria os olhos e depois, lentamente, começou a esboçar as nuvens. Sem lugar certo, sem obedecer a um padrão – tal como é na realidade – formas surrealistas, prontas a fazer as delícias de quem gosta de contar histórias. Esta nuvem – tão perto de mim; quase a podia tocar! - parecia uma mão, estendida. A outra, mais distante, parecia estar encolhida, como se tivesse medo de ser agredida. Aquela ali parecia estar a rir do ar zangado da outra. Pena o calor opressivo, seco, que se concentrou ali me tenha obrigado a fugir e a procurar um sítio mais fresco.

PARTIDAS DOS SONHOS

Quem sabe onde foste esta noite depois de adormeceres? Talvez tenhas ido jogar. Roleta, num casino! Não nesses casinos, chiques, onde os homens estão de smoking e as mulheres competem umas com as outras, escolhendo os vestidos mais “in” dos costureiros da moda. Nesses casinos, no meio de grandes e bem cuidados jardins, onde há sempre um empregado, de bandeja na mão, pronto a trazer-te a tua bebida predilecta. Nesses casinos, onde todos te bajulam, e onde até há uma pequena orquestra, a tocar música ambiente. Talvez tenhas ido a um casino clandestino, cheio de fumo e impregnado de cheiro de comida, acabadinha de fazer e que te está a abrir o apetite. Mas, quem sabe? lá ao longe, a polícia avança e alguém te puxe pelo braço e te leve dali para fora mesmo a tempo. Quando dás por ti, está num restaurante, a comer – tu que nem gostas de comer – e a rir-te da loucura a que escapaste. Aí, acordas sobressaltado, porque parece que estiveste a reviver uma cena do último filme que viste. Que...

HISTÓRIA PARA CRIANÇAS

" Havia uma menina que se chamava Ventania, e tinha uma gata por companhia " - acho que é a frase perfeita para começar a escrever uma história para crianças. Á moda antiga - com o Bem a triunfar sobre o mal. Talvez seja realmente antiquada, mas é como Lamartine diz: " Admiramos o mundo através das coisas que amamos ". Quem pode esquecer as princesas, prisioneiras dum gigante, do castelo cheio de armadilhas, do jovem corajoso, a enfrentar dragões e casar com a princesa e ser feliz para sempre? Ah, ainda hoje gosto de ler esses livros - pelo prazer que me dá. Quanto à minha história, não sei se a devo continuar. Tenho medo de não ser capaz !!!!

UMA CAMINHADA

" A vida é um caminho que temos que percorrer; passo a passo, um espinho; de onde a onde, uma flor" - autor desconhecido, poeta brasileiro Curioso, pois, neste momento, encontrei um espinho no meu caminho. Não sei se me devo desviar ou deixar que me crave no peito, esta angústia, este medo, esta sensação de que perdi a paz conquistada. Detesto sentir-me perdida, sentir que o caminho pode estar coberto duma fina camada de gelo e qualquer passo mal dado pode significar a perda do equílibrio. Ou descobrir que, afinal estou dentro dum vulcão, pronto a soltar lava, mas entretanto, o calor e os gases que liberta sufocam-me. Não sei verdadeiramente - só sei que após toda esta caminhada, vou encontrar um vale. Verdejante, rodeado por árvores e sulcado por um ribeiro "brincalhão", limpo ainda da mão do homem. Não vou gostar do meu reflexo naquele água pacífica, mas disso.... trato depois !

AMIZADE

A amizade não é: Oferecer um bombom envenenado ou um telefonema insultuoso. Não é falar nas nossas costas, inventar contos e ditos, gozar com as nossas desgraças! A amizade é: Acalmar a violência que percorre o nosso corpo quando nos sentimos injustiçados. Chamar à razão quando estamos a enveredar pelo caminho errado. Brindar aos nossos sucessos e rir com os nossos disparates. Abrir os braços e deixar que as lágrimas de frustação, tristeza ou dor se escondam nos seus ombros. Apreciar connosco a magia duma noite fria, a alegria dum dia lindo e ficar calado a comungar da beleza do mundo. A amizade é: "Como o perfume das flores. Derrama o seu aroma sobre aquele que está em sua presença" - Dugpa Rimpoché.