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O ASSALTO FIM

  Os médicos dizem que podem ser do trauma, que a Filipa recuperá a memória, mas a Polícia não fica nada satisfeita com o interrogatório. Não têm qualquer pista, os amigos até ficaram surpreendidos com a sugestão da Filipa estar a ser seguida, alguém a seguir a Filipa? É uma médica tão humana, uma amiga tão dedicada, que absurdo! Na clínica, a reacção foi igual e a Polícia encontra-se num beco sem saída. Agora, o que é que acontece? pergunta a Inês, tem que partir no dia seguinte, mas promete telefonar todos os dias. O Miguel encolhe os ombros, teremos que esperar que a Filipa recupere a memória, comenta, provavelmente, terão que fazer a reconstituição do acontecimento quando ela sair do hospital... talvez ela se lembre. Mas a Filipa lembra-se do que aconteceu e quem a atacou, só que não quer falar do assunto com ninguém. É estupidez, recrimina-se, mas não tem coragem para o denunciar, por isso, resolve procurar um outro apartamento, desculpa-se com o novo horário na clínica que va...

O ASSALTO PARTE V

  A D.Margarida instala-se no quarto perto da cozinha, a Inês ajuda-a a transformá-lo num espaço mais acolhedor e iniciam-se as limpezas no apartamento da Filipa. A Carolina já a visitou, falou-lhe docemente, mas a Filipa não reagiu e apesar do Mateus lhe assegurar que ela está estável, a Mãe continua bastante preocupada. Como prometido, o Edgar vem passar o fim de semana a casa e os recém casados chegam exuberantes, felizes. Nem querem acreditar no que aconteceu, mas porque é que não nos telefonaram? protesta o Matias, tínhamos apanhado o primeiro avião! Oh, idiota, e isso ajudava em quê? reclama o Edgar, vais andar atrás do intruso??? Nem sequer sabemos quem é??? A Polícia já disse alguma coisa? interroga o irmão mais velho que abana a cabeça. Não, responde o Miguel, diz que tem várias pistas, mas não diz mais nada para " não comprometer a investigação", explica. Cá para mim, ele não está a fazer nada, interrompe a Inês, não gostei nada daquele Inspector. Falei com o Telmo ...

O ASSALTO PARTE IV

  A Polícia aparece às sete em ponto, a família responde às perguntas feitas, mas não gostam da insinuação feita. A nossa irmã é espancada e a culpa é dela? protesta a Inês quando o Inspector Gaspar os deixa, suponho que sejam as chamadas perguntas de praxe, interrompe a Carolina, se bem que tenha ficado magoada. A irmã Teresa chega, traz o jantar e enquanto os  filhos ficam na cozinha a preparar tudo, as duas conversam na sala. A Carolina chora angustiada, a filha ainda não acordou, os médicos dizem que estão a fazer mais testes, e a Polícia tratou a Filipa como culpada, remata. Que disparate! diz a irmã, se calhar, foi um utente desesperado por drogas que a atacou, mas segui-la até casa, pensa...Já falaram com os amigos dela? continua. A Filipa passou o dia com eles, conta a Carolina, estava muito bem disposta, só não ficou para jantar, porque o Mateus ficou de entregar os miúdos por volta das 09h. A Polícia já libertou a casa, temos que a arrumar, mas ainda não tive coragem...

O ASSALTO PARTE III

  O filho aconselha-a a tentar, a Mãe está exausta e não ajuda ninguém se adoecer, diz e a Carolina fecha-se no quarto. Chora até à exaustão, adormece ainda vestida e acorda sobressaltada, como é que está a Filipa? é a primeira coisa que pensa e procura o telemóvel. Tem um SMS curto do filho a dizer que a irmã está estável, continua em coma e que não aconselham visitas, descansa, recomenda. A Carolina ouve vozes vindas da cozinha, vê as horas, já passa das duas da tarde e levanta-se. Toma duche, veste roupa limpa e já no corredor, reconhece a voz da filha mais nova, decerto a organizar uma brincadeira com os sobrinhos. Mãe, grita a Inês quando a vê e dá-lhe um grande abraço, os sobrinhos seguem-na e a Carolina sente-se sufocada, tem que rir. A D.Margarida brinda-a com um grande sorriso, tem que comer alguma coisa, sugere-se, fiz panquecas para os meninos, mas posso fazer uma omelete? A Carolina abana a cabeça, aceita as panquecas, precisa de café forte e a Inês decide levar os meni...

O ASSALTO PARTE II

  É melhor não tocar em nada, avisa o Mateus, teremos que avisar a polícia, mas onde é que está a Filipa? pergunta a Carolina, procurando o numero da filha no telemóvel. Continua a ir para o voicemail, comenta uns segundos depois, o ex-genro encolhe os ombros, vou procurar lá dentro, diz, é melhor ficar aqui com os meninos. Avança pelo corredor, há vidros espalhados pelo chão, sente uma corrente de ar, alguém deixa uma janela aberta, terá sido por aí que fugiram? pensa. A porta do quarto da Filipa está fechada, o Mateus abre-a cuidadosamente e depara com a ex-mulher no chão, meia despida e inconsciente. O Mateus vê de imediato que foi espancada brutalmente, verifica o pulso, respira, mas o Mateus receia que haja danos nas vias respiratórias. Apressa-se a voltar para a sala, a Carolina está inquieta, então? pergunta e o Mateus faz-lhe sinal para o seguir. Encontrei a Filipa, está inconsciente, alguém a espancou, explica e prende-lhe o braço, não, Carolina, é melhor não entrar no qua...

O ASSALTO

  Com o Matias casado, a casa vai ficar ainda mais vazia, suspira a Carolina naquela noite e a D.Margarida volta a sentar-se, já devia ter saído, mas a senhora parecia tão triste. Mas a menina Filipa mora no andar debaixo, diz, e raro é o dia em que os netos não estão cá. A Carolina sorri, lá isso é verdade, eles enchem a casa, mas é diferente, volta a suspirar e ficam as duas caladas. Passados uns minutos, a D.Margarida despede-se e vai-se embora, a Carolina fica sentada mais uns minutos. Vai para a sala, liga a televisão, mas decide ler e o livro é tão interessante que já passa das dez da noite quando decide comer alguma coisa. Sobressalta-se quando ouve a campainha, mas quem é a esta hora? murmura, acende a luz do hall e pergunta " quem é?" Somos nós, avó, respondem as vozes dos netos, a Mãe está aí? Não atende, e a Carolina apressa a abrir a porta. O Mateus sorri-lhe, estamos fartos de tocar, explica, o porteiro deixou-nos entrar. Pensei que ela estivesse aqui... Não, res...

NÚRIA FIM

  Resolvo marcar um quarto no Hotel onde a recepção vai ser organizada para evitar confusões em casa, dizemos aos convidados para irem directamente para a Igreja. A cabeleireira dá os últimos retoques, a maquilhadora também e a Mãe tira cuidadosamente o vestido do invólucro e a Glória dá um pequeno grito. É lindo, diz quando recupera a voz, podia ter um pouco de bordados, o decote e a cauda serem maiores, critica e a Mãe ri-se, estás sempre do contra, comenta. Descemos, as pessoas que estão no hall do Hotel aplaudem, agradeço com um sorriso e entro na limusina. A Igreja está linda, cheia de flores rosas e brancas, a cerimónia é comovente, o Matias aperta-me a mão. A recepção decorre muito bem, o menu é muito elogiado e o ponto alto é a subida da Inês ao palco. Como sempre, o vestido é extravagante, nunca resultaria em mim, mas resulta nela, é a imagem dela. Preparei uma canção, a letra é da minha autoria e pedi a um amigo para compor a música, anuncia, espero que gostes, mano, clar...