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O CÓDIGO DE CONDUTA - PARTE III

Abrem-se portas, há vozes nos corredores e alguém começa a descer as escadas. Justa tem que tomar uma decisão rápida.  Abre a porta que dá para o jardim, sussurra um " Rápido" e os outros seguem-na. " Isto tem que parar." diz sensatamente " A Isabel tem todo o direito de falar com os Recursos Humanos e tu, Zeca, também o deves fazer já que estás contra. Agora, vamos almoçar, voltar para as respectivas secções e deixamos que a situação se resolva." Isabel é a primeira a concordar. Zeca está relutante, mas acaba por aceitar os argumentos de Justa. São os últimos a entrar na cantina e por isso, têm que comer o que ainda há disponível. À saída, Isabel encontra a Directora dos Recursos Humanos e pergunta-lhe se pode marcar uma reunião com ela. Madalena olha para o relógio e responde: " Estou livre às três. Apareça por lá e falamos." e com um sorriso, afasta-se. Isabel faz uma lista dos pontos que quer esclarecer e a...

O CÓDIGO DE CONDUTA - PARTE II

" O Zeca não está a aceitar isto muito bem." observa Justa. " O Zeca é um grande egoísta. Não quero dizer que não tenho as minhas dúvidas relativamente ao código, mas se impedir que certas pessoas se armem em cowboys... assino já!" diz Isabel. " O que se passou exactamente? Ouvi uns rumores, mas ninguém quis discutir o assunto!" comenta Justa. " Por causa daquela confusão, fomos todos chamados à atenção e toda e qualquer decisão que se tome tem que ser justificada. Não basta dizer que te pareceu ser a mais correcta; tens que explicar tudo. A culpa foi do Zeca que não quis ouvir a opinião de ninguém, quase perdíamos o cliente e agora, não faz nada sem o conhecimento do chefe. Os outros têm uma certa liberdade, mas o chefe pode pedir-te esclarecimentos a qualquer momento e tens que estar pronta para isso." desabafa Isabel. " É frustrante, sim, teres que justificar o teu plano de trabalho." concorda Justa e volta a ler o...

O CÓDIGO DE CONDUTA

" Não vou assinar esta...." Zeca solta um palavrão e Justa diz ajuizadamente. " Olha que podem considerar isso como "comportamento ameaçador "." " Quero lá saber!" afirma Zeca " Isto só pode ter sido ideia dos auditores." " Mas se a empresa quer trabalhar com marcas internacionais e estas impõem..." comenta Justa. " Quero lá saber!" repete Zeca agressivamente " Não vou assinar!" " Claro que vais assinar; vais pôr o teu posto de trabalho em risco?" interrompe Isabel, calada até aí. " Já viste a estupidez disto? " pergunta Zeca e pega novamente no código de conduta que a empresa pediu que todos os funcionários lessem e assinassem " Os colaboradores devem ouvir e seguir os conselhos e recomendações dos seus superiores..." lê " Isto é interferir na minha liberdade..." " Na tua liberdade??? Não sejas parvo! Já te esqueceste da confusão q...

O DIABINHO - FIM

O que se passa a seguir é tão confuso que a D.Clotilde acha que está a ter um pesadelo. Chama-se o INEM, estes tentam reanimar Luísa e quando confirmam o óbito, a senhora só se lembra do grito de dor da Mãe. Natália é a primeira a aparecer; pede a Teresa, a ama, para fazer as malas das meninas e levá-las para casa dela. O Dr Lemos chega também, desesperado, a pedir explicações que ninguém lhe sabe a dar. Foi suicídio, ataque cardíaco fulminante, hemorragia interna? Digam-me, tenho que saber, lê-se no olhar. A casa enche-se de pessoas consternadas, a tentarem explicar ao Dr Lemos que não tem qualquer culpa, que fez o possível, mas ele continua a recriminar-se. Quando chega a casa, a D. Clotilde desata a chorar tão violentamente que o marido e os filhos temem que lhe dê alguma coisa. Claro que é uma violência, dizem, talvez não haja explicação, mas a única coisa a fazer é apoiar o marido e as meninas. Uma semana ou duas depois do funeral, Teresa volta a cas...

O DABINHO - PARTE VI

Na cozinha, o Dr Lemos prepara um café e a D.Clotilde estende a manta para a Joaninha se sentar e brincar. O doutor parece distraído e a senhora acha melhor não dizer nada. Continua a trabalhar, respeitando o silêncio. Antes de sair, o Dr Lemos explica-lhe que já contratou alguém para tomar conta das meninas e da mulher. Contudo, a pessoa só poderá entrar ao serviço na semana seguinte e até lá, a família vai ajudar. Ainda bem, pensa a D.Clotilde no fim daquela semana, pois a D. Luísa recusa-se a sair do quarto, a mãe tem que a obrigar a sair da cama e tomar um duche. Quanto a ver as crianças, fica histérica com a ideia e houve um dia em que se trancou na casa de banho, porque a avó entrou no quarto com as meninas. " Estamos todos esgotados." confessa a D.Clotilde ao marido " A D. Luísa gritou tanto noutro dia que eu fiquei sem saber o que fazer, se entrar também no quarto ou ignorar. Tenho pena é da Joaninha, está muito confusa e embora o Pai te...

O DIABINHO - PARTE V

" A D.Natália disse-me que o médico teve uma reunião com o Dr Lemos, pois a D.Luisa está muito fraca e pode ter uma depressão. Também o aconselhou a não terem mais filhos... " conta a D.Clotilde ao marido nessa noite. " Já têm duas filhas; está bem assim. O que importa agora é que a D.Luisa recupere." diz o marido " Falaram no que vão fazer agora? Contratar uma ama, uma enfermeira? Não podes tratar de tudo sozinha." " Não, não se falou em nada. Se calhar, já estão a tratar disso. Posso tratar da Joaninha, mas ela passa a manhã e parte da tarde na creche e oriento a minha vida em função disso. Mas tratar da casa, do bebé e da D.Luisa... é capaz de ser demais." concorda a D.Clotilde. A D. Luísa está mesmo mal. Parece apática, assustada quando regressa a casa e recua um pouco quando a Joaninha lhe pede colo. O marido tenta que ela pegue na Clarinha e a leve para o quarto, mas Luísa abana a cabeça e olha aterrorizada para a D.Clotil...

O DIABINHO - PARTE IV

Na manhã seguinte, a D.Clotilde encontra o Dr Lemos na cozinha com o frigorífico aberto, indeciso sobre o que tirar. " Oh, bom dia, doutor. Sente-se que eu preparo-lhe o pequeno almoço; trouxe pão fresco, ainda está quente." convida a senhora solícita " Então, e a D. Luísa como está?" O Dr Lemos deixa-se cair numa cadeira com um suspiro e responde: " A menina nasceu por volta das quatro e meia da manhã. Está em observação, mas eles acham que poderá sair dentro de uma, duas semanas. Agora, a Luísa não está nada bem; perdeu muito sangue..." " Há de recuperar, então, não vamos pensar o pior." aconselha a D.Clotilde " Então, outra menina? Como se vai chamar? A Joaninha já sabe?" " A Joaninha é uma marota." diz Natália que entra nesse momento com a sobrinha ao colo " Não quis vestir calças e tive um trabalhão para a convencer a vestir as collants." " Ah, sua marota, isso não se faz." ra...