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SORRISO ABERTO

Que eu sou uma sentimental – ninguém duvida! A única pessoa que aceitava as minhas lágrimas era (e é) a minha Madrinha, porque o resto da família ficava claramente irritada. Temos que nos aceitar como somos e nem todos podemos aparentar uma coragem, uma força, uma energia que não sentimos lá dentro. Claro que com os anos fui aprendendo algumas coisas, aprendi a erguer certas barreiras e a proteger a minha auto estima. Sem isso, não fazemos nada e eu não fiz nada, por mim, para me valorizar durante muitos anos! Fiquei extremamente comovida com o comentário tão amável e inesperado que recebi há pouco e, o Descamisado que me perdoe, vieram-me as lágrimas aos olhos. No entanto, deixo-lhe um presente inesquecível – um sorriso aberto, vindo lá do fundo do coração, como há muito não pairava nestas bandas !

CONVITE PARA O CHÁ

Janeiro termina hoje, com alguns sobressaltos, mas nada que não se possa ultrapassar. Tal como se estivesse a virar a página do meu livro para começar a ler o capítulo seguinte. Dito assim, pode parecer frio, insensível, mas quem por aqui passou, sabe a mágoa que ficou enterrada naquelas páginas . Ainda choro à noite, principalmente à hora em que ele me telefonava para conversarmos. Ainda me custa a conciliar o sono e durmo mal. Acordo irritada, triste e com a cabeça pesada . Mas a vida é isto mesmo – alto e baixos e amanhã começa Fevereiro . Altura ideal para começar um novo projecto – aproveitar a promoção dos ginásios e fazer ioga. E, claro está, vaguear por aqui, a cuidar dos meus amigos, deixando, por vezes, um presente. Desta vez, renovo o convite para um chá à moda antiga com scones quentinhos, com a manteiga a derreter e com uma boa dose de compota caseira .

CONVENCER

Geralmente não comento os meus livros aqui neste blog. Reservo-os para o meu blog em inglês, porque só muito raramente é que leio em Português. Mas terei todo o prazer em compartilhar a minha opinião sobre o “Watermelon” aqui, neste blog que eu considero um pouco como o meu diário. A melancia desfaz-se em água, não é verdade? Tal como os sonhos de Claire, a personagem principal, que neste momento deveria estar debruçada sobre a filha recém nascida, maravilhada com a perfeição, com os dedinhos rechonchudos desta e a trocar confidências e disparates com o marido. Só que este decidiu dizer-lhe que vai sair de casa e quer o divórcio. O mundo é mesmo uma ilusão, diz-me a Aluena. E de renúncia, acrescenta a minha Mãe. Exigindo muito auto-controlo, estou eu convencida . Doutra forma, como é que podemos lidar com aquela raiva surda, que nos embate tipo onda, despertando instintos de violência? Por isso, aqui fica um outro convite para ouvirmos uma outra canção – desta vez, dos Simply Red, “Sa...

NOVAS ESCOLHAS

Quando o novo ano começou, eu desejei que o ano 2006 fosse o ano da generosidade . Para com a nossa estimada pessoa e para com os outros! Vejo agora que a minha " dose de generosidade " para o mês de Janeiro foi mal recebida por alguém que, ou não a quis, ou não a soube retribuir. Ou talvez não saiba o que é ser- se "generoso"! O que é um mistério – continuo sem entender e aceitar (vou repetir isto até ser velhinha) porque acho essencial sermos generosos neste mundo virado completamente do avesso ! Mas, como realmente amanhã é um outro dia – eu sei disso, só que às vezes esqueço-me e por isso, obrigada por me lembrarem – e não vale a pena chorar pelos cantos, estou a preparar-me para um fim-de-semana em grande. Que é, para mim, simplesmente apreciar o livro novo que comprei. Conheço bem a autora, diverti-me a ler os outros e não há razão aparente para que este não me faça igualmente rir, dada a forma "leve" como as personagens e as situações são aprese...

UM BEIJO DA ROSA

Hoje, acordei a cantarolar " Kiss of a rose " do Seal - nem sei porquê! Talvez porque me lembrei de uma certa rosa, que deixei secar entre as páginas de um livro e ainda hoje, quando o abro, há um forte cheiro de orvalho, que invade o quarto, caí sobre nós uma sensação de frescura! Aquele dia foi um dia feliz, um dia em que me preocupei mais a proteger a rosa da chuva que desabou sobre mim, sem aviso prévio do que eu. E lembro-me do riso feliz que lançei para o ar! Lembro-me que era uma rosa cor-de-chá , quase transparente, digna dos deuses do Olimpo - uma cor linda, que eu adoro . E, apesar dos espinhos, não me piquei - talvez porque a rosa sabia que eu estava em paz e feliz e quisesse partilhar essa paz comigo . Neste momento, fecho os olhos e imagino que estou no Jardim das Rosas em Serralves, a ouvir o Seal. Quando sair, talvez compre uma rosa e deixe entre as petálas um beijo meu para que voe até alguém. A todos aqueles que me querem ver sorrir!

LEAL ATÉ AO FIM

Ontem não foi um dia fácil para a família!!! Primeiro fui eu que chorei amargamente, às escondidas, tentando aparentar uma calma que não tinha. Depois foi a minha Mãe que se sente uma inútil, desesperada e doente. Fiquei sem saber o que fazer e fiquei cheia de remorsos por ter falado alto ao meu Pai, que, coitado, desnorteado tentava a todo custo justificar-se do simples comentário que tinha feito e que foi mal compreendido . A única coisa que ele queria era acender o aquecedor, pois tinha frio – convém não esquecer que ele tem 83 anos! Os disparates que a minha Mãe disse – pois é isso que lhe devo chamar – apenas contribuíram para que eu me sentisse mais frustrada, mais revoltada . Porque, como sempre, estava completamente sozinha! A minha irmã já se tinha ido embora, para casa dela, porque a vida dela não se centra, como a minha, ali. Que eu devia também ter partido é uma realidade e não estou a criticar a minha irmã, mas que estamos a adiar uma decisão, que tem que ser obrigatoriame...

PRECIPITAR

Agora que cumpri o meu dever cívico, posso instalar-me confortavelmente na minha cadeira e começar a trabalhar. Afinal de contas, eu gosto de fazer este tipo de trabalho, porque cada tradução é um novo desafio e aprendo novas formas de falar e escrever o francês. É onde me sinto à vontade; é onde estruturo o meu ego, que não está exactamente ferido, porque recuei a tempo . Ontem, chorei amargamente e desejei poder chorar no ombro da minha irmã. Mas a minha irmã é brusca, prática demais, não tem tempo para analisar o labirinto dos sentimentos contraditórios do coração e a outra está longe demais. E, depois a decisão tinha que a tomar sozinha e se me sinto magoada….o melhor é alargar ainda mais uma distância que eu até estava disposta a ultrapassar . Ao ponto de ter considerado seriamente a possibilidade de deixar a cidade onde sempre vivi………… Oh, ainda vou chorar nos próximos dias; ainda vou pensar em mudar de ideias, que estou a ser injusta… Talvez me tenha precipitado, mas quem é que...