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CÍRCULOS

Lá, para os lados do mar, ainda persiste a neblina... Mas, aqui, já o sol, aventureiro, abriu... Eu?? Eu continuo a desenhar círculos no chão... Silhuetas com o meu corpo, com a cumplicidade do sol nos jogos de sombras.... A outra face da luz – não um jogo de escondidas, mas de pinturas de cheiros e sensações na minha pele............. Num círculo... O meu corpo...........

CAMPAINHA

Rimar com o vento??? Fácil como dançar com as folhas que ele, caprichoso solta...... Se tem segredos, e se a ti se destinam.... Só tu os podes ouvir....... Abre-te, solta-te, deixa que ele leve a tua gargalhada despreocupada para o outro lado do rio....... Assusta as pombas, estende as mãos para que o mundo te obedeça e respira fundo...... E, se cansado te sentires, de tanto riso e correria, pede-me colo... Deixa-me sentir os teus braços confiantes à volta do meu pescoço, o teu corpo rechonchudo encostado ao meu e o teu dedo pequenino a fazer do meu nariz uma campainha.... P.S.:Dedicado ao meu sobrinho "adoptivo"

SERÁ QUE???????????

Provoco-te…. Assalto-te a memória… Olho-te de soslaio… Passo maliciosamente a língua pelos lábios e afasto-me deliberadamente de ti… Sinto que os teus olhos me seguem e rio baixinho….. Quero reconquistar-te, tornar-te minha, ver os teus olhos encherem-se de gula, de prazer...... Será que é desta vez que te vou sentir trincar-me com gosto, com paixão? Será que vais voltar a sorrir como antigamente? Não, segues em frente, escolhes cuidadosamente os iogurtes, pedes o fiambre e os pães de leite…. ……………Sorridente, leve, solta….. E, eu??? Fico na prateleira, alguém pega-me e larga-me sem cerimónias no meio dos legumes.. De onde a tua mão me recupera………………. penso, satisfeito, “vais levar-me”, mas apenas voltas a pôr-me no meio dos "meus irmãos" …..

CLICK

Ninguém respira…. Nem mesmo o vento se atreve a distrair-me...... Espera-se…. Que eu enquadre a muralha e faça click…. Click e todos, inclusive eu, expiramos… Por fim… de alívio, satisfeitos, prontos para continuar a explorar a muralha, o jardim e o dia… Eu e o vento trocamos um sorriso… Divertido, cada um a imaginar uma nova partida… Mas, eis que, de súbito, o vento solta uma risada maliciosa, dá-me um beijo rápido no nariz, e mete-se pela primeira viela que aparece… Ainda corro atrás dele , mas já lá não está… Mas sei que voltará, sorrateiro, matreiro, provocador e por isso, continuo tranquilamente a fotografar…………..

SEXY

A voz sensual de Nat King Cole preenche os espaços vazios da casa, acompanha-me até à estação de Metro e abraça-me fortemente como se quisesse proteger-me da trepidação.... Sempre a ciciar-me ao ouvido que sou inesquecível.... Naquela voz profunda, sexy... Que, igualmente me faz sentir sexy................ E, involuntariamente os meus lábios entreabrem-se num meio sorriso... Enigmático, sedutor, cúmplice... Inesquecível como a canção...................

GALA

A respiração retenho... Caminho timidamente até ao espelho... Tenho medo...Há tanto tempo que não me vestia assim.... De gala, com um vestido comprido até aos pés... E, se abrir a saia, esta parece uma vela... de uma caravela Ou uma asa de uma borboleta E até a luz se diverte a captar as diferentes tonalidades do tecido... Quando rodopio, levantando levemente a saia e mostrando os sapatos forrados da mesma cor..... Assim o meu "escort" me encontra....... A irradiar felicidade, brilho que também no olhar dele encontro... E sinto, na palma da mão, muito suave, um beijo.... P.S.: À 125_azul por me emprestar o vestido

IMPOSSÍVEL

Não sei porque meus textos consideras poéticos.... Não os escrevo como tal; apenas reflectem o que cá dentro guardei e coragem nunca tive para dizer.... Como se nunca tivesse olhado para a minha imagem no espelho... Por sempre me esconder atrás de roupas escuras e disformes... Por nunca me ter sentido uma Princesa... E nunca ter sorrido... Mas, hoje a chuva e o vento, novamente, um duelo fatal travaram Para minha atenção conquistar... Como os poderei esquecer??? Se os meus pés molhados estão, se a barra da minha saia húmida sinto e o meu cabelo perdeu o volume e a graça?