sexta-feira, 12 de junho de 2020

OS CUNHADOS - PARTE III


Mas a Laura só aceita falar com o António.

O Pedro fica muito aborrecido, o médico explica-lhe novamente a evolução da doença e o tratamento que está a ser feito.

Mas o filho? é a pergunta desesperada do Pedro, o Miguel precisa de ter contacto com a Mãe,  mas o médico acha que é cedo, poderá desencadear sentimentos para os quais a Laura não está preparada.

" Disparate!" comenta o Pedro nessa noite ao jantar " Ela era obcecada pelo Miguel! Sempre tão cuidadosa, tão atenta!"

" Talvez seja isso que o médico quer evitar." intervém o António " Sabes tão bem como eu que a Laura exagerava, não quis que ele fosse para uma creche, raramente aceitava a ajuda de outras pessoas."

" Ela não queria ir àquele chá dançante, porque o Miguel não podia ficar em casa da Carolina, a Filipa era uma irresponsável. " acrescenta a Teresa " E a nossa sobrinha é muito responsável, aprendeu muito cedo a lidar com miúdos!"

" Também não concordo com o médico!" diz a Mãe " Acho que a Laura deve ver o Miguel na tua presença. Ou talvez na minha!"

Os filhos e o genro olham-na surpreendidos, a senhora sorri e explica:

" A Laura tem um filho, tem que enfrentar esse facto mais cedo ou mais tarde. Tem é que aprender como estabelecer a relação com o Miguel. Porque, nesse aspecto, concordo contigo, Pedro, ela era obcecada pelo filho e isso não é bom. Ela tem que ter espaço e dar espaço ao filho."

" É isso, filho!" observa o Pai " Deixa a tua Mãe falar com o médico, talvez consiga que ele  deixe a Laura ver o Miguel."

O Pedro suspira, está cansado, quer que tudo isto acabe.

O médico não gosta muito da ideia, compreende o ponto de vista da senhora, mas continua a achar que não é uma boa ideia.

Acaba por concordar, ficam no jardim e ao mínimo sinal de agitação, a Laura volta para o quarto.

Mas a Laura gosta de ver o Miguel que a olha desconfiado e não quer largar a avó.

Sentam-se numa manta, a Laura faz rolar a bola e o Miguel ri. É um dos jogos favoritos dele.

A Laura pega-lhe na mãozinha, aproxima-se mais para lhe dar um beijinho, mas o Miguel fica assustado.

Começa a chorar, a Laura entra em pânico, não sabe o que fazer para o sossegar e a enfermeira aparece de imediato.

CONTINUA

quinta-feira, 11 de junho de 2020

OS CUNHADOS - PARTE II


" Às vezes, sinto que nunca conheci a tua irmã. Sabia que ela tinha oscilações de humor, todos temos, mas um problema tão profundo...." diz o Pedro lentamente.

" Nem eu nem o António nos apercebemos disso e somos irmãos dela! Não te sintas culpado; em parte, a culpa também foi da Laura, não soube pedir ajuda." justifica o Gonçalo.

" Mas eu devia estar mais atento!" insiste o cunhado " Está naquela casa de repouso, não me quer ver e diz a tua Mãe que nem pergunta pelo Miguel."

O Gonçalo suspira, a Mãe também lho disse e o conselho médico é que a Laura está a responder bem ao tratamento e é melhor respeitar os desejos dela.

Não posso negar a vontade que tenho de ir até lá e dar-lhe um outro safanão, pensa o Gonçalo, mas isso não é realmente a solução.

Por isso, não diz mais nada, desvia a conversa para um tema mais seguro e quando o Pedro se vai embora, o Gonçalo sente que o cunhado está mais relaxado, mais animado.

No dia seguinte, desabafa com a Rita. Esta escuta-o atentamente, percebe bem o dilema, sempre achou a Laura muito mimada, mas diplomaticamente não refere o facto.

" Para te ser franca, acho que o médico está certo. A Laura tem que perceber o que se passa com ela, aprender a controlar-se e talvez nessa altura ela possa interagir com as pessoas de quem goste..." explica.

" Não estás a exagerar, Laura? " o Gonçalo está espantado " Sou irmão dela e gostava de fazer mais por ela."

" Mas é exactamente por isso que tens que lhe dar espaço... A Laura precisa de crescer..." comenta a Rita, pensando que talvez tenha ido longe demais.

O Gonçalo fica calado por uns minutos e depois, diz:

" Não tinha pensado nisso... mas és capaz de ter razão... Vou passar o fim de semana com os meus Pais, ver o que eles pensam e como podemos ajudar."

" O António e a Teresa também vão? " pergunta a Rita.

" Sim, sim, o Pedro e o Miguel." esclarece o Gonçalo.

CONTINUA

quarta-feira, 10 de junho de 2020

OS CUNHADOS


O Gonçalo está feliz...

Ter aceite o convite da Rita para integrar o quadro da empresa foi a melhor decisão que tomou.

A Rita é uma colega de trabalho excepcional: criativa e exigente, mas o Gonçalo acha que isso o obriga a explorar ainda mais todas as suas capacidades e a manter-se actualizado.

Sorri, estende as pernas para a lareira... ainda bem que comprou este apartamento, a lareira foi o que o decidiu.

Pena as coisas com a Eduarda terem terminado daquela maneira.

Talvez a Rita tenha razão: a Eduarda tinha inveja do sucesso dele ou talvez ciúme da Rita.

Talvez tenha percebido que a amizade dele com a Rita é mais profunda que uma simples relação profissional.

Sim, o affair deles foi apaixonante, intenso, nunca será esquecido e o Gonçalo sabe que muita gente acha aquela amizade inabalável estranha.

Como a Laura que ficou absolutamente indignada...

Ai, ai, Laura, porque é que és tão complicada? pensa.

Tocam à campainha, o que o surpreende, pois não está à espera de ninguém.

É o Pedro com o Miguel. Um Miguel muito corado e zangado.

" O que se passa?" pergunta o Gonçalo e o Pedro abana a cabeça impotente.

" Não sei; está em dia não. Não comeu, não dormiu, por isso, resolvi dar um passeio com ele. Vi o teu carro, deduzi que não tivesses saído..." explica o cunhado.

" Ah, ok..." responde o Gonçalo, tirando-lhe o bebé dos braços " Anda lá, rapaz, explica-me o que se passa." mas o bebé olha-o desconfiado.

" Vamos lá instalar-te!" prossegue o tio, sentando-o no chão no meio de várias almofadas.

O Pai tira alguns brinquedos do saco, o Miguel continua aborrecido, mas, pelo menos, não desata a berrar.

" Estás com cara de quem precisa de uma bebida!" diz o Gonçalo " Porque é que estás sozinho com ele? "

" Preciso de passar tempo com ele sozinho... a Carolina e a Teresa têm sido formidáveis, mas também precisam de estar com as famílias." esclarece o Pedro, aceitando uma cerveja.

" Pois..." concorda o cunhado " E, a Laura? " e vê pela cara do Pedro que as notícias não são boas.

CONTINUA



terça-feira, 9 de junho de 2020

FILIPA - FIM



O Miguel fica lá em casa uns dias, o Edgar e o Matias adoram a ideia e a Mãe deixa que o bebé fique no quarto deles.

São os dois uns baby sitters espantosos e o Miguel dá-nos a conhecer uma outra faceta dele: ri-se das palhaçadas dos meus irmãos, tenta imitá-los e fica bastante admirado quando vai contra as paredes.

Após uma discussão acalorada, a Laura cede à pressão dos irmãos, aceita ir para uma casa de repouso e depois passar uma temporada com os Pais na quinta que eles têm no interior.

O Miguel fica com o Pai, é a decisão do Pedro que não avança para já com o processo de divórcio.

Como estamos no meio do ano, já não consegue vaga para o Miguel numa creche e tem que contratar alguém.

Contudo, o Miguel passa mais tempo em nossa casa (alguém está sempre disponível para brincar com ele) ou na da Teresa e do António.

Eu e o Gonçalo temos boa nota no trabalho que apresentamos, estamos a dar-nos muito bem tanto a nível escolar como pessoal.

Às vezes, estudamos juntos em minha casa, mas o Gonçalo não se importa com o ambiente caótico em que vivemos.

Estou feliz com a minha relação, nem me preocupo mais com o que se está a passar com a Laura.

O Verão acaba, o Miguel vai para casa dos avós passar uns dias com a Mãe, não sabemos se a Laura vai regressar.

Mas eu e o Gonçalo somos agora oficialmente namorados e a relação é totalmente diferente da que tinha com o José.

Apesar disso, continuo cautelosa e vivo apenas o momento.


FIM

segunda-feira, 8 de junho de 2020

FILIPA - PARTE VI


Coloco o prato da Mãe no micro-ondas; o Pai ajuda-me a arrumar a cozinha enquanto que o Miguel lê uma história aos manos.

Quando saem do escritório, tanto a Mãe como o Pedro estão agitados, nervosos e apesar da Mãe insistir para ele dormir aqui, o Pedro diz que é melhor ficar num hotel, tem muito em que pensar.

Ofereço-me para lhe aquecer o prato, mas a Mãe abana a cabeça e confessa que não tem fome.

" Problemas com a Laura?" pergunta o Pai e a Mãe suspira.

" Doí-me tanto ver o meu irmão assim... desiludido, destroçado.... " observa a Mãe " Mas ele diz que atingiu o limite; a Laura continua egoísta, é obsessiva, ciumenta..."

" Não quis dizer nada na altura, mas sempre achei que não era boa ideia o Pedro voltar a viver com ela. Ajudava-a, claro, mas viver na mesma casa...." comenta o Pai " A Laura sempre me pareceu instável..."

" E agora? " questiono e a Mãe volta a suspirar.

" Vão ser tempos muito complicados para os dois!" e o Pai concorda.

A Teresa aparece no dia seguinte, o Pedro contou-lhe tudo e o António está completamente desesperado.

A Laura não lhe atende o telemóvel, recusa a abrir - lhe a porta e afirma que não saí daquela casa, que é do filho dela.

Ninguém está a dizer o contrário, explica a Teresa, mas, como sempre, a Laura não quer ouvir os outros e o António não sabe o que fazer mais.

O Gonçalo tem estado fora, quando regressa, todo satisfeito com os contactos que fez, nem quer acreditar no que lhe contam.

" Está decidido; vou lá dar-lhe um safanão!" e ninguém o consegue convencer que isso poderá não ser a forma adequada de controlar a situação.

Contudo, a Laura abre-lhe a porta, o Gonçalo diz-lhe umas verdades que a irmã não gosta de ouvir, mas tem que admitir que é verdade.

A meio da tarde, telefona ao António e ao Pedro, convoca-os para o que chama o " comité de guerra".

Telefona também à Carolina, será que o Miguel pode ficar uns dias lá em casa? e eu vou lá buscar o bebé.

É o próprio Gonçalo quem me abre a porta e me entrega o bebé.

Não vejo a Laura, deve estar na sala. 

O Pedro e o António chegam nessa altura e depois da troca de banalidades, desço.

O Pai está à minha espera e eu coloco o Miguel na cadeirinha com todo o cuidado.

CONTINUA


domingo, 7 de junho de 2020

FILIPA - PARTE V


Ajudamos os mais novos a arrumarem a sala e fico surpreendida quando o Miguel se oferece para vigiar o banho dos " piratas " como lhes chama carinhosamente.

" Desde que não deixem a casa de banho tipo..." a Mãe interrompe-se e o Pai completa " pocilga".

O Miguel mostra-se ofendido, era lá capaz de fazer uma coisa dessas e desaparece com os manos na casa de banho.

Ajudo a Mãe a preparar um jantar leve, ela e o Pai não querem comer, o buffet no chã era óptimo, confidencia.

O Edgar tem dificuldade em manter os olhos abertos e por isso, só come a sopa. O Pai tem que o levar ao colo para a cama.

O Matias esforça-se por se manter acordado, mas também se rende ao sono e é o Miguel quem o vai deitar.

Depois de arrumarmos a cozinha, vamos todos para os respectivos quartos e eu ainda tento ler, mas não consigo.

Estou muito cansada e apago a luz. Os bebés são amorosos, mas muito cansativos, penso.

A semana escolar é tão intensa que nem me lembro mais das aventuras com os bebés.

Mas a Teresa lembra-se, traz uma caixa de chocolates de uma marca que vende na loja para os mais pequenos,  para o Miguel uma T-Shirt da Springfield e para mim, o vestido que cobicei na Zara e que a Mãe achou caro demais.

" Oh, Teresa, muito, muito obrigada." não me canso de repetir e a minha tia ri-se.

Conversamos um bocadinho, a Teresa tem uma reunião na loja, aparece por lá um dia, convida e não pode ficar mais tempo.

Os manos ficam eufóricos com os chocolates, o Miguel completamente doido com a T-Shirt, como é que a Teresa adivinhou que adoro esta cor? e a Mãe acha que a Teresa exagerou.

" Sim, a Teresa foi muito generosa." digo " Mas a Laura nem sequer agradeceu. Foi o Pedro quem agradeceu, ela não disse nada."

" Oh, Filipa, não foi isso que te ensinei. " interrompe-me a Mãe.

" Claro que não o fiz para ter presentes; adoro o Miguel e a Sofia e tenho todo o gosto em ajudar. Estou apenas a dizer que a Laura pode estar diferente, mas continua a ser muito egoísta!" explico.

" Isso vai ser difícil de contrariar!" concorda a Mãe " Preocupo-me com o Pedro e com o bebé. O teu tio parece estar feliz, mas não sei até que ponto!"

O Pedro aparece nessa noite, está cansado, sem cor, com olheiras.

" Vocês desculpem, mas preciso de falar contigo, Carolina!" estamos a meio do jantar, a Mãe pede ao Miguel para pôr mais um prato na mesa, mas o Pedro declina.

Fecham-se os dois no escritório, o Pai faz-nos sinal para continuarmos a comer.

" É uma conversa entre irmãos! Vamos respeitar isso!" comenta.

CONTINUA

sábado, 6 de junho de 2020

FILIPA - PARTE IV


" Quando não arrumas os brinquedos, a Mãe fica aborrecida e diz-to, não é? Fala-te muito séria e num tom de voz que não admite brincadeiras... Isso é falar grosso." esclareço, o Edgar diz ah, ok, muito sério e desatamos todos a rir.

Resolvemos organizar um jogo para os bebés, espalhamos almofadas no chão e fazemos rolar a bola do Miguel para a Sofia.

O problema é que o Miguel não quer largar a bola, a Sofia não percebe porquê e tenta tirá-la das mãos do primo.

O Miguel dá-lhe uma sapatada, a Sofia chora e o primo Miguel fala-lhe novamente " grosso".

Entretanto, o Edgar vai buscar os livros dele e mostra-os à Sofia. Esta gosta das cores, acha piada ao virar das páginas e o Edgar explica-lhe pacientemente que o Sol é dourado, o céu azul.

" Ela não vai entender!" diz o Matias com ar de quem sabe do que está a falar.

Mas a Sofia está distraída, os dois Migueis estão envolvidos num jogo de bola que só eles compreendem e eu sinto-me esgotada.

O Gonçalo sorri, sugere um jogo de cartas ao Matias, mas só se ele se portar como um " cavalheiro".

" O que é isso? " o Matias repete a pergunta do Edgar e o Gonçalo volta a rir.

" Podes perder, mas isso faz parte da vida. Por isso, aceita-o!" diz o meu amigo muito sério e o Matias senta-se em frente dele.

Sento-me num sofá a rever o trabalho, sinto-me ensonada e acabo por me encostar melhor.

Acordo com a Mãe a chamar por mim:

" Filipa, Filipa, estás bem? " e abro os olhos.

A sala está cheia de gente, vejo a Teresa e o António, muito sorridentes, a Laura parece estar um pouco aborrecida, mas o Pedro esforça-se por não rir.

Olho em volta e vejo que todos adormeceram.

O Miguel bebé está ao colo do Miguel primo, o Edgar e a Sofia estão abraçados e o Gonçalo e o Matias ressonam.

" O que se passa aqui? " quer saber a Laura a preparar-se para tirar o Miguel do colo do primo.

O Pedro impede-a, o bebé está ainda a dormir, é preciso ter cuidado para não o acordar e não haver um berreiro.

A Teresa acorda delicadamente o Edgar, este ainda está confuso, mas endireita-se e a Sofia passa para os braços da Mãe ainda a dormir.

O Gonçalo fica um pouco envergonhado, adormeci, peço desculpa, mas o meu Pai dá-lhe um palmadinha no ombro, não há problema.

Beijos, abraços, obrigada Filipa por tomares conta dos bebés, despedem-se os Tios e o Gonçalo desce com eles.

Ficamos os seis no corredor, o chá dançante deve ter corrido bem, os Pais parecem felizes.

" E agora?" pergunta o Edgar " O que fazemos? "

" Eu tenho uma óptima ideia!" observa a Mãe " Que tal arrumarem a sala?"

CONTINUA

sexta-feira, 5 de junho de 2020

FILIPA - PARTE III


" Anda cá, pá... nós vamos ter uma conversa de homem para homem!" decide o Miguel e tira-me o bebé dos braços " Ora, vamos lá saber a causa desse berreiro todo... Falta-te alguma coisa???"

O Miguel bebé cala-se, está surpreendido, olha desconfiado para o primo e depois sorri.

Todos respiramos de alívio enquanto Miguel continua a conversar com o bebé que parece estar a escutá-lo atentamente.

O Miguel leva-o para a sala, o Matias e o Edgar fecham o cortejo.

Eu vejo se a Sofia tem a fralda suja, o Gonçalo pergunta-me se não está na hora de lhes dar de comer.

Consulto o relógio, falta uma hora de acordo com os horários que tanto a Teresa como a Laura deixaram.

" Escusamos de ficar aqui, ela não vai voltar a adormecer. Vamos até à sala? É melhor levar a cadeira do Miguel..." determino e o Gonçalo concorda.

Na sala, estão todos sentados no chão, o Miguel bebé ao colo do meu irmão.

O Matias e o Edgar organizaram o que parece ser um safari e o bebé está a achar piada.

O Miguel impede-o de pegar nos carros mais pequenos, sugiro que os guardem, deixem só os grandes, aconselho.

A Sofia fica sentada na cadeirinha,  brinca com as mãos, tenta levar o pé a boca e o Gonçalo ri-se.

" O nosso trabalho de  Filosofia fica em stand-by? " pergunta-me.

" Podemos tentar terminar... os bebés estão divertidos.... não sei se vamos ter sossego." respondo e o Gonçalo vai buscar o PC e os livros à cozinha.

De vez em quando, os membros do safari gritam e a Sofia assusta-se, mas até conseguimos terminar o trabalho.

É hora de dar de comer aos bebés, o Miguel encarrega-se do primo e fico espantada por o ver comer sem protestar.

A Laura diz que ele costuma fazer birras, que tanto ela como o Pedro ficam desesperados, mas o Miguel apresenta-lhe a colher, ele abre a boca obedientemente.

" O que é que lhe fizeste?" quero saber.

" Ora, tudo o que ele precisava era que alguém lhe falasse grosso!" explica o meu irmão e a gargalhada é geral.

" O que é isso? " o Edgar está um pouco confuso.

CONTINUA

quinta-feira, 4 de junho de 2020

FILIPA - PARTE II


O tempo passa, os bebés crescem e a Teresa e a Laura voltam ao trabalho.

E eu conheço o Gonçalo. Ainda estou um pouco hesitante, a história com o José foi complicada, mas tanto a Mãe como a Teresa dizem que devo viver a relação com calma, ao primeiro sinal de violência verbal ou física, afastar-me de imediato.

Contudo, no dia em que toda a família vai a um chá dançante, o Gonçalo prontifica-se a ficar comigo a tomar conta dos bebés.

Para a Teresa, não há problema nenhum em deixar a Sofia comigo, mas a Laura resiste à ideia e é preciso o Pedro intervir, o Miguel fica com a Filipa e não se fala mais nisso, precisamos de nos divertir, conviver com outras pessoas.

O Miguel, meu irmão, organiza um jogo para entreter o Matias e o Edgar na sala de estar.

Eu e o Gonçalo instalamos os bebés no quarto dos meus Pais, deixamos a porta aberta e sentamos-nos na cozinha.

Temos um trabalho de Filosofia para entregar, espalhamos os livros para pesquisa na mesa e a troca de ideias é fluída, interessante.

De repente, vem um grito da sala, a primeira coisa que nos ocorre, alguém caiu e depois, ai que vão acordar os bebés.

Corremos para a sala, eu já estou zangada e pronta para castigar quem ousou quebrar o pacto de não fazer barulho e o Matias está muito vermelho, a tentar bater no Miguel que se ri como um idiota.

" Oh, Miguel, o que se passa??? Ainda acordas os bebés!" digo e o Miguel tenta respirar fundo enquanto o Matias repete:

" És mau!!! Mau, mau!!" 

O Edgar está calado, sentado no sofá a observar a cena.

" O Matias não gosta de perder, principalmente quando é o Edgar que ganha!" explica o meu irmão e ri-se o que enfurece ainda mais o Matias.

Abro a boca para consolar o Matias, mas vem um choro furioso do quarto dos Pais.

" Bonito! Deve ser o outro Miguel, espero que não acorde.... a Sofia!" mas claro que a minha afilhada também acorda e reclama atenção.

O Gonçalo segue-me, os meus irmãos no nosso encalço e deparamos com um bebé muito zangado a tentar sair da cadeira.

A Sofia está acordada, mas apenas observa.

" Bonito! Vamos ver se ele sossega...." repito e pego no Miguel ao colo.

O Edgar faz-lhe caretas, mas o Miguel não lhe acha piada e continua a chorar.

CONTINUA

quarta-feira, 3 de junho de 2020

FILIPA


Ser-se a única rapariga numa família de rapazes é complicado.

Felizmente, o bebé da Teresa é uma rapariga e eu vou ser a madrinha.

" Sabes o que isso implica? " pergunta-me a Mãe e eu fico na dúvida se está a brincar comigo.

Afinal, tenho três irmãos mais novos, posso dizer que sou perita em bebés e até sou capaz de identificar se é um choro de sono ou de fome.

" Não há regras!" avisa a Mãe " Cada bebé tem necessidades diferentes!" mas eu estou convencida de que tudo o que é preciso é ter paciência e não entrar em pânico.

É o que acontece com a Laura; noutro dia, fui visitá-la com a Mãe e ela estava quase a entrar em " parafuso " (a Mãe não gosta que eu use esta palavra, mas sou sincera, não me lembro de outra).

O cabelo sujo, ainda de roupão, descalça, a Laura estava completamente perdida e o Pedro não estava muito melhor a tentar sossegar um Miguel muito zangado, aos berros.

A Mãe tomou conta do assunto eficientemente, tirou o Miguel ao Pai e o bebé, talvez por sentir que estava ao colo de alguém calmo, calou-se.

" Anda cá, Filipa, pega nele e vê se o consegues adormecer. Vocês os dois... " disse " vão relaxar, tomar um banho, se quiserem fazer uma pequena sesta, façam. Eu e a Filipa vamos organizar as coisas."

A Laura e o Pedro suspiraram de alívio, eu lembrei-me de uma canção que costumava cantar ao Matias e ao Edgar para adormecerem e o Miguel gostou tanto que fechou de imediato os olhos.

Entretanto, a Mãe arrumou a cozinha, sempre a soltar ah's e oh's, pois a casa está muito desarrumada.

" Porque é que a Laura não contrata ninguém para a ajudar? " perguntei-lhe quando saímos umas duas horas depois.

A casa ficou mais ou menos arrumada, o Miguel continuava a dormir e o Pedro estava já fechado no escritório a dar andamento a trabalho atrasado.

" Não sei! Sabes como é a Laura... não aceita conselhos de ninguém e creio que o Pedro não a quer aborrecer!" confessou a Mãe.

Sim, todos sabemos do mau feito da Laura.

Não é definitivamente a minha pessoa favorita e espero sinceramente que o Miguel não se torne numa versão masculina dela!

CONTINUA

terça-feira, 2 de junho de 2020

O REFÚGIO - FIM


Interroga a irmã com o olhar; esta encolhe os ombros ligeiramente como que a dizer que não tem qualquer importância.

" Ok, minhas senhoras, não vai haver mais discussões, não quero saber qual o motivo. Vamos gozar a gravidez, pensar neste pequeno ser humano que nos pertence e que nos vai dar tanta alegria!" diz o Pedro calmamente.

A Laura abre a boca para protestar, mas o ar sério do marido impede-a e admite mais tarde ao médico de que ele tem toda a razão.

A partir daí, a vida decorre calmamente, cada casal a gozar a gravidez e evitam-se conversas sobre o tamanho da barriga, o enxoval, as cores para o quarto do bebé quando estão juntos.

No final de Agosto, o António e a Teresa são surpreendidos, não quiseram saber o sexo antes, pela chegada de uma menina muito sossegada.

Convidam a Filipa para madrinha, até lhe pedem para escolher o nome e a pequena Sofia vai ter uma poderosa aliada na prima/madrinha.

Umas semanas mais tarde, é a vez da Laura receber um rapaz forte, cheio de cabelo e com um ar tão zangado que o Gonçalo dá-lhe logo a alcunha de " rezingão".

Os primeiros meses são bastantes complicados para o Pedro e a Laura, pois o rapaz, a quem chamaram Miguel, não gosta de dormir e reclama toda a atenção dos Pais.

Em contrapartida, o António e a Teresa não sabem o que é uma noite sem dormir, a Sofia só chora se estiver aborrecida ou se não cumprem os horários da comida.

A loja está a ser um sucesso, a Margarida até já fala em expansão, mas a Teresa não concorda.

O Gonçalo e a Rita estão entusiasmados com os novos projectos e já têm que contratar um novo designer.

Quanto à Laura, está a pensar novamente em abrir a loja online.

Poderá gerir o tempo em função das necessidades do Miguel, não o querem inscrever para já numa creche, não neste primeiro ano de vida.

O Pedro acha que é uma boa ideia, mas ainda tem as suas dúvidas.

O que espera é que a Laura não queira trabalhar no refúgio.

Afinal, ele pediu para ter um espaço só para ele!

FIM

segunda-feira, 1 de junho de 2020

O REFÚGIO - PARTE VI


De repente, o António percebe tudo e dá voz ao que lhe está a passar na mente nesse momento.

" Não me digas? A Laura também está grávida?.... Mas isso é uma maravilha, Pedro! Parabéns!"´

O Pedro sorri, fala mais abertamente sobre o que o preocupa no momento.

"... está toda animada, vamos experimentar uma aula de yoga na próxima semana..." conta " Mas não ficou nada satisfeita quando lhe disse para não fazer esforços, que esperasse por nós para ajudarmos a dispor os móveis no refúgio...pareceu a velha Laura!" suspira.

" Não te preocupes; eu também não deixo a Teresa fazer esforços desnecessários!" aconselha o António " E se ela não quiser comparar notas com a Teresa, nós podemos fazer isso sem saberem!"

A notícia de que a família vai aumentar com o nascimento de dois bebés provoca muitos ah's e oh's.

A pessoa mais feliz parece ser o Gonçalo, aproveita todas as oportunidades para falar no assunto e sugere os nomes mais extravagantes.

A Rita até tem que o proibir de falar no nascimento dos sobrinhos dentro do escritório.

" Os clientes ainda pensam que estão a entregar os projectos a um adolescente!" refila.

Entregam os móveis para o refúgio, o Pedro pede ajuda ao António e ao Gonçalo e a Teresa também aparece.

Declinam a ajuda delas, dizem para esperarem na cozinha, depois chamam-na para dar os toques finais e a Teresa oferece-se para fazer um chá.

A Laura aceita, está cansada e nervosa. A Teresa parece estar muito calma e isso enerva ainda mais a Laura.

" De quantas semanas estás? " pergunta a Teresa delicadamente.

" O médico diz que deve nascer entre 15 e 20 de Setembro." responde a Laura.

" Ah, o meu deve ser entre 30 de Agosto e 10 de Setembro. Que engraçado! Vão poder brincar juntos, quem sabe? até irem para a mesma creche!" diz a irmã do Pedro " Vai ser muito bom ter um bebé na família; a Filipa já se ofereceu para fazer de baby sitter!"

" Não sei se quero!" exclama a Laura e a Teresa fita-a surpreendida.

" Porque não? A Filipa tem 16 anos, é uma miúda responsável e toma muitas vezes conta dos irmãos mais pequenos!

" JÁ DISSE QUE NÃO QUERO!" grita a Laura, a velha Laura egoísta pensa a Teresa.

Felizmente, o Pedro abre a porta da cozinha nesse momento, já descarregaram tudo, querem saber onde a Laura quer os móveis.

Apercebe-se imediatamente de que há qualquer coisa errada.

CONTINUA

domingo, 31 de maio de 2020

O REFÚGIO - PARTE V


" Espero é que a Teresa não tenha o mesmo médico, não quero cá estar a comparar dietas, cuidados, etc." continua a Laura, mostrando uma réstia dos velhos tempos.

" Espera aí, volta atrás..." pede o Pedro " Vamos ter um filho? E é assim que mo dizes?"

A Laura cora, fica embaraçada e diz muito baixinho:

" Não sabia muito bem como to dizer... Fiz asneira??? " mas o Pedro dá-lhe um abraço.

Permanecem assim algum tempo, estão os dois muito felizes e ao mesmo tempo, assustados.

" O que vais fazer agora? " pergunta o Pedro e a Laura sorri.

" O médico diz para continuar a fazer a vida normal, ter mais cuidado com a alimentação, aconselhou a fazer yoga para grávidas." conta a Laura " Já descobri um sítio, vou lá amanhã, não queres vir comigo? "

" Não me estou a ver a fazer yoga para grávidas." confessa o Pedro e a Laura volta a rir.

" Não, idiota, há aulas normais para adultos. Se houver uma aula no mesmo horário que a minha, podes esperar por mim, podemos ir às compras, jantar fora, fazer qualquer coisa..." sugere a mulher e o Pedro até gosta da ideia.

" Ok, a decoração do meu refúgio está aprovada. Encomenda tudo, organiza a entrega de forma a estar cá alguém para ajudar, pois tu só orientas. Não mexes um dedo que seja..." impõe o Pedro.

" Não sou de vidro! " protesta a Laura de imediato, mas o Pedro não cede.

A velha Laura volta à superfície e discutem apaixonadamente. 

O Pedro continua a não ceder, a Laura fica amuada, mas aceita a só se preocupar com a disposição das almofadas e a arrumação dos livros.

" A tua irmã hoje... foi impossível!" o Pedro sente-se esgotado; há já algum tempo que não a via tão exaltada.

Desafiou o António para uma corrida no parque ao fim da tarde e estão agora sentados num banco a descansar antes de voltarem para casa,

" Impossível? Porquê? Ah, disseste-lhe que a Teresa está grávida?" diz o António " Se calhar, o Gonçalo tem razão e temos que lhe dar  um safanão."

" Não ficou muito preocupada com isso. Só está preocupada com a possibilidade da Teresa ter o mesmo médico que ela e quer comparar notas." explica o Pedro.

" Notas? Comparar notas? De que é que estás a falar?" o António está verdadeiramente confuso e aguarda mais detalhes.

CONTINUA



sábado, 30 de maio de 2020

O REFÚGIO - PARTE IV


Mas tem que o fazer e rapidamente.

Podem encontrar-se com a irmã e o cunhado e a Teresa ter já uma barriga considerável.

Por isso, no dia seguinte enquanto tomam o pequeno almoço, o Pedro resolve abordar o assunto cuidadosamente.

" Almocei ontem com o António..." começa " e ele deu-me uma boa notícia."

" Estranho, a mim não me disse nada!" diz a Laura " Sou irmã dela, trabalho com ele e não me diz nada???... Ah, segredos de homens???" pergunta.

" Não, tu também vais ficar a saber. A Teresa e o António vão ter um filho!" responde o Pedro.

A Laura fica estupefacta, sem querer acreditar.

Entretanto, no outro lado da praça, o António e a Teresa também conversam sobre o assunto.

" Mas não tinha ficado combinado que eu dizia às mulheres da família e tu aos homens?" indaga a Teresa " Porque é que o meu irmão vai dizer à Laura? "

" A Laura está a recuperar bem, mas ainda está muito frágil. O Pedro não quer arriscar e é realmente melhor ser ele." explica o António.

" Espero que tenhas razão; nunca se sabe como a Laura vai reagir. Tens que concordar que a tua irmã é complicada." responde a Teresa e sabe pela expressão do António que foi longe de mais.

Suspira, o António vai ficar um pouco amuado, mas não o pode criticar. Ela também defende o Pedro com unhas e dentes.

Em casa do Pedro, a Laura Laura recupera a compostura.

" Não me faças rir, Pedro!" exclama " A tua irmã deve ter 40 e quê???, está velha demais para ter filhos!"

" Eu tenho 39 anos, a Teresa tem 34. É um pouco tarde para se ter um primeiro filho, mas a Teresa deve ter um bom médico e está de certeza ao corrente dos riscos que está a correr!" explica o Pedro e sente que foi frio demais.

A Laura encolhe os ombros, a velha Laura continuaria a discutir e anuncia:

" Ela que não conte comigo para ser baby sitter! Eu só vou ser baby sitter do meu filho!"

E é a vez do Pedro ficar estupefacto.

CONTINUA

sexta-feira, 29 de maio de 2020

O REFÚGIO - PARTE III


" Tu e a Teresa vão ter um filho??? Mas isso é óptimo!" repete o Pedro incrédulo. Almoçara com a Teresa na véspera e a malandra não lhe disse nada.

" Espero que seja um rapaz!" diz o Gonçalo " Vou ensinar-lhe todos os truques!"

" Nem penses!" reage o António, mas ri-se.

" Eu gostava de ter uma sobrinha! " confessa o Pedro " Para a estragar com mimo como faço com a Filipa!"

O Gonçalo não concorda, é preciso que seja um rapaz para defender o nome da família, mas no fundo, todos sabem que isso não é o mais importante.

" Não perdoo à Teresa! Estive com ela ontem e a marota não me disse nada!" lamenta-se o Pedro.

" Não, ficou combinado que eu diria aos rapazes da família e ela às raparigas." esclarece o António " Agora que já sabes, podes falar à vontade e ela vai adorar!"

O Gonçalo continua a dizer disparates, mas o Pedro fica muito sério de repente.

E, a Laura? Como é que a Laura vai reagir? 

" Queres que seja eu a dizer? " pergunta o António ao compreender o dilema do cunhado " Sei que pode ser complicado... mas ao mesmo tempo, acho que devemos tratar o assunto com normalidade."

" Deixa estar, é melhor que seja eu." responde o Pedro " Preocupava-me mais se fosse há uns meses atrás, mas agora, acho que a Laura está preparada para a vida normal."

" E, se não comporta direito, terei todo o gosto de lhe dar um safanão!" atalha o Gonçalo, mas o António diz-lhe para deixar de ser parvo.

Mas o Pedro não tem oportunidade para discutir o assunto nessa noite, porque a Laura tem uma série de coisas para lhe mostrar.

" Acho que esta secretária com pés de madeira e tampo de vidro é perfeita. As prateleiras também podem ser da mesma madeira bem como a mesa onde vai ficar a impressora. " explica a mulher " Vou escolher esta cadeira e em frente da secretária, estas poltronas para que, se receberes clientes, estejam confortáveis."

A Laura arrasta-o para o escritório, escolheu cinza claro para as paredes, branco para os frisos.

" Aqui, vai ficar um biombo e deste lado, uma pequena sala com a TV que queres..." continua a Laura " O que achas? "

" Parece-me perfeito!" diz o Pedro sinceramente e o sorriso da Laura é tão bonito que ele adia dar-lhe a notícia da gravidez da Teresa.

CONTINUA

quinta-feira, 28 de maio de 2020

O REFÚGIO - PARTE II


Na semana seguinte, o António convida o Pedro para  almoçar, " sem mulheres" e quando o Pedro pergunta porquê, o cunhado responde trocista:

" Tu é que começaste com a ideia do " refúgio masculino"! " e os dois riem-se.

O Gonçalo aparece também e o irmão avisa-o logo que cada um paga o seu. 

O Gonçalo finge-se ofendido, era lá capaz de uma coisa dessas???

" Então, Pedro, que tal vai o teu refúgio? Estou curioso... espero que a Laura compre uma TV panorâmica; podes ter a certeza que estarei lá para assistir a todos os jogos." comenta o Gonçalo.

" O médico diz que me devo interessar mais pela decoração da casa; dar opiniões, ajudar a Laura a decidir. Como a empresa me propôs trabalhar a maior parte do tempo em casa, tenho que ter um escritório e saiu-me essa... de refúgio." conta o Pedro.

" A Laura ficou intrigada com o pedido, até falou comigo sobre isso. O certo é que já a vi com catálogos de mobiliário de escritório... " esclarece o António.

" Mas ela parece estar melhor... O que diz o médico? " quer saber o Gonçalo.

" Está a melhorar, o médico está a pensar em reduzir a medicação. O que ela precisava era de uma rotina, de projectos. Mudar para um bairro diferente, uma casa diferente está também a ajudar." explica o Pedro.

" E reconciliar-se contigo...." acrescenta o António e o Pedro concorda.

" Mas temos um longo caminho a percorrer. Ainda tenho alguma dificuldade em lidar com certos aspectos da obsessão da Laura, mas o médico diz para ter calma." diz o Pedro.

" Também estás a ter consultas com o médico da Laura? " e o Gonçalo fica admirado.

" Para a ajudar, tenho que perceber o porquê de certas atitudes dela!" repete o Pedro.

Para o António faz todo o sentido. Até questiona a hipótese dele próprio consultar o médico para ajudar a irmã.

Veremos o que a Teresa diz, pensa e acha que está na altura de dar a boa notícia.

" Vocês vão ser tios!" e a surpresa é tal que o Gonçalo engasga-se.

CONTINUA

quarta-feira, 27 de maio de 2020

O REFÚGIO


Laura gosta da nova casa.

Planeou com todo o cuidado cada detalhe da decoração a ponto de exasperar o Pedro que não entende bem a diferença entre ter um sofá preto e uma parede amarela.

O médico aconselha-o a ter calma, está a ser bom para a Laura ter um projecto e concretizá-lo e seria uma boa ideia se ele, Pedro, a ajudasse também.

Por isso, o Pedro " exige-lhe" que decore um " refúgio masculino". 

Isto intriga bastante a Laura que pergunta:

" Um refúgio masculino? Mas o que é isso? Uma sala de jogos e TV? " mas o Pedro abana a cabeça.

" Não exactamente. Podes colocar lá uma TV, não te incomodo quando houver jogos, mas o que quero é um escritório. Secretária, cadeira, arquivos, etc e um ou dois sofás confortáveis, uma mesa..." explica.

" Posso fazer isso naquela sala perto do hall de entrada; ainda não tinha decidido nada." comenta a Laura " Mas queres um escritório para quê? Não tinhas arrendado aquele espaço na Baixa? "

" Poupo na renda, não perco tempo nas deslocações e reuniões com os clientes podem ser por video conferência ou nas instalações deles." diz o Pedro.

" Achas que vai resultar? Não te vais desleixar? " observa a mulher.

" Não posso, não é Laura? Tenho que manter uma rotina..." responde o Pedro.

A Laura não diz mais nada, conversa com o irmão. Explica a ideia do Pedro, pede-lhe a opinião.

O António não acha a ideia estranha; afinal, em casa ele organizou não só o chamado "canto de leitura" mas também um pequeno escritório.

" Escolhe uma secretária funcional e uma cadeira confortável.  Arquivo? onde comprares a secretária, encontras armários para isso. Também podes comprar uma divisória ou um biombo e criares um local com sofás e a TV. "

" Gosto da ideia do biombo!" reflecte a Laura.

CONTINUA