sábado, 12 de outubro de 2019

NOTA NEGATIVA - O FIM


Não falo mais, apenas respiro fundo e soletro as palavras:

" NEM MORTA!" e assusto-me com o olhar do Daniel.

A mão dele ergue-se e sinto-a bater com toda a força na minha cara.

Fico atordoada, com o lábio a sangrar, tento protestar, mas o Daniel é rápido demais.

Envolve o meu pescoço com uma ligadura e aperta.

Custa-me a respirar, tento dar-lhe um pontapé, mas ele aperta cada vez mais a ligadura.

Já não consigo respirar, Deus, será que vou morrer?

Mas ninguém me responde... a minha voz já morreu, o meu cérebro está a desligar-se...

E o meu corpo fica mole e escorrega para o chão...


FIM 


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Desafio aos meus comentadores:

Já conhecemos a história do ponto de vista de:

Daniel, o assassino
Rosa Maria, a vítima

Podemos falar sobre a auxiliar, Maria Rosa...
Ou como a morte da Rosa Maria afecta a família...

Dêem as vossas sugestões....

sexta-feira, 11 de outubro de 2019

NOTA NEGATIVA - PARTE IV


Está escuro, não consigo identificar a zona, mas sei que nos estamos a afastar da cidade.

Procuro qualquer coisa com que possa cortar as ligaduras, nos filmes parece tudo tão fácil, mas o meu carro está limpo demais.

Entretanto, o Daniel discursa.

Uma série de disparates, parece-me e apercebo-me que ele fala do speed dating.

" Pensas que és melhor do que eu? Porquê? Tens um canudo e eu limpo os corredores do hospital? "

É tão absurdo que nem respondo e parece que isso o enfurece.

" Não dizes nada??? O que é que aconteceu? Emproada, arrogante, estúpida!"

" Afinal, o que é quer? " digo finalmente, mas ele apenas se ri.

Estou desesperada, não conheço esta zona, há pouco iluminação e não há casas.

O Daniel cala-se finalmente e eu não sei realmente o que esperar.

O telemóvel está na carteira, mas não a consigo alcançar.

Talvez pudesse ligar para o 112 e com toda a tecnologia moderna, de certeza que localizavam o carro.

Fecho os olhos, sinto que as lágrimas ameaçam cair e não quero que ele as veja.

Terão passado dez, quinze minutos? O Daniel estaciona o carro à beira de uma praia deserta e decerto pouco frequentada.

Há um café, mas as janelas estão partidas e os degraus destruídos. Uns metros à frente, vejo um armazém, mas está abandonado com as portas fora dos gonzos.

Há lixo espalhado por todo o lado, contentores queimados... Cheira a esgoto, a podre.

O Daniel abre a porta e arrasta-me para fora. Encosta-me ao carro e tenta beijar-me.

Viro a cara para o lado, sinto a respiração dele a roçar-me a pele.

" Então, sê meiga... Só quero um beijo.... vá lá, até podemos ir a um motel... há um aqui muito perto....o que dizes? " e segura-me no queixo.


CONTINUA




quinta-feira, 10 de outubro de 2019

NOTA NEGATIVA - PARTE III


No dia seguinte, visito novamente o tio Matias e ainda nos rimos com as histórias passadas naquela noite na Enfermaria.

A Rosa finge que está muito ofendida, mas sussurra que a Enfermeira Matilde é realmente um pouco rude.

Vejo as horas, ai, meu Deus que estou atrasada e despeço-me.

A Rosa sai comigo da Enfermaria, tem que ir até ao Piso da Nutrição e por isso, despedimos-nos à porta do elevador.

" Até amanhã!" e a tarde é tão complicada que nem penso mais no tio Matias.

Não posso visitar o tio à hora de almoço, como previsto e resolvo passar por lá antes de ir para casa.

Estão a preparar os doentes para jantar, prometo que demoro cinco minutos e a Enfermeira não diz mais nada.

O tio Matias vai fazer uns exames no dia seguinte, talvez seja melhor passar por cá a esta hora ou um pouco mais cedo, aconselha a enfermeira.

Como deixei o carro no parque de estacionamento, desço até lá.

Deviam pôr mais luzes, é escuro demais para o meu gosto.

Abro a porta do carro e alguém me empurra com tanta força que caio no assento.

Tento levantar-me, mas uma mão segura-me pelo cabelo e impede-me.

" Nem um grito! Vou sentar-te no banco detrás, mas se fizeres qualquer tipo de som, bato-te." e dá uma pancada no lado esquerdo da cara.

Sempre a segurar-me o cabelo, levanta-me e empurra-me contra o carro enquanto abre a porta.

Senta-me à força no banco, ata-me os pés e as mãos com uma ligadura e coloca-me o cinto.

Fecha a porta, senta-se ao volante e deixa cair o capuz.

Vejo então que é o Daniel, o auxiliar.

" Mas o que é isto? O que é que quer? " grito, mas em resposta ele dá-me uma bofetada e sinto que fico com a mão dele marcada na cara.


CONTINUA

quarta-feira, 9 de outubro de 2019

NOTA NEGATIVA - PARTE II


" Não, acho que não. Deve estar a confundir-me com outra pessoa!" respondo delicadamente e, como, entretanto chegamos à Enfermaria, agradeço-lhe rapidamente.

O tio Mateus fica muito contente com a minha visita e repete:

" Que bom ver-te, Rosa!" e uma rapariga alta, com o cabelo preto preso num rabo de cabelo para ao pé da cama e pergunta:

" Estava a chamar por mim, Senhor Mateus? " e sorri, um sorriso franco que lhe ilumina os olhos também pretos.

Não deve ter mais do que vinte, vinte e dois anos e está com a farda de auxiliar.

" Não, não. Rosa, apresento-te a Menina Rosa." e a Rosa estende-me a mão, apresentando-se:

" Maria Rosa, como está? " e vejo que está a apreciar as calças pretas e a camisa branca que escolhi vestir hoje.

" Rosa Maria... Muito prazer!" retribuo também com um sorriso.

A Rosa auxiliar despede-se e afasta-se discretamente. Sento-me na cadeira e comento:

" A Mãe vem mais tarde, depois do almoço. Como aconteceu isto? " e o tio Mateus encolhe os ombros, não é nada de grave.

Tem a tensão um pouco alta, não sabem o que se passa com os rins, aconselharam o internamento para mais testes.

Falamos um bocadinho mais e tenho que me despedir, não posso chegar atrasada, justifico, mas o tio compreende perfeitamente.

Sigo as indicações e pareceu-me ver o Daniel num dos corredores por onde passo.

" Sabes que o Daniel trabalha no Hospital onde o meu tio está internado? " conto à Rita nessa noite.

" Não digas!!! Falaste com ele? Reconheceu-te? " questiona, mas eu apenas rio.

" Creio que sim, mas eu fiz de conta que não sabia do que é que ele estava a falar..."

" Atenção, olha que este género de pessoa pode confundir as coisas e achar que o estás a humilhar!" aconselha a Rita.

" Oh, Rita, que disparate! Conversamos durante quatro minutos, mais nada!" refilo, mas calo-me, porque dois dos nossos amigos entram no Café e instalam-se na nossa mesa.

CONTINUA

terça-feira, 8 de outubro de 2019

NOTA NEGATIVA


A Rita desafia-me a participar no Speed Dating no Hotel Marquês.

Trata de tudo e acabamos por passar uma noite divertida. À excepção de um idiota, de nome Daniel que pretende ser o que não é.

No fim da noite, ainda vamos um bar conhecido e discutimos os possíveis candidatos. 

O Daniel leva uma nota negativa, pois como a Rita diz, " teria toda a minha atenção se não se armasse em macho latino".

" Quatro minutos com ele deu para perceber que é uma pessoa muito insegura..." observo.

" Exactamente e o facto de insistir que ser auxiliar de saúde é uma situação temporária... Pelo menos, o Carlos, ajudante de Chefe foi mais honesto e admitir que o objectivo é ter uma empresa de catering, mas que sabe que tem ainda muito que aprender.... dou-lhe um oito." ri-se a Rita.

A minha Mãe manda-me um SMS, a pedir para lhe telefonar com urgência.

" Não importa a hora!" sublinha e por isso, quando chego a casa, apesar de passar da uma da manhã, telefono-lhe.

" Oh, Rosa, o teu tio foi internado. Eu vou lá, mas como é perto do teu emprego, não te importas de lá ir na hora de almoço? " pede.

Claro que sim, sempre gostei do tio Mateus e depois de um almoço rápido na cafetaria perto da empresa, vou ao Hospital.

Confundo as entradas e vou dar a um pequeno jardim.

Felizmente, está um auxiliar sentado num banco a fumar e decido perguntar-lhe onde é a Enfermaria C.

Ao aproximar-me, reconheço o Daniel do Speed Dating, mas finjo que não sei quem é.

" Boa Tarde, estou um pouco perdida, não se importa de me dizer onde é a Enfermaria C?"

O Daniel sorri, levanta-se e diz:

" Boa Tarde, eu levo-a até lá, isto é um labirinto..." e quando me abre a porta para entrarmos, pergunta:

" Não a conheço de algum lado? "



CONTINUA



sábado, 5 de outubro de 2019

SPEED DATING - FIM


O Daniel acha imensa piada ao que a Rosa contou, mas eu não.

Fico muito preocupado e vou até à Enfermaria C para tentar saber quando é que ela termina o turno.

Tenho que falar com ela fora do Hospital...

O turno da Rosa termina às onze horas e espero sinceramente que ninguém a venha buscar.

Escondo-me perto do portão de saída, não deixo que o segurança me veja e lá vem ela.

Ah, ela fuma! Não sabia; apercebo-me que não sei muita coisa sobre a Rosa e quando ela dobra a esquina, aproximo-me.

" Bolas, pá! Que fazes aí no escuro? " diz furiosa e como eu continuava calado, insiste " O que queres? "

" O Daniel diz que andas aí armada em detective..." começo a falar e a Rosa olha-me como se eu fosse um extraterrestre.

" O que te importa o que eu penso ou deixo de pensar?" interpela e de repente, ela abre muito os olhos, recua uns passos.

" Tu sabes qualquer coisa sobre as mortes! O que é que tu sabes? Foste tu? " e eu aproximo-me, mas ela grita:

" Não te aproximes de mim! Olha que eu grito e grito bem alto? " tento tapar-lhe a boca, mas ela dá-me um empurrão, desequilibro-me e quase caio.

Por azar meu, o segurança veio cá fora fumar um cigarro, a Rosa nessa altura desata a gritar e claro que ele corre para ajudar.

Sou empurrado contra a parede, a Rosa conta-lhe atabalhoadamente o que se passou e perante a insistência dela, chama a polícia.

Vamos todos para a esquadra prestar declarações e sei que estou em apuros quando me conduzem ao andar de cima.

Tenho a certeza de que a Rosa disse tudo o que lhe estava na alma quando entram dois indivíduos não fardados e colocam na mesa duas fotos.

A da Dra Madalena e a da Rosa....



FIM





sexta-feira, 4 de outubro de 2019

SPEED DATING - PARTE IV


A Rosa está muito interessada no caso e pergunta-me se não acho estranho o que está a acontecer.

" Estranho porquê? " comento.

" As mulheres mortas na Praia da Volta terem uma ligação ao Hospital." insiste a Rosa e eu fico surpreendido.

Sempre pensei que a Rosa era uma alma simples, mas afinal pensa.  Por isso, digo calmamente:

" Qual ligação? A única coincidência é terem morrido e aparecerem na Praia da Volta!"

" Uma das mulheres era a Dra Madalena, trabalhava na Nutrição... sabes quem é? " nem espera que responda, pois continua a explicar o ponto de vista dela " e a outra é a Rosa que aparecia aí para visitar o tio. Achas que pode ser alguém do Hospital? "

Olho-a espantado e ela interpreta-o erradamente:

" Não olhes para mim assim! Alguém as viu aqui e seguiu-as!"

" Estás doida! Alguém do Hospital??? Porque carga de água ia fazer isso? " pergunto.

" Sei lá... alguém com um vício para alimentar... com uma doença mental..." afirma a Rosa muito séria.

" Bem... " disfarço " eu não tenho um vício para alimentar nem sou doido! A única coisa que sei fazer é trabalhar. Vamos lá, está na hora."

A Rosa não diz mais nada, mas eu fico um pouco preocupado. 

E, se ela resolve falar com alguém e a aconselham a contactar a polícia?

Não, ela não vai ser idiota a esse ponto, convenço-me.

" Olá, olá..." cumprimenta o Daniel, o auxiliar das Urgências quando me encontra na cafetaria nessa noite " já sabes que a Rosa está armada em detective? "

Engasgo-me com o café e o Daniel bate-me nas costas amigavelmente.

" O quê?" repito.


CONTINUA

quinta-feira, 3 de outubro de 2019

SPEED DATING - PARTE III


Tenho que confessar uma coisa... 

Não a queria matar, mas ela não parava de gritar.

Cala-te, só quero conversar um pouco e quem sabe? ir até a um motel?

Os olhos dela ficaram muito sérios e cuspiu-me as palavras:

" NEM MORTA!" e nem hesitei.

Uma bofetada rebentou-lhe o lábio, a surpresa foi tão grande que nem lutou quando lhe apertei o pescoço.

Foi fácil largá-la no areal, o corpo estava mole....

Desta vez, decidi deixar o carro dela, tive apenas o cuidado de limpar tudo...

Apanhei um autocarro e meia hora depois, estava em casa.

Estou tranquilo, confiante... Dou por mim a rir ao lembrar-me da cara dela...

Como dizem nos filmes, " bitch"....

Uma ou duas semanas depois, a Rosa fez-me sinal.  

Queria falar comigo e em privado.

" Sabes? " sussurra " Lembras-te da menina Rosa que vinha visitar o tio? Oh, pá, foste tu que a levaste à Enfermaria a primeira vez..."

" Ah!" digo, fingindo-me espantado " Sim, sim, já me lembro dela. O que lhe aconteceu?"

" Mataram-na e deixaram-na numa praia." confidencia a Rosa " Veio cá uma outra sobrinha e contou-lhe tudo. O tio sentiu-se mal e tiveram que o sedar."

" Coitado! A Polícia? O que é que diz? " pergunto, mas a Rosa não sabe mais nada.

Peço um jornal emprestado e encontro o que procuro na página 3.

Bolas! Só dois parágrafos?




CONTINUA


quarta-feira, 2 de outubro de 2019

SPEED DATING - PARTE II


Enrolei-o à volta do pescoço e apertei.  Em breve, deixaste de lutar e o teu corpo ficou sem acção.

Por um minuto, fiquei em pânico, mas pensei que se fosse cuidadoso, ninguém saberia o que aconteceu aqui.

Por isso, larguei-te na areia e apressei-me a conduzir o teu carro para um local onde seria facilmente desmontado e as peças vendidas sem perguntas.

Telefonei a um colega, troquei o turno e dormi o sono dos justos.

Quando acordei, vasculhei os jornais online para saber se já te tinham encontrado, mas era cedo demais e quando a notícia apareceu, não estava na primeira página.

Dois míseros parágrafos e diz apenas que a Polícia segue várias linhas de investigação!

O dia está confuso nas enfermarias e saio para o jardim para fumar um cigarro.

Está lá uma rapariga que conheço de algum lado, está claramente perdida e quando me vê, sorri.

" Desculpe, mas não sei onde é a Enfermaria C. Pode ajudar-me? " e eu sorrio, abro a porta.

" Claro, levo-a até lá. Alguém da família, amigo? " pergunto, observando-a.

Já sei onde a vi! Naquele speed dating no Hotel Marquês e tento lembrar-me do que conversamos.

Ela apenas sorri, agradece imenso quando entra na Enfermaria C.

Vejo-a a abraçar um senhor, deve ser tio e gostaria de ficar por ali mais algum tempo, mas a enfermeira pede-me para levar um doente ao RX.

Vejo-a a sair da Enfermaria, mas ela vai na direcção oposta e não me vê.

A Rosa, a auxiliar diz-me que ela é sobrinha do doente da cama 3 e também se chama Rosa.

" Estavam muito bem dispostos!" confidencia a Rosa " Ela deve voltar amanhã..."

E eu tenho já um plano.



CONTINUA



terça-feira, 1 de outubro de 2019

SPEED DATING


Et voilá!

Agora deixaste de te rir... 

Quem pensas que és? Lá por seres médica e eu auxiliar de saúde... não sou digno da tua atenção?

Bastou dizer o que fazia profissionalmente para tu não me dares um minuto da tua atenção...

Foste educada, tenho que admitir isso, mas muito distante e notou-se que estavas ansiosa que os quatro minutos terminassem.

Lido com muita gente, sabes, aprendi a ler as expressões e soube naquele instante que estavas a precisar de uma lição.

Vigiei-te durante uns dias, fingi que ia visitar alguém só para entrar no parque de estacionamento e descobrir o lugar perfeito para me esconder.

Depois, escolhi o dia... sabia que aquela hora os seguranças estavam a mudar de turno e quando abriste a porta de trás para atirar os dossiers e a carteira, saí do esconderijo e corri.

Quando deste por mim, já não podias fazer nada e apontei-te um bisturi.

Mandei-te seguir até àquela praia deserta, paraste o carro e ofereceste-me dinheiro.

Não, não quero o teu dinheiro e agarrei-te pelo pescoço.

Debateste-te, deste-me um soco e conseguiste abrir a porta do teu lado.

Mas tropeçaste no cinto, ficaste no meio do chão, a chorar e eu puxei-te os cabelos.

Disse-te ao ouvido para teres calma, mas tu voltaste a gritar, a praia está deserta, idiota.

Continuaste a gritar, tapei-te a boca, mordeste-me e foi então que vi o lenço.


CONTINUA

segunda-feira, 30 de setembro de 2019

O PROBLEMA DA MADALENA - O FIM


O organizador do evento mostra-se um pouco relutante, estas pessoas confiaram em mim, diz.

O Inspector concorda, mas a pessoa em questão morreu em circunstâncias que têm que ser esclarecidas, devemos isso à família, explica.

Estavam inscritas doze mulheres e doze homens, a Madalena falou com todos, mas não manifestou interesse por nenhum.

Houve três homens que manifestaram interesse em a conhecer melhor, mas o organizador não lhes deu o email dela, porque ela não deu qualquer feedback. 

O Inspector e o Osório suspiram, pois não sabem o que fazer.

Alguém a seguiu, é óbvio e terá sido alguém que esteve naquele " speed dating".

Mas quem? Se ela não informou o organizador que estava interessada em alguém?

Podem falar com os homens interessados nela, mas, embora se lembrem dela, a vida continua.

" E, não vais fazer mais nada?" insiste a mulher nessa noite.

" Teresa, pensas que eu estou satisfeito? Gostava imenso de encontrar quem a matou, mas não posso prender todas as pessoas que a viram naquela noite. Não tenho provas! " grita o Torcato, impaciente e consciente de que falou demais.

Mas está frustrado, porque gostaria de dar uma resposta à família e não pode.

O Sargento Osório também se sente frustrado, é um beco sem saída.

Talvez ele cometa um erro...

Uma semana depois, estão na mesma praia a olhar para uma outra mulher morta da mesma maneira que a Madalena.

Na carteira, encontram um cartão e curioso? 

Ela esteve no mesmo speed dating que a Madalena.

Por isso, quem foi? 

O organizador que teve acesso a toda a informação ou algum dos homens presentes?


FIM

domingo, 29 de setembro de 2019

O PROBLEMA DA MADALENA - PARTE VI


" Esperava que a Senhora me ajudasse a preencher algumas lacunas!" disse o Inspector polidamente.

Torna-se óbvio que a Madalena pouco ou nada dizia à Mãe sobre quaisquer problemas que tivesse.

Esta fica espantada quando o Torcato lhe diz que a filha estava a tentar obter um empréstimo bancário para pagar a parte da casa ao ex-marido.

" Por amor de Deus! Com a venda da casa, ela podia comprar um apartamento mais pequeno, talvez até perto do infantário do Ricardo... Porque é que não me disse? Podia ter ficado comigo até resolver a situação..." lamenta a senhora e o Torcato fica apreensivo.

Espera que o Sargento tenha tido mais sorte com a irmã, porque a investigação está num beco sem saída.

Segundo a Cristina, conta o Osório, a Madalena ia com uma amiga a um Hotel para um " speed dating".

" Não sei bem o que é isso! " confessa o Sargento " Mas a amiga chama-se Clotilde, está na lista de contactos do telemóvel da Madalena... e, sim, já lhe telefonei a pedir que venha até cá."

O Torcato sorri, o Sargento está a revelar-se um grande apoio.

A Clotilde não sabe o que dizer, o " speed dating" foi no Hotel Marquês e segundo sabe, a Madalena não se mostrou interessada por ninguém.

Não deve ter comunicado nada ao organizador, elas foram apenas por brincadeira, para verem como tudo se desenrolava.

O Inspector e o Osório decidem ir até ao Hotel; devem saber quem alugou a sala, pagou as bebidas, etc.

O Hotel é muito prestável e o "speed dating" foi na semana anterior à morte da Madalena.

A sala foi alugada pela Empresa " Hot Dreams" e dão-lhes o nome e o nº de telemóvel da pessoa responsável.

" Se foi alguém que ela conheceu aqui, pode tê-la seguido e vigiado." concluí o Inspector e o Osório concorda.

É o mais lógico.

CONTINUA

sábado, 28 de setembro de 2019

O PROBLEMA DA MADALENA - PARTE V


No dia seguinte, o Torcato não está muito bem disposto. 

Acordou com dores nas costas, os filhos fizeram uma birra e chegaram tarde ao infantário.

Por isso, não fica nada satisfeito quando o Osório lhe diz que o álibi do ex-marido está confirmado e os sistemas de vigilância, tanto do local de trabalho como o de casa, são muito sofisticados.

" Fica tudo registado e basta a pessoa encostar-se à porta de emergência para o alarme disparar." explica o Sargento " Quanto ao divórcio, segundo os advogados, os problemas eram a casa e a custódia do miúdo."

Conturbado, dissera a Teresa, mas parece estar a ser um divórcio normal, pensa o Torcato.

" Ela não está a conseguir negociar um empréstimo para lhe pagar a parte dele da casa, por isso, os advogados aconselham a venda." continua o Osório " Quanto à custódia, ele quer ficar com o miúdo semana sim, semana não e ela não aceita!"

" Pois, as crianças ficam perdidas no meio dos pais." suspira o Inspector " E, a Mãe, quando chega? "

" Hoje, ao meio dia. Vamos esperá-la? " propôs o Osório e o Torcato concorda.

É o mínimo que pode fazer e só espera que o Consulado lhe tenha dado a notícia cuidadosamente.

A Mãe de Madalena é uma senhora ainda jovem, discreta, bem vestida, com o cabelo já a mostrar as brancas e uns olhos verdes enormes.

Com ela, está o neto que corre de imediato para os braços do Pai, que também está presente e uma rapariga, que não deve ter mais de vinte e cinco, trinta anos, com os mesmos olhos verdes e cabelo ruivo.

A Senhora aceita a boleia do Inspector que a leva até à morgue. 

O médico legista responde às questões que a senhora lhe coloca e o Inspector leva-a até à esquadra.

" Sei que é um momento complicado, mas há umas perguntas que tenho que fazer..." desculpa-se o Inspector, mas a voz da senhora é firme quando diz:

" Sei que as tem que fazer, por isso, esteja à vontade. Mas sabe dizer-me o porquê?"



CONTINUA


quinta-feira, 26 de setembro de 2019

O PROBLEMA DA MADALENA - PARTE IV


No Hospital, apesar de lidarem com a morte todos os dias, a equipa médica fica estupefacta com a ocorrência.

" Têm a certeza? " pergunta o Director Clínico e o Torcato estende a foto da Madalena.

" Mas como? Porquê?" insiste, mas o Torcato diz que ainda estão a investigar o caso e gostaria de falar com os outros membros da equipa de nutrição.

Não, a Madalena era uma boa colega, óptima com os doentes... Sim, o divórcio tinha sido complicado, mas não sabiam os detalhes todos.

Talvez a Dra Torcato soube mais alguma coisa sobre isso... O Senhor desculpe, mas é parente da Dra Torcato? Ah, é o marido... 

A disposição da Dra Madalena nos últimos dias? Não, nada a assinalar, estava mais calma, mais relaxada, talvez porque o filho não estava e não tinha que andar a correr.

É o Sargento Osório quem interroga a Teresa e esta manda de imediato um SMS ao marido.

" Quero pormenores!" escreve, mas nessa noite, já tarde, o marido diz:

" Teresa, és casada com um Inspector da Polícia; sabes que não posso falar sobre uma investigação em curso. Não é como dizer que o Osório pensa que é o Nikki Lauda e o Sargento da Recepção é fadista amador."

Embora saiba que ele tem razão, Teresa insiste:

" Foi o ex-marido? Só pode ter sido ele!" e o Inspector suspira profundamente.

Felizmente, o filho mais velho aparece na sala, a dizer que há um monstro debaixo da cama e o irmão não se cala.

Quando a mulher volta, o Torcato está a dormir no sofá e a Teresa não tem coragem de o acordar.


CONTINUA


quarta-feira, 25 de setembro de 2019

O PROBLEMA DA MADALENA - PARTE III


" Madalena Gonçalves... e este cartão diz que é médica nutricionista no Hospital do Covelo..." lê o Inspector " Deve ser a colega desaparecida da minha mulher..." acrescenta.

" Da sua mulher? " repete o Osório, mas o Torcato não responde. Diz apenas para ir com o médico legista, verificar as impressões digitais e se for realmente a Dra Madalena Gonçalves, terão que falar com o Hospital.

Infelizmente, as suspeitas do Torcato confirmam-se, é efectivamente a Dra Madalena Gonçalves e a única pessoa que conseguiram contactar é o ex-marido.

Este não parece ficar muito abalado, mas prontifica-se a identificá-la e faculta os contactos da sogra e da cunhada.

" Há quanto tempo não vê a sua ex-mulher? " pergunta o Sargento e o ex-marido encolhe os ombros.

" Eu e a Madalena só conversamos no gabinete dos advogados. Estamos a discutir a custódia do nosso filho." explica secamente " Tínhamos uma reunião marcada para a próxima sexta-feira."

O Sargento pede o nome dos advogados, " vou ter que verificar, o senhor compreende!" e antes que ele saia, coloca uma última questão:

" Não se importa de me dizer onde esteve ontem?"

" Trabalhei até às oito da noite e fui para casa. Tanto o porteiro do escritório como do prédio onde moro podem confirmar. Se é tudo..." e o Sargento apressa-se a abrir a porta.

" Que personagem tão antipática!" comenta mais tarde com o Torcato " Vou verificar tudo, até mesmo se será fácil entrar e sair sem ser visto dos prédios."

" Não estará a precipitar-se?" ri-se o Torcato, mas entende as suspeitas do Osório.

O ex-marido parece ser muito arrogante e é fácil concluir que a morte da Madalena resolve o problema da custódia.

" Oh, Osório, quero saber os pormenores desse processo de divórcio!"

" Também eu, Senhor Inspector, também eu!" concorda o Osório.



CONTINUA


O PROBLEMA DA MADALENA - PARTE II


" Não estará em casa da Mãe, da irmã, de uma outra amiga? Ou não terá um novo namorado? " sugere o Inspector.

" A Mãe foi visitar a irmã que vive na Irlanda e levou o neto para conhecer os primos." responde a Teresa prontamente " Quanto a namorados? Não... ela ficou muito traumatizada com o divórcio e ainda não chegaram a acordo relativamente à custódia.... Achas que o ex-marido a raptou? "

" Acho que estás a ler muitos romances policiais!" diz o marido a rir-se.

" Não podes telefonar lá para as Pessoas Desaparecidas e saber se há alguma denúncia?" pergunta a mulher, mas o Dinis abana a cabeça.

" Pelo que dizes, nem 24 horas passaram e não vou incomodar ninguém do Departamento, só porque a minha mulher acha que a amiga foi raptada!" observa " Podemos jantar qualquer coisa e simplesmente falar? "

O jantar foi sossegado, como sempre, a Teresa tinha algumas histórias para contar.

Não falaram mais sobre a Madalena, embora o Inspector sentisse que a mulher está preocupada.

Alguém daria o alarme; na Irlanda, há telefones e a Mãe contactaria as autoridades competentes se a filha não lhe telefonasse.

No dia seguinte, quando chega ao Gabinete, o Sargento Osório, recentemente transferido da Brigada Especial, informa-o de que apareceu o corpo de uma mulher na Praia da Volta.

" Dei instruções para que ninguém tocasse no corpo. Segundo diz o piquete, limitaram-se a deixá-la ali." concluí.

Quinze minutos depois estão na praia e a mulher parece estar a dormir.

Mas o médico legista afasta o lenço e nota-se marcas de asfixia no pescoço.

" Deve ter sido com o próprio lenço!" e o Inspector Torcato concorda.

Não deve ter sido roubo, a mala está ali perto da mão e não há sinais de violação, porque a roupa não está rasgada.

O Sargento Osório abre a mala e encontra facilmente a carteira. 

Entrega os documentos ao Inspector e confirma que não houve roubo.

" Tem cerca de trinta euros e umas moedas." comenta o Sargento " Sabemos quem ela é, Inspector Torcato? "


CONTINUA




terça-feira, 24 de setembro de 2019

O PROBLEMA DA MADALENA


O agora Inspector Dinis Torcato está satisfeito que o irmão, o detective Lionel Torcato esteja a trabalhar com o Inspector Bernardes.

" É um bom homem, exigente, mas muito profissional. Aprendemos com o melhor, o Inspector Leandro!" e o Dinis cala-se, lembrando-se do rigor com que o Inspector Leandro comandava a Brigada.

O irmão não diz nada, recebe de bom grado todos os conselhos, mas tem as suas próprias ideias e metas.

Por isso, o Inspector Dinis deixa-o em paz e vai para casa. 

A mulher, Teresa, médica nutricionista, já deve estar em casa e deve ter histórias bem engraçadas para contar.

Mas a Teresa está muito agitada, o que surpreende o Torcato. 

Encontra-se sempre o lado engraçado das situações, enche a casa de música e risos e o Torcato não se lembra da última vez que viu os olhos verdes da mulher sombrios e o cabelo loiro assim despenteado.

" O que aconteceu, Teresa? " pergunta, assustado " Alguma coisa com os miúdos?"

" Não, estão com a minha Mãe. Estou preocupada com a Madalena!" responde a mulher.

" A Madalena?" repete o Torcato.

" Sim, aquela médica que trabalha comigo no Hospital. Teve aquele divórcio conturbado, lembras-te? " explica a Teresa, impaciente.

" Ok e o que aconteceu agora? " insiste o marido, servindo-se de vinho. 

A Teresa recusa quando lhe oferece e conta:

" Hoje, não apareceu. Tentamos várias vezes ligar, mas ela não atendeu o telemóvel e agora, quando saí, fui até casa dela e a vizinha diz que não a vê desde ontem."


CONTINUA

segunda-feira, 23 de setembro de 2019

OS NOVOS DETECTIVES - FIM



Mas o Faria não tem tempo de fazer nada, porque a situação com o " Blue Car" precipitou-se e toda a Brigada tem que colaborar.

O Torcato explica-lhe rapidamente os acontecimentos e o Faria prepara-se para o pior.

Surpreendem os suspeitos, mas estes estão a carregar as carrinhas e o verdadeiro perigo está dentro do edifício.

Apesar dos avisos de Brites, o Faria consegue descobrir uma porta lateral e entra sem ser visto.

Alguns elementos da Brigada do Inspector Marques Coutinho seguem-no e dominam os outros membros do gangue.

Pode dizer-se que a operação é um sucesso, mas Brites acha que o Faria se expôs ao perigo desnecessariamente.

" Isto não pode voltar a acontecer!" diz o Sargento, furioso " Desobedeceu às ordens, pôs em perigo os seus colegas e foi um sorte terem saído de lá só com golpes."

O Torcato sorri-lhe, mas o Faria encolhe os ombros.   

Tem problemas mais sérios e não sabe mesmo como os resolver.

E, fica assustado com o SMS que recebe, mas, depois pensando bem, do que é que estava à espera?

Eles tinham descoberto o seu " calcanhar de Aquiles" e se não lhes obedecesse, o Faria sabe que a vida tornar-se-á ainda mais complicada.

Por isso,  o que é que vai acontecer?

Isso será uma outra história.....



FIM