terça-feira, 24 de setembro de 2019

O PROBLEMA DA MADALENA


O agora Inspector Dinis Torcato está satisfeito que o irmão, o detective Lionel Torcato esteja a trabalhar com o Inspector Bernardes.

" É um bom homem, exigente, mas muito profissional. Aprendemos com o melhor, o Inspector Leandro!" e o Dinis cala-se, lembrando-se do rigor com que o Inspector Leandro comandava a Brigada.

O irmão não diz nada, recebe de bom grado todos os conselhos, mas tem as suas próprias ideias e metas.

Por isso, o Inspector Dinis deixa-o em paz e vai para casa. 

A mulher, Teresa, médica nutricionista, já deve estar em casa e deve ter histórias bem engraçadas para contar.

Mas a Teresa está muito agitada, o que surpreende o Torcato. 

Encontra-se sempre o lado engraçado das situações, enche a casa de música e risos e o Torcato não se lembra da última vez que viu os olhos verdes da mulher sombrios e o cabelo loiro assim despenteado.

" O que aconteceu, Teresa? " pergunta, assustado " Alguma coisa com os miúdos?"

" Não, estão com a minha Mãe. Estou preocupada com a Madalena!" responde a mulher.

" A Madalena?" repete o Torcato.

" Sim, aquela médica que trabalha comigo no Hospital. Teve aquele divórcio conturbado, lembras-te? " explica a Teresa, impaciente.

" Ok e o que aconteceu agora? " insiste o marido, servindo-se de vinho. 

A Teresa recusa quando lhe oferece e conta:

" Hoje, não apareceu. Tentamos várias vezes ligar, mas ela não atendeu o telemóvel e agora, quando saí, fui até casa dela e a vizinha diz que não a vê desde ontem."


CONTINUA

segunda-feira, 23 de setembro de 2019

OS NOVOS DETECTIVES - FIM



Mas o Faria não tem tempo de fazer nada, porque a situação com o " Blue Car" precipitou-se e toda a Brigada tem que colaborar.

O Torcato explica-lhe rapidamente os acontecimentos e o Faria prepara-se para o pior.

Surpreendem os suspeitos, mas estes estão a carregar as carrinhas e o verdadeiro perigo está dentro do edifício.

Apesar dos avisos de Brites, o Faria consegue descobrir uma porta lateral e entra sem ser visto.

Alguns elementos da Brigada do Inspector Marques Coutinho seguem-no e dominam os outros membros do gangue.

Pode dizer-se que a operação é um sucesso, mas Brites acha que o Faria se expôs ao perigo desnecessariamente.

" Isto não pode voltar a acontecer!" diz o Sargento, furioso " Desobedeceu às ordens, pôs em perigo os seus colegas e foi um sorte terem saído de lá só com golpes."

O Torcato sorri-lhe, mas o Faria encolhe os ombros.   

Tem problemas mais sérios e não sabe mesmo como os resolver.

E, fica assustado com o SMS que recebe, mas, depois pensando bem, do que é que estava à espera?

Eles tinham descoberto o seu " calcanhar de Aquiles" e se não lhes obedecesse, o Faria sabe que a vida tornar-se-á ainda mais complicada.

Por isso,  o que é que vai acontecer?

Isso será uma outra história.....



FIM

domingo, 22 de setembro de 2019

OS NOVOS DETECTIVES - PARTE VI


... que esteja a trabalhar como " infiltrado", mas o Torcato rejeita de imediato a ideia, é o primeiro ano como detectives.

O Torcato cresceu com um irmão detective, agora Inspector e sabe que há regras e protocolos a seguir.  Claro que há "desvios", ele sabe, mas não pensa nisso.

De qualquer forma, resolve seguir o Faria nessa noite. 

Há ali qualquer coisa que não lhe está a agradar e receia que o colega o possa prejudicar indirectamente.

Por isso, às nove da noite, quando o Faria sai, um pouco irritado, porque o Brites o criticou na forma como organizou o serviço, o Torcato segue-o.

Fica surpreendido quando o vê bater na porta de serviço, ouve-o murmurar uma senha e alguém saudá-lo amigavelmente.

Jogo? Jogo clandestino, só pode ser, Torcato tem quase a certeza.

Toma nota do nome do clube, da rua e no dia seguinte, investiga.

Confirma o que pensava, mas não sabe se deve confrontar o Faria ou avisar o Inspector.

Afinal, é só uma suspeita, não tem provas.

O Torcato ainda não sabe, mas o Brites está atento aos passos do Faria.

Falou ontem com alguém que o conhece bem e as informações não foram as melhores.

O Faria, naquela manhã até está de mau humor; perdeu bastante e não sabe o que vai fazer para pagar a divida.

Talvez pedir dinheiro emprestado aos pais, mas já o avisaram de que seria a última vez.


CONTINUA


sábado, 21 de setembro de 2019

OS NOVOS DETECTIVES - PARTE V


" Vamos falar com o Marques Coutinho... este é um dado importante!" decide o Bernardes " O Torcato vai comigo e, Brites... fale também com a Brigada Anti-Fraude... Se são irmãos, não me admira que estejam na mesma área de negócio."

" E, eu? " pergunta o Faria, mas o Inspector ignora-o.

É o Sargento quem lhe responde trocista:

" Vai procurar todos os processos relacionados com a Viela onde a vítima apareceu e seleccionar aqueles em que a morte foi semelhante à desta." 

O Faria ignora a ironia, até sorri e só diz:

" Para ontem?" e o Brites sorri também e repete " Para ontem!"

Quando o gabinete fica vazio, o Faria diz um palavrão e pega no telemóvel.

Há duas chamadas perdidas do Brites e uma do Torcato, provavelmente para o avisar.

O Faria encolhe os ombros, interessa-lhe mais a outra chamada. 

O nº é privado, mas ele sabe bem quem lhe telefonou.

É que ele tem um vício perigoso, mas até agora tem tido sorte.

Deve haver um jogo esta noite, com apostas altas tal como ele gosta.

Só não sabe se é no local habitual. 

É isso que precisa de saber e telefona para o contacto habitual.

Como pensa que está sozinho, não baixa a voz.

Só que o Torcato esqueceu-se do telemóvel (maldição! Que cabeça a minha) e volta atrás.

Ouve apenas a parte final, mas acha estranho o Faria estar a marcar um encontro num local de má fama.

A não ser ....


CONTINUA




sexta-feira, 20 de setembro de 2019

OS NOVOS DETECTIVES - PARTE IV


O Faria chega meia hora mais tarde, de casaco no braço e o Bernardes nota que ele tem uma tatuagem.

O Inspector apressa-se a interpelá-lo para evitar que haja um confronto entre o detective e o Brites.

" Onde esteve? Porque é que não atendeu o telemóvel?" exige saber numa voz baixa, mas cortante.

O Faria fica parado no meio da sala, está surpreendido por ser o Inspector a perguntar.

" Fiz-lhe uma pergunta e espero uma resposta." repete o Bernardes na mesma voz baixa, mas o Brites sabe que aquele tom pode mudar de um momento para o outro e não será nada agradável.

" Estive com o médico legista e há pouca rede." explica o Faria calmamente.

Ainda não percebeu que não é forma de agir, pensa o Torcato e o Brites tem vontade de intervir.

" Mas cá fora há e não pensou que seria uma boa ideia verificar as chamadas perdidas? " continua o Bernardes.

" Eu só fui ao médico legista e vim directo para cá. Não estamos a trabalhar num caso activo...." justifica-se o Faria.

" Eu decido se o caso está activo ou não. E, deve SEMPRE, está-me a ouvir? VERIFICAR o telemóvel, porque alguém pode ter enviado um SMS ou deixado uma mensagem. " insiste o Bernardes num tom muito seco e autoritário.

O Faria cora violentamente, ser apanhado em falso logo no primeiro dia e murmura uma desculpa que, como descobrirá mais tarde, não agrada ao Inspector.

" O relatório do médico legista? Conseguiu identificar a vítima? " pergunta o Brites.

" Ah, segundo o médico legista, ele deve ser parente de...." e o Faria tira um bloco de notas que folheia nervosamente "... Bernardo Sousa...."

" Bernardo Sousa???" interrompe o Torcato, mas o Brites é mais rápido e diz:

" Está relacionado com o " Blue Car!"


CONTINUA


quinta-feira, 19 de setembro de 2019

OS NOVOS DETECTIVES - PARTE III


" Não sei, mas aquele Faria.... não confio nele!" desabafa o Brites ao almoço.

Hoje, o prato do dia é frango assado e é isso que ele e o Inspector pedem.

" Tenho quase a certeza de que, se não recebesse o relatório dentro do prazo, ele voltava a telefonar ou ia até ao gabinete do médico legista!" diz o Bernardes.

" Também eu! Mas foi a forma como me respondeu!" confirma o Sargento.

" Sim, reparei que foi um pouco arrogante. Temos que estar atentos a isso, mas eles começaram ontem. Vamos com calma!" aconselha o Inspector.

Quando regressam ao gabinete, o Torcato deixou-lhe em cima das respectivas secretárias os processos pendentes e tanto o Bernardes como o Brites ficam satisfeitos com a forma clara como estão organizados.

" Bom trabalho, Torcato!" elogia o Sargento e o Torcato sorri, satisfeito.

" Fiquei com o processo " Blue Car" aqui comigo..." explica o novo detective " porque recebi uma chamada de um Inspector... ah, Marques Coutinho a pedir para o Inspector ou o Sargento o contactarem logo que possível."

" E é sobre esse processo que ele quer falar? " pergunta o Bernardes.

O Torcato acena que sim e Brites percebe que o detective foi ao arquivo buscar o processo para se inteirar do assunto.

" Bem, muito bem!" repete o Inspector satisfeito " Faz-me a ligação? " e, ao reparar que o Faria não está, comenta:

" O Faria ainda não veio de almoçar? " mas o Torcato não sabe.

Brites abana a cabeça, aborrecido. vê que o relatório do médico legista não está na secretária e resolve ligar para o telemóvel do Faria.

Vai directo para a caixa de mensagens e o Brites bate impaciente com os nós dos dedos na secretária.


CONTINUA

quarta-feira, 18 de setembro de 2019

OS NOVOS DETECTIVES - PARTE II


Mais tarde, o Brites não consegue explicar porque é que antipatizou com o Faria.

Seria o seu porte atlético? Vestir totalmente de preto e ter o cabelo cortado à escovinha? Ou ter um olhar insolente?

" Não sei!" diz à mulher nessa noite " Não confio nele! Acho que se vai armar em herói e pôr toda a gente em perigo!"

" Que disparate!" responde a Carla " O homem só lá está há um dia, como é que podes dizer isso?"

Quanto ao Torcato, é muito parecido com o irmão. 

Talvez seja um pouco mais baixo, mas tem os mesmos olhos vivos e observadores e parece ser igualmente simpático.

Nesta manhã, está a organizar os processos e o Bernardes sussurra ao Brites que o está a fazer de uma forma muito eficaz.

" O irmão era um pouco trapalhão. Eficiente, mas desorganizado. Quantas vezes tive que lhe devolver os processos, porque ele não incluiu um relatório." ri-se o Sargento.

Quanto ao Faria, está sentado calmamente na secretária. Parece não estar a fazer nada e o Brites não gosta dessa atitude.

Por isso, atravessa a sala rapidamente e, surpreendendo o outro com uma palmada forte na secretária, pergunta-lhe:

" Então, o relatório do médico-legista que lhe pedi? E já contactou o Arquivo?"

" O médico diz que o envia dentro de meia hora e quanto ao Arquivo, dizem que vai demorar algum tempo a encontrar os processos que quer." e Faria sorri como quem diz " não me aborreças".

" Ok, então vá buscar pessoalmente o relatório ao médico-legista e depois de mo entregar..." frisa o Sargento " vai ajudar o Arquivo a localizar os processos. Preciso disso para ontem!" acrescenta num tom que não admite réplica.


CONTINUA


terça-feira, 17 de setembro de 2019

OS NOVOS DETECTIVES


Com a transferência do Marques para o Departamento de Homicídios na Madeira, Bernardes tem que contratar novos detectives.

Enviaram-lhe os CV's e o Bernardes está hesitante entre contratar o Detective Lionel Torcato (irmão do agora Inspector Torcato, com quem trabalhou sob as ordens do Inspector Leandro) e Pedro Faria.

Brites, que também leu os CV's, sugere:

" Deixe vir os dois; esclarece bem que, ao fim de seis meses, um é transferido para outra Brigada e ficamos com o melhor homem."

" Treinar dois homens ao mesmo tempo?" estranha o Inspector.

" Porque não? Por exemplo, o Torcato fica como elemento de ligação com a família e o Faria trata das comunicações e depois rodam." defende o Brites.

" É capaz de resultar!" concede o Bernardes e, brincalhão, diz " Então, isso significa que, no próximo caso, o Brites trata só da papelada."

O Sargento ri-se e observa:

" Não, o Faria também pode tratar disso e eu faço as rectificações necessárias!"

" Então, vou informar a Brigada que o Torcato e o Faria ficam connosco à experiência durante seis meses." e Bernardes envia o ofício.

Quando o Torcato e o Faria entram no Departamento naquela manhã, o ambiente da Brigada é caótico.

O Brites fala com duas pessoas ao telefone ao mesmo tempo e o Bernardes está desesperado, porque a impressora encravou.

" Ah, Torcato, Faria? " pergunta o Inspector " Óptimo! Um de vocês tente pôr isto a funcionar e o outro ajuda o Bernardes quando este desligar."

Os dois detectives olham um para o outro, como quem diz " estamos na Terra ou a lidar com extraterrestres", mas apressam-se a obedecer.

O Torcato desencrava a impressora e o Faria aguarda que o Bernardes desligue.


CONTINUA

domingo, 15 de setembro de 2019

LEVIANA - FIM


Cristina fica sem palavras e volta a sentar-se à secretária. A D.Guiomar acaba de despejar os caixotes e saí da sala apressadamente.

Nas semanas seguintes, a Helena e a Margarida estão tão entusiasmadas com o projecto que nem se apercebem que qualquer coisa está a correr mal com o da Cristina.

A D.Guiomar, que teve uma grande discussão com a Cristina, diz-lhe que o cliente rejeitou a primeira maquete e ela teve que a refazer.

Contudo, nem com as rectificações que fez, o cliente está satisfeito e a Cristina está exasperada.

O Chefe também está irritado, porque o cliente ameaça encarregar outra empresa do assunto.

" Ela vai pedir-lhe ajuda!" diz a D.Guiomar " Ouvi-a falar nisso no bar, mas ainda não o fez porque é muito orgulhosa."

É a vez da Margarida ficar sem palavras e a primeira reacção é dizer à Cristina para pedir ajuda a outra.

Depois caí em si e percebe que está a ser injusta. Não custa nada ouvir o que a Cristina tem a dizer.

Mas não é a Cristina que lhe fala no assunto; é o Chefe, que está a ser pressionado não só pelo cliente como pelo Director do Departamento.

A Margarida é sincera, claro que ajuda, mas que tem pena que a Cristina não o tenha pedido pessoalmente.

Não, não é bem assim; ela devia ter participado desde o principio, mas, repete, não se fala mais no assunto.

Vai precisar de algum tempo para se inteirar da situação e a própria Helena se oferece para ajudar.

A atitude trocista da Cristina desaparece, a D.Guiomar faz comentários cheios de rancor até que a Benedita lhe chama a atenção de uma forma um pouco rude.

" Às vezes, é como entendem as coisas..." justifica.

Contudo, a Benedita espera que todas tenham aprendido uma lição... 

Porque têm que esquecer a estupidez e trabalhar mais no espírito de equipa.


FIM


sexta-feira, 13 de setembro de 2019

LEVIANA - PARTE IV


O Chefe até recebeu um novo pedido e não vê qualquer problema que seja a Margarida a tratar do assunto.

" Pode pedir ajuda a uma colega!" e a Margarida decide que a Helena é a pessoa indicada.

Esta fica muito satisfeita, sente-se um pouco esquecida, posta à margem e é uma boa oportunidade para demonstrar que pode fazer um bom trabalho.

A primeira coisa é, diz a Margarida, marcar uma reunião com o cliente e saber exactamente o que ele pretende.

" Podemos ter já alguns esboços e depois, alteramos em função da ideia do cliente!" sugere a Helena, entusiasmada.

" Ora, ora, as crianças estão divertidas!" comenta a Cristina e a D. Guiomar, que está a despejar os caixotes, ri-se abertamente.

" Parece que quem está com tempo para brincar é a Cristina!" diz calmamente a Margarida.

" Eu??? Eu estou bastante ocupada!" responde a Cristina e a D.Guiomar continua a rir.

A Helena começa a ficar nervosa, com a boca seca, mas finge que não ouve nada.

Chama a atenção da Margarida para um detalhe que não é relevante para o caso, mas não quer que haja discussões.

Contudo, a Cristina continua a dar piadas e a Helena percebe que a Margarida está a começar a perder a paciência.

" E, continua convencida de que é uma grande profissional.... e no, fundo...." repete a colega.

" E, no fundo, até podemos ser muita coisa, mas não somos malcriadas!" interrompe a Helena em voz baixa, mas firme.

Um conselho que a Mãe lhe deu...


CONTINUA



quinta-feira, 12 de setembro de 2019

LEVIANA - PARTE III


" Há quem pense que temos que pensar como vamos responder caso a outra pessoa diga isto ou aquilo." continua a Margarida " Não tenho o dom de adivinhar os pensamentos dos outros; há quem reaja de imediato com uma piada... Se responder, respondi, caso contrário, não vou pensar mais no assunto."

" Ás vezes, fico a pensar no que deveria ter dito e isso tira-me minutos de vida!" confessa a Helena " Mas há pessoas que vivem para isso!"

" Pessoas com vidas vazias." replica a outra e não diz mais nada.

A Cristina está sentada na secretária da Margarida, a vasculhar papéis e esta pergunta-lhe:

" Procura alguma coisa? " e a Cristina vira a cadeira e enfrenta-a.

" A folha excel com os custos previstos? Não está no processo e preciso de a actualizar."

" Não está no processo?" admira-se a Margarida " Tem a certeza? Interessante, ontem estive com o processo e tenho quase a certeza de que a vi lá!"

" Está a duvidar da minha palavra? Vá lá, dê-me a folha excel ou melhor, envie-me por email. Já, de imediato!" ordena.

A Margarida fica calada por uns segundos, respira fundo e responde:

" A Cristina é minha colega de trabalho, não me dá ordens. Pede-me por favor!"

" Ora, ora, temos aqui uma criança e não sabíamos" ri-se a Cristina, mas antes que a Margarida tomasse qualquer atitude, a Benedita, que está sentada na secretária ao lado, atalha:

" Talvez seja, mas a Cristina é muito, mas mesmo muito malcriada. A Margarida manda-lhe a folha excel quando tiver tempo!"

A Cristina fica muito corada, mas não se atreve a contrariar a colega. 

A Benedita diz o que tem a dizer e pouco importa quem esteja presente.

A Cristina regressa à secretária dela e baixinho, a Benedita aconselha a Margarida:

" Não podes deixar que isto aconteça novamente. Subiu-lhe à cabeça o facto do Chefe a ter deixado tratar deste assunto sozinha."

A Margarida agradece com um sorriso e passa o resto do dia a pensar no assunto.

No dia seguinte, pede para falar com o Chefe.

CONTINUA

quarta-feira, 11 de setembro de 2019

LEVIANA - PARTE II


Há uns dois, três anos, a Helena esteve numa situação parecida à da Margarida, protestou e o Chefe da altura, além de ter sido inconveniente, humilhou-a à frente dos colegas.

A Helena considerou sair, mas tinha casado há pouco tempo, precisava do ordenado e com a nomeação de um outro Chefe, pensou que a situação se modificaria.

Pelos vistos, não, parece que ainda funciona nos mesmos moldes.

Está solidária com a Margarida, mas receia que as pessoas distorçam o sentido dos comentários.

Mas daí dizerem que não é de confiança e invejosa... por amor de Deus, será que se vêem ao espelho?

Nessa manhã, arrisca fazer um comentário solidário à Margarida.

" Porque é que não falas com o Chefe? Pede-lhe que te confie uma nova conta.. Tu és criativa... vais conseguir!"

" Não sei... estou muito aborrecida e então agora que a Cristina resolveu mudar todo o esquema de cores... Já o viste?" pergunta a colega.

" Não, ela só o mostra aos preferidos!" responde a Helena e arrepende-se de imediato, pois a D. Guiomor, que trabalha na distribuição e limpeza entra no vestiário.

" Então, a dizer mal dos outros? Coisa feia!" repete alegremente, fixando o olhar na Margarida.

" Que ideia, D. Guiomar! Tenho lá tempo para isso!" observa a Margarida, saindo.

A Helena segue-a rapidamente e imagina já os comentários que vão circular pela empresa.

" Não te preocupes com aquela senhora! " diz a Margarida, como se tivesse adivinhado o que a preocupa " Não vale a pena, ela vai contar uma história; por isso, segue em frente."


CONTINUA

terça-feira, 10 de setembro de 2019

LEVIANA


" Acabou bem, acabou bem!" repete a Margarida " Acabou para ela, eu é que estou tramada... Para não dizer coisa pior!"

A Helena não sabe o que dizer, porque a Margarida tem uma certa razão.

A Cristina e a Margarida apresentaram uma proposta conjunta para o design do logótipo de uma empresa cliente e o Chefe achou que a Cristina estava mais qualificada para a desenvolver.

Claro que a Margarida não aceitou bem, afinal dedicou bastante horas à concepção da proposta e agora, tem que trabalhar sob as ordens da Cristina.

Será que a Cristina se apercebeu de como a Margarida ficou magoada?

 A Helena está convencida que não, ontem falou-lhe como se a Margarida fosse muito burra e não entendesse o que queria.

Bolas, pensa a Helena, a Margarida também contribuiu para o sucesso da proposta e sabe o que há a fazer para a desenvolver.

Isto não vai dar certo, desabafa com o marido, mas este aconselha a não interferir.

" Já sabes como é, ainda te metem ao barulho e acabas por ficar mal."

Por isso, a Helena limita-se a dizer à Margarida para ter calma e quando a Cristina lhe pede uma opinião, é vaga.

Quando dá por ela, corre o rumor de que é leviana, pouco confiável, invejosa.

O que não lhe agrada nada.


CONTINUA

segunda-feira, 9 de setembro de 2019

AS FÉRIAS - O FIM


A manhã é caótica com o César a gemer sempre que tenta apoiar-se nas canadianas, mas a Carolina insiste que não pode estar sempre na cama.

Felizmente, a família aparece para ajudar, traz o almoço e começa a haver alguma ordem.

Os homens levam o César até à sala e instalam-se lá a ver o jogo enquanto que as senhoras ficam no jardim.

" Estou a ver que vou ter que ficar em casa." lamenta-se a Carolina " Os miúdos já estavam entusiasmados com a ideia de fazerem surf."

" Sim, realmente é melhor o César não ir. Mas acho que tu e os miúdos devem ir, pelo menos uma semana." atalha a Mãe.

" O César pode ir connosco para a quinta, há sempre gente lá que o pode ajudar se for necessário. Mas, assim que passar o inchaço, ele não vai ter problemas em andar de canadianas." diz a sogra, o que convence a Carolina de que as duas senhoras tinham falado e concebido um plano.

" Quando regressares, vais para lá também..." acrescenta a D. Margarida.

" Acho que é uma boa solução, filha." interrompe a D. Clotilde, sorrindo e o César, quando fica ao corrente do plano, não coloca qualquer obstáculo.

Até não se importa nada de ir para a quinta dos Pais, vai pedir para ficar na casa dos hospedes, pode ficar a ler, a trabalhar ao pé da piscina. E convida uma série de amigos para irem lá com ele.

A Carolina parte para Palma de Maiorca com os miúdos que estão tão excitados que a Mãe duvida que durmam.

Quando regressam, morenos e satisfeitos com as aventuras, o César já não tem a perna tão inchada, controla na perfeição as canadianas e está de excelente humor.

Após os miúdos mostrarem as fotos e contarem as aventuras, o casal tem uma longa conversa sobre as férias. 

Tem que haver um meio termo, um compromisso e por isso, a Carolina e os miúdos vão passar uma semana na praia, sem ele, a segunda será uma viagem cultural para os quatros e a última, será para os dois.

E, o Natal? Será o habitual - a Véspera na casa dos Pais dela e o Dia na dos dele.

Tão simples como isso....



FIM




sábado, 7 de setembro de 2019

AS FÉRIAS - PARTE IV


A Carolina chega esbaforida, ainda teve que levar os miúdos a casa dos avós.

" Já sabes alguma coisa? Onde é que ele está? " pergunta.

" Vai fazer um TAC por precaução, mas acham que não partiu nada." responde o Rodrigo.

" Mas ele não viu o sinal? O que é que estavam a fazer? " repete a Carolina e o Rodrigo volta a contar a história.

" Tens a certeza de que ele não fez isto de propósito para não ir para Palma?" diz a Carolina.

" Que disparate, Carolina! Como é que podes dizer isso?" Rodrigo está espantado com o comentário, mas, mais tarde quando conta à Maria, a mulher diz que não se admirava nada que o César tivesse tido essa ideia.

" Mas o que é que se passa com vocês? " o Rodrigo não quer acreditar, mas a Maria apenas encolhe os ombros.

" O César está contrariado. Queria ir à Dinamarca, mas eu quero praia, quero andar de barco com os miúdos, mergulhar...." continua a Carolina sem se aperceber do desconforto do Rodrigo.

A chegada da irmã e do cunhado da Carolina dá-lhe uma desculpa para se ir embora e com um " deixo as compras do César lá em casa amanhã" vai ter com a mulher.

Partido, não tem nada, dizem os médicos, apenas rotura de ligamentos do pé e do joelho.

Vai ter que andar de canadianas umas semanas, aquela parte do corpo vai ficar toda pisada... ir para Palma de Maiorca? Não, não aconselham, tem que descansar.

Carolina não sabe bem como reagir, a irmã diz-lhe para ter calma e entre os três, lá conseguem levar o César para casa.

As crianças ficam em casa dos avós e a Carolina está cansada.

O César está já a dormir.


CONTINUA



sexta-feira, 6 de setembro de 2019

AS FÉRIAS - PARTE III


É a vez do César ficar surpreendido.

" A Carolina gosta muito de estampados e compra quase tudo na Natura. Sem riscas ou estampados, acho que só as écharpes e as camisolas. " comenta o César " Eu não tenho paciência para isso.."

O Rodrigo volta a rir-se e olha para o relógio.

" É melhor irmos; combinamos jantar em casa dos meus sogros e não posso ir de calções e T-Shirt. São um pouco antiquados, não exigem fato e gravata, mas calças e camisa desportiva é de bom tom." e levanta-se.

Mais tarde, ao tentar recordar-se de como tudo aconteceu, o Rodrigo não tem a certeza se o César tropeçou na perna da cadeira, na asa de um saco.

Lembra-se sim do sinal de que o chão estava molhado e abrir a boca para avisar o amigo.

Não teve tempo, o César escorregou, embateu violentamente contra uma floreira e magoa a perna.

" Alguém chame o INEM!" grita o Rodrigo, os seguranças já estão a afastar as pessoas.

" Não te mexas, não sabemos se partiste alguma coisa!" aconselha o Rodrigo.

" Isto não é nada." diz o César muito pálido e tenta levantar-se.

Rodrigo pressiona-lhe o ombro para ele ficar quieto e quando os paramédicos o ajudam a levantar, o César solta um grito de dor.

Parece estar tudo bem, mas é melhor ir para o Hospital para um Rx.

O Carlos protesta, mas não consegue apoiar-se no pé e contrariado, segue para o Hospital na ambulância.

O Rodrigue telefona à Carolina, conta-lhe o que se passou resumidamente e combinam encontrarem-se no átrio do Hospital.

Telefona também à mulher e diz-lhe que vai chegar atrasado.



CONTINUA

AS FÉRIAS - PARTE II


O Rodrigo ri-se quando o César lhe conta a conversa.

" Ou confias ou não! A Carolina não deixa de ter a sua razão e depois... não está a dizer que vai sozinha. Está a dizer para ires também."

" Mas o que vou fazer lá se não gosto de praia?" insiste o César.

" Aluga um carro, visita a ilha, aprende surf, mergulho, qualquer coisa. Deixa a Carolina ter umas férias na praia." aconselha o Rodrigo.

O César não está totalmente convencido, mas o Rodrigo tem uma certa razão.

Nessa noite, diz a Carolina que aceita o " desafio".

" Desafio?" estranha a mulher.

" Sim, um desafio para alguém que não gosta de praia. Mas vou aprender surf ou outra coisa qualquer enquanto trabalhas para o bronze." comenta brincalhão.

A mulher ri-se e, dando-lhe um beijo, desaparece em direcção à cozinha.

Nas semanas seguintes, vê-se que a Carolina está feliz, compra roupa de praia nova e faz uma vistoria à dele.

" Tens que comprar calções, T-Shirts para andares durante o dia. Isto está muito velho!" repreende " Não... não vou ser eu a comprar. Porque não telefonas ao Rodrigo e vão juntos ao Centro Comercial? "

O Rodrigo aceita o convite, a Maria está a terminar um projecto complicado e até lhe agradece ele não estar em casa.

A tarde daquele sábado é passada a entrar e sair de várias lojas e o César é tão indeciso que o Rodrigo começa a ficar desesperado.

" Bolas! Nunca pensei que fosses assim!" comenta o amigo quando se sentam finalmente numa esplanada.

" Geralmente, é a Carolina que compra quase tudo. Sabe o que eu gosto; às vezes, tem que trocar por causa do tamanho, mas regra geral, não há problema." confessa o Carlos.

" Comodista! A Maria e eu temos um acordo - cada um escolhe e compra a sua roupa, embora haja umas cores que são proibidas, porque ou eu ou ela não gostamos." ri-se o amigo.



CONTINUA

quinta-feira, 5 de setembro de 2019

AS FÉRIAS


" Explica-me outra vez... Como se eu fosse muito burro." pede o César " Sabes que eu não gosto de praia e queres ir para Palma de Maiorca??? "

" Estou farta de andar de um lado para o outro, a visitar Museus, castelos e afins... Quero ir para um sítio com praia e animação." explica a mulher " Se quiseres ir para Nova York, vais, mas vais sozinho e eu vou com as minhas amigas para a praia."

" Era o que faltava!!! Que ideia mais estúpida!" protesta o César.

" Não sei porquê. Conheço um casal que faz isso; não sei porque é que não podemos fazer o mesmo." insiste a Carolina.

" Porque é um disparate!" repete o marido.

" Um fim de semana, uma semana, qual é o problema? Não sais só com os teus amigos uma vez por mês? É a mesma coisa!" diz a Carolina.

" Não é! Só vou jantar com eles e depois venho para casa!" replica o César.

" Estás com medo de quê, César? De sairmos com homens desconhecidos? Tens a certeza de que nesses jantares, não há strippers, poker, bilhar com apostas?" pergunta a Carolina.

César fica calado. Há uma certa razão no que ela diz.  

Na festa de solteiro do Dinis, decidiram contratar umas strippers e, embora ele só tenha assistido ao show, houve uns que saíram com elas.

A Carolina respira fundo e diz:

" Estou atrasada. Pensa, porque eu vou para Palma de Maiorca, contigo ou não."

" Espera aí que ainda não acabamos de falar!" observa o marido.

" Acabamos, sim." e a porta da rua bate.


CONTINUA

quarta-feira, 4 de setembro de 2019

DESAFIO PARA A PRÓXIMA HISTÓRIA









Como é habitual, desafio os comentadores a sugerirem a próxima história.

Podem sugerir uma tema, nomes das personagens...

Aguardo os vossos comentários.

terça-feira, 3 de setembro de 2019

A CONFISSÃO -. FIM


A Brigada Anti-Jogo sabe muito bem quem é o " amigo " do Matos.

Anda à procura de locais para organizar os jogos e paga bem. 

Não é de admirar que o Matos, com uma situação económica um pouco débil, tenha facilitado o acesso ao Clube.

Após quatro horas de interrogatório, conseguem finalmente saber o que se passou.

O que os surpreendeu foi o facto de ser a Vera a coordenadora de toda a operação.

Trabalhou no bar para angariar clientes e o facto de ter conseguido a atenção do Dr Prates convenceu-a de que outros o seguiriam.

Entretanto, as dançarinas perceberam o esquema, ela tentou suborná-las e quando ameaçaram contar tudo à polícia, a Vera participou aos chefes.

" Não sei quem as matou, sou apenas um "peão"..." responde o Lucas à pergunta do Bernardes.

" E porque é que a mataram? Ao Dr Prates? " intervém o Sargento.

" Acharam que ela pôs a operação em risco e quanto ao Dr Prates... bem, não tenho a certeza, mas ele percebeu o esquema e antes que tomasse qualquer atitude...." conta o Lucas.

" Quem diria??? A fingir que estava a ser assediada..." comenta o Henriques.

" Será que a família sabe?" observa o Inspector Bernardes, mas o Leitão acha que não.

" No entanto, talvez seja melhor estarmos atentos aos movimentos deles." sugere.

" Sim, isto pode ter sido um golpe....Vamos estar atentos a tudo o que diz respeito ao Grupo, às famílias, etc." concorda o Bernardes " Vamos descobrir a verdade!"

Será que vão descobrir a verdade? Ou será mais um caso que fica em aberto?


FIM





segunda-feira, 2 de setembro de 2019

A CONFISSÃO - PARTE VII


Quando sabe do jogo ilegal no Clube, o Inspector Leitão acha que é essa a explicação para os depósitos avultados na conta do Maurício Prates.

" Se calhar, ele frequentava o outro Clube para angariar clientes para o jogo e recebia uma comissão. Tudo legal através de uma Empresa de decoração..." explica.

" Temos que saber mais sobre essa empresa e também temos que descobrir quem é o barman." concorda o Bernardes.

" O Matos disse-me que o nome do conhecido é Carlos Tadeu.  Talvez a Brigada Anti-Jogo saiba alguma coisa, vou falar com eles." diz o Henriques e desaparece.

Os outros membros da Brigada ficam em silêncio que o Bernardes se apressa a interromper.

" Qual a ligação da Vera com as mortes da Zita, da Andreia e do Prates? Há qualquer coisa que está a falhar e não sei o que é!" confessa.

" O tal Matos não a viu com essas dançarinas? Pode ter dito ao barman e este comunicado aos superiores.." sugere o Leitão " Ou foi trabalhar para lá como espia..." 

" Espia? " repete o Brites " Do Prates? Para controlar? "

" Não!" o Bernardes rejeita de imediato a ideia " Todos a descrevem como uma pessoa modesta, honesta...."

" Pode ser uma fachada..." responde o Leitão.

O Henriques chega com novidades.  Há suspeitas de que a empresa de decoração é uma forma de " lavar dinheiro " de um Grupo poderoso ligado ao jogo ilegal.

Mas é só isso: a nível fiscal, cumpre todos os requisitos e tem bom nome no mercado.

Segundo a imobiliária onde o Prates trabalhava, era habitual a empresa decorar as casas ou escritórios para venda ou arrendamento para atrair clientes e muitos acabam por ficar com o mobiliário instalado.

CONTINUA