segunda-feira, 17 de junho de 2019

DESAFIO AOS COMENTADORES


Novo desafio:

Continuo a falar sobre os actores da peça de Teatro?
Alguém é assassinado no Teatro, mas ninguém sabe quem é e o que estava a fazer no palco.

É o dia do casamento do Brites, mas alguém incendeia a Igreja e no rescaldo aparece um corpo.

Ou outras sugestões.


Aguardo os vossos comentários....

domingo, 16 de junho de 2019

A PEÇA DE TEATRO - O FIM


O público ri com ele e os actores sentem que segue atentamente a acção.

Contudo, quando o primeiro acto termina, os aplausos são poucos.

O Luís e o Ricardo já estão nos bastidores e o encenador sorri-lhes.

" Então, isto é só o 1º acto!" e o Sérgio encolhe os ombros, não muito convencido.

" Tens a certeza de que isto vai resultar?" sussurra o Ricardo, nervoso.

" Calma, temos que ter calma!" aconselha o Luís e todos se preparam para o segundo acto.

Este é um pouco mais dramático, por causa do discurso da personagem do Sérgio.

Diz finalmente o que pensa da personagem de Carlos, demonstra que é um bom amigo, não é apenas alguém com quem se vai beber uns copos.

O público reage favoravelmente e Carlos deixa-se levar, tornando a personagem dele mais humilde, mais humana.

Quando o segundo acto termina, os aplausos irrompem e até o Ricardo é chamado ao palco.

Os cinco actores não sabem se devem rir ou chorar, mas o Ricardo está muito comovido.

Haverá novas propostas para ele e novos desafios para os actores.

As críticas não podiam ser melhores e durante uns meses, os bilhetes estão esgotados.

A Beatriz é a primeira a sair, recebeu um convite para fazer uma novela e o Luís está já a preparar uma nova peça.

A vida está a correr bem e tudo começou com uma peça de que ninguém gostava.


FIM




sábado, 15 de junho de 2019

A PEÇA DE TEATRO - PARTE IV


Estão todos entusiasmados e o Luis tem a certeza absoluta de que a peça vai ser um sucesso.

O Ricardo está um pouco nervoso, ouve as opiniões dos actores atentamente.

Uma peça é um pouco diferente de um argumento, pensa e pode ditar o fim da carreira, mas só o saberá no dia da estreia.

O teatro está cheio e todos chegaram cedo demais.

Até a Alice está nervosa e verifica novamente os adereços. 

A Beatriz e a Susana partilham um camarim, a maquilhadora está a terminar, mas parece que as compreendeu e também não fala.

A Paula já está pronto, acha o camarim sufocante e por isso, saí para o corredor. 

O Carlos e o Sérgio já lá estão, mas estão calados e a Paula não se atreve a interromper o silêncio.

O Luís está no gabinete, sabe que deve descer para apoiar os actores, mas está a adiar ao máximo esse momento.

Quanto ao Ricardo, não se aproxima do teatro. É errado, admite, mas não consegue.

As pancadas de Moliére soam, a cortina sobe, as luzes acendem e o Carlos começa a rir-se.


CONTINUA

sexta-feira, 14 de junho de 2019

A PEÇA DE TEATRO - PARTE III



" Pois... e eu sou apenas o amigo dos copos da personagem do Carlos..." acrescenta o Sérgio " Sempre que abro a boca, ele começa com outro discurso... Alguém tem que reescrever a minha personagem... Quero dizer à personagem do Carlos o que penso verdadeiramente dela."

" Mas isso é óptimo!" interrompe o Luís " São boas ideias; teremos que estudar a maneira de as incorporar no texto original, mas gosto. Gosto bastante!"

" Se reescreverem a personagem do Sérgio, também quero que a minha o seja. Afinal, sou a melhor amiga... " exige a Susana.

" E eu também!" diz a Paula mas o Luís intervém de imediato.

" Vocês perceberam a minha ideia? Não vamos alterar a peça original, vamos simplesmente incluir as vossas opiniões. Ok? "

" OK." repetem os cinco actores.

Nessa noite, o Luís, munido das notas da Alice, discute o assunto com o produtor.

Este concorda com as ideias expostas e o Luís pede ajuda a um argumentista amigo dele.

Ao princípio, o Ricardo fica hesitante, mas depois de ler as notas, acha interessante a ideia e lê a peça original.

Decidem escrever uma nova peça e toda a acção decorre na reunião geral antes de começarem os ensaios.

Na semana seguinte, os actores recebem a nova peça e ficam entusiasmados.

Como o Luís disse, todas as ideias foram aproveitadas e escritas numa forma mais polida.

As novas personagens estão mais ricas, mais profundas e todos têm um papel de destaque.

CONTINUA

quinta-feira, 13 de junho de 2019

A PEÇA DE TEATRO - PARTE II


A Beatriz lê a primeira linha e, como combinado, o Carlos começa a rir-se.

" Estás a rir-te de quê?" pergunta a actriz e o Carlos tenta conter o riso.

" Mas isso é tão pobre, tão triste... Tenho que rir!" responde o Carlos.

" Se tens uma ideia melhor... sou toda ouvidos!" comenta a Beatriz, fingindo-se irritada.

A Susana interrompe com um ar muito confuso.

" Vocês desculpem, mas eu não entendo nada. Isso não está aqui!" e aponta para o guião.

Luís bate palmas e elogia:

" Isto está óptimo. Podemos aprofundar um pouco mais os diálogos, mas é exactamente isto que quero. Quero comunicação com o público, quero que eles compreendam os vossos objectivos...." explica.

A Paula e o Sérgio estão calados a observar a cena atentamente e decidem também falar.

" Protestamos!" diz o Sérgio, surpreendendo toda a gente.

" Protestam o quê?" questiona o Carlos, sem entender, pois , segundo o guião, as personagens da Paula e do Sérgio só entram no segundo acto.

" Vocês dominarem o primeiro acto e eu e a Paula só entramos no segundo. As nossas personagens são tão importantes como as vossas." acrescenta o Sérgio.

" Ah, sim? Então e eu? " observa a Susana " Na maior parte das cenas, eu só escuto a Beatriz a queixar-se."

" Mas estás presente!" intervém a Paula " Agora, eu pareço a parente pobre, a cidadã de segunda classe."

O Luís ri-se e pergunta baixinho à assistente:

" Estás a anotar isto tudo?" e a Alice confirma.

CONTINUA


quarta-feira, 12 de junho de 2019

A PEÇA DE TEATRO


" Isto é horrível! exclama a Beatriz na leitura da peça " Não sei se a quero fazer; vamos ter  más críticas e a peça não vai durar mais que um dia..."

" Bravo! É exactamente isso que eu quero! Comentários, receios, sugestões..." diz o Luís, o encenador " Uma peça sobre uma peça."

" Uma peça sobre uma peça?" repete o Carlos, não muito convencido.

" Sim, vamos improvisar.  Conversem uns com os outros, estabeleçam diálogos que serão inseridos nesta peça." explica o Luís, entusiasmado.

Os actores saem, sem saberem exactamente o que fazer e o Carlos convida a Beatriz e a Susana para jantarem.

No restaurante sossegado do bairro, a Susana pergunta aos outros dois:

" Acham que vai resultar? "

" Talvez. A ideia é diferente. Nunca me pediram para escrever os meus próprios diálogos." responde a Beatriz " Acho que posso aproveitar isto."

" Sem dúvida. O Luís falou também em receios... Podemos expor isso... mas temos que reler a peça para saber como." sugere o Carlos.

Os três trabalham até de madrugada em casa do Carlos e antes de se encontrarem no teatro ao fim da tarde, voltam a ler o que escreveram.

A Beatriz acrescenta algumas linhas, a Susana retira outras, mas o Carlos mantém as suas.

" Então? " Luís fica no centro do palco à espera que eles falem.

" Tenho algumas ideias. Trabalhei com a Susana e o Carlos, uma vez que as nossas personagens na peça real estão interligadas." comenta a Beatriz.

" Óptimo! Vamos ouvir... " 


CONTINUA


domingo, 9 de junho de 2019

O SUSTO - FIM


Foi apenas um tiro disparado para o ar, Brites constata quando entra no armazém.

Os detectives dominaram os motoristas e o Inspector Lucas tenta controlar o Jaime, que protesta veementemente contra a intrusão.

A Beatriz, muito pálida está encostada a uma parede. 

Brites guarda a arma e fica apenas a observar a cena. 

Há uma série de caixas espalhadas pelo armazém e um detective está já a abrir uma.

O Jaime cala-se finalmente e o Inspector Lucas faz sinal a um outro detective para o levar para o carro policial que chegou, entretanto.

Repara, então no Sargento Brites e diz-lhe:

" Não devias estar aqui!... Eu sei, ouviste um tiro, foi aquele palerma que não parava de falar que disparou." explica " Afinal, qual é o teu interesse nisto?"

" Conheço alguém que trabalha no Call Center que me apresentou o tal Jaime e a Beatriz. Ouvi uma determinada conversa e..." confessa o Sargento Brites.

" Quiseste saber se ela estava metida nisto. " interrompe o Lucas " O pessoal do Call Center está limpo; só estes dois é que estavam implicados."

" O que vai acontecer agora? " quer saber o Brites.

" A tua amiga perdeu o emprego. Há coisas piores do que isso!" responde o Lucas e afasta-se.

Há mil e uma coisas a fazer agora, o Sargento Brites sabe que está a mais e sai para a noite.

No dia seguinte, conta a história toda ao Inspector Bernardes e a conselho deste, espera que a Catarina o contacte.

A meio da manhã, esta telefona-lhe, desesperada. 

Já sabe o que aconteceu, nunca lhe passou pela cabeça que o Call Center uma fachada para traficar droga.

Nossa, e ela que pensava que a Beatriz e o Jaime eram pessoas decentes, até os tinha convidado para jantar algumas vezes em casa dela!

A Catarina está desconsolada e o Brites combina almoçar com ela.

Quando o Bernardes conta o caso à mulher, esta olha-o muito séria, depois sorri e observa:

" Agora, posso convidá-los para jantar sem medos, culpas. Não há conflito de interesses!"

O marido olha-a surpreendido, terá Lúcia aprendido algumas coisas com ele ou é das séries policiais que vê?


FIM










sexta-feira, 7 de junho de 2019

O SUSTO - PARTE IV


A carrinha vira para um beco.

Brites atravessa a rua calmamente e mantém a cabeça baixa, não vá a Beatriz reconhece-lo.

Mas esta voltou para dentro da loja e apaga as luzes.

No beco, estão a descarregar umas caixas e há uma porta aberta.  

Brites reconhece o Jaime como um dos homens a descarregar.

Deixa-se ficar encostado à parede. Está longe demais para ouvir o que dizem, mas não pode arriscar.

Não pode ser visto e é enquanto pondera o que fazer que alguém o agarra e segreda:

" Nem um pio, pá! " e o Brites reconhece a voz do Inspector Lucas.

O Brites conhece-o desde o tempo da Academia, trabalharam algum tempo na mesma brigada, mas depois o Lucas foi promovido e transferido para a Anti-Droga.

Por isso, isto está relacionado com droga, deduz o Sargento e obedecendo ao gesto impaciente do Inspector, segue-o para fora do beco.

A brigada está já posicionada e espera apenas o sinal do Lucas para intervir.

Este dá o sinal e entram no beco.  As portas da carrinha estão abertas, mas já não tem caixas.

Os homens devem estar lá dentro e um dos detectives aproxima-se da porta do edifício.

Faz sinal de que está livre e entram.

Há gritos, alguém dispara e Brites corre naquela direcção.

CONTINUA

quinta-feira, 6 de junho de 2019

O SUSTO - PARTE III


" NÃO, não acredito! Aquele homem tem um azar com as mulheres!" comenta a Lúcia quando o Bernardes lhe conta o caso.

" Não temos a certeza; ele apenas ouviu uma conversa um pouco estranha. Não se sabe se ela está implicada. Há muita gente que trabalha nessas empresas de lavagem de dinheiro e afins e não sabem nada de nada." explica o Bernardes.

" Mas os dois colegas podem estar...." diz a mulher.

" Seja como for, não podemos agir... Não está relacionado com um caso da nossa Brigada." insiste o marido e abre o jornal, sinal de que a conversa terminou.

A mulher não insiste, mas gostaria de conhecer essa tal Catarina. 

Não sabe bem porquê... considera-se uma boa avaliadora de carácter e talvez a Catarina seja realmente inocente.

O problema será convencer o Bernardes... Se calhar, vai começar os discursos de que será confraternizar com o inimigo, conflito de interesses, mas a pessoa é inocente até prova em contrário.

" Não é verdade? Ou estará a ver muitas séries policiais?" pergunta ao cão, mas este está pouco interessado no monólogo.

Entretanto, a Catarina manda um SMS ao Brites. 

Lamenta, uma colega faltou, vai fazer turno duplo. Encontram-se amanhã?

Brites responde que sim, mas resolve passar pelo Call Center.

Este fica numa loja à face da rua, está bem iluminado e o Brites estaciona numa viela ali perto.

Há um café em frente do Call Center que está ainda aberto e Brites pede um café.

Pouco depois das dez da noite, vê a Catarina sair apressada, mas decide não ir atrás dela.

Quer ver o que acontece agora, as luzes ainda estão acesas.

A Beatriz saí e faz sinal a uma carrinha estacionada ali perto. Não estava ali há cinco minutos!

Brites paga o café e saí para a rua. 


CONTINUA






quarta-feira, 5 de junho de 2019

O SUSTO - PARTE II


A noite termina no apartamento de Catarina e, como é muito tarde, esta convida-os a dormirem lá.

O Brites acorda com sede de madrugada e levanta-se cuidadosamente para não acordar a Catarina.

Ao passar pelo corredor, vê que a porta do outro quarto está entreaberta e o Jaime e a Beatriz estão a conversar.

"... desconfia se continuares a agir desse modo!" diz a rapariga.

" Agir como? Achas que é fácil estar a falar descontraidamente com alguém que sabemos que é da polícia?" pergunta o Jaime.

" Estás a fazer uma tempestade! Ele vai adivinhar o que se passa verdadeiramente no Call Center? " observa a Beatriz. " Vê se dormes e deixa os outros dormirem."

Calam-se e Brites volta para o quarto, pensativo.

Catarina continua a dormir, mas Brites já não consegue.

Veste-se rapidamente, dá-lhe um beijo rápido e sem fazer barulho, saí.

O que se passa naquele Call Center? Droga, lavagem de dinheiro, extorsão?

" Bolas! Não tenho sorte nenhuma!" lamenta o Brites e o Bernardes nota de imediato a irritação do Sargento.

" O que se passa? Qualquer coisa não está a correr bem!" e quando Brites encolhe os ombros, Bernardes não aceita um " não ".

" Não posso investigar sem uma razão legítima!" concluí o Sargento.

" Não, mas pode perguntar, discretamente..." frisa o Inspector, embora saiba que o Brito é muito cuidadoso " às outras Brigadas se sabem de alguma coisa."

" Isso vai dar azo a perguntas! " pondera o Brites.

" Dê uma resposta vaga. Que está no meio de uma investigação e o nome surgiu...." aconselha o Bernardes.


CONTINUA


terça-feira, 4 de junho de 2019

O SUSTO


" Creio que o Brites está apaixonado!" diz o Inspector Bernardes à mulher nessa noite.

" Que bom! O pobre homem estava traumatizado com aquela história daquela mulher... raptada e morta, não foi? " comenta a Lúcia.

" Pois, espero é que não tenha uma nova decepção...É inteligente, honesto, com bons instintos. Vai ser um bom Inspector..." elogia o Bernardes.

Nesse momento, o Brites está num bar sossegado com a Catarina.

Ainda não pararam de falar e a Catarina pede uma pausa.  Precisa de ir à casa de banho e...

" Tu vais pedir uma nova rodada!" acrescenta, roubando-lhe um beijo.

Brites sorri. Há muito tempo que não se sente tão relaxado, tão bem com a vida.

Nem está a pensar no caso aberto! A Catarina é faladora, interessante...

Desde a Amália que não tem uma namorada a sério. Se bem que não pudesse considerar a Amália uma namorada.

Foi mais um flirt que terminou logo que soube que ela trabalhava com a primeira vítima.

Não, não, não posso pensar nisso. É a minha noite de folga, tenho que me divertir.

" Ah, o que aconteceu com as bebidas? Voaram? " brinca a Catarina que vem acompanhada por um casal jovem.

" É o Jaime e a Beatriz. Trabalham comigo no Call Center, o Jaime como supervisor e a Beatriz como delegada."

Depois dos apertos de mão e dos " muito prazer", sentam-se e o Jaime pergunta:

" E, tu o que fazes? "

" Trabalho na Brigada de Homicídios." e parece ao Brites que o Jaime fica preocupado.

CONTINUA

segunda-feira, 3 de junho de 2019

NOVO DESAFIO



E, a próxima história será:

  • um policial com o Bernardes e o Sargento Brites que se volta a apaixonar pela mulher errada?

  • o ex-Inspector Leitão que é convidado para um seminário e apaixona-se por uma mulher mais nova do que ele?

  • uma festa com tema dos anos 80 e que acaba mal?



Agradeço sugestões....


domingo, 2 de junho de 2019

A DECEPÇÃO - O FIM


A Fátima tenta não pensar muito no assunto e concentra-se no trabalho.

Continua a falar com a Marina e a outra irmã, Matilde também lhe telefona.

Rodrigo, o irmão, surpreende-a com uma visita relâmpago, mas, embora tenha sido simpático, amigável, a Fátima sente que a fuga dela para o Brasil é ainda um assunto tabu.

Talvez devessem ter falado sobre o assunto, dito o que sentiam, desanuviavam o ambiente e começado realmente a viver. 

Iniciado uma nova etapa; assim, a Fátima sente-se isolada.

Do Francisco, não sabe nada; o Telmo diz-lhe que falou com ele, mas o filho recusou-se a ouvir. O Pai não vai insistir, lamenta.

Fátima sente-se muito magoada; sabe que a culpa foi unicamente sua. Às vezes, pensa no que teria acontecido se tivesse ficado.

Estariam ela e o Telmo ainda casados? Teriam ela e o Francisco uma boa relação? Continuaria a haver entre ela e os irmãos aquela união e cumplicidade de que os Pais tanto se orgulhavam?

A vida é um enigma, não há planos definitivos, consola-se.

Gosta da vida que está a ter agora, esforça-se para não cometer erros.

O preço é muito elevado... talvez tenha sorte e consiga conquistar novamente o filho e a família.

Por isso, fica surpreendida quando a Matilde a convida para passar com eles o Natal desse ano.

O próximo passo é dela... 


FIM




sexta-feira, 31 de maio de 2019

A DECEPÇÃO - PARTE IV


A Fátima fica surpreendida com a visita do Telmo, mas conversam como bons amigos.

Até ao momento em que o Telmo lhe faz a pergunta que ela tentava evitar.

Porquê? O que é que aconteceu de tão errado entre eles para ela decidir partir sem qualquer aviso, sem qualquer explicação?

A Fátima hesita um pouco, o Telmo não foi um mau marido, mas acaba por lhe contar a verdade.

" Não sei... Ele fez-me sentir desejada, no topo do Mundo... Estavas a ter aqueles problemas na empresa, eu não estava satisfeita com o meu trabalho, estávamos distantes..."

" Podias ter falado comigo..." recrimina o Telmo " Talvez pudéssemos mudar... mas nunca te queixaste... e eu estava muito abalado com a situação da empresa..."

" Talvez, mas não o fiz. A culpa foi minha e lamento se te magoei..." diz a Fátima " E o Francisco... Ele parece que não quer falar comigo..."

" Tens que lhe dar tempo. Ele ficou muito magoado; pensou que a culpa era dele." explica o Telmo " Foi tudo muito complicado; dá-lhe tempo para pensar, para se organizar... Talvez um dia ele te procure."

Mas a Fátima duvida. Telmo parece ter-se reconciliado com a vida; está com óptimo aspecto e a Marina acha que ele tem alguém.

" Não vive com ela abertamente." confidencia a irmã " Mas já o encontramos com ela; é uma pessoa interessante. E, tu? "

" Não, não tenho ninguém. Tive romances relâmpago, mas nada definitivo." comenta a Fátima " Para já, quero concentrar-me no meu trabalho, organizar a minha vida... Gostaria que o Francisco fizesse parte dela, mas ... "

" Compreendo, mas não te posso ajudar nisso. Tem que ser ele a decidir..." concorda a Marina.

Fátima convida-a para passar um fim de semana nas Caldas da Rainha, mas a Marina declina gentilmente.

" Ainda estamos magoados!" percebe a Fátima, embora a irmã não o tenha dito alto.



CONTINUA

quinta-feira, 30 de maio de 2019

A DECEPÇÃO - PARTE III


O Francisco telefona ao Pai nessa noite e conta o que se passou.

" O quê??? A Fátima está em Portugal, a viver nas Caldas da Rainha? " repete Telmo incrédulo.

" Pois está. Encontrei-a à saída de um Centro Comercial!" diz o filho.

" Falaram? " e ouve-o atentamente. Não o pode criticar por ter aquela reacção, mas ele, Telmo até gostaria de se encontrar com a Fátima e ouvir o que ela tem para dizer.

Nada o levou a pensar que a Fátima, uma mulher cheia de força e moralista, tomasse a decisão que tomou.

Abandonar tudo por um homem que era, segundo os rumores, um grande vigarista.

Quem era esse homem? O que a atraiu? O que esperava? Onde é que ele, Telmo, falhou? O que não viu?

Sim gostava muito de a ouvir.

Por isso, sem dizer ao Francisco, telefona à irmã de Fátima e pede-lhe o endereço.

A Marina fica verdadeiramente surpreendida e comenta:

" Tens a certeza de que queres fazer isso? Não foi nada fácil, Telmo. Pensei que isto era uma situação passada; afinal, tens uma outra vida com uma outra pessoa."

" Mas a Fátima é a Mãe do meu filho e preciso de respostas. Neste momento, o Francisco não quer saber dela, mas ninguém me garante que num futuro próximo ele não a contacte. Quero estar preparado para o apoiar!" explica Telmo.

A Marina compreende a posição dele e dá-lhe o endereço da Fátima.

CONTINUA


quarta-feira, 29 de maio de 2019

A DECEPÇÃO - PARTE II


" Minha nossa, é igual ao Pai! " pensa a Fátima.

" A minha Mãe aqui? Mas não estava no Brasil?" o Francisco está confuso.

Não a vê há mais de cinco anos, mas nunca esqueceu a cara dela.  

Está mais velha, claro, veste-se de uma forma que ele considera exuberante, mas é ela.

" Francisco? " pergunta a Fátima, hesitante " O que fazes aqui? Vives aqui? "

" Não, estou só a passar o fim de semana." a resposta foi um pouco seca, mas Fátima não esperava outra coisa.

" Podemos tomar um café e conversar um pouco?" diz a Fátima, mas Francisco abana a cabeça.

" Não, obrigada. Estou com uns amigos e depois... " não sabe que palavras usar, sem a ofender " não tenho nada a dizer-lhe!" concluí e afasta-se.

Fátima está abalada, ela que se acha uma mulher forte, que nada a derruba.

Em casa, depois de arrumar as compras, senta-se e telefona à irmã.

Quando lhe conta o que aconteceu, a Marina suspira e observa:

" Estavas à espera de quê? Beijos e abraços? Abandonaste-o, ficou sozinho com o Pai... A Mãe fugiu para o Brasil atrás de um homem, é o que ele ouviu, o que sabe de ti."

" Podia ter sido mais simpático!" e a irmã reage de imediato:

" Mas ele foi muito simpático! Não te insultou; foi apenas claro! Tu já pensaste bem no que fizeste? Magoaste toda a gente!" repete.

Fátima abre a boca para explicar a situação, mas a irmã despede-se e desliga o telemóvel.

CONTINUA



terça-feira, 28 de maio de 2019

A DECEPÇÃO


Fátima acha que o Brasil já deu o que tinha a dar.

Quer regressar a Portugal, mas decide ficar numa cidade mais pequena, no centro.

Caldas da Rainha, Évora, Seixal... Não quer encontros confrangedores com a família e os amigos.

Foi complicado... Deixou tudo para ir através de um idiota que só queria o dinheiro dela.

O filho ignorou as cartas que lhe enviou e o marido pediu o divórcio.

A família trata-a com uma certa frieza e a Fátima está muito cansada para se envolver em discussões sobre egoísmo, culpa e faltas de respeito.

Por isso, Caldas da Rainha é um bom local para começar. 

A cidade está a crescer, tem sorte logo no primeiro dia em que procura trabalho.

A agência é pequena, mas tem muito movimento e a Fátima interessa-se, participa activamente nos eventos.

Em breve, tem um pequeno circulo de amigos e a vida está a correr bem.

Tem um apartamento em vista e tenciona fazer uma pequena viagem com os novos amigos até Santiago de Compostela no feriado de 5 de Outubro.

Por isso, é um choque naquele sábado quando, ao sair do Centro Comercial, dá de caras com o filho.

Deixou-o um adolescente desajeitado, encontra-o um homem interessante.

Ficam os dois a olhar um para o outro, incapazes de falar.


CONTINUA


domingo, 26 de maio de 2019

O DIARIO DA CARMO - FIM


Maio, 10


O Amadeu parece que ganhou senso e concordou em encontrar-se comigo no gabinete do meu advogado.

Quem parece é o advogado dele que apresenta a proposta do Amadeu. 

Desisto da queixa contra ele e em troca, assina os papéis do divórcio. 

O advogado entrega outra proposta para a divisão de bens.

Quando este saí, o meu advogado aconselha-me a analisar bem as propostas,  a não me precipitar.

A Eduarda também pensa o mesmo e o Miguel acha que ele está a armar uma cilada.

Eu quero acabar com tudo o mais depressa possível e por isso, contra os conselhos de todos, desisto da queixa.

Mas o Amadeu não assina os papéis e pede para se encontrar comigo.


Maio, 15

A pressão é tanto que acabo por ceder e vamos jantar fora hoje.

Ao nosso restaurante favorito, diz ele e a Eduarda tenta convencer-me a não ir.

" Tenho um mau pressentimento!" mas eu não quero voltar atrás.

O Afonso também me pede para não ir, não acredito que esse tipo fique bonzinho assim de repente, tem qualquer coisa na manga.

Discutimos forte e feio e a certa altura, o Afonso desiste, diz que tem que acalmar, acabávamos por nos magoar e gosta demais de mim para isso.

Por isso, quando saio de casa da Eduarda para me encontrar com o Amadeu, sinto-me muito sozinha.

Parece que tenho o Mundo todo contra mim. mas mal vejo o Amadeu, com aquele sorriso frio e calculista, percebo que ele tem alguma coisa na manga.

E, tenho a certeza de que isto vai acabar muito mal.

Nunca pensei que fosse só para mim....


FIM


sábado, 25 de maio de 2019

O DIÁRIO DA CARMO - PARTE V


Março, 30

Estou em casa da Eduarda.

Acabei por lhe telefonar, ela e o Miguel levaram-me o hospital e insistiram que eu apresentasse queixa na Polícia.

O Amadeu já telefonou, já apareceu aqui, exigindo falar comigo, mas o Miguel barrou-lhe a entrada.

Ele foi-se embora, não sem fazer algumas ameaças que o Miguel desvalorizou.

Mas sei que falaram com um advogado.

O Afonso já me visitou, ficou horrorizado com a história e até se prontificou a ir comigo a um advogado de divórcio.

Porque tu vais pedir o divórcio, é o que todos pensam, mas eu tenho medo de falar no assunto com o Amadeu.

Isso resolve-se, não precisas de falar com ele, dizem, o advogado contacta-o.

Mas eu estou hesitante.


Abril, 15

Falo com o advogado, diz que será fácil até porque um relatório médico e uma queixa de violência doméstica na Polícia.

Será como ele diz? Duvido...

O Amadeu telefona-me e é a Eduarda quem atende. Recusa passar-me o telefone e o Amadeu ameaça-a.

A resposta da Eduarda é muito simples, queres falar com o meu advogado? e o Amadeu pede de imediato desculpas.

Não seria muito bom para a imagem do Dr Luís ser processado pela cunhada.

E, pela mulher?

Tenho medo.....


CONTINUA

sexta-feira, 24 de maio de 2019

O DIÁRIO DA CARMO - PARTE IV


Março, 3

Felizmente, está frio e posso vestir camisas de manga comprida.

O Afonso está ocupado com uma crise na revista e pouco temos falado. Não sei como lhe explicaria as nódoas negras.

Mas a Eduarda tem um sexto sentido e aparece de surpresa um dia ao fim da tarde, exigindo saber o que se passa.

Conto-lhe por alto a cena, mas ela fica horrorizada e pede-me para apresentar queixa na Polícia.

Não, não é preciso. Tenho a certeza de que isto não se vai repetir e a minha irmã suspira.

Não te atrevas a contar aos Pais, peço e embora não concorde, a Eduarda promete.

Quanto ao Amadeu, pouco fala comigo. Somos dois estranhos a partilhar uma casa.


Março, 25

A reunião na revista termina tarde e recuso o convite do Afonso para uma última bebida.

Estou cansada, quero tomar um duche, um jantar rápido e dormir.

Infelizmente, o Amadeu está em casa e começa um interrogatório exaustivo.

Já te disse que estava numa reunião na revista e o sorriso dele é de aço quando insiste na pergunta, tens a certeza?

Claro que tenho a certeza, responde irada e é o suficiente para receber um grande pontapé nas costas.

Caio desamparada no sofá e tento proteger-me.

Mas o Amadeu não desiste e recebo novo pontapé nas pernas. 

Torce-me um dos braços e dá-me uma grande bofetada que me abre o lábio.

Outro atinge-me o olho e a última é no peito.

Depois, atira-me novamente para o sofá e saí da sala.

CONTINUA