domingo, 19 de maio de 2019

ZONA LESTE - FIM


O porteiro da Torre Nova onde o Dr Luis alugou um apartamento não sabe para onde ele foi.

O Dr Luís pediu apenas que qualquer correspondência que chegasse fosse enviada para um escritório de advogados.

Sim, tem o cartão deles e o Brites tira uma foto com o telemóvel. E o apartamento?
  
Também não sabe de nada; não, ainda não foi alugado. Porquê? 

A Administração do Condomínio deve saber e sim, também pode dar o contacto.

Verem o apartamento? Não deve haver problemas e sobe com eles.

O apartamento está ainda mobilado e parece estar impecavelmente limpo.

Pode haver qualquer coisa, um cabelo, um salpico de sangue e verificam todas as divisões.

Nada e Brites encontra uma embalagem de detergente na cozinha igual à que é utilizada nos hospitais.

" Se é que a matou aqui..." reflecte Bernardes.

" Limpou tudo muito bem... " termina Brites " Posso mandar vir a equipa forense, mas não tenho muitas esperanças."

Bernardes concorda, será uma perda de tempo e vão até ao escritório dos advogados.

Mas estes pouco ou nada dizem. O Dr Amadeu Luís apenas disse que se ia ausentar por uns meses, no máximo um ano, os contactaria regularmente para resolver qualquer assunto pendente, mas não mais do que isso.

Não, até agora não os tinha contactado. E, não, não sabem onde está.

Relativamente ao divórcio de D.Carmo? Ficam muito surpreendidos com a pergunta; não, o Dr Luís nunca discutiu o assunto com eles.

No gabinete, Brites e Bernardes não sabem o que pensar.

A única certeza é a cabeça que está na morgue.

Porque o Dr Luís tornou-se num fantasma e é muito difícil prender um fantasma.

E de quem é a perna? Estará relacionada com a cabeça de Carmo Luís?

Será que este é mais um caso que vai ficar arquivado?

Brites tem quase a certeza de que sim. 

Mas Bernardes acha que ainda vão deslindar tudo. Terá razão?


FIM 

sexta-feira, 17 de maio de 2019

ZONA LESTE - PARTE VI


" Sabe onde foram jantar? Como estava a disposição da sua irmã? O que esperava do encontro? " e Eduarda faculta-lhe todos os detalhes que ele precisa.

Quando diz que o ex-cunhado é um cirurgião, Brites e Bernardes chegam à mesma conclusão.

Pode ter sido ele. O médico legista diz que o corte foi preciso, limpo.  

É uma linha de investigação a seguir. O primeiro local a visitar é o Hospital, onde o Director de Serviço diz que o Dr Amadeu Luís demitiu-se há cerca de um mês.

Recebeu uma proposta irrecusável de um Centro de Investigação no estrangeiro, o Dr Castro não tem a certeza, mas acha que foi da Polónia.

Interrogaram alguns colegas, mas estes nada sabem. O Dr Amadeu foi muito misterioso relativamente à proposta.

" Bem..." diz o Brites " Vamos interrogar a família? Talvez seja uma boa ideia ver a casa onde ele ficou quando se separou."

Mas a família conta a mesma história e fica muito surpreendida quando lhe dizem que tinha convidado a ex-mulher para jantar.

Impossível, ele detestava-a. Queixava-se que ela era uma gastadora, uma mentirosa.

Queixa na polícia? Impossível, repetem, ele era incapaz de lhe bater.

Brites confirma que há realmente uma queixa de violência doméstica contra o Dr Amadeu Luís, mas o assunto não tinha tido ainda seguimento.

O restaurante diz que sim, que eles jantaram lá naquele noite e tiveram uma grande discussão.

A certa altura, o gerente teve que lhes pedir para serem mais discretos ou saírem.

A senhora foi a primeira a sair, visivelmente perturbada e ele seguiu-a, sempre a criticá-la.

Não, não sabem se vierem ou foram juntos no mesmo carro.

" Um beco sem saída." lastima-se Brites " Vamos ver a casa dele? "

Bernardes concorda, até porque o médico legista confirma que a cabeça é da Carmo Luís.

Já não é uma pessoa desaparecida; trata-se de um homicídio.


CONTINUA




quinta-feira, 16 de maio de 2019

ZONA LESTE - PARTE V


Mas dizem-lhe na sede que aquele armazém está já sob vigilância. 

Uma grande operação para desmantelar uma operação de droga e sabem que é ali que descarregam.

Talvez sejam "correios", sugere o Brites, mas o colega diz que não tem conhecimento que a rede trabalhe dessa maneira.

Um gangue rival? Ou um simples crime passional?

Bernardes recebe um telefonema do médico legista.  

Apareceu alguém com uma fotografia de uma mulher com uma estrutura óssea muito semelhante à da cabeça encontrada.

Bernardes e Brites precipitam-se para a morgue; querem conversar com essa pessoa.

É uma senhora, não terá mais de trinta, trinta e cinco anos e Brites tem quase a certeza de que é irmã da desconhecida.

" Boa Tarde, chamo-me Bernardes, Inspector Bernardes e gostava muito de falar com a Senhora." apresenta-se.

A senhora aperta-lhe a mão e pergunta ansiosa:

" Sabe alguma coisa da minha irmã? É verdade o que dizem as notícias que apareceu uma cabeça de mulher?"

" Vamos conversar para um local mais agradável? " sugere o Inspector e depois de se sentarem num dos gabinetes no piso superior.

" O que se passa com a sua irmã para a trazer até aqui? " pergunta o Brites.

" A minha irmã e o meu cunhado estão com problemas... Até apresentou uma queixa..." explica Eduarda Martins e o Bernardes interrompe de imediato:

" Agressão? Violência doméstica? " e Eduarda acena que sim.

" Separaram-se e a Carmo iniciou o processo de divórcio... " a senhora cala-se, sem saber bem como continuar.

" E recebeu ameaças por parte do marido? " continua o Inspector.

" Sim, ela até pediu ao meu marido para falar com ele, mas ele ignorou-nos. E, há cerca de 3 semanas, telefona, diz que aceita o divórcio e convida-a para a jantar.  Nunca mais a vimos! " concluí Eduarda.

Brites oferece-lhe um copo de água e Bernardes espera uns minutos antes de lhe fazer a próxima pergunta.


CONTINUA


quarta-feira, 15 de maio de 2019

ZONA LESTE - PARTE IV


" Isso ajuda-nos a estabelecer a cronologia..." afirma o Bernardes quando o Brites lhe conta a história.

" Pode ter sido num local aqui perto..." acrescentou o Brites " É uma hipótese, mas esta é uma zona um pouco isolada e pode haver algum armazém abandonado..."

" Vamos falar com alguém que conheça a zona..." decide o Bernardes.

O Brites resolve falar com alguns dos polícias que responderam à chamada e estes confirmam que efectivamente há uma série de armazéns abandonados a cerca de 2 km dali.

" Chamam-lhe a "Conserva"... Funcionou ali uma pequena empresa de conservas que faliu..." esclarece um dos polícias " Não vamos lá muito... não temos conhecimento de qualquer distúrbio."

O Inspector e o Sargento resolvem ir até lá. 

Seguem as instruções e em breve, avistam um parque com dois armazéns que parecem estar em muito mau estado.

A estrada está cheia de buracos, mas o Brites conduz com cuidado e entram no parque.

A primeira coisa que notam é que a porta do primeiro armazém tem um cadeado novo.

" Vamos dar uma volta; pode ser que haja uma outra forma de entrarmos." sugere o Inspector.

Dão uma volta, mas as janelas estão igualmente protegidas.

O segundo armazém está completamente vazio, com as janelas partidas e a porta arrombada.

Um ou outro sem-abrigo pode esconder-se lá, mas o Brites não encontra que tal aconteça.

" O que fazemos? " pergunta o Brites já dentro do carro.

" Alguém terá que vigiar o local durante uns dias e ver o que acontece. " responde o Inspector.

CONTINUA

segunda-feira, 13 de maio de 2019

ZONA LESTE - PARTE III


Não, não viram nada.  Nem ouviram nada de anormal. 

Apenas alguns jovens desocupados que se divertiram a derrubar os contentores.

Na praia? Apenas o Sr Abílio, mas esse é figura habitual. Levanta-se cedo, vai passear com o cão e às vezes, fica a conversar com eles.

Acham que poderá ter visto alguma coisa? Encolhem os ombros, porque é que não falam com ele? Ele mora ali perto e gosta de conversar.

Por isso, Brites bate à porta pintada de azul. O jardim está bem cuidado e ouve o cão a ladrar.

" Calma, Xico." pede uma voz de mulher e a porta é aberta por uma senhora de cabelo branco e um avental imaculado.

" Ora, bom dia, o que o trás até cá? " e sorri. O Brites sente-se conquistada pela simpatia e a simplicidade da senhora que depreende ser a mulher do Sr Abílio.

" Sou da Polícia e estamos a investigar um caso...Disseram-me que o Sr Abílio passeia pela praia e talvez tenha visto alguma coisa que nos possa ajudar." explica o Brites.

" Entre, entre... Sim, ouvimos dizer que encontraram uma perna num contentor... Que horror! Quem fez essa barbaridade!" e leva-o para o quintal nas traseiras, onde o Sr Abílio está a tratar das flores.

Oferecem-lhe café que o Brites declina e ouvem com atenção as explicações do Sargento.

" Não, não vi nada. E, deve ter sido esta manhã, porque o Xico cheira tudo e daria o alarme." responde o Sr Abílio.

" Tem a certeza? " repete o Brites, interessado.

" Ah, sim, eu deixo-o correr na praia e não disse que encontraram aí uma mão?" comenta o Sr Abílio " Não, deve ter sido esta madrugada... "

" Ou à noite, muito tarde. Custou-me a adormecer e creio que ouvi um carro a passar por aqui." acrescenta a D. Maria " Não sei se o estamos a ajudar...."

" Não, é muito útil. Muito obrigada." e o Brites sorri.

" É melhor não levar o Xico a passear hoje para aqueles bandas? " pergunta o Sr Abílio.

" Sim vamos ficar por ali umas horas. Temos que verificar tudo!" e saí para o Sol, agradecendo mentalmente o facto do Sr Abílio ter um cão.

CONTINUA

domingo, 12 de maio de 2019

ZONA LESTE - II


O Inspector tem razão: o trânsito na estrada interior é mais fluído e chegam ao mesmo tempo que a equipa forense.

Há já uma fita a limitar o perímetro e o Inspector vê um contentor caído e ao lado uma perna humana.

" Foram uns miúdos que derrubaram o contentor e a perna caiu." explica o agente.

O Bernardes não responde e aproxima-se do contentor. 

O Brites faz sinal a um membro da equipa forense e desce até à praia.

Não há dúvidas de que é uma perna humana, mas é de um homem. 

Bernardes repara que os cortes são cirúrgicos e concluí que está perante um segundo crime cometido pela mesma pessoa.

Há um grito vindo da praia. Brites e o Técnico encontraram uma mão.

O Inspector pede fotografias de todos os ângulos possíveis e quer que levem também o contentor para o laboratório.

Desce, então para a praia onde um outro Técnico está já a fotografar a mão.

" Acho que é dela." observa o Sargento " Terão sido os dois mortos aqui? Ele ficou no contentor e deitaram-na ao mar?"

O Bernardes fica calado, ainda tem que coordenar as ideias, mas a hipótese de Brites é válida.

" Temos que procurar nesta área, pode haver mais restos mortais. Trate de isolar a área." ordena " Vamos tentar também falar com pessoas que morem aqui perto."

" Não sei se vamos conseguir alguma coisa. Esta é uma zona pobre e eles não falam muito..." comenta o Técnico.

" Teremos que os convencer!" responde o Inspector.


CONTINUA



sexta-feira, 10 de maio de 2019

ZONA LESTE


O Inspector Bernardes está frustrado.

Estabeleceram um perímetro na praia à procura de outros restos mortais, mas ele tem quase a certeza de que foi morta e lançada ao mar noutro local.

Veio dar àquela zona por causa da tempestade.

Essa é também a opinião do Brites, recentemente promovido a Sargento. 

Quem a cortou tem conhecimentos de anatomia, pois o médico legista diz que é um corte limpo, feito sem hesitações.

Os jornais não falam de outra coisa e talvez alguém a possa identificar.

O telefone toca e o Brites atende de imediato.

O Bernardes vê a expressão do Sargento mudar e pergunta baixinho:

" O que foi? " mas o Brites faz-lhe sinal para estar calado.

Quando finalmente desliga, o Inspector insiste:

" O que aconteceu? Identificaram-na? Encontraram mais alguma coisa?"

" Não, ninguém a identificou, mas talvez tenham encontrado o local onde foi morta." explica o Brites " Pronto para ir até à Zona Leste?"

Bernardes assobia baixinho e diz:

" Eu não dizia??? Ela foi arrastada pelas correntes... Só pode ter sido!"

" Se for daquela zona, talvez seja mais fácil identifica-la." acrescenta o Brites, já a vestir o casaco.

" Vamos lá então. Talvez seja melhor ir pela estrada do interior, devemos demorar menos." recomenda o Inspector.

CONTINUA



quinta-feira, 9 de maio de 2019

CONFUSÃO - FIM


Mas a Branca desafia e grita bem alto:

" VÁ BERRAR À SUA MULHER!" e o silêncio é total.

Até o Chefe fica sem palavras. O que ele faz a seguir, surpreende toda a gente.

Dá meia volta e saí da sala, deixando a Branca a falar sozinha.

As opiniões dividem-se: uns acham que era a melhor atitude, outros pensam que a Branca devia ter sido despedida de imediato.

" Nunca na minha vida ouvi tal!" confessa a Carla à Sónia e a irmã acrescenta que, se fosse na empresa dela, a Branca não teria oportunidade de falar com uma colega daquela maneira.

A Branca não aparece no dia seguinte, o que causa uma certa confusão, porque a informação que deixa está incompleta e não sabem bem como processar o assuntos.

É a Isabel quem descobre numa gaveta da secretária dele um papel muito amarfanhado.

A gaveta é uma confusão, com cópias de propostas já desactualizadas que não interessam a ninguém e a Isabel tem vontade de deitar tudo fora.

Não o vai fazer, não é nada com ela, está apenas à procura de dados que lhe permitam dar uma resposta ao cliente.

Alisa o papel e solta uma exclamação. 

É um mail de um cliente a oferecer-lhe uma determinada quantia se a Branca considerasse um determinado preço.

A Isabel entrega de imediato o papel ao Chefe que não faz comentários.

A Branca continua sem aparecer, o serviço dela é dividido entre a Isabel e a Fernanda e os rumores são muitos.

É a Rita, a secretária do Chefe, quem lhes conta que chegaram a acordo com a Branca, porque a partir daquele mail que a Isabel entregou, descobriram que ela recebia " luvas " dos clientes.

" Deram-lhe a carta para o Fundo de Desemprego, mas não lhe pagaram mais nada!" confirma a Rita.

Durante uns dias, é o assunto favorito das conversas, mas em breve, é esquecido.

A Carla espera que a Branca aprenda a lição, mas a irmã tem sérias dúvidas.

Há pessoas que não aprendem nada na vida.


FIM




quarta-feira, 8 de maio de 2019

CONFUSÃO - PARTE V


" Você é uma sacana!" grita a Branca.

" Atenção à linguagem!" diz calmamente a Isabel " Nunca ninguém nesta empresa falou assim comigo e não é a Branca que vai começar."

" É UMA BESTA!" volta a gritar a Branca e a Carla intervém:

" Branca, acalma-se. Estamos numa empresa, há mais pessoas que a Branca está a desrespeitar. O que se passa? "

" Essa sonsa foi dizer mal de mim a um cliente." conta a Branca, muito vermelha e com o cabelo despenteado.

A Isabel até fica sem ar com a acusação e esclarece:

" Nem sequer falei no seu nome! Apenas disse ao cliente que poderia ter havido lapso por parte do meu colega, mas que ia verificar a situação."

" Então? O que a leva a dizer que estava a falar de si? " pergunta a Fernanda.

" Anda a escutar a conversa dos outros? Isso é grave, de muito má educação!" apoia a Carla.

" Só podia estar a falar de mim!" insiste a Branca " Tenho a certeza disso; eu raramente me engano!"

" As pessoas não giram à sua volta, sabe? Está aí a armar-se em vítima e aliás, não é a Isabel quem está a gerir os seus processos. " observa a Carla enquanto a Fernanda dá um copo de água à Isabel que está muito nervosa.

É então que a Branca perde a cabeça e solta a língua, mostrando ser uma pessoa muito mesquinha.

Nenhuma das quatro dá conta que o Chefe entra na sala, pois nesta altura, já toda a gente está no corredor a ouvir a discussão.

" AO MEU GABINETE JÁ!" mas a Branca continua a protestar e o Chefe repete:

" EU DISSE AO MEU GABINETE JÁ." num tom de voz que ninguém se atreve a desafiar.


CONTINUA

terça-feira, 7 de maio de 2019

CONFUSÃO - PARTE IV


A Carla está entusiasmada com o trabalho e fica surpreendida quando o Chefe a volta a chamar umas semanas mais tarde.

A Beatriz já está em licença de maternidade, todas as dúvidas que a Carla poderia ter foram esclarecidas.

O que se passará? Terá falhado em algum ponto? 

Carla revê mentalmente o serviço que está a desenvolver e acha que está tudo correcto.

Mas não é sobre isso que o Chefe quer falar; já organizou os processos da Branca e quer que a Carla seja responsável por isso a partir daquela data.

Por um lado, a Carla fica satisfeita, porque estão a reconhecer-lhe o profissionalismo e a competência, mas por outro, o que dirá a Branca quando souber?

A Carla ouviu uns rumores sobre ela, que está cada vez mais difícil, pouco receptiva às opiniões dos outros.

Essa foi sempre a opinião que teve da Branca e muitas vezes, as pessoas optavam por a deixar em paz.

Mas esse é o tipo de comportamento que aquela secção não aprova, as pessoas tinham uma certa autonomia, mas tinham que trabalhar em equipa e a Branca sempre desdenhou esse tipo de atitude.

A Branca não faz qualquer observação, talvez porque tem sido o Chefe a tratar dos processos e a Carla está sossegada no seu canto quando ouve vozes alteradas.

Sai do gabinete, encontra no corredor outras colegas igualmente curiosas e ao entrarem no bar, encontram a Branca e a Isabel a discutirem violentamente.

CONTINUA

segunda-feira, 6 de maio de 2019

CONFUSÃO - PARTE III


" Não sei como ela organiza a informação. Li tudo e há certas falhas que não sei muito bem como preencher, porque, quando lhe pergunto, ela faz cara de inocente e diz que está lá tudo. Por outras palavras, eu sou burra e não sei interpretar os factos." queixa-se a Carla à irmã.

" Stop! Nem te atrevas a pensar isso... Pelo que contas, ela gosta de se armar em grande dama; por isso, usa isso a teu favor." aconselha a Sónia.

" Ainda fico mal por causa disso!" suspira a Carla, mas a Fernanda, que se apercebe da situação, também tem a mesma opinião. 

A Carla deve apelar ao bom senso da Branca e na pior das hipóteses, falar com o chefe.

Mas a Carla não quer falar com o Chefe; acha que tem que ser ela a resolver o assunto.

Faz o melhor que pode, mas quando um cliente se recusa a falar com ela sobre a encomenda, porque a " D. Branca já sabe o que eu quero!", a Carla acha que tem que dar conhecimento ao Chefe.

A Branca diz que a Carla não tem sentido comercial, que é uma preguiçosa e uma grande histérica.

A Carla tenta argumentar, com calma e clareza, mas a Branca persiste nas acusações até que o Chefe a manda calar.

A Branca acede, mas sempre a protestar e o Chefe diz-lhe para se ir embora.

A Carla também se prepara para sair, convencida de que está tudo perdido.

" Não, Carla, espere." pede o Chefe " Vá ajudar a Beatriz; ela deve entrar de licença de maternidade no fim do mês e isto vai facilitar a organização do serviço dela."

" E, o serviço da Branca? " pergunta a Carla, aliviada.

" Para já, fico a meu cargo. Depois, vê-se." observa o Chefe.

A Carla vai falar com a Beatriz que aceita com entusiasmo a ajuda e não se importa que a Carla faça pequenas sugestões.

CONTINUA

domingo, 5 de maio de 2019

CONFUSÃO - PARTE II


O fim de semana é óptimo e a Carla está bem disposta naquela segunda-feira.

Na secretária, está um memorando da Administração a falar sobre a avaliação do pessoal e a necessidade de fazer a chamada " rotação de funções."

Recomendam que organizem os assuntos pendentes, sejam claros e forneçam todos os detalhes possíveis para que não haja atrasos. 

E, claro que têm que estar disponíveis para responder a quaisquer dúvidas da pessoa que assumir as funções.

Carla ainda está a assimilar as implicações do memorando quando a Branca entra na sala e diz:

" Então, o que me diz disto? Acha que vai conseguir?"

" Conseguir o quê?" pergunta a Carla, surpreendida e achando a pergunta estúpida.

" Fazer uma coisa diferente da que está habituada..." comenta a Branca, satisfeita.

Carla olha-a atentamente e a Branca sorri. 

Mas a Carla não sorri e responde cuidadosamente:

" Não há problema. Trabalho é trabalho, mas como é que a Branca vai conseguir fazer uma tarefa diferente da que está habituada? "

A Branca fica pálida e a Carla sabe que atingiu um ponto fraco.

Toda a gente tem dúvidas, ninguém é perfeito e sabe tudo, mas a Branca, às vezes, exagera.

" Deus queira que não seja ela a ficar com o meu trabalho. Vai dar cabo de tudo!" pensa a Carla antes de se sentar e começar a rever os projectos pendentes.

Às duas horas, a Fernanda, que trabalha noutra secção, entra na sala e aproxima-se da secretária da Carla.

" Boa Tarde, Carla. Parece que vou ficar a trabalhar nos seus projectos e gostaria de conversar um pouco consigo sobre isso. Quando é que podemos fazer isso? "

A Carla fica agradavelmente surpreendida pela franqueza da Fernanda e sente-se aliviada por não ser a Branca a ficar com o serviço.

Mas é ela a ficar com o serviço da Branca,  o que não agrada a nenhuma, tanto mais que a Branca mostra-se relutante a responder às perguntas da Carla e esta a pedir explicações.

CONTINUA



sexta-feira, 3 de maio de 2019

A CONFUSÃO


" Eu já sabia..." suspira a Branca e a Carla está tão enervada que diz agressivamente:

" Mas sabe o quê? Se o estou a saber neste momento???"

" Eu falo tão pouco com as pessoas, mas conheço-as bem melhor que a Carla!" diz a Branca e a Carla tem que se contar para não lhe atirar o agrafador à cabeça.

No fundo, a Carla sabe que não vale a pena argumentar com a Branca, esta encontra sempre uma maneira de interferir, opinar mesmo quando não lhe diz respeito.

" OK... " a Carla tenta manter-se calma e sugere " Já que conhece tão bem as pessoas, diga-me o que devo fazer?"

" Eu??" repete a Branca " Para se as coisas correrem mal e a Carla me culpar disso??? Nem pensar...." e saí da sala, deixando a Carla ainda mais furiosa.

" Juro que não a entendo! Ainda não percebi se é um conselho, uma crítica...." desabafa a Carla com a irmã no almoço habitual de sábado.

" É uma daquelas pessoas que quer estar em cima do acontecimento mesmo que não entenda nada." observa a Sónia " Não lhe ligues; ela não está a pensar em nada disto e tu estás a perder o teu tempo."

" Não sei.... Às vezes, tenho a impressão de que as respostas são ensaiadas. " murmura a Carla " Deve estar a considerar todos os cenários possíveis e imaginários... Não seria capaz de viver assim..."

" Mas ela tem família, marido, filhos? " pergunta a Sónia " Dá-me a impressão de que é uma pessoa muito solitária, que não tem o que fazer."

" Ouvi dizer que é viúva, que tem um filho, mas acho que está no estrangeiro ou coisa assim." explica a irmã " Não faço muitas perguntas, ela também fala muito pouco comigo e quando fala, é só para me enervar." e volta a suspirar.

" Estás em fim de semana; não tens um evento qualquer? Então, goza..." aconselha a Sónia.

CONTINUA

quinta-feira, 2 de maio de 2019

A BABY SITTER - FIM


Os Pais concordam com o plano do filho, era o mais seguro, como disse o Sr José à D, Lurdes.

O Maurício instala-se no antigo quarto e impõe regras.

O Henrique protesta, mas o Duarte discute o assunto abertamente com o irmão e apresenta algumas sugestões que o Maurício considera válidas.

O Maurício diz-lhes que vai contratar uma baby sitter para ajudar a tratar das gémeas, mas eles também têm que ajudar.

Como sempre, o Henrique faz as suas objecções, " eu tratar de crianças??? Nem pensar!!", mas o Duarte aparece um dia no jardim com as meninas e anuncia ao Sr José que estão ali para o ajudarem.

O Sr José acha muita piada e pede-lhes para lavar os vasos. Depois explica-lhes como se rega as flores e as gémeas divertem-se imenso.

Chegam a casa todos sujos e molhados, a nova baby sitter não fica muito satisfeita, mas o Maurício não vê qualquer problema.

Acha importante os irmãos terem hobbies e nesse fim de semana, organiza um torneio de futebol na praia.

Encontram imensos amigos lá, organizam-se equipas e as gémeas brilham como membros da claque.

É um sábado bem passado e pouco a pouco, a vida entra na normalidade.

Os rapazes têm muito respeito ao irmão, o Duarte demonstra ser uma pessoa responsável e muito paciente  e a D. Lurdes suspira de alívio.

Claro que os Pais deviam estar mais presentes, mas não há dúvidas de que o plano do Maurício está a resultar.

Os Pais regressam com novidades; vão abrir uma delegação da empresa na Alemanha e tencionam ficar por lá dois anos.

As gémeas vão com eles, mas acham que o Henrique e o Duarte devem ficar.

Como a Tia Madalena se divorciou e ainda não sabe o que fazer, aceitou ficar lá em casa e vigiar as coisas.

Por isso, o Maurício começa a procurar um apartamento, a Tia Madalena muda-se e as gémeas estão excitadas com a mudança.

A D. Lurdes e o Sr José suspiram de alívio, porque continuam a ter os seus postos de trabalho.

FIM


quarta-feira, 1 de maio de 2019

A BABY SITTER - PARTE IV


O Mauricio já lá está quando o Henrique e o Duarte chegam para almoçar depois de uma manhã passada no parque com os amigos.

Dá-lhes uma valente descompostura, chama-lhes egoístas e quando o Henrique tenta protestar, manda-o calar.

O almoço decorre num ambiente tenso; apenas as gémeas falam e o Maurício escuta-as atentamente.

Depois do almoço, o Maurício diz aos irmãos para levarem as gémeas para o jardim e é novamente o Henrique quem protesta.

" Ia ao cinema com os meus amigos." mas o Maurício abana a cabeça e repete:

" Leva as gémeas para o jardim, organiza um jogo, entretém-nas enquanto eu falo com a D. Lurdes e com o Sr José."

Duarte está calado, sente-se culpado com tudo o que acontece, devia ter sido mais firme com o Henrique e por isso, pega nas mãos das irmãs e saí.

" A boa notícia é que a empresa vai contratar-me e transferir-me para a sede aqui. Posso ficar cá em casa e vigiá-los." explica o Maurício.

" Que boa notícia! Fico muito feliz por si, mas tem que contratar alguém para o ajudar..." comenta a D. Lurdes.

" Sim, pode contar sempre connosco, mas é melhor ter aqui uma outra pessoa..." afirma o Sr José.

" Estava a pensar em contratar uma baby sitter para tratar das gémeas e vigiar os rapazes. Mas não fica cá a dormir; deixa tudo organizado, eu deito as gémeas, janto com os rapazes e controlo o resto." esclarece o irmão mais velho.

" Pode resultar; quem tem a autoridade é o Menino, perdão, o Dr Maurício..." e os três riem-se.

" Ah, D. Lurdes, sempre me tratou por Menino Maurício, não vai ser mudar agora... " comenta " Terei que falar com os meus Pais, mas acho que é boa solução. Para já."

Tanto o Sr José como a D. Lurdes concordam.

CONTINUA


terça-feira, 30 de abril de 2019

A BABY SITTER - PARTE III


O Maurício está a estagiar numa cidade próxima.

Podia ir e vir todos os dias, mas achou melhor alugar um apartamento perto da empresa e de vez em quando, passa os fins de semana com os irmãos.

Os irmãos adoram-no, respeitam-no e durante um ou dois dias, até se comportam, pois o Sr José tem a certeza de que a Edite se queixa das partidas daqueles dois.

Sim, porque as gémeas ainda são pequenas e a Edite é a pessoa que passa mais tempo com elas.

Quando nessa noite, pouco antes do jantar, a Edite saí disparada de malas feitas, dizendo que não volta, a governanta chama o Sr José e pede-lhe uma opinião.

" Acho melhor telefonarmos ao Menino Maurício. Já avisei o meu marido de que vou ficar cá a dormir, não os vou deixar sozinhos, mas é o Menino que tem que decidir o que fazer. " diz a D. Lurdes.

" Não vale a pena telefonarmos ao Dr Sarmento. Não vai resolver nada e muito menos a esta hora da noite..." concorda o Sr José " Vamos telefonar ao Menino Maurício. Onde é que estão aqueles dois? "

" Estão no quarto; dei-lhes um sermão e eles nem se atreveram a falar. " responde a D. Lurdes, já a marcar o numero do Maurício.

O Maurício fica furioso, concorda com a solução apresentada para aquela noite e amanhã à hora de almoço estará lá para conversarem.

O Duarte e o Henrique estão calados ao jantar, sabem que a D. Lurdes não é para brincadeiras.

" Há tempo para tudo; para brincar e para se comportarem como uns homens. O jantar é para conversar e desfrutar a companhia dos outros; por isso, não quero cá confusões." esclarece.

CONTINUA

segunda-feira, 29 de abril de 2019

A BABY SITTER - PARTE II


Um amigo do Duarte, o David diz-lhe que nem sempre o facto do Pai estar presente significa que se interessa pelos filhos.

" O meu Pai está quase sempre ao telemóvel e foi preciso a minha Mãe impor-se para ele o desligar à hora do jantar. E, mesmo assim, pouco fala connosco."

" Ah, não sabia!" confessa o Duarte " Os nossos conversam connosco, mas começo a pensar se estão verdadeiramente interessados no que temos para dizer."

" Onde é que eles estão agora?" pergunta o David.

" Não sei... Foram muito vagos... O Henrique está a preparar uma série de partidas para ver se a Edite se cansa. Mas eu não sei se será a solução!" conta o Duarte.

Nessa noite, volta a falar com o Henrique, mas este está decidido em continuar com o programa de " partidas " à pobre da Edite que desata aos gritos quando o vê caído no chão da cozinha.

O jardineiro ouve-a e entra de imediato. Ajoelha-se ao pé do Henrique e abana-o.

" Oh, menino Henrique, que é isto? Ande lá, abra o olhos que eu sei que está a fingir...." e o Henrique não teve outro remédio senão abrir os olhos, levantar-se e pedir, contrariado, desculpas à Edite.

" Ela é uma boa menina; parece ser vossa amiga. Porque é que lhe estão a fazer a vida negra? " comenta o Sr José que os conhece desde pequenos.

" Queremos que os Pais voltem!" e o Sr José suspira.

" E é a fazer a vida negra aos outros que o vão conseguir? Acho que não..." e o Duarte que chega nesse momento e ouve a última parte, concorda com ele.

Mas o Henrique encolhe os ombros, sem compreender bem o que o Sr José quer dizer.

" Não o consigo convencer! " desabafa o Duarte.

" Porque é que não fala com o seu irmão Maurício? Talvez ele tenha uma solução!" sugere o Sr José.

CONTINUA

domingo, 28 de abril de 2019

A BABY SITTER


" Não achas que estamos a exagerar?" pergunta o Duarte ao Henrique naquela noite.

" Porquê? O plano não é aborrecer a Edite de tal forma que ela desista? " responde o Henrique " Depois, despede-se e os Pais têm que voltar para casa."

" Ouvi-a falar com a Mãe dela. Queixou-se dos barulhos, de ter a certeza de que pagou a conta de luz, mas não encontra o recibo..." diz o Duarte, pensativo.

" Pois, não. Está aqui escondido!" observa o Henrique abrindo uma gaveta e mostrando o dito recibo.

" Então, foste tu!" refila o Duarte " Acha que isto já não está a ter piada... E, já pensaste na reacção dos Pais se a Edite for embora? Lembras-te do que disseram na última vez? Não quero ir para casa do Tio Bruno!"

" Oh, blá, blá... Não vão fazer nada disso. Estão aqui umas semanas até encontrarem uma nova baby sitter e depois.... nós voltamos a fazer-lhe a vida negra até eles perceberem que não podem fazer isto." diz o Henrique, mas o Duarte acha que isso nunca vai acontecer.

Os Pais viajam muito em trabalho, oferecem-lhes férias fabulosas que faz com que os colegas tenham inveja, mas no fundo, quem tem inveja é o Duarte.

A maior parte dos Pais está em casa à noite, janta, brinca com os filhos...

Como o Duarte gostaria que os Pais estivessem aqui e jantassem com eles!

CONTINUA

sábado, 27 de abril de 2019

DESAFIO AOS COMENTADORES


Hoje, lanço um novo desafio aos meus comentadores.

Vou escrever o primeiro paragrafo e aguardo as vossas sugestões se deve ser uma história:

policial
amor
crianças
fantasia


Até já

===============================================

Tenho que sair desta casa. Está possuída por um espírito maligno...

Não estou sossegada um minuto com portas a abrirem-se sozinhas, vasos partidos e papéis que desaparecem.

Dizem que estou a ficar maluca... Estarei?

Então, porque é que me desligaram a luz se eu tenho a certeza de que a paguei?

sexta-feira, 26 de abril de 2019

A VIAGEM - FIM


Finalmente, chegam ao destino e são recebido como heróis.

A Madalena até tem lágrimas nos olhos e tanto o marido como o filho brincam com o facto.

" Eu estava tão preocupada!" protesta, mas o marido abana a cabeça e diz:

" O Amadeu é um rapaz responsável e tem que aprender a resolver sozinho as situações."

" E eu assino em baixo." interrompe o avô " O rapaz manteve-se calmo, pediu ajuda e trouxe-nos sãos e salvos."

" É isso mesmo." comenta o Daniel " E, não acham que está na hora de petiscar qualquer coisa?"

Todos riem e entram em casa.  

Sentam-se à mesa, servem a sopa e trocam-se cumprimentos, piadas e risos.

Quando servem o café, estão todos relaxados, o avô confessa a vontade de dormir uma soneca, mas a Cristina tem outras ideias.

" Bem, vou ter com os meus amigos. Tenho que ir agora, senão chego atrasada.." e levanta-se.

Todos a olham surpreendidos. É Domingo de Páscoa, é tempo para estar com a família.

Manuela respira fundo e pergunta baixinho:

" Ter com os amigos? Hoje, Domingo de Páscoa?"

E, a família sabe nesse momento que o dia estava inevitavelmente estragado.

FIM