sexta-feira, 10 de maio de 2019

ZONA LESTE


O Inspector Bernardes está frustrado.

Estabeleceram um perímetro na praia à procura de outros restos mortais, mas ele tem quase a certeza de que foi morta e lançada ao mar noutro local.

Veio dar àquela zona por causa da tempestade.

Essa é também a opinião do Brites, recentemente promovido a Sargento. 

Quem a cortou tem conhecimentos de anatomia, pois o médico legista diz que é um corte limpo, feito sem hesitações.

Os jornais não falam de outra coisa e talvez alguém a possa identificar.

O telefone toca e o Brites atende de imediato.

O Bernardes vê a expressão do Sargento mudar e pergunta baixinho:

" O que foi? " mas o Brites faz-lhe sinal para estar calado.

Quando finalmente desliga, o Inspector insiste:

" O que aconteceu? Identificaram-na? Encontraram mais alguma coisa?"

" Não, ninguém a identificou, mas talvez tenham encontrado o local onde foi morta." explica o Brites " Pronto para ir até à Zona Leste?"

Bernardes assobia baixinho e diz:

" Eu não dizia??? Ela foi arrastada pelas correntes... Só pode ter sido!"

" Se for daquela zona, talvez seja mais fácil identifica-la." acrescenta o Brites, já a vestir o casaco.

" Vamos lá então. Talvez seja melhor ir pela estrada do interior, devemos demorar menos." recomenda o Inspector.

CONTINUA



quinta-feira, 9 de maio de 2019

CONFUSÃO - FIM


Mas a Branca desafia e grita bem alto:

" VÁ BERRAR À SUA MULHER!" e o silêncio é total.

Até o Chefe fica sem palavras. O que ele faz a seguir, surpreende toda a gente.

Dá meia volta e saí da sala, deixando a Branca a falar sozinha.

As opiniões dividem-se: uns acham que era a melhor atitude, outros pensam que a Branca devia ter sido despedida de imediato.

" Nunca na minha vida ouvi tal!" confessa a Carla à Sónia e a irmã acrescenta que, se fosse na empresa dela, a Branca não teria oportunidade de falar com uma colega daquela maneira.

A Branca não aparece no dia seguinte, o que causa uma certa confusão, porque a informação que deixa está incompleta e não sabem bem como processar o assuntos.

É a Isabel quem descobre numa gaveta da secretária dele um papel muito amarfanhado.

A gaveta é uma confusão, com cópias de propostas já desactualizadas que não interessam a ninguém e a Isabel tem vontade de deitar tudo fora.

Não o vai fazer, não é nada com ela, está apenas à procura de dados que lhe permitam dar uma resposta ao cliente.

Alisa o papel e solta uma exclamação. 

É um mail de um cliente a oferecer-lhe uma determinada quantia se a Branca considerasse um determinado preço.

A Isabel entrega de imediato o papel ao Chefe que não faz comentários.

A Branca continua sem aparecer, o serviço dela é dividido entre a Isabel e a Fernanda e os rumores são muitos.

É a Rita, a secretária do Chefe, quem lhes conta que chegaram a acordo com a Branca, porque a partir daquele mail que a Isabel entregou, descobriram que ela recebia " luvas " dos clientes.

" Deram-lhe a carta para o Fundo de Desemprego, mas não lhe pagaram mais nada!" confirma a Rita.

Durante uns dias, é o assunto favorito das conversas, mas em breve, é esquecido.

A Carla espera que a Branca aprenda a lição, mas a irmã tem sérias dúvidas.

Há pessoas que não aprendem nada na vida.


FIM




quarta-feira, 8 de maio de 2019

CONFUSÃO - PARTE V


" Você é uma sacana!" grita a Branca.

" Atenção à linguagem!" diz calmamente a Isabel " Nunca ninguém nesta empresa falou assim comigo e não é a Branca que vai começar."

" É UMA BESTA!" volta a gritar a Branca e a Carla intervém:

" Branca, acalma-se. Estamos numa empresa, há mais pessoas que a Branca está a desrespeitar. O que se passa? "

" Essa sonsa foi dizer mal de mim a um cliente." conta a Branca, muito vermelha e com o cabelo despenteado.

A Isabel até fica sem ar com a acusação e esclarece:

" Nem sequer falei no seu nome! Apenas disse ao cliente que poderia ter havido lapso por parte do meu colega, mas que ia verificar a situação."

" Então? O que a leva a dizer que estava a falar de si? " pergunta a Fernanda.

" Anda a escutar a conversa dos outros? Isso é grave, de muito má educação!" apoia a Carla.

" Só podia estar a falar de mim!" insiste a Branca " Tenho a certeza disso; eu raramente me engano!"

" As pessoas não giram à sua volta, sabe? Está aí a armar-se em vítima e aliás, não é a Isabel quem está a gerir os seus processos. " observa a Carla enquanto a Fernanda dá um copo de água à Isabel que está muito nervosa.

É então que a Branca perde a cabeça e solta a língua, mostrando ser uma pessoa muito mesquinha.

Nenhuma das quatro dá conta que o Chefe entra na sala, pois nesta altura, já toda a gente está no corredor a ouvir a discussão.

" AO MEU GABINETE JÁ!" mas a Branca continua a protestar e o Chefe repete:

" EU DISSE AO MEU GABINETE JÁ." num tom de voz que ninguém se atreve a desafiar.


CONTINUA

terça-feira, 7 de maio de 2019

CONFUSÃO - PARTE IV


A Carla está entusiasmada com o trabalho e fica surpreendida quando o Chefe a volta a chamar umas semanas mais tarde.

A Beatriz já está em licença de maternidade, todas as dúvidas que a Carla poderia ter foram esclarecidas.

O que se passará? Terá falhado em algum ponto? 

Carla revê mentalmente o serviço que está a desenvolver e acha que está tudo correcto.

Mas não é sobre isso que o Chefe quer falar; já organizou os processos da Branca e quer que a Carla seja responsável por isso a partir daquela data.

Por um lado, a Carla fica satisfeita, porque estão a reconhecer-lhe o profissionalismo e a competência, mas por outro, o que dirá a Branca quando souber?

A Carla ouviu uns rumores sobre ela, que está cada vez mais difícil, pouco receptiva às opiniões dos outros.

Essa foi sempre a opinião que teve da Branca e muitas vezes, as pessoas optavam por a deixar em paz.

Mas esse é o tipo de comportamento que aquela secção não aprova, as pessoas tinham uma certa autonomia, mas tinham que trabalhar em equipa e a Branca sempre desdenhou esse tipo de atitude.

A Branca não faz qualquer observação, talvez porque tem sido o Chefe a tratar dos processos e a Carla está sossegada no seu canto quando ouve vozes alteradas.

Sai do gabinete, encontra no corredor outras colegas igualmente curiosas e ao entrarem no bar, encontram a Branca e a Isabel a discutirem violentamente.

CONTINUA

segunda-feira, 6 de maio de 2019

CONFUSÃO - PARTE III


" Não sei como ela organiza a informação. Li tudo e há certas falhas que não sei muito bem como preencher, porque, quando lhe pergunto, ela faz cara de inocente e diz que está lá tudo. Por outras palavras, eu sou burra e não sei interpretar os factos." queixa-se a Carla à irmã.

" Stop! Nem te atrevas a pensar isso... Pelo que contas, ela gosta de se armar em grande dama; por isso, usa isso a teu favor." aconselha a Sónia.

" Ainda fico mal por causa disso!" suspira a Carla, mas a Fernanda, que se apercebe da situação, também tem a mesma opinião. 

A Carla deve apelar ao bom senso da Branca e na pior das hipóteses, falar com o chefe.

Mas a Carla não quer falar com o Chefe; acha que tem que ser ela a resolver o assunto.

Faz o melhor que pode, mas quando um cliente se recusa a falar com ela sobre a encomenda, porque a " D. Branca já sabe o que eu quero!", a Carla acha que tem que dar conhecimento ao Chefe.

A Branca diz que a Carla não tem sentido comercial, que é uma preguiçosa e uma grande histérica.

A Carla tenta argumentar, com calma e clareza, mas a Branca persiste nas acusações até que o Chefe a manda calar.

A Branca acede, mas sempre a protestar e o Chefe diz-lhe para se ir embora.

A Carla também se prepara para sair, convencida de que está tudo perdido.

" Não, Carla, espere." pede o Chefe " Vá ajudar a Beatriz; ela deve entrar de licença de maternidade no fim do mês e isto vai facilitar a organização do serviço dela."

" E, o serviço da Branca? " pergunta a Carla, aliviada.

" Para já, fico a meu cargo. Depois, vê-se." observa o Chefe.

A Carla vai falar com a Beatriz que aceita com entusiasmo a ajuda e não se importa que a Carla faça pequenas sugestões.

CONTINUA

domingo, 5 de maio de 2019

CONFUSÃO - PARTE II


O fim de semana é óptimo e a Carla está bem disposta naquela segunda-feira.

Na secretária, está um memorando da Administração a falar sobre a avaliação do pessoal e a necessidade de fazer a chamada " rotação de funções."

Recomendam que organizem os assuntos pendentes, sejam claros e forneçam todos os detalhes possíveis para que não haja atrasos. 

E, claro que têm que estar disponíveis para responder a quaisquer dúvidas da pessoa que assumir as funções.

Carla ainda está a assimilar as implicações do memorando quando a Branca entra na sala e diz:

" Então, o que me diz disto? Acha que vai conseguir?"

" Conseguir o quê?" pergunta a Carla, surpreendida e achando a pergunta estúpida.

" Fazer uma coisa diferente da que está habituada..." comenta a Branca, satisfeita.

Carla olha-a atentamente e a Branca sorri. 

Mas a Carla não sorri e responde cuidadosamente:

" Não há problema. Trabalho é trabalho, mas como é que a Branca vai conseguir fazer uma tarefa diferente da que está habituada? "

A Branca fica pálida e a Carla sabe que atingiu um ponto fraco.

Toda a gente tem dúvidas, ninguém é perfeito e sabe tudo, mas a Branca, às vezes, exagera.

" Deus queira que não seja ela a ficar com o meu trabalho. Vai dar cabo de tudo!" pensa a Carla antes de se sentar e começar a rever os projectos pendentes.

Às duas horas, a Fernanda, que trabalha noutra secção, entra na sala e aproxima-se da secretária da Carla.

" Boa Tarde, Carla. Parece que vou ficar a trabalhar nos seus projectos e gostaria de conversar um pouco consigo sobre isso. Quando é que podemos fazer isso? "

A Carla fica agradavelmente surpreendida pela franqueza da Fernanda e sente-se aliviada por não ser a Branca a ficar com o serviço.

Mas é ela a ficar com o serviço da Branca,  o que não agrada a nenhuma, tanto mais que a Branca mostra-se relutante a responder às perguntas da Carla e esta a pedir explicações.

CONTINUA



sexta-feira, 3 de maio de 2019

A CONFUSÃO


" Eu já sabia..." suspira a Branca e a Carla está tão enervada que diz agressivamente:

" Mas sabe o quê? Se o estou a saber neste momento???"

" Eu falo tão pouco com as pessoas, mas conheço-as bem melhor que a Carla!" diz a Branca e a Carla tem que se contar para não lhe atirar o agrafador à cabeça.

No fundo, a Carla sabe que não vale a pena argumentar com a Branca, esta encontra sempre uma maneira de interferir, opinar mesmo quando não lhe diz respeito.

" OK... " a Carla tenta manter-se calma e sugere " Já que conhece tão bem as pessoas, diga-me o que devo fazer?"

" Eu??" repete a Branca " Para se as coisas correrem mal e a Carla me culpar disso??? Nem pensar...." e saí da sala, deixando a Carla ainda mais furiosa.

" Juro que não a entendo! Ainda não percebi se é um conselho, uma crítica...." desabafa a Carla com a irmã no almoço habitual de sábado.

" É uma daquelas pessoas que quer estar em cima do acontecimento mesmo que não entenda nada." observa a Sónia " Não lhe ligues; ela não está a pensar em nada disto e tu estás a perder o teu tempo."

" Não sei.... Às vezes, tenho a impressão de que as respostas são ensaiadas. " murmura a Carla " Deve estar a considerar todos os cenários possíveis e imaginários... Não seria capaz de viver assim..."

" Mas ela tem família, marido, filhos? " pergunta a Sónia " Dá-me a impressão de que é uma pessoa muito solitária, que não tem o que fazer."

" Ouvi dizer que é viúva, que tem um filho, mas acho que está no estrangeiro ou coisa assim." explica a irmã " Não faço muitas perguntas, ela também fala muito pouco comigo e quando fala, é só para me enervar." e volta a suspirar.

" Estás em fim de semana; não tens um evento qualquer? Então, goza..." aconselha a Sónia.

CONTINUA

quinta-feira, 2 de maio de 2019

A BABY SITTER - FIM


Os Pais concordam com o plano do filho, era o mais seguro, como disse o Sr José à D, Lurdes.

O Maurício instala-se no antigo quarto e impõe regras.

O Henrique protesta, mas o Duarte discute o assunto abertamente com o irmão e apresenta algumas sugestões que o Maurício considera válidas.

O Maurício diz-lhes que vai contratar uma baby sitter para ajudar a tratar das gémeas, mas eles também têm que ajudar.

Como sempre, o Henrique faz as suas objecções, " eu tratar de crianças??? Nem pensar!!", mas o Duarte aparece um dia no jardim com as meninas e anuncia ao Sr José que estão ali para o ajudarem.

O Sr José acha muita piada e pede-lhes para lavar os vasos. Depois explica-lhes como se rega as flores e as gémeas divertem-se imenso.

Chegam a casa todos sujos e molhados, a nova baby sitter não fica muito satisfeita, mas o Maurício não vê qualquer problema.

Acha importante os irmãos terem hobbies e nesse fim de semana, organiza um torneio de futebol na praia.

Encontram imensos amigos lá, organizam-se equipas e as gémeas brilham como membros da claque.

É um sábado bem passado e pouco a pouco, a vida entra na normalidade.

Os rapazes têm muito respeito ao irmão, o Duarte demonstra ser uma pessoa responsável e muito paciente  e a D. Lurdes suspira de alívio.

Claro que os Pais deviam estar mais presentes, mas não há dúvidas de que o plano do Maurício está a resultar.

Os Pais regressam com novidades; vão abrir uma delegação da empresa na Alemanha e tencionam ficar por lá dois anos.

As gémeas vão com eles, mas acham que o Henrique e o Duarte devem ficar.

Como a Tia Madalena se divorciou e ainda não sabe o que fazer, aceitou ficar lá em casa e vigiar as coisas.

Por isso, o Maurício começa a procurar um apartamento, a Tia Madalena muda-se e as gémeas estão excitadas com a mudança.

A D. Lurdes e o Sr José suspiram de alívio, porque continuam a ter os seus postos de trabalho.

FIM


quarta-feira, 1 de maio de 2019

A BABY SITTER - PARTE IV


O Mauricio já lá está quando o Henrique e o Duarte chegam para almoçar depois de uma manhã passada no parque com os amigos.

Dá-lhes uma valente descompostura, chama-lhes egoístas e quando o Henrique tenta protestar, manda-o calar.

O almoço decorre num ambiente tenso; apenas as gémeas falam e o Maurício escuta-as atentamente.

Depois do almoço, o Maurício diz aos irmãos para levarem as gémeas para o jardim e é novamente o Henrique quem protesta.

" Ia ao cinema com os meus amigos." mas o Maurício abana a cabeça e repete:

" Leva as gémeas para o jardim, organiza um jogo, entretém-nas enquanto eu falo com a D. Lurdes e com o Sr José."

Duarte está calado, sente-se culpado com tudo o que acontece, devia ter sido mais firme com o Henrique e por isso, pega nas mãos das irmãs e saí.

" A boa notícia é que a empresa vai contratar-me e transferir-me para a sede aqui. Posso ficar cá em casa e vigiá-los." explica o Maurício.

" Que boa notícia! Fico muito feliz por si, mas tem que contratar alguém para o ajudar..." comenta a D. Lurdes.

" Sim, pode contar sempre connosco, mas é melhor ter aqui uma outra pessoa..." afirma o Sr José.

" Estava a pensar em contratar uma baby sitter para tratar das gémeas e vigiar os rapazes. Mas não fica cá a dormir; deixa tudo organizado, eu deito as gémeas, janto com os rapazes e controlo o resto." esclarece o irmão mais velho.

" Pode resultar; quem tem a autoridade é o Menino, perdão, o Dr Maurício..." e os três riem-se.

" Ah, D. Lurdes, sempre me tratou por Menino Maurício, não vai ser mudar agora... " comenta " Terei que falar com os meus Pais, mas acho que é boa solução. Para já."

Tanto o Sr José como a D. Lurdes concordam.

CONTINUA


terça-feira, 30 de abril de 2019

A BABY SITTER - PARTE III


O Maurício está a estagiar numa cidade próxima.

Podia ir e vir todos os dias, mas achou melhor alugar um apartamento perto da empresa e de vez em quando, passa os fins de semana com os irmãos.

Os irmãos adoram-no, respeitam-no e durante um ou dois dias, até se comportam, pois o Sr José tem a certeza de que a Edite se queixa das partidas daqueles dois.

Sim, porque as gémeas ainda são pequenas e a Edite é a pessoa que passa mais tempo com elas.

Quando nessa noite, pouco antes do jantar, a Edite saí disparada de malas feitas, dizendo que não volta, a governanta chama o Sr José e pede-lhe uma opinião.

" Acho melhor telefonarmos ao Menino Maurício. Já avisei o meu marido de que vou ficar cá a dormir, não os vou deixar sozinhos, mas é o Menino que tem que decidir o que fazer. " diz a D. Lurdes.

" Não vale a pena telefonarmos ao Dr Sarmento. Não vai resolver nada e muito menos a esta hora da noite..." concorda o Sr José " Vamos telefonar ao Menino Maurício. Onde é que estão aqueles dois? "

" Estão no quarto; dei-lhes um sermão e eles nem se atreveram a falar. " responde a D. Lurdes, já a marcar o numero do Maurício.

O Maurício fica furioso, concorda com a solução apresentada para aquela noite e amanhã à hora de almoço estará lá para conversarem.

O Duarte e o Henrique estão calados ao jantar, sabem que a D. Lurdes não é para brincadeiras.

" Há tempo para tudo; para brincar e para se comportarem como uns homens. O jantar é para conversar e desfrutar a companhia dos outros; por isso, não quero cá confusões." esclarece.

CONTINUA

segunda-feira, 29 de abril de 2019

A BABY SITTER - PARTE II


Um amigo do Duarte, o David diz-lhe que nem sempre o facto do Pai estar presente significa que se interessa pelos filhos.

" O meu Pai está quase sempre ao telemóvel e foi preciso a minha Mãe impor-se para ele o desligar à hora do jantar. E, mesmo assim, pouco fala connosco."

" Ah, não sabia!" confessa o Duarte " Os nossos conversam connosco, mas começo a pensar se estão verdadeiramente interessados no que temos para dizer."

" Onde é que eles estão agora?" pergunta o David.

" Não sei... Foram muito vagos... O Henrique está a preparar uma série de partidas para ver se a Edite se cansa. Mas eu não sei se será a solução!" conta o Duarte.

Nessa noite, volta a falar com o Henrique, mas este está decidido em continuar com o programa de " partidas " à pobre da Edite que desata aos gritos quando o vê caído no chão da cozinha.

O jardineiro ouve-a e entra de imediato. Ajoelha-se ao pé do Henrique e abana-o.

" Oh, menino Henrique, que é isto? Ande lá, abra o olhos que eu sei que está a fingir...." e o Henrique não teve outro remédio senão abrir os olhos, levantar-se e pedir, contrariado, desculpas à Edite.

" Ela é uma boa menina; parece ser vossa amiga. Porque é que lhe estão a fazer a vida negra? " comenta o Sr José que os conhece desde pequenos.

" Queremos que os Pais voltem!" e o Sr José suspira.

" E é a fazer a vida negra aos outros que o vão conseguir? Acho que não..." e o Duarte que chega nesse momento e ouve a última parte, concorda com ele.

Mas o Henrique encolhe os ombros, sem compreender bem o que o Sr José quer dizer.

" Não o consigo convencer! " desabafa o Duarte.

" Porque é que não fala com o seu irmão Maurício? Talvez ele tenha uma solução!" sugere o Sr José.

CONTINUA

domingo, 28 de abril de 2019

A BABY SITTER


" Não achas que estamos a exagerar?" pergunta o Duarte ao Henrique naquela noite.

" Porquê? O plano não é aborrecer a Edite de tal forma que ela desista? " responde o Henrique " Depois, despede-se e os Pais têm que voltar para casa."

" Ouvi-a falar com a Mãe dela. Queixou-se dos barulhos, de ter a certeza de que pagou a conta de luz, mas não encontra o recibo..." diz o Duarte, pensativo.

" Pois, não. Está aqui escondido!" observa o Henrique abrindo uma gaveta e mostrando o dito recibo.

" Então, foste tu!" refila o Duarte " Acha que isto já não está a ter piada... E, já pensaste na reacção dos Pais se a Edite for embora? Lembras-te do que disseram na última vez? Não quero ir para casa do Tio Bruno!"

" Oh, blá, blá... Não vão fazer nada disso. Estão aqui umas semanas até encontrarem uma nova baby sitter e depois.... nós voltamos a fazer-lhe a vida negra até eles perceberem que não podem fazer isto." diz o Henrique, mas o Duarte acha que isso nunca vai acontecer.

Os Pais viajam muito em trabalho, oferecem-lhes férias fabulosas que faz com que os colegas tenham inveja, mas no fundo, quem tem inveja é o Duarte.

A maior parte dos Pais está em casa à noite, janta, brinca com os filhos...

Como o Duarte gostaria que os Pais estivessem aqui e jantassem com eles!

CONTINUA

sábado, 27 de abril de 2019

DESAFIO AOS COMENTADORES


Hoje, lanço um novo desafio aos meus comentadores.

Vou escrever o primeiro paragrafo e aguardo as vossas sugestões se deve ser uma história:

policial
amor
crianças
fantasia


Até já

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Tenho que sair desta casa. Está possuída por um espírito maligno...

Não estou sossegada um minuto com portas a abrirem-se sozinhas, vasos partidos e papéis que desaparecem.

Dizem que estou a ficar maluca... Estarei?

Então, porque é que me desligaram a luz se eu tenho a certeza de que a paguei?

sexta-feira, 26 de abril de 2019

A VIAGEM - FIM


Finalmente, chegam ao destino e são recebido como heróis.

A Madalena até tem lágrimas nos olhos e tanto o marido como o filho brincam com o facto.

" Eu estava tão preocupada!" protesta, mas o marido abana a cabeça e diz:

" O Amadeu é um rapaz responsável e tem que aprender a resolver sozinho as situações."

" E eu assino em baixo." interrompe o avô " O rapaz manteve-se calmo, pediu ajuda e trouxe-nos sãos e salvos."

" É isso mesmo." comenta o Daniel " E, não acham que está na hora de petiscar qualquer coisa?"

Todos riem e entram em casa.  

Sentam-se à mesa, servem a sopa e trocam-se cumprimentos, piadas e risos.

Quando servem o café, estão todos relaxados, o avô confessa a vontade de dormir uma soneca, mas a Cristina tem outras ideias.

" Bem, vou ter com os meus amigos. Tenho que ir agora, senão chego atrasada.." e levanta-se.

Todos a olham surpreendidos. É Domingo de Páscoa, é tempo para estar com a família.

Manuela respira fundo e pergunta baixinho:

" Ter com os amigos? Hoje, Domingo de Páscoa?"

E, a família sabe nesse momento que o dia estava inevitavelmente estragado.

FIM

quarta-feira, 24 de abril de 2019

A VIAGEM - PARTE IV


Entretanto, o Amadeu segue as indicações dadas e em breve, entra em Amarante pela zona norte.

" Conheço isto; daqui a casa da Tia, vai ser fácil!" anuncia, aliviado.

" Calma, respira fundo." aconselha o avô " Mais cinco ou dez minutos... não vai haver problema."

" Pensas tu!" declara a avó " A esta hora, devem estar aflitas e a pensar o pior. "

" Acontece! Eu explico-lhes tudo!" diz o avô " Aliás, devemos ter rede aqui e vou ligar já."

Nesse momento, o telemóvel do Amadeu toca e é o avô quem atende.

" Ah, és tu.... Não, Madalena, não aconteceu nada. Apenas nos perdemos... O rapaz enganou-se na saída e andamos à volta até encontrarmos uma rotunda... Não, não, o rapaz foi muito cuidadoso, a culpa foi minha que o distraí...." e faz uma pausa a escutar atentamente a filha " Chega, Madalena. Estaremos aí dentro de 10, 15 minutos." e desliga.

" Estava aflita? Bem te disse!" comenta a mulher, amuada.

" Xiu! Não se fala mais no assunto. A tua Mãe é uma exagerada, já estava a pensar num acidente, num rapto..." explica o marido e o neto ri-se.

" A minha Mãe é mesmo assim. Então, quando saio à noite, o meu Pai diz que ela fica impossível. Até me pediu para ser vago relativamente às horas, mas mesmo assim, ela fica numa agonia..." comenta o Amadeu.

" Pois! O que esperavas da tua Mãe?" responde a avó e o marido interrompe:

" Oh, a Madalena foi sempre uma exagerada emocionalmente. A Manuela é mais fria, mais concentrada."

" Mas faz a vida difícil à Cristina e a Cristina explode facilmente. Por isso, há muitas discussões entre elas." conta o primo.

" Esta juventude!" suspira a avó.

CONTINUA

terça-feira, 23 de abril de 2019

A VIAGEM - PARTE III


" Já deviam estar cá!" diz a Madalena, preocupada " A que horas era a missa?"

" O Amadeu disse-me que se ia encontrar com os avós à porta da igreja por volta das onze." esclarece a Cristina, que tinha acabado de chegar " Oh, Tia, lá estás tu a pensar o pior!" exclama ao ver a cara da Madalena.

" Ontem, recomendei-lhe que guiasse com cuidado para não assustar os velhotes e ele está a cumprir!" acrescenta a Manuela. " Devem estar a chegar... Anda, preciso de ajuda com as flores."

A irmã vai ajudá-la, mas não se consegue concentrar. Tenta ligar para o filho, mas o telemóvel não dá qualquer sinal.

" Oh, João, deve ter acontecido alguma coisa ao Amadeu. Ainda não chegou e estou farta de tentar o telemóvel e não tenho sinal!" desabafa Madalena.

O marido está sentado na sala, a saborear um Martini com o cunhado e olha-a surpreendido.

" Ainda não chegou??? Que horas são???... Ups, já devia ter chegado!"

" Pois devia. Não atende o telemóvel, será que está sem bateria?" pergunta a Madalena.

" Ou sem rede!" responde a sobrinha " Não te preocupes! O Amadeu é responsável..."

" Explicaram-lhe onde devia sair? Pode ter saído no local errado e estar às voltas para regressar à rotunda." sugere o Daniel.

" Pode ter acontecido isso..." admite a Manuela " E, se está sem rede, não pode comunicar... Vamos a ter calma."

" Calma? Queres que tenha calma?" repete a irmã " Não sabemos onde estão o meu filho e os nossos Pais!"

" Não exageres! Por amor de Deus, o teu filho vai resolver a situação e os nossos Pais ainda têm a cabeça no lugar." diz a Manuela.

" Sim, Tia, tens que confiar no Amadeu. Não vale a pena irmos à procura deles, porque não sabemos por onde começar." apoia a Cristina.

Mas a Madalena continua inquieta.

CONTINUA

segunda-feira, 22 de abril de 2019

A VIAGEM - PARTE II


Com a conversa, o Amadeu distraí-se e engana-se na saída.

" Oh, rapaz, não te enganaste? Tenho quase a certeza de que este não é o caminho?" pergunta o avô.

" Valha-me Deus! A culpa é tua, estás sempre a falar e o rapaz não presta atenção ao que está a fazer!" reclama a avó.

O Amadeu está preocupada, pois não sabe o que fazer.  

Tem que seguir em frente e encontrar uma estação de serviço. Talvez seja mais fácil dar a volta aí e encontrar a saída correcta.

Tenta ligar para a Mãe, mas há pouco rede. Os avós discutem e o Amadeu fica mais nervoso.

" Vamos todos respirar, ok?" pede " Temos que estar com atenção; deve haver uma estação de serviço aqui perto e a partir daí, estabelecemos um plano."

" Porque não tentas ligar para a tua Mãe?" sugere a avó, mas o neto abana a cabeça e explica:

" Há pouca rede aqui!" e a avó exclama:

" Bonito! Estamos perdidos!" e o avô tenta minimizar a situação.

" Olha, há uma estação de serviço ali à frente. Vira aqui!" aconselha.

Na estação de serviço, dizem-lhe que a autoestrada termina uns quilómetros à frente e que deve virar na primeira rotunda à esquerda.

" Como se fosse para Freixo de Baixo... É uma estrada secundária, mas está em muito bom estado e vai chegar à parte norte da Amarante." 

A avó tenta telefonar para uma das filhas, mas não consegue.

" Vamos lá ver se conseguimos chegar a tempo!" observa o avô.

" Não me parece que comecem a almoçar sem nós!" responde a avó e o Amadeu apressa-se a entrar no carro.

Está tudo em ordem, tem gasolina suficiente e arranca.

Em Amarante, estão a ficar inquietos com a demora.


CONTINUA

sábado, 20 de abril de 2019

A VIAGEM


" Amanhã, nada de excesso de velocidade." recomenda a tia ao Amadeu que a olha desconfiada.

" Os avós não gostam de andar depressa e não quero os ouvir falar da irresponsabilidade dos jovens. Não no Domingo de Páscoa." acrescenta.

" Eu respeito os limites da velocidade." protesta o sobrinho, mas a tia abana a cabeça.

" Conheço-te muito bem; és como o teu Pai..." e suspira.

O sobrinho ri-se e sai. Se a estrada estiver livre, vai acelerar...

Se calhar, os velhotes até gostam e a Tia Manuela está enganada.

Como os avós querem assistir à Missa antes de irem para Amarante, o Amadeu combina encontrar-se com eles à porta da Igreja por volta das onze.

" Será que vamos chegar a tempo?" preocupa-se a avó quando entra no carro.

" Se bem conheço as tias, o almoço não será antes da uma, uma e meia." responde o neto e arranca.

Respeita os limites da velocidade enquanto prepara a saída da cidade, mas quando entra na autoestrada, esquece-se das recomendações da tia.

A avó dá um pequeno grito, mas o avô está entusiasmado.

Quando param numa estação de serviço para tomarem um café, o avô diz:

" Isto é que é um carro! E tu conduzes muito bem!" 

Mas a avó respira fundo e queixa-se que o Amadeu foi um pouco irresponsável.

" Já não tenho idade para isto! Vais mais devagar agora, está bem, Amadeu?" pede e o neto dá-lhe um abraço.

Por isso, no resto do caminho, contém-se e responde calmamente às perguntas que lhe fazem.

Sobretudo sobre as namoradas, o avô quer saber todos os pormenores.

CONTINUA



quarta-feira, 17 de abril de 2019

SKATE - FIM


O meu Pai chega finalmente e fica espantado com a história que lhe contam.

Tinham sido muito simpáticos na Câmara, localizaram o jardineiro chefe que abriu os portões e os levou até às estufas, mas garantiu que o Jacinto era um homem muito honesto.

E, ali estava a prova. Entregou o Gonçalo são e salvo aos Pais.

" Estou tão arrependida do que pensei.." repete Alice, mas toda a gente lhe assegura que é normal.

A minha operação é bem sucedida e dão-me alta uns dias depois.

Recebo muitas visitas, mas a minha Mãe controla o tempo, pois estou de castigo.

" Até aprenderes a ser responsável..." diz o Pai.

" E que qualquer acto tem uma consequência. Foi uma sorte o Jacinto Jardineiro ser um homem honesto; não o conheces suficientemente bem para deixares o Gonçalo com ele." acrescenta a Mãe.

" Sim, não tens 6 anos; tens 12, é altura de começares a pensar nas consequências dos teus actos." concluí o Pai.

" A partir de agora, tens que merecer a nossa confiança." observa a Mãe, mas não percebo muito bem o que ela quis dizer.

A vida torna-se um pouco aborrecida após o acidente, pois estou proibido de andar de skate.

Posso sair com os amigos, mas tenho horas para voltar e se desobedecer, fico uma semana em casa.

Não posso dormir ou passar uns dias em casa de um dos meus amigos.

E, como se isso não bastasse, reveem a matéria comigo, fiscalizam os TPC e se tiver uma negativa, sofro um longo interrogatório.

Enfim, uma seca!

Entretanto, o Gonçalo está feliz, pois o Jacinto deu-lhe uma planta para cuidar.

De vez em quando, a Mãe leva-o até ao Parque para ver as novidades nas Estufas e o Jacinto não se importa nada de lhe explicar tudo.

Por isso, o Gonçalo anuncia aos quatro ventos que vai ser " jardineiro como o Jacinto " e os Pais só se riem.

Para já, não quero ser nada... 

Mas o meu Pai diz que, mesmo não querendo ser " nada ", tenho que estudar.


FIM


terça-feira, 16 de abril de 2019

SKATE - PARTE IV


Depois de muitos abraços e beijos ao Gonçalo, a minha Mãe repara nas três pessoas que o acompanham.

Ela conhece muito bem a D.Fernanda e o Sr José, os porteiros do prédio e a terceira apresenta-se como Jacinto.

" Eu explico tudo, D. Alice." apressa-se a dizer a D. Fernanda " O Simão deixou o Gonçalinho aqui com o Jacinto e como estava a ficar tarde, o Jacinto foi à procura dele no terreiro. Quando chegou lá..."

" Soube do acidente..." interrompe o Sr José " Ficou sem saber o que fazer, se havia de levar o menino a uma esquadra de polícia, mas, como conhece quase toda a gente da zona, perguntou..."

" E a D. Madalena do 505 disse-lhe para vir ter connosco." diz a D. Fernanda " Telefonamos tanto para a D. Alice como para o Dr Gaspar, mas não atenderam."

" Por isso, viemos até cá e o Jacinto veio connosco..." acrescenta o Sr José.

" Para entregar o Gonçalo aos Pais, já que foi o Simão quem o deixou ao meu cuidado." esclarece o Jacinto.

Todos ficam em silêncio, sentem-se culpados pelas ideias macabras que passaram pela cabeça. 

Mas ouve-se tanta coisa e a verdade é que nem sabiam da existência do Jacinto Jardineiro.

A D. Alice agradece imenso, o Jacinto responde que não há nada a agradecer e despede-se.

A D. Fernanda e o Sr José também se vão embora e a D. Alice tenta localizar o marido.

A cunhada oferece-se para levar o Gonçalo para casa e dar-lhe de jantar.

Adivinha-se uma noite muito longa... 



CONTINUA