terça-feira, 13 de agosto de 2019

AGOSTO


" Detesto o mês de Agosto!" desabafa o Sargento Brites.

O Inspector Bernardes está doente, não sabem quando volta e por enquanto, o Sargento Brites está a trabalhar como Inspector interino.

" Está calado; ainda nos calha um caso bicudo e o Chefe resolve ajudar-nos." aconselha o Henriques, o novo detective na Brigada.

" Mas é o que vai acontecer... Enquanto o Bernardes não regressar, oficialmente sou eu o encarregado, mas o Chefe supervisiona." explica o Brites.

" Pois!" diz o Henriques, não muito convencido.

Estão os dois sozinhos no departamento, pois o detective Freitas está de férias e o Amadeu está " emprestado" à Brigada de Fraudes.

Estão a concluir os relatórios dos últimos casos. 

Um deles ainda está em aberto, mas a informação que o Freitas deixou não é muito clara e não sabem bem o que fazer.

" Oh, Brites, sabes porque é que o Freitas não interrogou esta testemunha?" pergunta o Henriques.

" Que testemunha? De que caso estás a falar?" repete o Brites.

" Deste caso..." e o Henriques estende-lhe o dossier " Parece que essa tal Maria de Lurdes conhecia bem a vitima. O Freitas pôs um ponto de interrogação à frente do nome dela, mas não encontro as declarações dela."

" Estranho!" admite o Sargento " Porquê? Vamos interrogá-la; o caso ainda está em aberto!" decide Brites. " Tens a morada? Nº de telefone?"

" Sim, sim." responde o Henriques e os dois saem.


CONTINUA





sexta-feira, 9 de agosto de 2019

O NOME - FIM


Pintar o quarto no sábado com os " rapazes" torna-se uma grande brincadeira e o Francisco prova ser muito competente a colocar o papel de parede.

Enquanto isso, as senhoras resolvem fazer um chá para o bebé e a Carla recebe tantos presentes que fica preocupada....

Onde é que os vai guardar? mas, quando fala com a Mãe, esta sugere que faça uma " triagem" e o resto pode ficar na garagem.

O Ricardo está feliz, o quarto ficou muito bonito e na próxima semana, devem entregar os móveis.

A Carla sente-se cansada, inchada e decide antecipar a vinda para casa.

Os móveis são entregues, o Ricardo monta-os e as duas avós preparam tudo para a chegada da Margarida.

Tentam animar a Carla, vá lá, ainda não viste como o quarto ficou bonito.

A Carla lá se levanta e a meio do caminho, dá um grito.

" O que foi?" gritam os três.

" Acho que a Margarida quer nascer!" responde a Carla numa voz sufocada.

Os três ficam a olhar para ela, tipo estátuas e a Carla insiste:

" Então???"

O Ricardo telefona a pedir uma ambulância, a D. Clotilde avisa o médico e a D. Adélia os avôs.

A Margarida nasce naquela madrugada e a Mãe está tão absorvida que não faz qualquer comentário sobre o quarto quando regressam a casa.


FIM



quinta-feira, 8 de agosto de 2019

O NOME - PARTE IV


" Temos que fazer alguma coisa..." diz a D. Adélia " Que tal rosa claro? "

" Não, não..." protesta novamente a Carla " Não gosto!"

" Mas, afinal do que é que tu gostas?" pergunta a Mãe e o Ricardo suspira.

" Que tal cinza claro? Os móveis brancos, os cortinados brancos com uma risca cinza? " sugere a sogra.

" E os brinquedos e a roupa com cor... Agrada-me!" exclama o Ricardo " Vou já comprar a tinta e tenho a certeza de que os rapazes não se importam de me ajudar."

Carla tenta dizer alguma coisa, mas o Ricardo já saiu e a Mãe resolve ir com ele.

" Agora, nós." repete a D. Clotilde " O que se passa contigo? "

" Não sei, acho que este bebé veio na altura errada. Já não me vão considerar para a promoção." revela a Carla.

" Pensa na próxima! Organiza-te, se o souberes fazer, podes ter uma vida profissional e uma familiar. Basta saber como equilibrar." aconselha a D. Clotide.

" Não sei se vou conseguir!" lamenta-se a Carla " Tenho medo de errar...com a menina, com a minha profissão."

" Minha querida, todos erramos... Temos que aprender com os erros e continuar... Não estás sozinha, tens o Ricardo, eu e o teu pai apoiamos-te e tenho a certeza que os teus sogros também." e a D. Clotilde sorri confiante.

Carla suspira, a mãe tem uma certa razão, está talvez a exagerar....

Por isso, quando a Mãe abre o armário e protesta contra a desarrumação, Carla ri-se e as duas passam o resto da tarde a pôr tudo em ordem.

Entretanto, o Ricardo e a Mãe escolhem a tinta, um cinza tão claro que parece branco.

Decidem também ver camas e mesas para os acessórios. 

O futuro Pai não resiste a um grande coelho de peluche e a D. Adélia a um papel de parede cheio de ursinhos em branco e cinzento.

" Colocas na parede onde vai ficar a mesa com as fraldas, os produtos de higiene. Vai ser giro!" assegura ao filho.


CONTINUA



quarta-feira, 7 de agosto de 2019

O NOME - PARTE III


" Ok, não dizes nada; fica Margarida." decide o Ricardo.

" Oh, não, prefiro Mafalda!" protesta a Carla, amuada.

" Dei-te todas as hipóteses; tiveste tempo suficiente para decidir." e as duas avós aprovam.

" Agora, já posso bordar isso nas babetes." comenta a sogra.

" Mas isso não é muito antiquado???" pergunta a Carla.

" Que ideia! Não sei qual a ideia de vestir logo ganga ou afins... " diz a Mãe.

" Sim, os bebés ficam tão mimosos com camisinhas bordadas..." replica a sogra.

Carla acha tudo um disparate, a maior parte das coisas bordadas e com lacinhos que lhe deram está bem guardada num armário.


Espera é que não se lembrem de procurar....

Infelizmente, é exactamente isso que as avós decidem fazer... 

Dar uma vista pelo enxoval, " há coisas que nunca são demais..." acrescentam.

Antes que a Carla as possa impedir, já estão no quarto do bebé.

" O quê? Também não escolheram a cor do quarto? " exclama a D. Clotilde.

" Nem a caminha? Ou a mesa para colocar as fraldas e os produtos de higiene?" a D. Adélia está surpreendida e pensa que a nora é muito irresponsável.

As duas olham para o Ricardo que levanta as mãos:

" Não olhem para mim! Estou farto de perguntar, mas ela diz que é cedo."

" Temos que decidir isso também por ti, Carla? Que se passa contigo? Parece que estás noutro planeta..." quer saber a D.Clotilde num tom de voz nada agradável.

CONTINUA


terça-feira, 6 de agosto de 2019

O NOME - PARTE II


Além dos nomes já discutidos e recusados, a lista da Carla não é má de toda, reflecte o Ricardo.

" Flávia, ok, Elvira e Alexandra nem pensar..." pensa " Teresa e Matilde, posso aceitar..."

A Carla já leu a lista dele e declarou prontamente que " filha dela não se vai chamar Helena ou Alice".

Continuam num impasse e o Ricardo tem vontade de impor um nome, mas não quer ser desagradável.

As duas avós chegam naquele momento e surpresa, trazem também listas de nomes.

" Vamos estudar isto com atenção..." diz a Mãe do Ricardo.

" Sim, que a menina não vai ficar sem nome, só porque vocês são teimosos!" acrescenta a sogra.

" Cláudia... gosto..." responde o Ricardo.

" Detesto!" contesta a Carla " Detesto nomes que começam por C..."

" Nomes com C... não podem ser considerados." acede o marido e as duas avós suspiram.

" Ah, engraçado, tanto a minha Mãe como a tua gostam de Margarida e de Mafalda. Também estão na minha lista, só tens que decidir se é Margarida ou Mafalda." exclama o Ricardo.

" Oh, não..." protesta a mulher, mas o marido corta-lhe a palavra.

" Ficou decidido que, se o mesmo nome estivesse nas listas, era assim que a menina se ia chamar. Por isso, Margarida ou Mafalda?"

" Não sei..." Carla tenta protelar o momento, mas o marido não aceita.

" Vá lá, Carla, Margarida ou Mafalda... Se tu não decides, decido eu e não se fala mais nisso." 

CONTINUA

segunda-feira, 5 de agosto de 2019

O NOME


" A minha mulher não está bem!" anuncia o Ricardo quando o jantar, só de homens, terminou e estão a beber licores.

" Está grávida, está cansada! O que esperavas?" atalha o Francisco.

" Não é isso!" contrapõe o Ricardo " Quer dar à rapariga um nome diferente! Nada de Leonor, Catarina ou Sofia!"

" Então? " pergunta o Bernardo, pai recentemente " A Luísa queria que a nossa se chamasse Ana Frederica, mas eu tive que me impor. Ana, tudo bem, mas escolhe outro, Sofia, Margarida... e acabou por ficar Ana Luísa."

" Pois, não me importava nada com isso, mas a Carla não quer ouvir falar desses nomes tradicionais." explica o Ricardo " Maria Miguel, Maria da Paixão..."

Os outros começam a rir-se.

" Oh, pá, a rapariga vai amaldiçoar-te a vida inteira com um nome desses...." comentam.

" O pior de todos é o Maria da Paz..." suspira o Ricardo.

" Por amor de Deus! Vai ser conhecida pela Pazinha! Na praia, vai toda a gente pensar que estamos a falar da pá." troça o Bernardo.

" Porque é que cada um não faz uma lista de nomes que gostam e depois comparam? Se os dois gostarem de Beatriz, a miúda chama-se Beatriz." sugere o Francisco.

O Ricardo até acha uma boa ideia, mas será que a Carla vai gostar.

A Carla mostra-se receptiva e o Ricardo repete.

" Se houver algum nome que esteja na tua e na minha lista, é assim que a menina se vai chamar! Não se pode voltar atrás!"

" Sempre quero ver isso!" sussurra a sogra.

CONTINUA

sexta-feira, 2 de agosto de 2019

CALAR - FIM


Mas antes que a Vera diga alguma coisa, alguém entra apressado na sala e pergunta:

" Onde está o Chefe? O Carlos e o Américo estão a ter uma grande discussão no parque das descargas e ainda se matam."

Num instante, a sala esvazia-se e todos descem até ao parque das descargas, onde o Miguel tenta conter o Américo que só grita:

" O que é que andas a dizer sobre a minha mulher, meu paspalhão??? "

" Vamos a ter calma!" aconselha o Miguel enquanto o Carlos sorri provocador.

" Mas o que se passa?" é a pergunta que todos fazem.

" Não me digas que o Carlos anda com a mulher do Américo!" opina um.

" Não me admira nada! Ela é uma gaja bem jeitosa!" diz outro e a Márcia dá-lhe uma cotovelada valente.

" E, se fosse a tua mulher? Gostavas que falassem dela assim? " e o colega nem se atreve a replicar.

O Américo parece mais calmo, mas o Miguel não o larga.

" Oh, Vitor!" pede " É melhor levares o Carlos lá para dentro. Para uma das salas de reunião."

O colega apressa-se a levar o Carlos, que continua a sorrir provocador.

" A mulher dele é mesmo uma gaja jeitosa!" repete enquanto se afasta e o Américo tenta soltar-se, mas o Miguel aperta-lhe o braço.

O Chefe chega, entretanto, o Miguel resume a situação e é a vez do Américo ir para uma sala das reuniões.

A um gesto do Chefe, todos regressam à sala, a conversar sobre o que poderá ter acontecido e ninguém presta atenção ao trabalho amontoado.

Se houve um triângulo amoroso, ninguém soube.

O Carlos foi transferido para uma filial, o Américo é suspenso por dez dias, sem salário e regressa muito calado ao seu posto de trabalho no parque das descargas.

Quanto à Vera, para sua surpresa, também é transferida. 

Assaltam-na toda a espécie de dúvidas, mas passado alguns meses, descobre que as novas funções são exactamente o que sempre quis.

Tem uma certa autonomia, que lhe agrada embora tenha que justificar todas as decisões ao Chefe na reunião semanal.

E, depois... ali, embora não sejam perfeitas, não há pessoas tão imaturas e provocadoras como o Carlos.


FIM


quinta-feira, 1 de agosto de 2019

CALAR - PARTE III


" A Vera está a perceber mal as coisas!" disfarça o Carlos " Não se preocupe; deve ter sido um mal entendido!" e saí.

" Mal entendido, uma ova!" comenta a Márcia " O que vais fazer? "

" Esperar que o cliente me contacte e esclareço então as coisas..." responde a outra.


Coincidência ou não, o cliente telefona nessa tarde e pede para falar com a Vera.

Tem umas dúvidas relativamente ao orçamento enviado e quer também fazer umas alterações, se possível.

A Vera presta-lhe todos os esclarecimentos, discutem as alterações e no final, o cliente diz:

" Oh, D. Vera, talvez seja melhor enviar-me dois orçamentos, porque o 1º Item tenho mesmo que o receber antes do dia dois. "

" No dia 2? Mas o meu colega diz que houve aqui um lapso e que não é necessário." explica a Vera.

" Não, não. O que eu disse ao seu colega foi que não tenho tanta urgência nos outros items e que os posso receber depois do dia dois sem problemas. " frisa o cliente " Por isso, D. Vera, envie dois orçamentos, eu valido de imediato. Mas a senhora tem que me assegurar a entrega desse item antes do dia dois." e desliga, deixando a Vera estupefacta.

" O que foi?" pergunta a Márcia.

" A versão do Carlos está completamente errada! Um item tem que ser entregue antes do dia dois; os outros não são tão urgentes." conta a Vera.

" Mas foi isso que sempre disseste! Qual é a dele? " reage a Márcia " É parvo ou faz-se? E, agora o que vais fazer? " repete.

" Não sei... não sei..." Vera sente-se humilhada, perdida.

" Mas isto não pode ficar assim! Está a pôr em causa as tuas capacidades!" Márcia quase grita.


CONTINUA



quarta-feira, 31 de julho de 2019

CALAR - PARTE II


Não devia ter deixado que a situação evoluísse... 

Não era a primeira vez que o Carlos a maltratava, mas Vera sempre achou que a melhor política era ignorar os comentários.

Talvez fosse realmente um sinal de fraqueza como as outras pessoas sussurravam...

Sim, toda a gente comentava a situação, embora não o fizesse abertamente.


Nem ia passar a vida a tentar adivinhar o que o Carlos iria dizer; não faria mais nada na vida.

Contudo, é apanhada desprevenida naquele dia em que o Carlos irrompe pela sala e acusa-a de ter dado informações erradas.

" Informações erradas? Mas estás a falar do quê?" pergunta a Vera, sem perceber nada e já a rever mentalmente os acontecimentos do dia anterior.

" O cliente diz que nunca lhe disse que precisava da peça até ao dia dois e que tem provas!" repete o Carlos.

" Que cliente? Que peça?" volta a questionar a Vera.

" Sabes muito bem de que cliente estou a falar...." diz o Carlos.

A Márcia aconselha baixinho, pega no telefone, diz que vais esclarecer com o cliente, palerma.

" Ok, diz-me quem é o cliente e eu esclareço a situação com ele." responde a Vera.

A Márcia suspira de alívio e o Carlos olha-a incrédulo. 

A Vera a responder? quase que adivinha o que ele está a pensar naquele momento.

" Estou à espera!" volta a questionar a Vera e pega no telefone, pronta para ligar à pessoa em questão.


CONTINUA

terça-feira, 30 de julho de 2019

CALAR


Vera não quer acreditar no que acaba de ouvir.

" Se não te calares, lixo-te!" ... 

Lixa-me, porque discordei da solução que defendeu e apresentei outra que o chefe validou?

Este tipo não funciona bem, pensa e pergunta " onde está o espírito de equipa?".

Há algum problema comigo, não sei trabalhar com esta gente, o objectivo de se trabalhar em equipa não é trocar ideias?

Ainda bem que ele não me está a ouvir, dizia já que me estou a armar em vítima!

" Olá, o que se passa? Estás outra vez com aquele ar de comprometida; foi o Carlos que te aborreceu?" pergunta a Márcia.

" Ficou aborrecido porque o Chefe concordou com a minha solução para o projecto." confessa a Vera.

" Mas era mais simples, mais eficiente! O que é que ele quer?" diz a Márcia " Tens que lhe fazer frente; caso contrário, ele continua a maltratar-te."

" Se lhe respondo à letra, diz que estou a ser malcriada e que não merece!" explica a outra.

" Não merece o quê? E, os outros merecem?" mas não podem continuar a conversa, pois o Chefe chama-as ao gabinete.

É um dia atarefado, felizmente o Carlos não a interrompe e a Vera concluí os processos no prazo.

Respira fundo e pensa no que a Márcia lhe disse.

CONTINUA

segunda-feira, 29 de julho de 2019

SEM GRAÇA - FIM


A relação entre as quatro mulheres modifica-se e é já a Guilhermina quem lhes conta semanas mais tarde de que o advogado conseguiu impedir a venda.

Agora é o Tribunal quem analisa as propostas e as discute com os respectivos advogados.

As outras sentem que a Guilhermina está mais aliviada, embora a Maria João tenha sérias dúvidas de que o assunto esteja encerrado.

Antes das férias, sabem que receberam uma proposta que corresponde ao que pretendem e os advogados acham que devem aceitar.

Adivinha-se férias complicadas para a Guilhermina, talvez lhe telefone, pensa a Clara, mas é absorvida pelo programa organizado pela família para se divertirem.

É só quando regressam à empresa que sabem pela Cristina que a casa foi vendida pelo valor pretendido e o dinheiro dividido.

O problema foi a partilha do recheio; combinaram uma data para se encontrarem lá e escolherem os objectos que seriam vendidos e os que iriam para as respectivas casas.

" O idiota foi lá na noite anterior e levou as peças mais valiosas. Só lhe deixou os serviços, as roupas e algum mobiliário." conta a Cristina " E não sabem onde ele está, onde guardou isso."

" O quê?" exclama, indignada a Paula " Fugiu?"

" Dizem na empresa que ele aceitou o lugar de Chefe de Operações. Em Maputo!" diz a Guilhermina que chega nesse momento.

" Ah!" repetem as outras três.

" E, agora, o que vais fazer?" pergunta a Clara.

" Cuidar dos meus filhos..." e afasta-se.

As outras entendem perfeitamente... 

O que se vai fazer quando uma pessoa é assim tão egoísta? 

Para não dizer coisa pior, acrescenta a Maria João.


FIM


sexta-feira, 26 de julho de 2019

SEM GRAÇA - PARTE V


A Guilhermina não fala sobre o que se está a passar, mas todas concordam que está mais simpática.

" Talvez tenha percebido que não adianta nada descarregar nos outros!" opina a Maria João.

" Ou que há uma diferença entre uma crítica construtiva e uma humilhação!" diz a Clara.

" Ou quer simplesmente falar!" responde a Paula " Não necessariamente sobre o que se está a passar, mas sobre qualquer coisa que a distraia."

As outras ponderam no assunto e resolvem convidar a Guilhermina para almoçar num restaurante ali perto.

A Guilhermina fica surpreendida com o convite, mas aceita.

Pedem uma mesa recuada, escolhem o prato do dia e a Paula inicia a conversa:

" Como está? A Guilhermina tem estado um pouco aborrecida, podemos ajudar nalguma coisa?"

" Realmente, não tenho estado bem e peço desculpa se fui inconveniente..." desculpa-se a Guilhermina.

" Não há problema! Todos temos problemas, uns mais complicados que outros!" protesta a Maria João.

" Eu e o meu marido estamos a divorciar-nos e não estamos a chegar a acordo..." explica a Guilhermina " Em nada...."

" Nada?" repetem as três.

" A única coisa em que estamos de acordo é a custódia dos nossos filhos, a Margarida e o Vicente... mas quanto ao resto..." e a Guilhermina suspira, desanimada.

As outras não insistem e começam a contar histórias engraçadas sobre os filhos.

O ambiente fica mais descontraído e a Guilhermina até se ri com vontade.

CONTINUA



quinta-feira, 25 de julho de 2019

SEM GRAÇA - PARTE IV


A Guilhermina desaparece por uns dias e há muitos rumores, alguns bastante absurdos.

A Maria João tem que ir aos Recursos Humanos e enquanto espera pelo dossier, pergunta baixinho à Cristina:

" Sabes alguma coisa sobre a Guilhermina? Já não aparece há uns dias; presumo que tenha falado com o chefe, mas como vives perto..."

" Ah, não tenho a certeza, mas falam de que o marido vendeu a casa à rebeldia..." a Cristina suspira e continua " claro que a Guilhermina soube e está a discutir o assunto com um advogado."

" Mas ele pode fazer uma coisa dessas? Se a casa está em nome dos clientes...." comenta a Maria João, mas a Cristina encolhe os ombros e confessa que não sabe mais nada.

As outras ficam espantadas com as notícias.

" Estou mesmo com muito pena dela!" repete a Clara " Como? Como é que ele fez?"

" Só se falsificou a assinatura dela!" avança a Paula.

" Se o fez, é fraude!" esclarece a Maria João " E, a justiça pode ser tão lenta...."

Quando a Guilhermina volta, elas notam que está diferente.

Cortou o cabelo, está discretamente maquilhada e escolheu um saia e casaco que a favorece bastante.

" Para ir ao advogado, tinha que se arranjar. Já não era sem tempo!" sussurra a Clara.

" Se calhar, o advogado é jeitoso e ela quer conquistá-lo!" diz, maliciosa a Paula.

" Oh, Paula! Que coisa para se dizer!" ri-se a Clara.

" Porque não? Depois de todos estes problemas, bem que se pode divertir!" sentencia a Maria João.

CONTINUA

quarta-feira, 24 de julho de 2019

SEM GRAÇA - PARTE III


Mas a Guilhermina abana a cabeça e afasta-se.

Conta a Paula mais tarde que a encontrou no corredor, a falar ao telemóvel e com cara de preocupada.

" O que se passará com ela? " comenta a Clara.

" Diz a Cristina dos Recursos Humanos que não estão a chegar a acordo relativamente à casa." confidencia a Maria João.

" E como é que essa sabe?" exclama a Paula, mas todas sabem que a Cristina é a " bisbilhoteira oficial" da empresa.

Mas a verdade é que a Cristina vive na mesma zona residencial da Guilhermina e as novidades sabem-se depressa.

Não é de admirar que saiba que a Guilhermina se recusou a sair da casa, que exigiu que ela fosse vendida, uma vez que contribuiu também para o pagamento do empréstimo. 

Ou que não chegam a acordo quanto ao montante a pedir, isto porque há um vizinho interessado em adquirir a casa, mas acha o preço muito elevado.

O ex-marido até aceitava a verba proposta, mas a Guilhermina não acha que seja suficiente.

" E estava eu tão aborrecida com o Edgar por causa da escola do Gonçalo! Não é nada comparado com o que ela está a passar." confessa a Maria João.

" Se o Matias me fizesse o mesmo... não sei como reagiria!" diz a Paula.

" Também não sei! Nem me atrevo a pensar nisso!" reage a Clara " Se bem que tudo aquilo que ela dizia parecia um pouco de ostentação...."

" Seja como for, não é uma atitude correcta!" sentencia a Maria João e as outras concordam.

CONTINUA

terça-feira, 23 de julho de 2019

SEM GRAÇA - PARTE II


Contudo, o dia é tão intenso que não tem tempo para fazerem considerações sobre o assunto.

Naquele dia, a Maria João está mal disposta. Teve um discussão com o marido por causa da matrícula do filho na nova escola.

" Não tínhamos decidido que ele iria para a Escola da Torre??" pergunta.

" Mas os amigos dele vão para esta e são miúdos que ele conhece desde o pré-escolar!" argumenta o marido.

" E, quem o vai buscar? Tens horário livre, mas eu não!" diz a Maria João e como parece que o marido tem tudo planeado, bate com a porta e saí.

Não aceita muito bem as críticas da Guilhermina e é muito pouco diplomática na resposta.

" A Maria João está a ser arrogante e eu não mereço que me fale assim!" comenta a Guilhermina.

" Desculpe, estou a ter um mau dia. Não entendo porque é que o cliente falou consigo e não comigo!" explica a Maria João.

" Ah, detesto que as pessoas me peçam desculpa! É um sinal de fraqueza!" replica a colega.

" De fraqueza???" repete a Clara que está sentada na secretária da Paula. 

A Paula vai chegar  mais tarde, por isso, a Clara atendeu uma chamada na extensão dela e está a escrever o recado.

" Não importa!" frisa a Guilhermina " Às vezes, vocês falam-me com duas pedras na mão e eu, como colega, não mereço!"

" Quando, quando é que lhe falamos com duas pedras na mão??" exclama a Clara.

" Oh, Clara, não armes uma discussão!" pede a Maria João, já arrependida de ter respondido naquele tom de voz.

Mas a Clara não desiste e espera uma resposta da Guilhermina.


CONTINUA

segunda-feira, 22 de julho de 2019

SEM GRAÇA


" Ainda falta muito para as férias?" pergunta a Clara.

" Mais ou menos três semanas!" responde a Maria João " O que foi? O que aconteceu?"

" Sabes que o palerma do Gonçalo pôs o telemóvel em alta voz para que o Brites ouvisse a conversa? " desabafa a Clara " E o Brites telefona-me e pergunta-me se já tenho notícias??? "

" Mas não sabes que o Gonçalo é um parvalhão e gosta de fazer este tipo de cenas? " comenta a Paula " Fez-me isso noutro dia; mas eu tinha tudo escrito e ele calou-se. Tens que começar a fazer isso...."

" Pois... " concede a Clara " Por falar em parvoíces, sabem o que se passa com a Guilhermina? Sempre que falo com ela, responde com duas pedras na mão! "

" Realmente, a Guilhermina mudou muito. Terá sido por causa do divórcio?" questiona a Paula.

" Não deve ter sido nada fácil descobrir que ele tinha uma outra pessoa... e da forma como tudo se passou." diz a Maria João.

" Imagina tu se o Bernardo chegava a casa e te pedia para saíres, porque encontrou alguém..." opina a Clara.

" Não sei!!! A casa é tanto dele como minha, contribuo para o pagamento do empréstimo!" desabafa a Maria João.

" Ao que parece, a outra também tem como hobby a jardinagem." sussurra a Paula.

" E, a Guilhermina confessa que não quer saber disso... Nem sequer sabia que havia chats para isso!" segreda a Maria João e cala-se, porque a Guilhermina entra na sala.

O cabelo está apanhado num rabo de cavalo, as roupas parecem enrugadas, está sem maquilhagem e está mais gorda.

As outras estão espantadas, pois a Guilhermina era considerada o ícone da moda dentro da empresa.

CONTINUA

sexta-feira, 19 de julho de 2019

A VIAGEM INESPERADA - O FIM


Dadas as circunstâncias, o Chefe aconselha o Joaquim a regressar e o Daniel é destacado como elemento de ligação entre as duas polícias.

O Daniel agradece a oportunidade, poderá ser mesmo promovido.

O Joaquim não está muito satisfeito, pois, além de estar fora do caso, o Chefe decide que é melhor ir para os Açores.

" Para os Açores? Mas o que é que eu vou fazer nos Açores? Não há nada lá!" protesta o Joaquim.

" Vai trabalhar com a Brigada de Homicídios. Mantém o seu posto, todos os direitos como se estivesse aqui." diz o Chefe " Mas é perigoso estar aqui sem termos deslindado o caso que envolve as polícias de dois Países."

O Joaquim lá prepara as malas, passa um fim-de-semana com a Mãe que, confessa, não entender nada do que se passa.

O detective explica vagamente o porquê sem entrar em muitos detalhes.

Melhor que não saiba tudo... talvez fique mais protegida.

O Chefe assegura-lhe que estará atento ao bem estar dela e o Joaquim parte para os Açores.

Tudo muito verde, muita chuva, mas o Joaquim até gosta da vida tranquila.

De vez em quando, recebe os relatórios sobre o caso, mas já não está tão interessado no desenrolar dos acontecimentos.

Afinal, o Bando da Estrela devia uns favores ao Bando do Meio, o Joaquim não percebe muito bem como.

O Bando da Estrela tinha uns assuntos pendentes em Lanzarote, o Chefe não especifica quais e por isso, quando o viram lá, avisaram o Bando do Meio.

O Joaquim deduz o resto da história, embora não esteja convencido de que tenha sido assim tão fácil, tão claro.

Por isso, surpreende todos quando decide pedir a transferência permanente para os Açores.

Só espera que não haja tantos problemas como na capital....


FIM




quinta-feira, 18 de julho de 2019

A VIAGEM INESPERADA - PARTE V


" Vem da garagem!" murmura o Mendes e o Daniel concorda.

O Joaquim apaga as luzes e faz sinal ao Daniel para se afastar da porta.

Alguém abre a porta da cozinha e entra. Mais uns metros e está na sala.

Avança lentamente e o Daniel empurra-o com tanta força que caem os dois no chão.

O Joaquim acende as luzes e afasta o Daniel que tinha desarmado o homem.

" Uma faca!" diz o Daniel " Uma arma silenciosa!"

Mas o Joaquim não lhe presta atenção, está a olhar atentamente para o homem.

Já o viu algures, tem a certeza disso.  

Faz-se luz no espírito, estava a almoçar na mesma esplanada onde ele e o Daniel se encontraram.

" Ele estava na esplanada! Para quem trabalhas? " mas o homem encolhe os ombros.

" Calma! " aconselha o Daniel " Vamos telefonar ao Comandante e pedir-lhe para vir até cá.... Quanto a ti...." comenta " vais ficar aqui sentado e não te atreves a mexer."

Prende-lhe as mãos com um cordel que encontra numa das gavetas da cozinha enquanto o  Joaquim telefona ao Comandante.

Quinze minutos depois, se tanto o Comandante bate à porta e segue-se uma conversa em espanhol tão rápida que ninguém entende.

Só percebem o nome Tavares que o Joaquim associa de imediato a um membro do Bando da Estrela.

" O Bando da Estrela??? O que é que eles têm contra ti? " admira-se o Daniel.

Mas, como o Chefe diz, o Joaquim " calcou" muita gente.


CONTINUA





terça-feira, 16 de julho de 2019

A VIAGEM INESPERADA - PARTE IV


" OH, MENDES!" grita o Chefe quando lhe conta o que se passou " Já não basta o caos que deixou ficar por cá e está agora envolvido num crime?"

" Escolhi aquela enseada por estar quase sempre deserta e ninguém me incomodar..." justifica o Joaquim.

" Será que alguém do Gangue descobriu que está aí e quer apanhá-lo desprevenido? " sugere o Chefe.

" Já pensei nisso, mas não deve ser o Gangue do Meio. Segundo o que o Daniel me contou, o Gangue está um pouco confuso por não me encontrar...." responde o detective.

" Podem ter discutido o assunto com outros Gangues e o Mendes aborreceu muita gente!" avisa o Chefe " Vou falar com o Comandante de Lanzorote e com os Chefes aqui sobre isto. Depois contacto-o." e desliga.

O Daniel chega esbaforido e curioso em saber o que se passa.

Quando o Joaquim resume a situação, o Daniel concorda com o Chefe.

" O Gangue do Meio tem contactos com outros Gangues e pode ter discutido o assunto com outras membros, com mais contactos, mais dinheiro. Pode estar a ser vigiado."

" Eu saberia disso..." protesta o Joaquim.

" Não necessariamente... Pode ser alguém que trabalhe nesta zona e esteja a fazer um favor aos nossos." explica o Daniel.

Tem lógica, o Joaquim não pode negar... Mas quem?

Os espanhóis já comunicarem o caso à sede e aguardam instruções.

A taxa de crime na zona é baixa, há apenas os desacatos habituais que eles controlam com facilidade.

O médico-legista confirma que a morte foi por asfixia, estava morto há umas quatro, cinco horas e não foi morto ali.

" Pelo menos, sabe-se que morreu antes de eu chegar...." suspira o Mendes.

" Mas continua a haver muitas questões em aberto.." diz o Daniel e é então que ouvem um barulho.

CONTINUA 

segunda-feira, 15 de julho de 2019

A VIAGEM INESPERADA - PARTE III


Os olhos estão abertos, os lábios azuis...

Asfixia? pensa o Joaquim e vai buscar o telemóvel.

Onde é que eu estava com a cabeça? Pensar que estaria longe de tudo e deparo-me com um cadáver.... 

O Comandante promete estar lá dentro de quinze minutos e o Joaquim tenta preservar a cena.

Acha melhor telefonar ao Chefe e comunicar-lhe a situação. 

Será que o Gangue do Meio já descobriu onde ele está e isto é um aviso?

Matarem alguém para o incriminarem?  Não, o Gangue do Meio não tem meios para tal.

Talvez seja melhor telefonar ao Daniel.... mas este não atende.

O Comandante chega acompanhado por dois detectives e o médico legista que corrobora a análise do Joaquim.

Só poderá confirmar depois da autópsia, mas deve estar morto há mais de quatro, cinco horas.

Claro que a primeira pergunta que o Comandante faz é se não o conhece e o Joaquim abana a cabeça.

Tem a certeza absoluta e não, não lhe parece que esteja relacionado com a situação que o trouxe até aqui.

Sim, pode ir até à esquadra e levar o Daniel para falarem sobre o assunto.

E, sim, vai contactar o Chefe e pô-lo a par da situação.

CONTINUA