quarta-feira, 26 de dezembro de 2018

A VIAGEM DE AUTOCARRO - PARTE IV


No dia seguinte, quando chegam à paragem, a D.Luz já lá está e está toda contente.

A D.Maria Augusta gostou dela e contratou-a. Começa no próximo mês e para a D.Luz, é um alívio, tanto mais que que o marido tem um trabalho em vista.

" Vai correr tudo bem; a senhora merece." diz a D.Clotilde " E, a senhora D.Matilde? Já acertou tudo? "

" Sim, sim. Também começo no próximo mês; as obras na casa nova já terminaram e eles contrataram uma dessas empresas de limpeza, mas eu tenciono dar uma volta, limpar à minha maneira. " conta a D.Matilde " O senhor doutor é muito engraçado; noutro dia, disse-me " Oh, D.Matilde, nós os dois vamos fazer o trabalho mais duro; ela só vai arrumar as almofadas." e todas as senhoras se riram.

" De quantos meses está? " pergunta a D.Guida.

" Acho que de cinco; já se nota a barriga. Estão os dois muito felizes; e eu também. Já tenho saudades de um bebé." acrescenta a D.Matilde.

" Quem não tem?" comenta a D.Luz " Eles crescem depressa demais. Pelo menos, os meus. Ontem, obedeciam; hoje, tenho que negociar. O Pai nem sempre tem paciência, mas eu tento sempre ouvi-los."

" Sempre disse aos meus: trabalhar primeiro e depois o divertimento. E, eles têm sido uns bons filhos." observa a D.Guida.

" Ainda bem que a vida se está a compor. Para todas. " comenta a D.Clotilde " Estou muito contente por si, D.Luz."

Despedem-se, apressadas, prontas para um novo dia de trabalho. 

O marido da D.Luz telefona-lhe a meio da manhã para lhe dizer que conseguiu o trabalho.

Um dos filhos da D.Clotilde aparece em casa dos patrões, perto da hora de almoço, tão sério que a pobre senhora fica logo assustada.

" Oh, rapaz, o que aconteceu? Foi alguma coisa ao teu pai, ao teu irmão? " grita.

CONTINUA

segunda-feira, 24 de dezembro de 2018

A VIAGEM DE AUTOCARRO - PARTE III


Nessa noite, a D.Matilde telefona à D.Luz. 

A D.Maria Augusta quer falar com ela, a D.Luz pode lá estar por volta das duas e meia?

Claro que sim, diz de imediato a D.Luz e combinam os detalhes.

No dia seguinte, a D.Matilde conta o que se passa às outras duas senhoras.

" Para a D.Luz vai ser muito bom. Com o marido desempregado e os filhos ainda a estudarem..." suspira a D.Guida.

" Ainda continua desempregado?" admira-se a D.Clotilde " Ela falou nisso na altura, mas nunca mais comentou e pensei que ele tinha encontrado qualquer coisa."

" Só trabalhos temporários." conta a D.Matilde " Como ela diz, entra algum dinheiro, mas não é suficiente. Os filhos têm aqueles trabalhinhos em part-time, mas ela prefere que eles se dediquem aos estudos."

" Concordo com ela . Eu deixo os meus filhos trabalharem nas férias, mas não durante o ano lectivo." observa a D.Clotilde.

" Já não tenho que me preocupar com isso. Os meus filhos tiveram que ir trabalhar quando acabaram o secundário, mas estudaram à noite e um deles trabalha como engenheiro na câmara." diz a D.Guida.

" E a minha filha mais velha é enfermeira e foi para Inglaterra." comenta a D.Matilde.

" Vamos ter fé. A D.Luz vai ficar com o trabalho. " e, com esta certeza da D.Guida, as senhoras despedem-se.~


CONTINUA

sábado, 22 de dezembro de 2018

A VIAGEM DE AUTOCARRO - PARTE II


Na paragem seguinte, o autocarro esvazia e as senhoras tem finalmente lugar. Sentam-se e é então que a D. Matilde conta a grande novidade.

" Falei-vos daquele casal para quem trabalho há cerca de dois anos? Gosto muito deles, são simpáticos e bem educados. Pois bem, vão ter um bebé e sabem o que me propuseram? "

" O quê? " perguntam as outras senhoras curiosas.

" Trabalhar para eles a tempo inteiro. Vão precisar de ajuda com o bebé, ela diz que não o quer enviar para o creche, pelo menos no primeiro ano." diz a D.Matilde.

" E a senhora já trabalhou com crianças e gosta." acrescenta a D.Guida " Se as condições forem boas, acho que deve aceitar."

" Também acho." concorda a D.Luz e a D.Clotilde acena com a cabeça.

" É o que diz o meu marido. Vou ganhar mais, fazem-me os descontos para a Caixa, vou ter seguro. O que quero mais? " comenta a D.Matilde " Vai ser tão bom tratar de um bebé."

" Já sabem se é rapaz ou rapariga? " mas os futuros papás querem que seja uma surpresa e por isso, só vão saber no dia do nascimento.

" Só vou ter pena de deixar a D.Maria Augusta que é muito minha amiga."  suspira a D.Matilde.

" Eu tenho duas tardes livres, se a D.Maria Augusta estiver interessada... a D.Matilde sabe que sou de confiança.." e a D.Luz sorri.

" É uma boa ideia, vou falar com a D.Maria Augusta... Era o que me estava a preocupar..." confessa a D.Matilde e escreve na agenda o nº de telemóvel da D.Luz.

Chegam finalmente ao terminal, despedem-se rapidamente e correm para apanhar os outros autocarros.

A D.Matilde conversa com o casal e acerta os detalhes do contrato.

A D.Clotilde passa a manhã a resmungar, pois os patrões devem ter dado uma festa e há uma verdadeira montanha de copos e loiça suja para lavar.

Do mesmo se queixa a D.Guida no stand e diz bem alto que não sabe o que " as mães modernas ensinam agora aos filhos ".

A D.Luz suspira e espera verdadeiramente que a D.Maria Augusta concorde com o plano, pois o dinheiro faz-lhe falta.

CONTINUA

sexta-feira, 21 de dezembro de 2018

A VIAGEM DE AUTOCARRO


" Que chatice! Já vou perder o das 07h23!" lamenta-se a D.Matilde no abrigo do paragem do 305.

Este devia ter chegado às 06h56, mas o relógio da D.Matilde marca 07h01.

" Pois! É por causa destes atrasos que venho mais cedo! O meu homem está sempre a dizer-me " Só entras às 08h30; se saísses às 07h45, chegavas muito a tempo."  diz a D.Clotilde " Mas eu prefiro esperar no café ao pé do trabalho do que entrar esbaforida."

" Ouvi dizer que vão fazer greve novamente. Não sei se a 2 ou a 4!" a D.Guida mete igualmente a colherada na conversa " Já avisei o meu patrão de que não vou a pé!"

" Ainda não há certezas!" diz a D.Matilde " Mas eu já combinei com os meus vizinhos do lado: eles dão-me boleia até à estação e só tenho que subir a rua a pé."

" Sorte a sua!" comenta a D.Guida " Os meus resolveram mudar para uma casa toda moderna, XPTO, mas fica um pouco longe da paragem mais próxima. Tenho que andar para aí uns 20 minutos a pé!"

" Se for verdade, não sei o que vou fazer.  Concordo consigo, D.Guida, a pé não vou!"  contesta a D.Clotilde.

A D.Luz chega nesse momento e faz um " Oh" de espanto.

" E eu a pensar que estava atrasada. As senhoras ainda estão todas aqui."

" Aquele malvado está atrasado e deve vir cheio!" volta a lamentar-se a D.Matilde.

Nem de propósito, o autocarro aparece e tal como previsto, está cheio.

Com custo, lá conseguem entrar e juntam-se aos protestos dos outros utentes.

O motorista nem se atreve a responder. Não tem culpa do trânsito e da chuva, se bem que, lá no íntimo, não entende porque há pessoas que vão buscar o carro nestes dias.

Pumba! Trava abruptamente, as pessoas quase se desequilibram e quem vê, diz:

" Olha aquele idiota, entra-se assim, sem dar prioridade??? "

" Não há respeito!" alguém grita do fundo do autocarro e todos concordam.

CONTINUA


quarta-feira, 19 de dezembro de 2018

MENSAGEM DE NATAL


Pediram-me para escrever um texto sobre o Natal…
Mas o que sei eu sobre o Natal, se tudo o que tenho são memórias vazias?
Vazias, sobretudo de calor humano, mas cheias de... uma solidão atroz
Que nada nem ninguém consegue preencher…
Apenas o Fantasma do frio…
Um frio intenso… cortante que ninguém sente… ninguém entende....
Mas que existe, pois eu sinto-o…
A vida não é perfeita nem é romântica… Tem apenas momentos…
Uns melhores, outros nem tanto
Obrigada pela vossa companhia, pelos momentos em que me fizeram sentir VIVA…

Um feliz Natal para todos...


As histórias do Minha Página continuam durante as Festas.
Por isso, apareçam...
Podem sugerir nomes de personagens, tema (história policial, viagem de autocarro, de metro, uma visita a um Museu)....


terça-feira, 18 de dezembro de 2018

ELVIRA - O FIM


Matos empurrou-me com tanta força que, se não me segurasse ao corrimão caía.

" Isso pergunto-te eu!" observei " O que andas a fazer? Negócios ilícitos e tudo para ganhar mais uns euros? Olha se o Chefe te apanha!"

"  Não apanha nada! Tenho tudo organizado!" respondeu o Matos " E aquele gajo é um banana! Só saberá se tu disseres e tu não vais abrir o bico, senão..."

" Senão o quê? Bates-me? Matas-me? " gozei " Deixa-te de histórias! Conta-me o esquema!"

" Não tenho nada a dizer! Vai-te embora; esquece o que viste ou..." ameaçou o meu companheiro.

" Não vou nada! Se queres o meu silêncio, divides a tua parte do lucro!" exigi.

" Está calada, Elvira, não sabes do que falas!" ripostou o Matos, a olhar para o relógio " Estou atrasado por tua culpa."

" E eu ralada que estejas atrasado!" disse, convencida de que estava a ganhar a partida " Ou digo ao Chefe o que andas a fazer e és preso num minuto!"

A bofetada apanhou-me desprevenida, tentei bater-lhe também, mas o Matos esquivou-se.

Ergueu novamente a mão, bateu-me novamente, desequilibrei-me e caí pelas escadas abaixo.

Dei com a cabeça com toda a força na esquina da escada, rebolei e fiquei inerte no patamar.

Penso que ainda ouvi o Matos gritar, mas não tenho a certeza de nada.

Porque agora não sei onde estou...

FIM


segunda-feira, 17 de dezembro de 2018

ELVIRA - PARTE IV


Devia ter havido uma entrega na noite anterior, pois a sala tinha novamente uns dez cartões encostados à parede mais distante da porta.

Fechei a porta, acendi a luz e comecei a abrir o cartão mais próximo.

A primeira camada era papel, mas afastando-o cuidadosamente para não rasgar, vi pequenos sacos transparentes cheios de pedras coloridas.

O que é isto? Não eram diamantes, de certeza absoluta, mas eram pedras preciosas.

Alisei novamente o papel, fechei as abas e coloquei novamente fita.

Então, estás metido no contrabando de pedras preciosas? Com quem? E quanto recebes por fazeres isto?

Estas perguntas ocupavam-me a mente, mas sabia que não o podia interrogar abertamente.

O que também me espantava era o facto do Chefe não achar nada estranho no Matos aceder tão prontamente em fazer tantos turnos nocturnos e haver tantos incidentes em salas que estavam vazias.

Calculei que a recolha das caixas fosse na sexta-feira e esqueci-me deliberadamente de entregar um relatório.

O Chefe deu-me uma descompostura e eu prontifiquei-me a ficar até o acabar.

O Matos e o Cordeiro entraram ao serviço, disseram " Ainda por aqui?" e desapareceram na outra sala.

Pouco tempo depois, ouvi o elevador e resolvi segui-los no outro.  

Para não me verem, subi até ao telhado, descalcei os sapatos, desci e entreabri a porta de emergência.

Vi o Cordeiro bloquear o elevador e o Matos a carregar a primeira caixa.

Estavam a carregar a sexta caixa quando me desequilibrei e caí, abrindo totalmente a porta.

Sobressaltados, os dois homens olharam para o local e viram-me.

O Matos ficou muito vermelho, entregou a caixa ao Cordeiro e em duas passadas, levantava-me.

" O QUE ESTÁS AQUI A FAZER???"


CONTINUA



domingo, 16 de dezembro de 2018

ELVIRA - PARTE III


Aproveitei uma ida ao nono andar para entregar uns documentos para subir a escada e ver o que estava nas salas fechadas para " manutenção".

Ali estavam cerca de dez, doze caixas encostadas a uma das paredes. 

Estavam completamente seladas e se abrisse uma, o Matos daria conta.

Mas lá em baixo no Departamento havia fita igual e se tivesse cuidado e não rasgasse o cartão, podia ver o conteúdo.

Voltei para a sala, aproveitei a hora de almoço para esconder na secretária o que precisava e esperei.

Contudo, o Chefe não me deu qualquer hipótese de me escapulir, pois precisava que eu revisse uns dados e isso levou-me a tarde inteira.

Ainda me cruzei com o Matos à saída, falamos um bocadinho, mas estava tão cansada que só queria ir para casa.

No dia seguinte, aproveitei a ausência do Chefe e voltei ao décimo andar.

Para meu espanto, as salas estavam vazias. O que aconteceu aqui?

Quem as veio buscar e como?

Intrigada, voltei para a sala e verifiquei a escala.

O Matos estaria no turno do dia o resto da semana, mas eu estaria atenta.

A semana passou-se sem incidentes e na quarta feira seguinte, registrei mais um incidente no décimo andar.

Declinei o convite para almoço da Matilde e da Amália e subi até ao décimo andar, decidida a descobrir o segredo do Matos.


CONTINUA



sexta-feira, 14 de dezembro de 2018

ELVIRA - PARTE II


Isso foi a primeira coisa que me chamou a atenção.

Depois, sempre que o Matos ficava no turno da noite, o Cordeiro estava igualmente escalonado.

Quando falei nisso, o Chefe apenas comentou que o Cordeiro queria aprender e o Matos era a pessoa indicada para o fazer.

Quanto ao Matos, foi um " Cala-te. Mete-te na tua vida:" o que originou uma grande discussão, com os vizinhos a baterem à porta furiosos e eu a chamar um táxi para ir para casa da minha Mãe.

A minha Mãe suspirou e só disse:

" Outra vez? Não sei realmente o que vês naquele homem!" e eu fiquei a pensar no que o Matos representava para mim.

Não era um homem bonito; era jeitoso, com uns olhos verdes e um ar de rufia que me agradava imenso.

Talvez porque eu própria era uma rufia... 

No dia seguinte, o Matos pediu desculpa e eu voltei para casa.

Nessa semana, o Matos esteve de serviço todas as noites e, como era eu quem escrevia os relatórios, achei estranho haver sempre problemas no décimo andar.

O Chefe não deu qualquer importância, tinha um problema mais sério a resolver e não quis falar com o Matos, pois a discussão iria ser muito intensa e os vizinhos quase não me falavam.

Por isso, resolvi fazer uma investigação pessoal. 

E dei-me muito mal.


CONTINUA

quinta-feira, 13 de dezembro de 2018

ELVIRA


" Elvira, a parvalhona", " Elvira, a arrogante"....

Parem... Chega.... Sei muito bem o que me chamavam... Não vale a pena repetirem...

Se eu fui arrogante, então vocês?  Com os vossos grupos, as vossas regras... 

Eu chamava-vos os " Pseudo-Imortais"; afinal, não sabem que também vão morrer como eu?

Mas adiante... não quero falar do que se passou... 

Estou mais interessada no que se passa agora e eu agora estou morta...

Culpa minha ou do Matos, sempre à querer ganhar mais dinheiro, da maneira mais fácil.

Será que ninguém lhe disse que há cursos de formação, de desenvolvimento pessoal? 

Que há pessoas com cursos básicos que estudam à noite e se tornam advogados, engenheiros?

Mas o Matos não quer passar por essas etapas; tem que estar no topo de imediato.

Discutimos muito, ele simplesmente não entendia e por isso, numa das noites em que fui dormir a casa da minha Mãe, conheceu o Bernardino da Silva.

A proposta deste foi simples: guardar umas caixas (sem abrir,frisou bem) num local seguro.

E que melhor lugar que a Torres Vasques, nas salas vazias?

Até tinha uma desculpa para lá estar... 

A empresa que funcionava lá mudou-se e antes de alugar, a Administração quer que sejam pintadas novamente, a instalação eléctrica revista, etc.

O Matos é um ás nessas coisas e foi fácil convencer o Chefe.

O que me chamou a atenção foi o facto dele estar sempre a " negociar " os turnos.

Ele que ficava todo aborrecido se estava dois dias seguidos no turno da noite.

CONTINUA

quarta-feira, 12 de dezembro de 2018

BRITES - O FIM


" As salas estão limpas. A equipa forense não encontrou nada; por isso, só temos a palavra deste maluco de que serviam de armazém." comenta o Gonçalves.

" O apartamento só confirma que o Matos e a Elvira viviam juntos. Há várias queixas dos vizinhos: as discussões eram frequentes e muito intensas, mas também dizem que, às vezes ela ficava em casa da Mãe." conta o Brites. 

" Por isso, quem matou a Elvira? " pergunta o Loureiro.

" Segundo sabemos, a Elvira era muito controladora, certo? Apercebeu-se do esquema do Matos, confronta-o e no calor da discussão, ele bate-lhe e ela desequilibra-se e pumba." especula o Sargento Lucas.

" É uma hipótese plausível, é certo, mas gostava de ter mais provas." diz o Bernardes " Creio que só o Matos poderá responder a todas as questões."

O Matos é interceptado na fronteira e recambiado para a cidade.

Bernardes e Lucas interrogam-nos e ele confirma que sim, matou a Elvira, ela ameaçou denunciá-lo à Administração do Prédio a não ser que ele a deixasse entrar no esquema.

" Dividir os lucros com o Cordeiro era necessário..." explicou Matos " mas com ela era diferente."

Para a impedir, torceu-lhe o braço, ela desequilibrou-se e bateu com a cabeça na esquina das escadas que levam ao telhado.

Limpou tudo (Lucas fez uma nota mentalmente para pedir à equipa forense para analisar as escadas) e, com a ajuda do Cordeiro, entregou as caixas ao motorista do gangue.

Que gangue? Matos abana a cabeça e recusa-se a dizer nomes.

Bernardes não insiste; afinal, resolveu o homicídio... 

A Brigada Anti-Gangues pode agora tomar conta do caso.

Brites resolve falar com a Amélia; quer saber se há alguma possibilidade de reatarem.

Mas a Amélia acha que é cedo demais; está muito traumatizada com tudo que aconteceu e teme pelo futuro, pois vai haver uma investigação interna.

Brites aceita, mas não fica satisfeito.

É que estava mesmo a gostar dela....


FIM

terça-feira, 11 de dezembro de 2018

BRITES - PARTE VI


Elvira Fernandes, funcionária no Departamento de Manutenção e companheira do Técnico Matos.

A equipa deduz rapidamente que ou é crime passional ou está relacionado com o que se passa com as salas do décimo andar que a equipa forense está a analisar.

Nem Bernandes nem Lucas esperam grande coisa; devem ter limpo muito bem, mas pode ter escapado qualquer coisa que lhe pode ser útil.

Gonçalves e Loureiro procuram o Técnico Matos, não só por causa da companheira mas também para esclarecer a manutenção das salas.

O porteiro do prédio diz que já não o vê há mais de dois dias, talvez tenha ido visitar a Mãe, pois levou um saco e uma grande mala.

Loureiro pede de imediato uma equipa forense para analisar o apartamento e avisa o Brites que o Cordeiro pode estar igualmente em fuga.

Mas o Cordeiro está em casa, a gozar a folga e fica muito admirado quando Brites lhe explica a razão da visita.

Na esquadra, começa por negar tudo, mas quando lhe mostram as escalas e dizem que estão a analisar as salas do décimo andar, acaba por contar toda a história.

Sim, ajudava o Matos a descarregar umas caixas e não, não sabia o que continham, pois o Matos desviava sempre a conversa.

Ficam uns dois, três dias no décimo andar e alguém as vinha buscar pontualmente à meia noite, hora em que entrava o novo turno de seguranças.

Nessas noites, ele tinha que se assegurar que a equipa de segurança estava ocupada a transmitir as informações relativas ao turno anterior e desligar as câmaras do andar. Só podiam estar desligadas entre oito a dez minutos antes de soar o alarme na sala de segurança.

Quanto à Elvira? Ah, sim, o Matos queixava-se que ela era muito " controladora " e tivera um grande discussão com ela há cerca de uma semana, duas.

Morta? Como? Quem? Ele não foi de certeza absoluta; ele só queria um dinheirinho extra, mais nada!

CONTINUA

segunda-feira, 10 de dezembro de 2018

BRITES - PARTE V


" Não, não tenho a certeza de nada; posso cometer um erro e acusar alguém inocente!" exclama Amélia.

" Ok, compreendo, mas dá só uma dica." explica o detective Brites " Exploramos o assunto e ninguém fica a saber que disseste alguma coisa, mas é bom que o digas."

Amélia olha-o atentamente; está completamente desorientada, não sabe verdadeiramente o que fazer.

" Se te disser para verificares as escalas, é suficiente?" pergunta e Brites acena que sim.

A rapariga levanta-se, um pouco mais aliviada e sorri-lhe. 

Brites percebe que será complicado ganhar-lhe novamente a confiança, mas quando tudo acabar, talvez tente novamente a sorte.

A Amélia é uma mulher interessante e Brites quer conhece-la melhor.

Suspira quando conta as suspeitas da Amélia ao Inspector que requisita de imediato as escalas de trabalho do Departamento de Manutenção.

Depressa verificam que sempre que os Técnicos Matos e Cordeiro estão de serviço à noite, há problemas a resolver no décimo andar.

Loureiro questiona o chefe de segurança que confirma ser apenas necessário notificarem a equipa que estão naquele andar.

" Que empresas funcionam lá? " pergunta.

" Neste momento, as salas 1010 e 1035 estão vazias. A empresa mudou-se e ainda não estão alugadas. Sempre que as salas ficam vazias, a Manutenção limpa, pinta, muda as lâmpadas, etc, o que for preciso." explica o chefe de segurança.

" O que significa que podem ter feito daquelas salas um armazém de droga ou artigos de contrafacção... e só têm que estar atentos com o anúncio de que foram alugadas. " observa Loureiro.

" A equipa de segurança não deve achar estranho irem lá à noite. Podem pensar que estão a pintar ou seja lá o que for." concluí Gonçalves.

Entretanto, a vítima é identificada.

CONTINUA

sexta-feira, 7 de dezembro de 2018

BRITES - PARTE IV


Brites decide falar sobre as suas suspeitas ao Inspector Bernardes. Se não o fizer, poderá comprometer a investigação e há muito que Brites aprendeu a separar o pessoal do profissional.

O Inspector escuta-o atentamente e quando o detective termina, diz:

" Compreendo as suas dúvidas. Primeiro temos que saber se essa Amélia Rodrigues é efectivamente a Amélia que conhece. Se isso se confirmar, o Brites terá que conversar com ela discretamente para descobrir a razão dela ficar tão agitada quando soube que trabalha na Polícia Judiciária."

" São coincidências a mais."  confessa Brites.

" Pois são. O Gonçalves que trate disso, o Brites só fala com ela quando se confirmar tudo!" instruí o Bernardes.

Duas horas depois, Brites está sentada num café sossegado, discreto, onde é bem conhecido.

Pede e autorizam de imediato que utilize a sala que está reservada para almoços para conversar à vontade.

Amélia está mais calma, mas Brites sente que ela não está à vontade.

" Sei que isto é confuso, mas estamos a investigar um caso que envolve o Departamento onde trabalhas. Temos que falar com toda a gente, mas como eu te conheço, queria explicar-te a situação e perguntar-te..."

" Eu não sei de nada!" interrompe Amélia.

" Nem eu estou a dizer isso. Só quero conversar contigo e é muito importante que me digas a verdade, Amélia. Tudo se complicará se esconderes alguma coisa." aconselha Brites.

" Não te posso dizer grande coisa. Sei que descobriram um corpo no telhado e que ainda não sabem de quem é. Há coisas estranhas a acontecer naquele Departamento, mas não sei se está relacionado com o caso. " comenta Amélia.

" Como, por exemplo?" insiste o detective.

CONTINUA


quinta-feira, 6 de dezembro de 2018

BRITES - PARTE III


Brites sorri e diz:

" Estou aqui em serviço." e Amélia repete " Em serviço? Serviço de quê?"

" Eu disse-te que trabalhava na Polícia Judiciária." explica o detective e nota que Amélia fica muito agitada, como se tivesse alguma coisa a esconder.

" Pensei que estavas a brincar. Pensei que estavas a brincar!" e quando as portas do elevador abrem, saí apressada.

Brites fica confuso, mas na sua mente já está a levantar uma questão que faz todo o sentido.

Estará Amélia implicada com o caso? 

Mas Loureiro interrompe-o, dizendo que há duas chaves - uma guardada na sala de segurança e que está agora na posse deles e outra no Departamento de Manutenção.

Ambas as salas estão protegidas por um código de acesso, o que significa que....

" Pode ter sido um serviço interno!" completa o Brites.

" Falei com o Chefe do Departamento e ele mostrou-me onde guarda a chave. Está muito admirado, pois só ele tem acesso ao local e não a dá a ninguém." diz Loureiro.

" Mas pode tê-la deixado naquela reentrância enquanto verificava qualquer coisa e alguém pode ter feito um molde." sugere o detective.

" Pois. Vou verificar a equipa de segurança, a empresa, etc. E já pedi a listagem com os nomes do pessoal da Manutenção; o Gonçalves tem que os investigar." informa o Loureiro.

No percurso até à esquadra, Brites não deixa de pensar na atitude da Amélia.

Ter reagido daquela maneira... é muito suspeito.

Ainda por cima, há uma Amélia Rodrigues na lista dos funcionários que trabalham no Departamento de Manutenção.

Será ela?

CONTINUA



quarta-feira, 5 de dezembro de 2018

BRITES - PARTE II


Quando chega à esquadra, o Lucas e o Loureiro estão a falar do estranho caso da pessoa que apareceu morta no telhado da Torre Vasques.

Como foi aí que deixou a Amélia, o Detective Brites presta atenção.

" Como é que ninguém notou a falta dela? Segundo o médico-legista, deve lá estar há mais de uma semana." diz o Sargento.

" Logo que se saiba quem é, temos que interrogar toda a gente naquela Torre e não vai ser fácil."  observa Loureiro " Eu vou até lá, tentar perceber o sistema de segurança, como e quem pode aceder ao telhado, etc."

" Eu vou falar com o médico-legista e oh, Brites, vai com o Loureiro e analisa novamente a cena do crime." pede o Lucas.

No átrio da Torre, separam-se. Loureiro vai falar com os seguranças e Brites sobe até ao telhado.

Gabriela, a técnica forense ainda lá está e sorri-lhe.

" Olha quem está aqui! Atribuíram-te o caso? OK....Ela foi encontrada aqui... não, não tinha a roupa rasgada, mas só o médico o pode confirmar. Não há muitas pegadas; dizem que só a equipa de manutenção vem cá." concluí.

Brites olha em volta, mas não vê nada de suspeito.  Há ali uma reentrância, uma espécie de alpendre, mas a Gabriela diz que não há qualquer impressão digital.

" Estranho, não é? Ainda não sabem quem é? " pergunta a técnica e Brites confessa a sua ignorância.

Gabriela despede-se e Brites fica mais uns minutos no telhado a certificar-se não sabe bem do quê.

O polícia que o acompanhou volta a fechar a porta, entrega-lhe a chave e descem.

O elevador abre no 4º Andar e quem é que entra? Amélia que fica boquiaberta a olhar para ele.

" Tu??? Por aqui? " 


CONTINUA


terça-feira, 4 de dezembro de 2018

BRITES


Brites está apaixonado, mas por quem não diz...

Apesar de todas as brincadeiras dos colegas, o Brites não abre a boca.

" Quem será? A jeitosa do 4º Andar? A Técnica forense? " especula o Sargento Lucas " Sempre que o vê, desfaz-se em sorrisos."

" É nessa altura que eu tenho pena de já estar casado!" comenta o Loureiro.

" Vocês já pensaram que a senhora em causa poderá não trabalhar cá? " avisa Gonçalves recentemente transferido de outra brigada, mas que conhecia o Brites do tempo da academia.

" Ao menos, diz-nos: gosta de ruivas, loiras ou morenas?" pergunta o Sargento, mas Gonçalves apenas se ri.

Brites sorri ao descer as escadas. 

Amélia está à espera dele para almoçarem juntos e o restaurante escolhido fica longe da esquadra para evitar encontros imediatos.

O detective está consciente de que será apenas uma questão de tempo até descobrirem tudo, mas, por enquanto vai gozando o momento.

Amélia trabalha num escritório perto do Parque e é aí onde fica o restaurante.

Trocam um beijo intenso e Amélia estende-lhe o menu.

" Não posso ficar muito tempo! Há um problema e já me pediram a ajuda!" diz.

" Um problema? Que tipo de problema?" questiona Brites.

" Oh, nada, alguém se enganou a registar a factura no programa e alterou os preços todos. Mas não falemos disso; vamos gozar o nosso almoço." responde Amélia e propõe comerem o creme de legumes e o peixe espada grelhado.

Despedem-se com relutância em frente ao escritório. 

O Brites pergunta como se chama a empresa e o que fazem, mas Amélia é evasiva.


CONTINUA

segunda-feira, 3 de dezembro de 2018

O PLANO DE AFONSO - FIM


O primeiro fim de semana com o Pai após o " incidente " foi constrangedor.

O Pai sabia que tinha que abordar o assunto, mas não como e os rapazes esperavam que ele não tocasse no assunto.

Já tinha sido complicado ouvir a Mãe dizer que o Pai agora era um homem livre, podia andar com outras mulheres e eles tinham que esperar que ele lhe dissesse que podiam ir até lá.

O Pai estranha o silêncio dos rapazes, principalmente do Afonso, mas não insiste.

Quando voltam para casa da Mãe no Domingo à noite, os rapazes suspiram de alívio. Não sabem como proceder e muito menos com que falar sobre o assunto.

Mas o problema resolve-se por si: o Tio Romeu apanha a Tia Eugénia em flagrante, não com o irmão, graças a Deus, pensam os rapazes, mas com um colega de trabalho.

Durante meses, é o assunto dos almoços de Domingo em casa dos Avós e até o próprio Pai se sente envergonhado.

" Não deve ter pensado que a Tia Eugénia era desse tipo." comenta o Pedro.

" Desse tipo como? " pergunta o Afonso, mas o Frederico faz sinal ao Pedro para não dizer mais nada.

O Tio Romeu divorcia-se, a Tia Eugénia faz as malas e muda-se para outra cidade e a família respira de alívio.

Não se fala mais no affair do Pai com a Tia Eugénia, os rapazes estão agora mais interessados nas suas próprias namoradas e ficam curiosos quando o Pai lhe diz que quer que conheçam alguém.

A namorada do Pai chama-se Rute, é alta, elegante, com olhos verdes e cabelos ruivos.

É simpática e divertida e os rapazes aprovavam o caso.

A Tia Eugénia é apenas uma má recordação e os primos contam-lhe que pouco a vêem, pois está sempre muito " ocupada " com os namorados.

Pedro lamenta que a Mãe não tenha conhecido alguém, o Frederico pensa que ela tem um amigo, mas que acha que é ainda cedo para o conhecerem e o Afonso abstém-se de dar uma opinião.

Tornou-se mais sensato, respeita mais os sentimentos das pessoas e aprendeu que a vida muda numa questão de segundos.


FIM

domingo, 2 de dezembro de 2018

O PLANO DO AFONSO - PARTE IV


A Mãe diz que vai avisar o colégio para não o deixar sair a não ser que esteja acompanhado pelos irmãos, um dos Pais ou os Avós.

Afonso protesta, diz que já não é garoto, mas o Pai interrompe-o:

" Acabas de te comportar como um garoto irresponsável. Por isso, nada de idas ao cinema com amigos, lanches e afins durante um mês."

" Um mês??" repete o Afonso, mas o Frederico aperta-lhe o braço e o irmão fica silencioso.

Deixam os Pais a falarem na sala e reúnem-se no quarto do Frederico. Pedro está furioso e
pergunta:

" Onde estavas com a cabeça? Tu não pensas nos outros? Agora eu e o Frederico temos que ser as tuas amas-secas. Oh, pá, és tão egoísta!"

" Para com isso, Pedro. O pior não é isso, é outra coisa!" intervém o Frederico e conta-lhe o que se passou em casa do Pai que explica o mesmo à Mãe nesse momento.

Omite o nome da cunhada, diz apenas que estava " na cama com uma senhora".

A Mãe faz um sorriso forçado e comenta:

" Estamos divorciados e isso iria acontecer. O problema é que o Afonso surpreendeu-te e foi porque tu deste carta branca para entrarem e saírem da tua casa quando quisessem."

" Não vás por aí! Não é esse o verdadeiro problema; o Afonso tem que ser contrariado e pode ser culpa minha..." admite o Pai " Mas temos que resolver isto da melhor maneira. Vamos descansar; telefono-te amanhã." e saí.

A Eugénia já deve ter ido para casa, pensa, mas que grande embrulhada esta! Como é que vou resolver o assunto?

No quarto, o Pedro está calado; não quer acreditar. Com tantas mulheres no Mundo, o Pai está a ter um caso com a Tia Eugénia?

O Pedro não gosta muito dela, acha-a um pouco superficial, convencida de que é a melhor do Mundo.

" Não vamos dizer nada a NINGUÉM!" decide " Principalmente à Mãe!"

" Claro que não! Ninguém aqui é idiota!" ralha o Frederico " Mas o que vamos fazer em relação ao Pai e à Tia Eugénia??? "

CONTINUA

sábado, 1 de dezembro de 2018

O PLANO DE AFONSO - PARTE III


O telemóvel toca novamente, mas Afonso está mais preocupado com o facto de estar a escurecer e não conhecer o local onde se encontra.

O autocarro aparece, Afonso suspira de alívio e senta-se.

Meu Deus, o Pai e a Tia Eugénia? Há quanto tempo? Como? Terá sido por causa disso que se divorciaram?

Tem mil perguntas, mas não sabe em quem confiar.

O autocarro chega ao Parque, daqui o Afonso pode orientar-se. 

Mas ainda não quer ir para casa e arrasta os pés. 

Acaba por se sentar no muro de uma casa em frente do colégio e é aí que o Frederico o encontra.

" Oh, Afonso! Onde é que estiveste? " grita o irmão " Está toda a gente à tua procura. O Pai diz que saíste a toda a pressa de casa, nem teve tempo de te impedir."

Afonso volta a suspirar, mas não responde. Frederico senta-se ao lado dele e diz:

" A Mãe está muito aflita e o Pai está pronto para telefonar à polícia. Temos que regressar, mas diz-me o que se passa???"

" Não sei se deva dizer!" confessa o irmão desanimado.

" Porquê? " insiste o Frederico e Afonso acaba por lhe contar tudo.

Frederico está abismado e repete: " Tens a certeza? "

" Claro que tenho a certeza. A Tia Eugénia estava na cama com o Pai." responde o Afonso aborrecido. " Achas que foi por isso que se divorciaram? "

" Sei lá!" confessa o Frederico " Vamos regressar e ver o que acontece. Bico calado, espera que o Pai diga alguma coisa. " aconselha.

Regressam a casa, onde Afonso é recebido por entre suspiros de alívio e gritos.

CONTINUA