sábado, 16 de março de 2019

ANTÓNIO - PARTE III


A noite é um sucesso até ao momento em que entregam no quarto o champanhe e os morangos e o António resolve falar no lançamento do livro.

" Podíamos organizar uma festa pós-lançamento para a família e os amigos. A editora vai servir um Porto e uns aperitivos, mas há tanto tempo que não organizamos nada..." diz o António.

" Não organizamos porque tu estás sempre ocupado. Chegas sempre atrasado aos jantares, às festas dos nossos amigos e pareces que não estás lá. E, agora queres organizar uma festa?" interrompe a Andreia, pousando a taça na mesa de cabeceira.

" É uma oportunidade perfeita. Prometo solenemente estar lá!" e o António oferece-lhe um morango.

" Não estou a brincar, António. Que não me fales do teu trabalho, entendo, foi o que combinamos quando casamos, mas um livro de poesia? " e Andreia levanta-se da cama.

" Nunca pensei que ia conseguir. Só quando enviei para a editora e foi aceite..." explica o marido, prendendo-lhe a mão. " Ouve, Andreia, sempre tive uma relação conturbada com a poesia e quando encontrei a Professora Dalila..."

" Ela lançou-te um desafio e tu respondeste." suspira a Andreia " Eu e os teus filhos também temos que te lançar um desafio? "

" Vá lá, Andreia, não exageres. Ok, chego atrasado, às vezes, não apareço... mas sabes como o meu trabalho é exigente..." António começa também a ficar exaltado.

" Eu também tenho um trabalho exigente, mas estou sempre presente..." lamenta a mulher.

" Afinal, estamos a falar do meu livro de poesia ou do facto de não estar tão presente na vida familiar? " pergunta António e a voz soa fria, zangada.

Andreia reconhece os sinais e não diz mais nada. 

Se continuarem a discutir, ainda dizem coisas que não devem e será muito complicado esquece-las.

" É melhor irmos embora!" e fecha-se na casa de banho.

António esvazia a taça de champanhe e come alguns morangos enquanto espera.

Saem do motel sem trocarem uma palavra e nem disfarçam quando vão buscar os miúdos.

CONTINUA





sexta-feira, 15 de março de 2019

ANTÓNIO - PARTE II


" Só lhe contaste depois de tudo organizado... E, só a deixaste ler quando te enviarem as provas." diz a Mãe durante o almoço prometido há semanas e que o António andava adiar por questões profissionais.

" Eu própria fiquei aborrecida por não me teres dito antes. Mas eu sei que tu és feito no ar..." continua a senhora enquanto o António ri.

" A Andreia também sabe disso." contrapõe o António. " Quando tenho um problema complicado para resolver, esqueço-me de tudo."

" Mas exageras; até dos anos do teu filho, te esqueceste. A Andreia comprou a prenda em teu nome e teve que te ir buscar." censura a D. Mariana.

" Pois, eu sei... O André não ficou muito satisfeito e a Carolina esteve uns dias sem me falar." diz o filho.

" Há quanto tempo vocês não jantam juntos? Não fazem uma noitada? " pergunta a D. Mariana " Eu fico com os miúdos; vamos os quatro jantar àquele restaurante de hambúrguers. "

" Uma boa ideia; vou propor isso à Andreia. E vai ser esta noite!"  e o António manda de imediato um SMS à mulher.

A Andreia está relutante, " será que ele não vai esquecer? " murmura.

A D. Mariana afirma que não, que não o deixou sair do restaurante sem essa promessa.

Os miúdos vão para casa dos avós, excitados com a perspectiva do jantar naquele restaurante de nome esquisito, como diz a Carolina.

A Andreia toma um longo banho, veste-se cuidadosamente e maquilha-se na perfeição.

Senta-se na sala, a folhear uma revista. De vez em quando, olha para o relógio e pensa, não se vai lembrar.

Mas o António chega, um pouco em cima da hora combinada, mas chega.

CONTINUA

quinta-feira, 14 de março de 2019

ANTÓNIO


Os "oh", os "ah" e os " estás a gozar comigo?" foram tantos que o António resolve desligar o telemóvel pessoal.

Qual é o problema? Ele, António, um cientista, um matemático, escreveu um livro de poesia.

Poemas sensuais, a raiar o erótico. Um marco na literatura erótica, segundo alguns críticos.

António não concorda muito com a leitura feita por esses críticos, mas está satisfeito com o resultado final.

O outro livro que publicou, inteiramente dedicado ao projecto matemático em que está envolvido, só tem sucesso na comunidade cientifica.

Se não tivesse encontrado a Professora Dalila no jantar de antigos alunos, talvez nunca o escrevesse.

Mas a Professora Dalila ainda se lembrava do poema de amor que o António tinha escrito (quase obrigado) no último ano do liceu e lançou-lhe o desafio.

" Porque não tentas? " e o António sorriu. 

Na biblioteca de casa, havia uma secção dedicada a livros de poesia, de ficção cientifica e policiais.

Poucas pessoas sabiam disso, porque António considerava a biblioteca o seu refúgio e nem a mulher tinha licença de lá ir.

Ups, a Andreia estava furiosa, porque o António não lhe contou nada sobre o novo projecto literário.

Nem a dedicatória a tinha apaziguado.

Quem diria que um simples livro de poesia lhe transformaria a vida num inferno?

CONTINUA




quarta-feira, 13 de março de 2019

NOVO DESAFIO


Aqui fica um novo desafio...

Como sabem, as minhas histórias têm vários personagens e o desafio é exactamente esse,

Quem será o protagonista da próxima história?

O Inspector Bernardes a relembrar um velho caso com o seu mentor, o Inspector Leandro?

O Inspector Leitão, que está reformado e a viver naquela aldeia simpática?

A Fátima que foi através de um burlão e teve que ficar no Brasil?

O Sargento Lucas que está nervoso com o casamento?

O António que desprezava os livros e se torna escritor?

Ou o Jaime que escreve sobre o Detective Latitude e alguém espera que ele resolva um caso?

Aguardo as vossas sugestões.



terça-feira, 12 de março de 2019

ROSÁRIO - FIM


No bilhete, a Amélia pede-me para não ler os cadernos e entregá-los a um jornalista se ele publicar uma crónica sobre o tema " Bairro da Leopoldina".

Fico preocupada, mas qualquer coisa me impede de avisar o Telmo. Será melhor para mim não saber o que aconteceu.

O Telmo envia-me um mail a pedir para destruir o disco do meu computador, configurar um outro email pessoal e para não o contactar durante uns seis meses.

" O que é que fizeste?" pergunto-me, mas apresso-me a cumprir o que a Amélia me pede.

Porque a dita crónica é publicada e se o Telmo tinha um plano, a Amélia também tinha tomado as suas precauções.

Entrego os cadernos ao jornalista num café discreto e parto nessa mesma noite para Buenos Aires.

A empresa tem lá uma sucursal e não vai parecer estranho eu trabalhar lá durante seis meses.

São os meus Pais quem me dizem que a empresa de Telmo está envolvida num escândalo.

Ainda não sabem a ligação entre a empresa e o Bairro da Leopoldina, mas estão a vasculhar tudo.

O Telmo? Dizem que está no Brasil ou na Tailândia e o resto da família está desesperada porque não entendem a razão da fiscalização por parte da Judiciária e das Finanças.

Suspiro e penso que não posso voltar à Europa tão cedo.

Será que vão descobrir que o Telmo me pagou a viagem à Tailândia e porquê? 

Melhor ainda, sabem que eu existo?

Quando me propõem ficar na Argentina mais dois anos, não hesito e assino o contrato.

Afinal, o jornalista viu-me e quem sabe se não deu já o alerta?

Não vou correr mais riscos por causa do Telmo e a vida aqui não é nada má.


FIM







segunda-feira, 11 de março de 2019

ROSÁRIO - PARTE IV


Pouco tempo depois de regressarem, a Amélia mostra-se surpreendida e um pouco ofendida com o Telmo.

Este decidiu simplesmente que as secretárias e o pessoal administrativo deviam rodar e por isso, a Amélia está a trabalhar com um dos assessores.

Um trabalho igualmente importante, mas com limitações à informação, o que a leva a pensar que o Telmo está envolvido em actividades ilícitas.

O quê não sabe, embora esteja atenta a tudo o que se passa, pois continua a trabalhar no piso da Direcção.

Quando lhe tento dizer isto, o Telmo corta-me a palavra. Não me devo preocupar; a Amélia está a ser controlada e vão intervir se ela tomar alguma atitude estranha.

" Vai passar umas semanas à Tailândia. A sucursal da agência já recebeu instruções para tratar da viagem; basta apenas marcar a data." e desliga com firmeza.

Decido passar duas semanas na Tailândia; o Telmo esmerou-se. É um Spa de luxo e não preciso de me preocupar com nada.

Quando regresso, tenho vários mails da Amélia. 

O Telmo tem estado ausente e ela aproveitou a ausência para lhe vasculhar o escritório.

Ele mudou as senhas de acesso, mas ela conseguiu desbloquear uma, mas não encontrou nada de relevante.

Não sei se fez soar algum alarme com aquele pequeno assalto ao computador do Telmo, pois acha que está a ser seguida.

Em resposta à minha pergunta " O que vais fazer agora?", a Amélia diz que vai procurar um amigo que a poderá ajudar.

Volto a telefonar ao Telmo, que não fica nada satisfeito com a minha chamada.

" Afasta-te, Rosário. Estou a tratar do assunto. Não me voltes a ligar." 

Fico sem saber o que pensar, até porque a Amélia deixa de me enviar mails.

Naquela segunda-feira, recebo um pacote e reconheço a letra da Amélia.

CONTINUA




domingo, 10 de março de 2019

ROSÁRIO - PARTE III


O brunch é um sucesso. A Amélia está descontraída e conversa animadamente com os meus amigos.

Contudo, recusa o convite para jantar do Rafael e ao fim da tarde, volta a ser uma mulher nervosa.

O Telmo já deve estar de regresso e isso deixa-a apreensiva. Por isso, faço a pergunta inevitável.

" Há algo mais entre a Amélia e o Telmo? " e a Amélia olha-me espantada.

" Não, nada. O Telmo gosta muito da namorada, a Vera. Estão muito apaixonados." acrescenta, mas eu sei que isso não representa qualquer obstáculo para o Telmo.

" Desculpe, Amélia, há qualquer coisa que a preocupa e muito. E, se não é com o Telmo pessoalmente, está relacionado com o trabalho." insisto.

A Amélia pensa uns minutos e depois diz lentamente:

" Não tenho a certeza, mas fiquei a trabalhar até tarde e ouvi uma conversa que me intrigou. Sei que o Telmo estava bastante exaltado e só repetia que não deviam ter ido ali. Depois, saíram do gabinete dele e entraram no elevador particular do Telmo." e a Amélia suspira.

" Viu quem eram? " e a Amélia responde que eram dois homens fortes, vestidos de preto e que os viu uns dias mais tarde na rua a rondar a empresa, mas já não entraram.

" Quem eram? O que foram lá fazer? Pensei que tinhas separado os negócios." grito com o Telmo nessa noite.

" E, separei, mas o problema era tão grave que aqueles dois idiotas nem pensaram. Pagaram ao segurança que os deixou entrar pela garagem... Pensei que não tinham sido vistos... " explica o Telmo.

" O que vais fazer agora? " pergunto " Ela não é burra, vai ficar atenta a qualquer coisa fora do normal."

" Tenta ficar em contacto com ela mesmo quando regressarmos a casa e eu vejo como posso resolver o assunto." e desliga.

CONTINUA

sexta-feira, 8 de março de 2019

ROSÁRIO - PARTE II


A Amélia aceita um café e a conversa gira em torno da actualidade.

É inteligente, bem informada e tem opiniões fortes. Pergunto-me se ela confiará em mim o suficiente para me dizer o que a preocupa.

Nota-se um certo nervosismo e leio alívio no olhar quando o Telmo lhe diz que vai passar o fim de semana com uns amigos e ela pode usufruir do tempo livre como quiser.

É a minha deixa para a convidar a passar os dois dias comigo.

" Podemos ir às compras ou visitar os arredores." sugiro " E, no domingo organizo uma partida de ténis e um brunch com uns amigos meus. Que tal?"

Amélia concorda e no dia seguinte, às dez da manhã estou à espera dela no hall do Hotel.

A primeira paragem é no Bairro Tradicional e vasculhamos a feira de rua.

Depois, entramos no Museu e na Igreja Cristã.

Almoçamos tarde num restaurante perto da Zona Baixa.

" Há quanto tempo trabalha com o Telmo? " pergunto.

" Há cerca de seis meses. E, a Rosália já o conhece há muito tempo?" responde a Amélia.

" Ah, os nossos Pais conheciam-se, frequentávamos a casa um do outro. Eu resolvi fazer um Mestrado aqui e como a proposta de trabalho que recebi era interessante..." distorço um pouco a verdade, mas a Amélia não faz qualquer comentário.

" Gosta de trabalhar com o Telmo? É um patrão justo, o trabalho é interessante?" insiste.

A Amélia hesita um pouco, dá uma resposta vaga.

" Sim, sim, o trabalho é interessante e o Telmo é bastante generoso com o salário e as ajudas de custo. "

" Mas há qualquer coisa que a preocupa...Esteja à vontade." digo, mas a Amélia apenas sorri.

" Não sei se ela vai confiar em mim." observo quando telefono ao Telmo nessa noite. " As respostas foram vagas e quando insisti, desviou a conversa."

" Vá lá, tu consegues." o Telmo está bastante alegre e só espero que tenha cuidado e não dê muito nas vistas.

CONTINUA

quinta-feira, 7 de março de 2019

ROSÁRIO


Um convite para jantar do meu amigo Telmo não é para desprezar.

Muito menos quando é num restaurante chique como o " Chez Brad".

Há muito que deixei de ter qualquer relação activa com o Bando da Leopoldina, mas, às vezes, necessitam do meu " know-how" para abordar casos delicados.

Como o que o Telmo explica durante o jantar; não sabe o que a pessoa ouviu, mas quer ter a certeza de que não falará.

" Mas quem é ela?" pergunto enquanto me servem vinho.

" Uma secretária, alguém fora do círculo. Temos que o fazer para que a empresa tenha legitimidade." explica o Telmo.

" O que queres que eu faça exactamente? " digo.

" Que te tornes amiga dela, que ela confie em ti a ponto de te pedir conselhos." comenta o meu amigo.

Ficamos em silêncio durante uns minutos. O peixe está uma maravilha.

" Posso saber o que aconteceu para teres essas dúvidas? Ou é melhor não saber?"

" É melhor não saberes para já. Se confiar em ti, ela explica-te tudo." responde o Telmo " Quero é que me transmitas tudo o que ela te contar. Eu decido o que é relevante."

" E, o que recebo por isso? " e sorrio.

" Uma viagem à Tailândia com tudo pago, que tal?" sugere o meu amigo.

" Ok, onde conheço essa senhora? " concordo.

" Convidei-a para tomar café connosco; aliás, ela está a entrar e amanhã, vocês vão às compras. Tu sabes o que fazer." e Telmo levanta-se quando uma senhora, de trinta, trinta e cinco anos se aproxima da mesa.

" Rosário, Amélia. Amélia, Rosália." apresenta-nos e ao apertar-lhe a mão, leio medo no olhar.


CONTINUA

domingo, 3 de março de 2019

OS CADERNOS - FIM


" Posso ver essa nota? " pede o Vasques, folheando os cadernos " Leu? Sabe os que significam estas iniciais?"

" Não, queimei a nota como a Amélia pediu." responde Rosário " Estou a entregar-lhe os cadernos porque mencionou o Bairro da Leopoldina na sua coluna."

" Mas porquê? Porque é que o Bairro da Leopoldina foi a senha para me entregar os cadernos? O que esconde o Bairro? " repete Vasques, mas Rosário abana a cabeça e levanta-se.

" Fiz o que a Amélia me pediu para fazer. Agora, vou-me embora; não há mais nada a dizer. Apenas lhe peça: não mencione o meu nome nem este encontro." e, depois de lhe apertar a mão, saí.

Vasques está aturdido, não sabe o que pensar.

Como o Brites quando lhe confirmam que sim, que a Amélia trabalhou numa das empresas do grupo.

Não ficaram surpreendido por não se ter apresentado ao serviço? Ah, não, receberam uma carta a pedir a demissão que lhe mostraram.

Brites acha que esta história é perfeita demais e que alguém os está a manipular.

Vasques tem a certeza absoluta de que Rosário sabe exactamente o que a Amélia descobriu, quem o matou e este encontro foi para controlarem a investigação.

Não, a Amélia merece mais. Ele e Brites têm que conversar; talvez cheguem a uma conclusão.

Primeiro que tudo, têm que descobrir o que esconde o Bairro da Leopoldina.

E, sabendo isso, tudo ficará claro.

Será que vão conseguir? 

FIM

sexta-feira, 1 de março de 2019

OS CADERNOS - PARTE V


Entretanto, Vasques recebe um mail de alguém que assina " R " e que gostava de falar com ele " sobre o Bairro da Leopoldina."

Vasques está indeciso, não sabe se deve avisar o Brites, mas este não lhe atende o telemóvel e o jornalista está curioso.

Quem é este " R"? É o mesmo dos cadernos de Amélia? O que se passa com o Bairro da Leopoldina? Será a fachada para qualquer coisa sinistra?

Avisa o Director e o colega e ignorando as observações destes, vai ao encontro do misterioso " R " num café discreto para os lados do Centro.

O café é elegante, mas um pouco sombrio e Vasques fica parado no meio da sala, pois não sabe a quem se deve dirigir.

" Creio que está à minha procura!" diz uma voz por trás dele.

O jornalista vira-se e fica frente a frente com um mulher que ele considera ser " interessante".

Deve ter quarenta e cinco, cinquenta anos no máximo. Veste um casaco vermelho que está aberto e deixa ver o vestido vermelho, meias e botas pretas.

A maquilhagem é perfeita, o cabelo é curto e o sorriso é cativante.

" Então, a Amélia morreu!" afirma quando se sentam numa mesa no canto mais afastado da porta.

" Como sabe?" pergunta o Vasques, espantado.

" Faz parte de um plano." explica serenamente Rosário " E, se está aqui, é porque a Amélia lhe enviou os cadernos."

" Está a par dos cadernos? Porquê? Sabe o que aconteceu? " insiste o jornalista.

" Não tudo! Conheci a Amélia numa das viagens que fez com o gestor da empresa onde trabalhava e ficamos amigas. Um dia, enviou-me um mail a contar que tinha descoberto um negócio ilícito..."

" Que tipo de negócio?" interrompe o Vasques.

" Não especificou, mas devia ser bastante grave, porque ela começou a ficar assustada. Tentei convence-la a ir à Polícia, mas creio que ela teve medo. " conta Rosário " Há cerca de duas, três semanas, recebi um pacote e instruções claras." e tirou do saco dois outros cadernos.


CONTINUA

quinta-feira, 28 de fevereiro de 2019

OS CADERNOS - PARTE IV


O Brites também encontrou a inicial " R " nos cadernos que recebeu e suspeita de imediato do Bando do Rock que opera no Bairro da Leopoldina.

Sabe também que o bando está por trás de um Grupo poderoso. 

Talvez tenha sido numa das empresas desse Grupo que a Amélia tenha trabalhado. Sim, porque no Bairro da Leopoldina só há armazéns vazios e clubes clandestinos.

Vasques também chega à mesma conclusão. 

Falou com um colega que cobre esse tipo de notícias e que lhe dá muitas informações.

À luz do dia, o Bairro da Leopoldina parece ser um bairro pacato e alguém o reconhece do jornal.

Convida-o para tomar um café e aproveita para discursar sobre o facto do Bairro estar um pouco esquecido.

" Não se esqueça de falar nisso na sua coluna." pedem e quando Vasques pergunta sobre incidentes com a Polícia, desviam de imediato a conversa.

O jornalista fica com a certeza absoluta de que o Bairro não era um local que a Amélia frequentasse, mas conta a visita na coluna " mordaz" e agita a opinião pública.

Entretanto, o detective Brites, munido com uma fotografia da Amélia, resolve visitar a sede do Grupo.

Dizem que é ali que funciona o Departamento de Recursos Humanos e sim, talvez o possam ajudar.

Será que pode explicar a razão porque quer falar com o Departamento? 

Brites mostra então a fotografia, mas o segurança diz que não se lembra de a ver ali, mas quem sabe, o grupo tem mais empresas.

Espera cerca de meia hora até ser atendido e após expor o caso, levam mais quinze minutos a consultar os ficheiros.


CONTINUA




quarta-feira, 27 de fevereiro de 2019

OS CADERNOS - PARTE III


Vasques volta a ler os cadernos nessa noite, está a preparar a coluna para domingo, mas fica com a impressão de que não estão completos.

Não fica muito admirado quando o detective Brites lhe liga e pede para se reunirem.

Pode ver os cadernos que recebeu? pede e explica que lhe entregaram outros dois cadernos com uma nota igualmente enigmática.

Vasques acede, está bastante curioso e ao ler a nota que o Brites recebeu, confessa que, ou a Amélia foi testemunha de algum acontecimento ilícito ou é alguém muito inteligente que os está a manipular.

Brites concorda, mas é vago quando responde à pergunta do jornalista sobre a vida da Amélia.

O jornalista não desanima, talvez alguém ligado à Amélia tenha lido a coluna e o contacte.

É a irmã da Amélia que lhe telefona e pede para se encontrar com ele.

" Não compreendo, porque é que lhe enviou isto?" confessa Anabela Santos.

" Não sei o que responder, talvez a sua irmã pensasse que eu iria investigar o caso." responde o jornalista.

" E, vai investigar o caso? A polícia parece ter desistido." pergunta a irmã.

" Os cadernos parecem estar escritos em código e decerto sabe que a Polícia também recebeu dois cadernos." explica o Vasques.

" Sim e não compreendo isso. A verdade é que a minha irmã mudou muito nos dois meses antes de morrer..." e conta-lhe o que se passou num jantar umas semanas antes dos acontecimentos.

Vasques fica convencido de que a Amália deparou com alguma coisa que não devia ter visto.

Mas o quê? Quem é o " R" de que os cadernos falam?

CONTINUA

terça-feira, 26 de fevereiro de 2019

OS CADERNOS - PARTE II


O amigo fica curioso e avisa-o de que poderá ter algo importante para uma investigação em curso.

Vasques afirma que não tem a certeza de nada; só sabe o nome do Detective Brites e quer falar com ele.

O Brites fica surpreendido e desconfiado com o telefonema, mas aceita encontrar-se com o jornalista.

Este tira uma fotocópia do bilhete e guarda o original juntamente com os cadernos no cofre do jornal.

Brites lê atentamente e fita Vasques com um ar perplexo:

" Onde obteve este bilhete? De quem é? "

" Pensei que o Detective me pudesse ajudar. Recebi-o juntamente com uns cadernos tipo diário. Um diário codificado, cheio de iniciais." esclarece Vasques.

" Sabe a razão de lho terem enviado?" pergunta Brites " Posso ver esses cadernos?"

" Desconfia de alguém? " atalha Vasques, notando a hesitação do detective.

" Talvez..." diz o detective lentamente " Mas é uma investigação em curso; não posso revelar detalhes. Posso ficar com isto?" acrescenta.

" O original está bem guardado." assegura o jornalista " Um nome, não me pode dar um nome? Quem sabe? Podemos obter os dois respostas."

" Mas nada pode prejudicar a investigação." repete o Brites.

" Eu sei, detective. Mas, por alguma razão, enviaram-me os cadernos e tenho todo o interesse no caso." explica Vasques.

" Amélia. Só posso dizer isso. Terei que comunicar isto ao Departamento." e Vasques faz um gesto de concordância.

Quando chega ao jornal, fecha-se no gabinete do chefe para traçarem um plano.

CONTINUA

segunda-feira, 25 de fevereiro de 2019

OS CADERNOS


Matias Vasques espera pela reportagem que o tornará conhecido do grande público.

Tem recebido boas críticas pela coluna que assina aos Domingos no suplemento e surpreendeu toda a gente com uma outra coluna, mas esta é diária e bastante mordaz.

Mas não está satisfeito e fica intrigado quando lhe entregam naquela manhã uma caixa sem remetente.

O nome dele está bem escrito, com " s"; há muita gente que escreve Vásquez e ficam muito admirados quando os corrige.

Agradece mentalmente à pessoa que lhe envia o pacote e abre-o cuidadosamente.

São dois cadernos Moleskine e na capa do primeiro está colado um envelope.

Vasques descola o envelope e retira uma folha de papel A4.

A mensagem é curta mas é enigmática.

" Se estiver a ler esta mensagem, é porque morri e a razão está aqui. Fale com o detective Brites."

Não há assinatura e Matias Vasques rele novamente o bilhete.

Folheia os cadernos, mas a pessoa que os escreveu optou por iniciais em vez de nomes e apelidos.

A pode ser de António, mas a letra parece ser de mulher. Antónia?

E DB? Será o tal Detective Brites? E quem é o Detective Brites e qual a ligação a esta pessoa?

A mente de Vasques já está a fervilhar quando decide ligar para um contacto que tem na Polícia Judiciária.


CONTINUA



domingo, 24 de fevereiro de 2019

O JANTAR DE BRITES - O FIM


" Como meu superior, pode e é o melhor, pois eu conhecia-a. Tive que me afastar dela por causa de um outro caso que estávamos a investigar e ela achou que lhe estava a mentir." conta o Brites e suspira.

" Não vejo como... se lhe explicaste a situação!" afirma a Carla " E, mesmo agora, não tens que te sentir culpado... Fizeste o que podias; ela é que decidiu não atender as tuas chamadas."

" Talvez estivesse assustada, talvez tivesse descoberto alguma coisa que não devia. Há pessoas implacáveis, Carla e não olham a meios para proteger os segredos." diz o Brites.

No dia seguinte, Lucas revela-lhe que o apartamento de Amélia estava limpo.

" Limpo demais, percebes? Por profissionais, compreendes?" e por isso, voltam ao principio.

Interrogam vizinhos que afirmam que não a conheciam muito bem, ah, sim, era uma pessoa bem-educada, muito discreta.

Não, não recebia muitas visitas e não, não havia nada de anormal.

" Ela era um fantasma." confessa o Lucas " E trabalhava para uma empresa fantasma, porque nem um recibo se encontrou."

A irmã e o cunhado também estão desesperados; gostavam de ter respostas, mas parece que o caso de Amélia vai ficar sem resolução.

Entretanto, Brites e Carla estão a dar-se muito bem e estão a pensar em viver juntos.

" Ela vai fazer com que te tornes vegetariano." ri-se Lucas.

" Mas a Zé também o é e cozinha-te pratos de carne." comenta o Brites.

" Mais peixe do que carne; tínhamos que chegar a um acordo. É o que as pessoas fazem, Brites, tentam chegar a um acordo." e Lucas dá-lhe uma palmada amigável no ombro " Espero que não te convertas totalmente ao yoga e venhas treinar boxe comigo."

Os dois acabam de beber o café e voltam para o gabinete. 

Há uma chamada; há uma pista, infelizmente não é sobre a Amélia, é sobre outro caso ainda em aberto.

Pode ser que tenham sorte e consigam resolver este.

Mas Brites gostaria muito de saber o que ou quem estava a atormentar a Amélia.


FIM

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Fica o desafio aos comentadores relativamente à próxima história:

1.O Brites recebe um pacote. Esse pacote é o diário da Amélia e explica os acontecimentos que levam ao seu assassinato.
2. O pacote é enviado para um jornal e é o jornal que relata os acontecimentos.
3. O que é que vocês acham? 





sábado, 23 de fevereiro de 2019

O JANTAR DE BRITES - PARTE VI


" Telefonei à Amélia várias vezes e ela rejeitou sempre a chamada. Quando me falou neste assunto, tentei saber mais pormenores, mas ela fugiu." explica o Brites " Eu sabia que ela trabalhava na Torre Vasques, foi lá que a conheci, mas disseram que já não trabalha lá há mais de dois, três meses."

" Nem nós sabemos onde ela trabalhava." atalha o cunhado até aí calado " Ela só nos disse que se tinha demitido, que a tinham convidado para fazer parte de um novo projecto, ia receber um salário milionário."

" Quando foi a última vez que estiveram com ela?" pergunta o Lucas.

" Veio cá jantar há cerca de duas semanas. Notamos que estava muito nervosa, bebeu demais, mas não quis falar sobre o trabalho....Aliás, quando falamos no assunto, ela ficou aterrorizada." conta Amadeu Santos.

" A minha irmã tornou-se numa estranha. No primeiro mês, estava eufórica, mas depois... Sinto que estava qualquer coisa mal, ela não se abria e hoje, ia procurá-la...." acrescenta a irmã.

" Compreendo. Gostaríamos de ter acesso ao apartamento dela? Têm uma chave? " pergunta o Lucas.

" Temos para emergências." confirma o cunhado " Posso ir com um dos senhores? Agora? "

Mas Lucas quer voltar para a esquadra e comunicar o ocorrido ao Inspector Bernardes.

Pedem à Anabela e ao Amadeu para estarem na esquadra às duas da tarde e quando saem, o Lucas não deixa o Brites conduzir.

O colega está mesmo perturbado com a situação e o Lucas vai recomendar que ele seja afastado da investigação.

" E, o Lucas pode fazer isso?" pergunta-lhe a Carla nessa noite.

O Brites resolveu ir a uma aula e convida-a para uma bebida.  

Há um bar sossegado perto da casa dele que gosta de frequentar e leva-a até lá.



CONTINUA

sexta-feira, 22 de fevereiro de 2019

O JANTAR DE BRITES - PARTE V


" Porque é que pensaram que isto era um suicídio?" murmura Lucas " Ela foi espancada...."

" e torturada." acrescenta o médico legista " Terei mais pormenores quando fizer a autópsia. Mas este é um beco isolado; pode ter sido por isso que pensaram em suicídio."

Brites encontra a carteira da Amélia e começa a tirar o conteúdo para fora.

Encontra uma agenda e procura os dados pessoais. Lá está o contacto de emergência: Anabela Santos.

" É a irmã dela? " pergunta o Lucas, mas o Brites não sabe.

" Queres que eu fale?" continua o Lucas e estende a mão para a agenda.

" Não, também está aqui a direcção. Vou falar com ela pessoalmente." diz o Brites.

" Mas não vais sozinho. Eu vou contigo; não sei se não será melhor ficares só como observador." observa o colega.

" Discutimos isso com o Chefe da Brigada; para já, vamos falar com a Anabela Santos." decide o Brites.

A Anabela é parecida com a Amélia. Os mesmos olhos verdes, mas o cabelo é ruivo e está preso num rabo de cavalo muito simples.

" Tem a certeza de que é a Amélia? " repete e o Lucas diz que ela terá que a identificar formalmente, mas tudo leva a crer que é a irmã.

" Temos algumas questões a colocar-lhe. Pode ser aqui ou na esquadra." mas o marido prefere que seja ali.

" A Amélia mudou de hábitos recentemente? Conheceu pessoas novas? Ela conhecia o meu colega..." e Lucas aponta para Brites que continua calado " e noutro dia, disse-lhe que estava a ser perseguida. Sabem alguma coisa disso?"

Anabela olha demoradamente para Brites e faz a pergunta que ele tanto receia.

" Sabia disso e não fez nada???"

CONTINUA

quinta-feira, 21 de fevereiro de 2019

O JANTAR DE BRITES - PARTE IV


Brites ri-se; o Lucas tem uma certa razão e por isso, desiste da ideia.

Concentra-se no caso em aberto e no final dessa semana, lá vai ele assistir à aula de yoga da Carla.

Fica interessado na filosofia e brinca com o Lucas quando este diz que tem músculos a doer que não conhecia.

O Lucas não fica fã e resolve continuar a praticar boxe, mas Brites acha que o yoga pode ser um complemento ao voleibol.

Contudo, a Carla não o tenta convencer a continuar quando saem para jantar.

A única coisa que ela lhe pede é que jantem num restaurante vegetariano e a conversa decorre fluída, interessante.

Além de ser instrutora de yoga, a Carla explora uma pequena loja de produtos gourmet e o Brites promete lá ir.

A noite acaba com um beijo e a promessa de um novo encontro na quarta-feira, se ele estiver livre.

Mas o dia seguinte é uma confusão, pois há a denúncia de um crime e pedem a intervenção da Brigada.

" Se suspeitam que é um suicídio, porque é que nos estão a chamar? " reclama o Lucas.

" Não sei; talvez haja algum aspecto estranho que eles achem que devemos verificar." contrapõe o Brites.

Ao chegar ao local do crime, ao destaparem o corpo, Brites fica calado.

É Amélia e não, não é suicídio. Foi brutalmente assassinada.

Por quem? Pela pessoa que disse que a estava a perseguir?

É o que o Brites pensa naquele momento e Lucas não diz nada.

CONTINUA