sexta-feira, 15 de fevereiro de 2019

VIDA - PARTE VI


A frase torna-se célebre, porque o Henrique descobre-as na sala ainda a rir e claro que elas acabam por lhe contar o que se passou.

Ele conta o caso na secção dele, alguém fala com os técnicos da Manutenção e estes passam a palavra ao Armazém.

O próprio Aguiar se ri com gosto e a Maria é alvo de ditos espirituosos.

Não diz nada, mas a Joana acha que não vai demorar muito até se manifestar.

" Não tenho certezas..." confessa " mas ela vai fazer alguma."

" O quê? Se fizer, só prova que é malcriada. Está sempre a criticar os outros e não aceita uma brincadeira inofensiva? Sim, inofensiva, porque mesmo a brincar, a Maria consegue ser ofensiva." observa a Clara.

" E eu que o diga." admite a Madalena " Não é ser só ofensiva, é também má!"

" Mas temos que falar nessa senhora? Estamos na nossa hora de almoço; vamos até ao Shopping ver as montras." diz a Joana.

Numa das lojas do Shopping, encontram a Maria a fazer compras.

" Vamos também entrar e ver o que ela compra." sussurra a Joana, mas as outras não acham que seja uma boa ideia.

Mas a Joana não desiste e entra na loja. 

Felizmente, a Maria está a falar com a funcionária e não a vê.

A Maria tem uma blusa estampada na mão e a funcionária está a mostrar-lhe uma saia que combina na perfeição.

A Maria decide levar as duas peças, paga e saí e a Joana tem uma ideia.

" Gostei imensa da blusa que aquela senhora comprou. Será que tem o meu tamanho? 38? " pergunta " Ah, já agora, mostra-me também a saia?" acrescenta.


CONTINUA

quinta-feira, 14 de fevereiro de 2019

VIDA - PARTE V


" Como diria a minha Mãe, não foi isso que te ensinei. Que é que ela quer? Discussões, palavrões?" pergunta a Clara.

" A minha Mãe diria para falar baixo. Podemos dizer o que queremos sem elevar a voz." remata a Joana " E, tu? O que é que a tua Mãe diria?"

" O mesmo que a tua! É o que tento fazer... só que há pessoas formatadas e não aceitam isso." confirma a Madalena.

As outras acham piada à palavra " formatada" e quando a Clara deixa cair a chávena de café, a Joana diz:

" As tuas mãos têm que ser formatadas; não é assim que se pega numa chávena." e desatam todas a rir.

" Olha que três! A rirem-se como umas tolinhas! Contem, contem, pode ser que eu ache piada!" comenta a Maria que entra nesse momento.

Contudo, elas não conseguem parar de rir e a Maria fica furiosa.

" Estão a rir-se de mim, suas idiotas?" o que faz com que a Madalena ria ainda mais.

Mas a Joana e a Clara recuperam rapidamente a serenidade e fitam-na com desprezo.

" Está a chamar idiota a quem?" e a Maria, com ar superior responde:

" Se lhe serve a carapuça..."

" Eu não uso carapuça; só uso boinas ou chapéus!" reage a Madalena.

A Maria não diz nada.  Cora violentamente e saí sem uma palavra.

A Joana engasga-se com tanto riso e tem que beber água.

A Clara tem que se sentar, pois está dorida e a Madalena tem que limpar os olhos.

" FORMATADA!" gritam as três e voltam a rir-se.

CONTINUA

quarta-feira, 13 de fevereiro de 2019

VIDA - PARTE IV


As três saem da aula bem dispostas.

Sabem que estão um pouco atrasadas, mas não se preocupam muito. Têm a certeza de que o Chefe não vai fazer qualquer comentário.

Mas faz a Maria quando as vê entrar na sala, a rir, bem dispostas.

" Entra-se às duas; já são duas e um quarto."

" E, qual é o problema? Nunca chegou atrasada?" pergunta a Clara.

" Não estamos a falar de mim; estamos a falar de si!" contesta a Maria.

" Não diga??? Porque eu lembro-me que a Maria se atrasou e serviu-se disso para dizer que os outros são incompetentes." diz a Joana.

" Quando? Quando é que foi isso? " exige saber a Maria " Deve estar confusa; eu nunca chego atrasada."

Como estão a falar alto e a atrair as atenções, a Madalena sussurra:

" É melhor parar; caso contrário, temos aqui outra discussão e não vale a pena."

A Joana suspira e senta-se. 

A Clara e a Madalena fazem o mesmo e a Maria sorri, certa da vitória.

Na pausa para o café, a Joana repete:

" Nunca chegou atrasada!!! Vou tomar nota das horas a que entra e saí e depois, veremos."

" Oh, Joana, tem calma." aconselha a Clara " Estás a entrar no jogo dela. Não sei se é a melhor opção."

" Sim, não é a melhor opção. Vamos ignorar; é melhor." concorda a Madalena " Além disso, sei que ela fica irritada com isso." continua, pois lembra-se de ter ouvido uma conversa à porta do arquivo entre a Maria e a Guida.

" O quê? Conta." pedem as outras.

" Não ouvi a conversa toda e elas calaram-se quando me viram. Por isso, não sei o que originou a conversa, mas a Maria estava a dizer que éramos todos muito passivos." conta a Madalena.

CONTINUA




terça-feira, 12 de fevereiro de 2019

VIDA - PARTE III


As discussões tornam-se diárias e o pessoal começa a sentir-se cansado, frustrado e irritado.

A Madalena queixa-se de insónias. Já a Clara diz que o médico lhe receitou comprimidos para a tensão.

Além disso, o assunto " trabalho " está interdito em casa, pois diz o marido, ela tem que " desligar " e relaxar. Caso contrário, vai ficar tão doida como as pessoas com quem trabalha.

" O meu marido diz que não compreende como permitem que diga o que diz e daquela forma. Na empresa dele, ela não durava nem um mês." comenta a Joana.

" Também não entendo. Noutro dia, falei um pouco exaltada e chamaram-me de imediato a atenção." suspira a Madalena.

" Também me aconteceu o mesmo. Até me chamaram malcriada e há quem diga palavrões e fale tão alto que toda a gente ouve... e nada!" admira-se a Clara.

" Podemos falar doutra coisa? Está um dia bonito e nós aqui a falar da má sorte!" observa a Joana.

" Pois... " as outras concordam e resolvem comer um gelado.

Para esquecer as mágoas, embora saibam que é errado... 

Mas, enquanto comparam sabores, esquecem a hostilidade, a rivalidade, a má vontade.

O médico manda a Madalena fazer desporto e o da Clara também acha uma boa ideia.

As duas tentam convencer a Joana a inscrever-se também no ginásio que escolheram, mas esta está ainda indecisa.

Contudo, naquele dia, a discussão foi tão violenta que as três ficaram completamente desorientadas.

Acharam que uma ida até ao ginásio e a uma aula de yoga as ajudaria.

A Joana também vai.


CONTINUA




segunda-feira, 11 de fevereiro de 2019

VIDA - PARTE II


Naquela tarde, a discussão foi terrível.

A colega foi arrogante, malcriada e a Madalena achou que o outro interveniente foi mais educado.

Deu a sua opinião e após isso, deixou-a a falar sozinha. 

Para ele, a discussão terminou ali, mas a outra colega insistiu no assunto e a Madalena ouviu-a gritar o nome dela.

Felizmente, estava na sala do arquivo e quando regressa, a Maria interpela-a rudemente:

" Onde é que estava? Fartei-me de chamar por si; queria que contasse ao patrão o que ouviu!"

" Tive que ir ao Arquivo; queria consultar uns processos." responde a Madalena.

" Então, não acha que tive razão?" questiona a colega.

" Não sei o que aconteceu antes para provocar a explosão." desculpa-se a Madalena.

" Não se pode contar consigo! É surda, estúpida, lenta ou quê?" e sem esperar resposta, saí da sala.

" Ups! Que situação! Julguei que lhe ia bater!" desabafa a Joana.

" Não foi só isso! Ia colocar-me numa posição muito ingrata! Presenciei a discussão, é certo, mas acho que o Aguiar teve uma certa razão." comenta a Madalena.

" O melhor seria dizer o que se passou e não tomar partido!" aconselha a Clara.

" Nem podia fazer outra coisa! Mas estou a falar da atitude da Maria! Não tinha nada que fazer queixa do Aguiar e meter-me no meio." remata a Madalena.

" Esperemos que não haja uma próxima. Eu escondo-me na casa de banho!" diz a Joana.

" Eu vou até ao Armazém." observa a Clara.

" Eu tenho que encontrar uns processos no Arquivo." concluí a Madalena.

As três riem-se.

CONTINUA




domingo, 10 de fevereiro de 2019

VIDA


" Que temporal! " queixa-se a Madalena quando entra no office.

Mas ninguém lhe responde. Estão todos entretidos a falar do que não devem, pensa Madalena.

A maior parte das vezes... não sabe do que falam. 

Estão mais interessados em discutir a vida alheia e para eles, a Madalena é estranha.

Porque gosta de ler, cinema, visita a Museus...

Percebeu isso pelos sussurros, o desvio da conversa quando entra, mas tomou a decisão de ignorar.

Muitas vezes, pensa se terá sido a decisão acertada, porque se sente muito sozinha.

E, neste dia de chuva, ainda vai ser pior.

Parece que o mau humor, a maldade vêm à superfície nestes dias...

Mas Madalena não quer pensar nisso... 

É desperdiçar o tempo, é não viver... 

E a vida é muito mais do que isso...

sexta-feira, 8 de fevereiro de 2019

EXCENTRICIDADES - FIM


A Paula hesita, mas depois diz:

" Passei por uma situação semelhante. O meu marido não queria que eu trabalhasse fora de casa; por isso, trabalhava escondida num Centro de Explicações. Um dia, um miúdo estava com muitas dificuldades com a matéria e eu atrasei-me..." interrompe-se e respira fundo.

A Flora pousa a mão na dela num gesto de conforto.

" Nesse dia, ele veio mais cedo e como não me encontrou, telefonou a todos os nossos amigos. Por isso, quando cheguei e tentei desculpar-me, ele sabia que estava a mentir. Bateu-me de tal forma que estive mais de um mês no hospital." conta a mulher a quem chamam excêntrica.

" Não sabia!" afirma a Flora e a Paula sorri.

" Claro que não sabia! Não falo sobre o assunto. Ele expulsou-me de casa, não me deixou ir buscar as minhas coisas e durante uns meses, estive a viver em casa da minha irmã. Ele já tinha sido violento, mas era mais verbalmente e nunca apresentei queixa à polícia."

" Que horror, Paula! Está divorciada?" pergunta a Flora.

" Sim, sim. Tive que recomeçar a vida do zero; não foi fácil, garanto-te. Vai haver dias complicados, mas vale a pena. Por isso, o conselho que te dou é este: procura os teus amigos, apoia-te neles, conhece pessoas novas com outras ideias e perspectivas." diz a Paula.

" Achas que resulta?" mas quem responde é a Mãe que ouviu o final.

" Claro que sim. Tem que resultar; não vou deixar que andes a lamentar-te do teu azar." e as três riem.

A Flora conta a história à Helena e à Rute, sem entrar em muitos pormenores.

Nem querem acreditar, mas concordam com a Flora.

A excentricidade foi a forma que a Paula encontrou para revelar ao Mundo que existe.

" Qual será a tua?" goza a Rute, mas a partir daquele momento, encaram a Paula de uma outra maneira.

Como alguém disse, " não julgues um livro pela capa".



FIM 

quinta-feira, 7 de fevereiro de 2019

EXCENTRICIDADES - PARTE IV


A única coisa que a Flora tem é a conta ordenado e o PPR associado.

O resto está " limpo " e o Banco lamenta, mas o Henrique tinha uma procuração.

A Paula leva-a a casa e procuram no escritório do Henrique quaisquer papéis que lancem alguma luz nos acontecimentos.

Mas, ou foram destruídos ou levou-os.

" Acho melhor telefonar ao meu amigo. Ele é advogado e pode ajudar." declara Paula.

" Mas não sabemos onde ele está!" diz a Flora.

" Talvez a agência imobiliária possa e é exactamente por isso que precisamos de um advogado. A privacidade dos dados." explica a Paula quando a Flora lhe pergunta porquê.

" O Henrique deve ter dado instruções relativamente ao pagamento. Talvez possas contestar a compra... Não sei... Tens que fazer qualquer coisa." insiste a excêntrica.

Entretanto, chega a Mãe da Flora e está muito zangada.

Encontrou a Mãe do Henrique na rua e esta virou-lhe a cara. 

Até costumavam tomar chá juntas de vez em quando, mas a D. Madalena baixou os olhos e entrou na primeira loja.

" Deve saber qualquer coisa. Não acredito que não saiba onde o filho está. " comenta, mas ao ver a cara tensa da filha, questiona " O que se passa?"

Flora conta-lhe a história toda e a senhora fica ainda mais exaltada.

" Não acredito! Também concordo com a tua colega; vamos falar com esse advogado e ver o que podemos fazer. Vou telefonar ao teu Pai!" decide.

Quando saí da sala, a Flora observa:

" Nem te ofereci um chá, Paula." mas a Paula esboça um gesto a dizer que não tem importância.

" Não quero ser intrometida, Paula, mas porque é que me estás a ajudar?"

CONTINUA

quarta-feira, 6 de fevereiro de 2019

EXCENTRICIDADES - PARTE III


Primeiro é a carta de um advogado com os papéis do divórcio já assinados pelo Henrique.

" Já estava a prever isto!" pensa Paula, mas não diz nada. Tem um amigo que é advogado, gostaria a Flora de falar com ele?

A outra carta é da Imobiliária a perguntar-lhe se poderá antecipar a data de saída. O casal que a comprou quer fazer umas obras.

" Ele vendeu a casa e não me disse nada??" questiona a Flora e a Rute e a Helena olham uma para a outra horrorizadas.

" Se o Humberto me fizesse isso... não sei o que lhe fazia!" desabafa a Helena.

" Mas tu não tens que assinar?" estranha a Rute.

" Não me lembro de nada! " confessa a Flora, muito nervosa.

" Pensa com calma." aconselha a Paula " Não estavam interessados em comprar outra casa? Não iam negociar o empréstimo? Algum seguro que iam subscrever? Mudaram da EDP para a Endesa?"

" Sim, ele mostrou-me uns documentos relacionados com um seguro e pediu para os assinar." diz a Flora " Meu Deus, será que assinei alguma procuração?"

As outras não dizem nada; têm quase a certeza de que foi isso.

" E o dinheiro? " exclama desesperada " Será que ele limpou as contas? "

" Vamos pensar nisto calmamente!" volta a repetir a Paula " Têm conta conjunta, PPR's, depósitos a prazo? "

Mas a Flora está de cabeça perdida, não sabe o que fazer, o que perguntar.

" Vamos ao Banco à hora de almoço!" decide a Paula.



CONTINUA

terça-feira, 5 de fevereiro de 2019

EXCENTRICIDADES - PARTE II


Não regressa a casa, não atende o telemóvel e mais desesperada fica a Flora quando lhe dizem que não está ao serviço há mais de seis meses.

Já nem se preocupa não ter ficado com a casa; tem muitas outras questões para resolver.

Onde é que o Henrique passa os dias? Diz sempre que está muito ocupado e tem que trabalhar até tarde.

E dinheiro? Donde vem o dinheiro?

Flora não sabe o que pensar e nem a Helena nem a Rute sabem o que dizer quando desata a chorar na casa de banho.

Acabam por a deixar sozinha para se recompor e a Flora respira fundo.

" Será melhor lavar a cara com água fria." diz uma voz.

Surpreendida, volta-se e vê a Paula que lhe estende o saquinho com a maquilhagem.

" Tenho aqui uma base para olhos. Vai disfarçar o vermelho e também pode retocar a do rosto. Esteja à vontade." convida.

Flora aceita a oferta e quando se volta a olhar no espelho, está apresentável.

" Muito melhor." elogia a Paula " Pronta? Sei que vai ser complicado, mas agora concentre-se no trabalho. Vai fazer-lhe bem. Já falou com a sua família, a dele?"

" Ainda não. Acho melhor falar sobre isto pessoalmente." confessa a Flora.

" Certo. Se precisar de alguma coisa... é só dizer." abre a porta e desaparece no corredor.

Flora sente-se um pouco reconfortada. A Paula foi prática, não se intrometeu, não deu conselhos.

Claro que não foi muito produtiva, até pediu à Paula para conferir determinados detalhes.

É com alívio que saí e vai directa a casa da Mãe que não quer acreditar na história.

Tenta falar com a sogra, com os cunhados, mas ninguém lhe atende o telefone.

Mas o pior ainda não aconteceu.


CONTINUA

segunda-feira, 4 de fevereiro de 2019

EXCENTRICIDADE


" Eu SEI TUDO!" diz a Paula quebrando o sossego da tarde

Tudo o quê? 

Mas ninguém pensa mais no assunto; afinal, ela é conhecida pela excentricidade.

Excêntrica na forma como se veste, fala com os colegas e com os clientes.

" Há ali qualquer coisa! Uma história secreta, complicada." comenta a Helena no dia seguinte.

" Eu acho-lhe piada!" confessa a Rute.

" Ela é capaz de passar um dia inteiro sem falar e de repente, não se cala. É isso que não entendo." responde a Helena.

" Mas ela sabe muito bem o que está a dizer. Acho que encara a vida como um jogo e diverte-se a jogar connosco." observa a Flora, calada até aí.

" Um jogo? " repetem as outras duas, mas a Flora abana a cabeça e levanta-se.

O que a Paula diz ou faz, é o menor dos seus problemas. 

Porque é que o Henrique não responde ao SMS? 

Têm que dar uma resposta hoje, ou perdem a casa e ela gostou muito da disposição, da luz que entra nas salas.

Mas o Henrique está num motel na companhia de uma outra mulher.

CONTINUA

domingo, 3 de fevereiro de 2019

OS NOVOS INSPECTORES - FIM


O Pai quer saber tudo, se é quem pensa, é um bando perigoso, tens que dizer tudo, filho.

Bernardo fica assustado e conta o que sabe.

O Pai telefona para casa do Francisco e vai até lá buscar o telemóvel.

" Até isto ficar resolvido, nada de saídas para aquelas bandas!" decreta a Mãe que nem quer pensar nos perigos.

Bernardo não entende o discurso, afinal, não se aproximaram dos homens, tem a certeza que não os viram.

É o que explica aos outros via Hangouts do Gmail, uma vez que está sem telemóvel.

Na manhã seguinte, apesar da proibição, estão lá todos.

" Oh, pá, porque é que deixaste o telemóvel na cozinha? " repreende o Luís.

" Tive uma pequena discussão com a minha irmã e os meus Pais não gostaram!" defende-se o Bernardo.

" Deixem disso!" aconselha o Gonçalo " O teu Pai disse alguma coisa?"

" Não, nada a não ser que é um bando perigoso e que andam atrás deles há algum tempo. Não mo disse; ouvi-o explicar à minha Mãe!" conta o Bernardo.

" O meu Pai também não está muito contente. Disse-me tantas coisas que fiquei com a cabeça à roda!" confessa o Francisco.

" Calem-se.... Estão a ouvir isto?" pergunta o Luís.

Ouve-se nitidamente um carro a travar e os quatro escondem-se rapidamente.

São os mesmos homens que o Francisco viu a descarregarem outra caixa.

Nem tiverem tempo de fazer conjecturas, pois aparecem homens vindos da esquerda, da direita e uns até estão no topo da gruta.

Os homens deixam cair a caixa e tentam escapar, mas não têm qualquer hipótese.

Estão cercados pela Equipa de Intervenção Rápida da Judiciária, segreda o Bernardo aos outros.

" É assim que se chama?" estranha o Francisco, mas o Gonçalo manda-os calar.

Quer assistir a tudo e é necessário que não os descubram.

Para grande desilusão deles, não abrem a caixa; carregam-na numa das carrinhas e em poucos minutos, o local fica vazio.

" E, agora, o que fazemos? O nosso caso está encerrado?" diz o Luís.

" Nem sequer começou!" responde o Gonçalo " Se tu não tivesses discutido com a tua irmã..."

" O meu Pai não fala dos casos em que trabalha em casa. A Mãe diz que a casa é para ele relaxar." contesta o Bernardo.

" Não há forma de saber o que acontece? " pergunta o Francisco.

" Sim, pelas notícias." observa o Gonçalo.

Desapontados, separam-se e passam o resto do dia em casa.

A semana passa e as reuniões secretas na cabana estão esquecidas.

Os Pais estão admirados, eles raramente estavam em casa.

Até ao dia em que o Gonçalo convoca uma reunião de emergência.

Ele e o Luis ganharam um Prémio e têm que fazer um discurso de agradecimento.

E, porque não ensaiar em frente de tão poderosos críticos?

" Achas que pode acontecer alguma coisa interessante nesse evento?" refila o Bernardo.

" Quem sabe? Podem assassinar o Mestre de Cerimónias e ser preciso a nossa intervenção!" comenta o Gonçalo.

Não é que é isso mesmo que acontece?

Mas isso fica para uma outra história.


FIM





sexta-feira, 1 de fevereiro de 2019

OS NOVOS INSPECTORES - PARTE VI


Enquanto esperam, o Bernardo abre o bloco e trabalha na banda desenhada de sua autoria.

O Luís e o Gonçalo concentram-se em exercícios de Matemática extremamente complicados e o Francisco anda de um lado para o outro a fotografar com a câmara digital que recebeu nos anos.

É, por isso que é o primeiro a aperceber-se que chega um carro. 

Dá um assobio para alertar os outros e juntos, observam um homem de fato de treino cinzento a entrar na gruta.

A coberto das árvores, embora o Gonçalo o tente impedir, Bernardo consegue tirar várias fotos do Jeep.

Luís fez o mesmo relativamente ao homem que surge, entretanto, com a mala na mão.

Será que a vai abrir? Os quatros olham uns para os outros e tal como o Luís tinha sugerido, o homem consulta o telemóvel, pousa a mala no capot e introduz a senha.

Estão longe demais para ver o que é, mas o homem fica satisfeito, volta a introduzir a senha e atira a mala para o assento traseiro, arrancando de seguida.

As especulações são mais que muitas, mas não chegam a conclusão nenhuma.

Almoçam, dormitam e voltam para casa.

O resto da tarde foi um desperdício, pois ninguém deixou mais nada na gruta.

Combinaram encontrar-se lá no dia seguinte e nessa noite, por grande azar, o Bernardo esquece-se do telemóvel desbloqueado na mesa da cozinha.

O Pai vê-o e ao levá-lo para cima, repare nas fotos do Jeep.

Fica curioso ou não fosse ele Inspector da Judiciária.

CONTINUA


quinta-feira, 31 de janeiro de 2019

OS NOVOS INSPECTORES - PARTE V


Quando chegam à gruta e ao nicho, alguém retirou as tábuas e a caixa não está lá.

Está uma mala metálica que os rapazes tentam abrir. Mas está fechada com um segredo, afirma o Luís.

" Se calhar, mandam a combinação por SMS. Só a pessoa que o recebe é que a pode abrir." e o Gonçalo concorda.

" Deixem-me tirar uma foto!" pede o Bernardo que tem registado tudo com o telemóvel.

" O que é que estás a fazer? No tempo do Inspector Maigret, não havia telemóveis!" protesta o Gonçalo.

" Mas isto é um crime do século XXI!" contrapõe o Bernardo e os outros concordam.

" E, agora? O que vamos fazer? " pergunta o Francisco " Alguém deve vir buscar esta mala!"

" Vamos montar uma operação de vigilância como nos filmes?" sugere o Luís excitado com a ideia.

" Sim, não acredito que esta mala fique aqui muito tempo!" acrescenta o Bernardo.

" Ok, vamos dizer às nossas Mães que queremos fazer um piquenique e procuramos um sítio onde seja possível ver a gruta, mas não nos verem." declara o Gonçalo.

" Há uma clareira aqui perto, acho que é esconderijo perfeito." e o Francisco aponta para um grupo de árvores muito juntas.

O Gonçalo duvida que seja possível passar por elas mas verifica que é apenas uma ilusão de óptica.

O Luís oferece-se para ficar enquanto os outros correm até às respectivas casas.

Quando regressam com o piquenique, o Bernardo diz ao Luís que passou por casa dele e convenceu a Mãe a mandar-lhe uma merenda.

" E, a minha Mãe que disse? " pergunta o Luís.

" Diz que tens que estar em casa até às seis; caso contrário, não há piqueniques à pressa durante umas semanas." ri-se o Bernardo.

CONTINUA

quarta-feira, 30 de janeiro de 2019

OS NOVOS INSPECTORES - PARTE IV


" Oh, pá, anda lá! De que é que estás à espera?" refila o Luís, mas o Francisco está a saborear o momento.

" Alguém deixou uma caixa na gruta!" diz devagarinho.

" Quem? Que tipo de caixa? O que contém?" falam todos ao mesmo tempo.

" Dois homens tiraram uma caixa grande de um carrinha branca e levaram-na para a gruta. Esconderam-na no nicho da esquerda e taparam-na com tábuas!" esclarece o Francisco.

" Só isso? Não falaram? Não disseram nada sobre o conteúdo da caixa?" pergunta o Gonçalo.

" Um perguntou isso, mas o outro disse-lhe que era melhor que ele não soubesse." explica o pseudo médico-legista.

" Será um corpo?" sugere o Bernardo.

" Droga? " comenta o Luís e olham todos para o Gonçalo à espera que este se pronuncie.

" Ou armas!" diz o Inspector Maigret com um olhar distante.

" O que vamos fazer agora? Explorar a gruta? " diz o Bernardo, mas o Luis é contra.

Está a escurecer, têm que ir para casa. Não têm lanternas, não vão ver nada.

Melhor irem no dia seguinte, afinal todos conhecem a gruta e por isso, combinam encontrar-se lá.

" Não se esqueçam de levar uma lanterna! E, prestem atenção às notícias, pode ser que falem de alguma coisa." comunica o Gonçalo.

" Como, por exemplo? " questiona o Francisco.

" Desaparecimento de alguém, roubo de armas... qualquer coisa desse gênero!" responde o Bernardo, impaciente.

No dia seguinte, ninguém se atrasa, mas antes de entrarem na gruta, o Gonçalo quer que o Francisco lhe mostre onde estacionaram a carrinha.

Voltam à clareira, o Francisco marca o local e Luís diz, todo importante:

" Vê-se bem a marca das rodas e como arrastaram a caixa." 

" Schiu!" recrimina o Gonçalo " Vamos lá seguir o percurso dos homens."

CONTINUA




terça-feira, 29 de janeiro de 2019

OS NOVOS INSPECTORES - PARTE III


Os homens estão cansados quando chegam à gruta.

O mais velho diz: " Vamos descansar um bocado antes de a colocarmos lá dentro."

O outro, não terá mais de 30 anos, mas o Francisco não é bom a avaliar as pessoas, concorda e pergunta:

" Afinal, o que está dentro da caixa?" mas o outro abana a cabeça e repete:

" Não queiras saber! É melhor para ti!" e levanta-se. 

Desaparecem no interior da gruta, Francisco avança um pouco mais. 

Os homens não avançam muito, deixam a caixa num nicho à entrada e põem umas tábuas a tapar.

" Vamos embora." e o Francisco esconde-se no outro nicho.

Espera que não o vejam, encosta-se bem à parede, mas os homens estão com pressa.

O rapaz aguarda uns minutos e saí por sua vez.

Avança com cuidado, mas a carrinha já não está na clareira.

Francisco corre até à cabana onde os outros discutem a próxima cena.

" Onde é que estavas?" pergunta o Gonçalo " Já descobrimos o morto; precisávamos do médico-legista e tu... desapareceste!"

" Esquece isso, porque eu vi um verdadeiro crime!" responde o Francisco.

Os outros bombardeiam-no com perguntas, mas Francisco demora o seu tempo a explicar a situação.

CONTINUA


segunda-feira, 28 de janeiro de 2019

OS NOVOS INSPECTORES - PARTE II


" Janvier, recebi um telefonema muito estranho..." diz Gonçalo.

" Mas eu não ouvi o telemóvel a tocar." atalha Francisco e Bernardo dá-lhe de imediato uma sapatada.

" Isto é a fingir, vê se entendes, pá! O meu Pai diz que a acção se passa nos anos 50 e nessa altura, não havia telemóveis!" concluí o " Inspector Janvier".

" Bolas, como é que era possível viver assim?" pergunta o Francisco.

" Não sei, mas o meu avô diz que era possível." explica o " Inspector Laponte".

Francisco fica calado, enquanto Gonçalo na pele do Inspector Maigret pede ao Janvier para ir até ao Café do Cais e tentar descobrir se esteve lá alguém que utilizasse o telefone fixo.

" Não entendo nada desta história! " lamenta-se o Francisco, mas os outros nem lhe ligam.

Estão concentrados nos papéis e no desenrolar da acção.

Cansado de não fazer nada, o Francisco saí da cabana e resolve ir até ao riacho.

Não deve ir, principalmente porque choveu e o chão está escorregadio, mas ele quer lá saber.

Está entretido a atirar pedras para a água quando ouve um ruído estranho.

Parece um carro a travar, mas aqui, neste tipo de chão? Francisco acha curioso e começa a andar naquela direcção.

Pum! É uma porta... Francisco aproxima-se mais, há ali um arbusto e ele corre até lá.

É uma carrinha, uma das portas laterais tem uma grande mossa e a bagageira está aberta.

Dois homens estão a tirar uma grande caixa.

" Onde é a tal gruta?" pergunta um e o outro aponta para um grupo de árvores a cerca de 50 metros.

Francisco segue-os curioso. Sabe muito bem de que gruta falam.

CONTINUA


domingo, 27 de janeiro de 2019

OS NOVOS INSPECTORES


" Hoje, vamos encenar um episódio daquela série da FoxCrime." anuncia o Gonçalo no início da reunião semanal do Bando da Árvore.

" Do MacGyver?" pergunta o Francisco " Saltar de aviões, de arranha-céus, essas coisas? "

" Não, parvo, isso é no AXN. Só pode ser a Testemunha Silenciosa ou o Father Brown. Aviso já: não faço de padre! Ou de mulher!" observa o Luís.

" Nada disso! Estou a falar do Inspector Maigret!" esclarece o Gonçalo.

" Mas esse gajo é muito chato! Só pensa e fuma cachimbo!" refila o Bernardo, calado até aí.

" Os polícias não andam sempre aos murros e pontapés!" diz o Francisco e Bernardo interrompe de imediato.

" O que é que tu sabes disso? Confundiste o AXN com o FoxCrime e és um perito???"

" Ordem!" e o Gonçalo bate com o martelo na mesa, a impor silêncio. " Eu vou ser o Inspector Maigret, o Bernardo é o Janvier..."

" Jan... quê? repete o Bernardo.

" O outro Inspector, vais gostar dele. Tem uma arma... O Francisco pode ser o médico-legista e o Luís é o outro Inspector, o Laponte." concluí Gonçalo, satisfeito com a distribuição dos papéis.

" Vou trabalhar com os mortos!" lamenta-se o Francisco, mas Luis apressa-se a explicar.

" O que tu encontrares nos mortos... pode ser importante para a investigação!" e o Francisco fica mais satisfeito.

" Então, vamos começar..." e Gonçalo respira fundo.

CONTINUA

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Aos meus comentadores, fica um desafio:

1 - este " crime" vai ser apenas uma encenação
ou vão encontrar mesmo um corpo?
2- vão fazer uma investigação paralela à da
polícia?
3 - vão ficar em perigo?

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e deixem um dica.