sexta-feira, 18 de janeiro de 2019

ZECA - PARTE V


Nessa noite, numa casa a brilhar e com o frigorífico cheio de coisas básicas (deve ter sido a Lúcia, pensa), Zeca ri-se.

A viagem até à empresa foi divertida, com a D.Conceição a dizer piadas e as outras senhoras a contarem as peripécias do dia.

" É sempre assim?" pergunta ao Loureiro quando se despediram e o motorista acena que sim.

Espera não chegar atrasado ao ponto de encontro no dia seguinte e já está a estudar no Google Maps um trajecto alternativo.

Ao fim de uma semana, já estabeleceu o seu próprio trajecto e com a ajuda do Tiago, que é engenheiro informático, descarregou uma aplicação que lhe permite registar o horário de cada senhora, o local de encontro e recolha, a entrega de materiais, etc.

Lúcia suspira de alívio e Gonçalo diz que não esperava que se empenhasse tanto.

" Se calhar, o Zeca não gosta é de estar dentro de um escritório." confessa " O Loureiro diz que ele é muito engraçado e as senhoras até parecem triste quando é ele quem as vai buscar."

" Ainda bem. Falei com o Tiago noutro dia, ele também acha que ele está diferente. Já não está tão agressivo, está mais relaxado e até se inscreveu num ginásio." conta a Lúcia.

" O Zeca num ginásio? Quem diria? " repete o Gonçalo e riem.

Combinaram sair com uns amigos e ficam surpreendidos quando se cruzam com o Zeca, o Loureiro e algumas das senhoras no Centro Comercial.

" Por aqui? " pergunta Lúcia.

" Sim, combinamos jantar juntos uma vez por mês e como todos gostamos do MacDonald's, é para lá que vamos. " explica o Zeca " E vocês? "

" Comer qualquer coisa e depois ao cinema." responde o Gonçalo.

Despedem-se e a D.Conceição diz:

" Ups, que a mulher do Dr Gonçalo é bem jeitosa. Mas também o Dr Gonçalo não é de se deitar fora...."

" OH, D. Conceição, nada de cobiçar o meu cunhado!" repreende amavelmente o Zeca.

" Oh, bonitinho, acha que o seu cunhado vai trocar aquela mulher jeitosa por uma velha como eu???" 


CONTINUA

quinta-feira, 17 de janeiro de 2019

ZECA - PARTE IV


" Não me digas que tens um código de conduta na tua empresa!" zomba o Zeca.

" Tive que o fazer. Houve um caso de assédio e tive que actuar rapidamente." responde o Gonçalo e o Zeca abre a boca de espanto.

" Vocês são doidos!" repete, mas Lúcia não se contém e diz:

" José Amadeu, não digas parvoíces. Queremos ajudar-te e não vais andar por aí a gastar dinheiro com bebidas, actividades e amigos duvidosos. Vais ajudar o Gonçalo, precisam de um outro motorista.... Não, não, deixa-me acabar." pede.

" Queres arranjar um emprego adequado ao teu diploma..." e Gonçalo frisa a palavra " certo, tudo bem. Mas até lá, a tua irmã tem toda a razão!"

" Quem nos avisou foi o Tiago. Encontrou-te à saída do bar, levou-te a casa e como viu que não estavas bem, telefonou-nos. Deixa de ser egoísta, está visto que tens bons amigos, usufrui disso, da tua família." explica Lúcia.

Por isso, contrariado, o Zeca entra no carro do cunhado e passa a tarde na empresa.

Saí com o outro motorista para conhecer a rota e este confessa-lhe que bem precisa de uma folga.

" O Dr Gonçalo fez o serviço uns dias, mas eu não me sentia bem deixá-lo sozinho por mais tempo." desabafa " Isto não tem nada que saber, vai ver." e explica que o ponto de encontro da equipa das sete da manhã é na empresa.

Há uma outra equipa que começa às dez, mas o ponto de encontro é na Praça.

" O mais aborrecido é o regresso, pois tem que as ir buscar à Praça, à Rotunda e levá-las à empresa, à estação Central de Metro." concluí.

" Não há problema. E a carrinha, deixo-a na empresa? E gasolina, limpeza?" pergunta Zeca.

" Temos um contrato com uma garagem perto da empresa. Se tiver qualquer problema, pergunte pelo Abílio." explica o motorista.

Entretanto, chegam à Rotunda e entram três senhoras muito bem dispostas.

" Aqui a D.Conceição está sempre a dizer piadas." confidencia o Loureiro.

CONTINUA


quarta-feira, 16 de janeiro de 2019

ZECA - PARTE III


Como a equipa de limpeza chega entretanto e o assunto a discutir é delicado, decidem almoçar na casa deles.

Os miúdos almoçam no colégio e a governanta já deve ter saído.

Lúcia prepara qualquer coisa rápida para comerem e vai directa ao assunto, assim que sentam à mesa.

" Agora que foste despedido, o que tencionas fazer? "

Zeca encolhe os ombros e diz: 

" Sei lá! Gozar a vida!"

" Embebedares-te e dares cabo da cabeça aos outros?" pergunta Lúcia.

" O que queres que eu faça? Trabalhe como motorista para o Gonçalo?" zomba o irmão.

" É capaz de ser boa ideia! Levas as senhoras aos locais de trabalho, entregas os produtos e vais buscá-las." responde a irmã muito séria.

Zeca fica estupefacto; disse aquilo a brincar, mas a irmã está seriamente a pensar no assunto.

" Talvez fiques mais humilde, mais normal." continua Lúcia.

" Mas eu tenho um diploma!" protesta Zeca.

" Vê-se o que fazes dele! " intervém o Gonçalo " O que é que se passou para eles te despedirem?"

Zeca explica o que aconteceu e tanto Gonçalo como Lúcia estão horrorizados.

" Mas estás parvo ou quê?" exclama Lúcia " Não admira que tenham tomado essa atitude. Não trataste dos assuntos convenientemente, mostraste-te desinteressado, indiferente, ainda por cima, foste malcriado, arrogante..."

" Aquilo era uma parvoíce!" repete o irmão.

" Não, não é. Há muitas empresas a aderir a esse tipo de código para facilitar a comunicação e evitar esse tipo de situações." explica Gonçalo.

CONTINUA

terça-feira, 15 de janeiro de 2019

ZECA - PARTE II


A irmã e o cunhado ficam aterrados quando entram no apartamento.

Não sabem o que está pior: o Zeca com cabelo comprido, olhos inchados e boca pastosa, mal se percebe o que ele diz ou o apartamento.

" Credo!" exclama Lúcia " Isto não deve ser limpo desde que a Vitória se foi embora!"

" Não me fales dessa sacana!" murmura o Zeca.

" Sacana?" insurge-se a irmã " Oh, Zeca, agrediste-a violentamente em frente de centenas de testemunhas. Partiste-lhe o maxilar e um braço e não satisfeito com isso, tentaste impedi-la de ver os filhos."

"É melhor pensares melhor; tu é que foste um sacana!" diz o Gonçalo.

Zeca levanta-se do sofá, pronto para agredir o cunhado, mas Lúcia segura-lhe o braço.

" Vai tomar banho e mudar de roupa. Temos que conversar." e Zeca entra no quarto.

Lúcia e Gonçalo olham um para o outro; a prioridade é limpar o apartamento, mas sinceramente não sabem por onde começar.

" Talvez seja melhor pedires a uma das tuas equipas para fazer esse serviço." sugere Lúcia enquanto abre as janelas.

" Sim, sozinhos não vamos conseguir." concorda o marido que telefona para a empresa onde trabalha.

Por sorte, ainda estão a atribuir tarefas e uma equipa virá dentro de uma hora.

" Vamos tratar do lixo; não quero que vejam todas estas garrafas." suspira a irmã.

Entretanto, Zeca está a acabar de se arranjar. Encontrou uma toalha limpa no fundo do armário e a camisa está um pouco enrugada, mas apresentável.

Quando volta à sala, encontra o Gonçalo com um grande saco do lixo cheio de garrafas na mão.

" O que é que estão a fazer?"

CONTINUA

segunda-feira, 14 de janeiro de 2019

ZECA


" Não estás a ser generoso com a bebida... mesmo nada! " queixa-se o Zeca nessa noite no Bar da Esquina.

" Não acha que está a beber demais? " pergunta o barman pacientemente " Não tem que trabalhar amanhã? "

" Não, despediram-me... De um dia para o outro! Como se fosse um cão!" responde o Zeca vivamente.

O barman encolhe os ombros, mas recusa-se servir-lhe mais uma bebida.

O Zeca zanga-se, deita umas moedas em cima do balcão.

Na rua, encontra o amigo Tiago que se prontifica a levá-lo a casa.

" Não quero ir para casa! Não tenho casa para voltar!" grita o Zeca, mas o Tiago lá o consegue convencer a entrar no carro.

Chegados a casa. o Tiago, com a ajuda de um vizinho que entrava naquele momento,  empurra-o suavemente para dentro do elevador.

O Zeca está a cantar baixinho e Tiago pensa no que terá sucedido para estar naquele estado.

A casa está desarrumada e Tiago apressa-se a abrir uma janela.

" Oh, Zeca, há quanto tempo não limpas esta casa???" mas o Zeca deixa-se cair no sofá e adormece.

Tiago suspira, procura uma manta no quarto, tão sujo como a sala e cobre-o.

Volta a fechar a janela e ao pousar a chave na mesa do hall, vê a carta de despedimento.

" Oh, Zeca, o que é que fizeste?" murmura baixinho e saí.

Quando conta à mulher, esta encolhe os ombros e sugere:

" Telefona à irmã dele... Ela é que tem que tomar uma atitude."

CONTINUA

sábado, 12 de janeiro de 2019

O CÓDIGO DE CONDUTA - FIM


A empresa abre um processo disciplinar e o Zeca é despedido.

A Justa é transferida para aquela secção para ocupar o lugar e a Isabel acha que a situação vai melhorar.

Efectivamente, o resultado da avaliação foi excelente, mas Isabel fica um pouco sentida por não ter sido promovida.

" Não te preocupes, porque vais ser promovida. Tenho a certeza absoluta." consola Justa.

" Ok, mas quando?" pergunta Isabel desanimada.

" Estas coisas levam tempo... Querem que a poeira assente." diz Justa, referindo-se ao processo disciplinar e ao despedimento do Zeca.

" Pois..." concorda Isabel e desvia o assunto para uma encomenda pendente.

O ano passa, a Justa adapta-se bem ao novo posto de trabalho e Isabel até está a planear umas férias no Hawai.


Pouco tempo depois de regressar de férias, recebe a promoção tão desejada.

As duas amigas resolvem celebrar, indo a um jantar dançante num restaurante que o marido de Justa descobriu.

Os dois casais divertiram-se imenso, estão satisfeitos com o rumo da vida.

Do Zeca, ninguém sabe o que lhe aconteceu.

Quanto à Beatriz, embora todos sejam profissionais e a tratem com educação, desconfiam um pouco dela.

Acham que ela foi precipitada... o assunto poderia ter sido resolvido de uma maneira mais discreta....


FIM




sexta-feira, 11 de janeiro de 2019

O CÓDIGO DE CONDUTA - PARTE V


A Justa é a primeira a sair, combinam tomar café na manhã seguinte antes de entrarem e já em casa, a Isabel explica tudo ao marido.

Este acha que a atitude do Zeca não está a ser correcta, nem para a empresa nem para os colegas e concorda com todas as sugestões que a Isabel fez na dita caixa.

E, já que o trabalho dela não está em questão, é continuar a manter essa coerência, diz.

Isabel está mais animada quando entra ao serviço, mas encontra uma Beatriz muito contrariada a tentar organizar os dossiers do Zeca que o chefe lhe entregou.

" Já viste isto? Não sei.... não sei mesmo o que é que ele andava a fazer." desabafa mal a vê.

" Porquê? O que se passa? Queres ajuda? " pergunta Isabel.

" Sei lá o que quero...Isto parece ter sido processado, mas o cliente está a reclamar..." diz Beatriz " Vou ter que falar com o chefe; tenho a impressão de que o Zeca tem mentido ao chefe..."

" Pois... o processo que o chefe me entregou ontem, está uma verdadeira miséria. Vou ter que fazer tudo de novo; por isso, fala com o chefe." sugere Isabel.

Com a organização do trabalho, a apresentação de um plano ao chefe, Isabel não pensa mais na conversa que teve com a Beatriz naquela manhã.


Por isso, fica muito surpreendida quando o escândalo rebenta.


A Beatriz apresenta uma queixa contra o Zeca e esta fica registada no portal da empresa.


" Provavelmente, vão abrir um processo disciplinar..." observa Justa.


" Achas que sim?" questiona Isabel.


" Sim, mencionam isso no código. Compreendo o ponto de vista da Beatriz..." continua a Justa " mas não sei se não o resolveria de outra maneira."


" O Zeca deixou tudo desorganizado, não sabemos se concluiu ou não os processos, há duas ou três reclamações...mas acho que bastava apenas dar conhecimento ao chefe." concorda Isabel.


" Na queixa, a Beatriz escreveu " devida à sobrecarga de trabalho, cuja causa está na incompetência da pessoa em questão e não por doença/impossibilidade física e/ou mental da mesma". " cita Justa.


As duas colegas não sabem o que pensar.



CONTINUA


quinta-feira, 10 de janeiro de 2019

O CÓDIGO DE CONDUTA - PARTE IV


Zeca saí furioso do gabinete do chefe e diz alto:

" Já viram isto? Estou suspenso por dez dias!" e pega na carteira, no casaco, abandonando a secção com um ar de desafio.

Deixa a secretária desarrumada, o computador ligado e a Beatriz, que trabalha ao lado, anuncia de imediato que não esperem que ela faça esse serviço.

O Chefe parece ter envelhecido dez anos, suspira e dá um dossier à Isabel com o pedido de " veja o que pode fazer. Talvez seja melhor começar do princípio...".


É ele que dá uma arrumadela à secretária do Zeca, entrega uns dossiers à Beatriz, que não se atreve a protestar e desliga o computador.


" Não sei o que aconteceu, mas eu vou seguir o conselho do chefe e recomeçar..." conta a Isabel à Justa enquanto esperam pelo autocarro ao fim da tarde.


" O que é que o Zeca fez?" pergunta Justa curiosa.


" As cores estão tão mal que eu não entendo como teve a coragem de as apresentar ao cliente. Este rejeitou e pediu para falar com o chefe. A discussão foi por isso. Ainda por cima, ninguém no laboratório sabe onde estão as cores originais."  diz a Isabel.


" O que vais fazer? Pedir novas cores ao cliente? Isso vai causar uma impressão tão má...." e Justa suspira, ao analisar as implicações. 


" É isso que terei que fazer e o chefe diz para analisar bem as margens de custo para cotar um preço aceitável. Aquele Zeca é mesmo um cowboy... Desde que se divorciou, anda transtornado." diz Isabel enquanto faz sinal ao autocarro.


" Segundo constou, foi um divórcio pouco amigável... Mas o Zeca deve ter feito alguma coisa grave para ela sair de casa com os filhos e lutado para ficar com a custódia total." continua quando se sentaram.


" Violência doméstica? Apanhou-o em flagrante com alguém? " mas Isabel não sabe.


Zeca recusou-se a falar no assunto e souberam do divórcio, porque o marido da Beatriz é advogado e viu-o no Tribunal.



CONTINUA


quarta-feira, 9 de janeiro de 2019

O CÓDIGO DE CONDUTA - PARTE III


Abrem-se portas, há vozes nos corredores e alguém começa a descer as escadas.

Justa tem que tomar uma decisão rápida. 

Abre a porta que dá para o jardim, sussurra um " Rápido" e os outros seguem-na.

" Isto tem que parar." diz sensatamente " A Isabel tem todo o direito de falar com os Recursos Humanos e tu, Zeca, também o deves fazer já que estás contra. Agora, vamos almoçar, voltar para as respectivas secções e deixamos que a situação se resolva."

Isabel é a primeira a concordar. Zeca está relutante, mas acaba por aceitar os argumentos de Justa.

São os últimos a entrar na cantina e por isso, têm que comer o que ainda há disponível.

À saída, Isabel encontra a Directora dos Recursos Humanos e pergunta-lhe se pode marcar uma reunião com ela.

Madalena olha para o relógio e responde:

" Estou livre às três. Apareça por lá e falamos." e com um sorriso, afasta-se.

Isabel faz uma lista dos pontos que quer esclarecer e a Madalena esclarece tudo claramente.


Até lhe explica como aceder ao portal da empresa e deixar as sugestões na dita caixa.


Quando se prepara para sair, Madalena observa:


" Isabel, sei que tem sido um ano complicado. Temos observado o seu trabalho, sabemos como a Isabel é coerente, eficiente, uma boa profissional. Em parte, este código é para evitar casos como o que aconteceu o ano passado, mas queria assegurar-lhe, Isabel, que o seu trabalho nunca esteve em causa."


Isabel não sabe o que responder, balbucia um "obrigada" e regressa ao gabinete.


O Zeca está a falar com o Chefe e a conversa parece intensa.


" O que é que aquele idiota está a fazer? Será que não sabe pensar?" murmura Isabel.



CONTINUA

terça-feira, 8 de janeiro de 2019

O CÓDIGO DE CONDUTA - PARTE II


" O Zeca não está a aceitar isto muito bem." observa Justa.

" O Zeca é um grande egoísta. Não quero dizer que não tenho as minhas dúvidas relativamente ao código, mas se impedir que certas pessoas se armem em cowboys... assino já!" diz Isabel.

" O que se passou exactamente? Ouvi uns rumores, mas ninguém quis discutir o assunto!" comenta Justa.

" Por causa daquela confusão, fomos todos chamados à atenção e toda e qualquer decisão que se tome tem que ser justificada. Não basta dizer que te pareceu ser a mais correcta; tens que explicar tudo. A culpa foi do Zeca que não quis ouvir a opinião de ninguém, quase perdíamos o cliente e agora, não faz nada sem o conhecimento do chefe. Os outros têm uma certa liberdade, mas o chefe pode pedir-te esclarecimentos a qualquer momento e tens que estar pronta para isso." desabafa Isabel.

" É frustrante, sim, teres que justificar o teu plano de trabalho." concorda Justa e volta a ler o código.

Há pontos positivos, mas há outros que são um pouco polémicos como o "dever de lealdade para com a empresa".


As pessoas gostam de falar, de dizer mal e muitas vezes, não compreendem como um comentário indiscreto pode destruir uma empresa.


Isabel interrompe-a, comunicando-lhe que vai falar com os Recursos Humanos.


" Afinal, eles dizem que podemos esclarecer quaisquer dúvidas e fazer sugestões. Por isso, vou falar com a Madalena e ver o que ela me aconselha."


" O QUÊ?" grita o Zeca que entra nesse momento " Vais discutir com os Recursos Humanos este absurdo?"


Isabel não se contém e grita também:


" Um absurdo és tu falares de alto quando não tens razão para tal!"


" Schiu!" pede Justa, pois é hora de almoço e eles estão no corredor que leva à cantina.



CONTINUA


segunda-feira, 7 de janeiro de 2019

O CÓDIGO DE CONDUTA


" Não vou assinar esta...." Zeca solta um palavrão e Justa diz ajuizadamente.

" Olha que podem considerar isso como "comportamento ameaçador "."

" Quero lá saber!" afirma Zeca " Isto só pode ter sido ideia dos auditores."

" Mas se a empresa quer trabalhar com marcas internacionais e estas impõem..." comenta Justa.

" Quero lá saber!" repete Zeca agressivamente " Não vou assinar!"

" Claro que vais assinar; vais pôr o teu posto de trabalho em risco?" interrompe Isabel, calada até aí.

" Já viste a estupidez disto? " pergunta Zeca e pega novamente no código de conduta que a empresa pediu que todos os funcionários lessem e assinassem " Os colaboradores devem ouvir e seguir os conselhos e recomendações dos seus superiores..." lê " Isto é interferir na minha liberdade..."

" Na tua liberdade??? Não sejas parvo! Já te esqueceste da confusão que provocaste com a tua liberdade com a encomenda daquele cliente?" interrompe Isabel, indignada " É para evitar esse tipo de situações que esse item existe."

" Ah, tu concordas?" observa Zeca " És uma traidora!"

" Uma traidora? Essa é forte! Mas quem és tu para me julgares?" observa Isabel e Justa acha melhor intervir, pois aqueles dois estão a ficar muito exaltados.

" Eu interpreto esse item como uma forma de comunicação entre colaboradores e superiores. Dizem que tens que ouvir e seguir os conselhos, mas não dizem que não podes expor a tua opinião. Se não concordarem e tiveres que fazer o que pedem... a responsabilidade já não é tua." 

Isabel fica calada e concluí que Justa tem uma certa razão.

Mas Zeca recusa-se a ouvir e saí da sala para fumar um cigarro.

CONTINUA

sábado, 5 de janeiro de 2019

O DIABINHO - FIM


O que se passa a seguir é tão confuso que a D.Clotilde acha que está a ter um pesadelo.

Chama-se o INEM, estes tentam reanimar Luísa e quando confirmam o óbito, a senhora só se lembra do grito de dor da Mãe.

Natália é a primeira a aparecer; pede a Teresa, a ama, para fazer as malas das meninas e levá-las para casa dela.

O Dr Lemos chega também, desesperado, a pedir explicações que ninguém lhe sabe a dar. Foi suicídio, ataque cardíaco fulminante, hemorragia interna? Digam-me, tenho que saber, lê-se no olhar.

A casa enche-se de pessoas consternadas, a tentarem explicar ao Dr Lemos que não tem qualquer culpa, que fez o possível, mas ele continua a recriminar-se.

Quando chega a casa, a D. Clotilde desata a chorar tão violentamente que o marido e os filhos temem que lhe dê alguma coisa.

Claro que é uma violência, dizem, talvez não haja explicação, mas a única coisa a fazer é apoiar o marido e as meninas.

Uma semana ou duas depois do funeral, Teresa volta a casa com as meninas.

O Dr Lemos agradece-lhes todo o apoio, caso seja necessário alguma coisa para a casa e para as meninas, por favor falem com ele.

A vida continua, as meninas crescem e a D.Clotilde só lamenta que o Dr Lemos não volte a casar.

Até poderá ter uma amiga especial, é um homem novo, mas as únicas mulheres que entram naquela casa são as da família.

Mas claro que a D.Clotilde não diz nada... Não lhe compete e não se pode queixar...

Tem um bom emprego, adora as meninas que são como se fossem filhas.


FIM

sexta-feira, 4 de janeiro de 2019

O DABINHO - PARTE VI


Na cozinha, o Dr Lemos prepara um café e a D.Clotilde estende a manta para a Joaninha se sentar e brincar.

O doutor parece distraído e a senhora acha melhor não dizer nada. Continua a trabalhar, respeitando o silêncio.

Antes de sair, o Dr Lemos explica-lhe que já contratou alguém para tomar conta das meninas e da mulher.

Contudo, a pessoa só poderá entrar ao serviço na semana seguinte e até lá, a família vai ajudar.

Ainda bem, pensa a D.Clotilde no fim daquela semana, pois a D. Luísa recusa-se a sair do quarto, a mãe tem que a obrigar a sair da cama e tomar um duche.

Quanto a ver as crianças, fica histérica com a ideia e houve um dia em que se trancou na casa de banho, porque a avó entrou no quarto com as meninas.

" Estamos todos esgotados." confessa a D.Clotilde ao marido " A D. Luísa gritou tanto noutro dia que eu fiquei sem saber o que fazer, se entrar também no quarto ou ignorar. Tenho pena é da Joaninha, está muito confusa e embora o Pai tente compensar, ela não entende porque é que não pode ver a Mãe. Diz a educadora que está muito agressiva."

" Se calhar, vão ter que a levar ao psicólogo. É a resposta para tudo!" responde o marido.

O médico recomenda o mesmo para a Mãe das crianças e D.Clotilde tem pena do Dr Lemos.

Coitado, não sabe mesmo o que fazer e mesmo com o apoio da família, está a ser muito complicado.

Marcam uma consulta para Luisa e D.Clotilde prevê grandes dificuldades para a convencerem a sair de casa.

A Mãe de Luisa chega a meio da manhã, a consulta é às duas da tarde, mas ninguém sabe como ela vai reagir.

A senhora entra no quarto, a D.Clotilde segue-a e abre as cortinas.

" Luísa, tens que acordar. Temos que ir ao médico, vá lá, faz um esforço." pede a Mãe, mas Luísa não se mexe.

A Mãe toca-lhe na mão, está completamente gelada, olha em pânico para a D.Clotilde.

" D.Luisa, D.Luisa, acorde!" mas Luísa continua a dormir.


CONTINUA






quinta-feira, 3 de janeiro de 2019

O DIABINHO - PARTE V


" A D.Natália disse-me que o médico teve uma reunião com o Dr Lemos, pois a D.Luisa está muito fraca e pode ter uma depressão. Também o aconselhou a não terem mais filhos... " conta a D.Clotilde ao marido nessa noite.

" Já têm duas filhas; está bem assim. O que importa agora é que a D.Luisa recupere." diz o marido " Falaram no que vão fazer agora? Contratar uma ama, uma enfermeira? Não podes tratar de tudo sozinha."

" Não, não se falou em nada. Se calhar, já estão a tratar disso. Posso tratar da Joaninha, mas ela passa a manhã e parte da tarde na creche e oriento a minha vida em função disso. Mas tratar da casa, do bebé e da D.Luisa... é capaz de ser demais." concorda a D.Clotilde.

A D. Luísa está mesmo mal. Parece apática, assustada quando regressa a casa e recua um pouco quando a Joaninha lhe pede colo.

O marido tenta que ela pegue na Clarinha e a leve para o quarto, mas Luísa abana a cabeça e olha aterrorizada para a D.Clotilde.

A senhora fica assustada, mas disfarça e tira cuidadosamente a bebé dos braços do Pai que está igualmente apreensivo.

" Olá, Clarinha, que linda que é a minha menina!" diz D.Clotilde e sente a Joaninha a puxar-lhe a saia.

" A Janinha é a menina da Clo." e a senhora sorri, concordando:

" São as duas as minhas meninas. Vamos levar a mana para o quarto? E a mamã também vai descansar." e, sem olhar para trás, atravessa o corredor em direcção ao quarto.

Os Pais decidiram que o bebé não ficaria no quarto da Joaninha, principalmente por causa dos horários do sono, da alimentação.

Por isso, a D.Clotilde, sempre com a Joaninha atrás de si, deita a Clarinha no berço no quarto decorado em tons de azul claro.

A bebé geme, mas volta a dormir e a D.Clotilde diz " schiu" à Joaninha.


CONTINUA


quarta-feira, 2 de janeiro de 2019

O DIABINHO - PARTE IV


Na manhã seguinte, a D.Clotilde encontra o Dr Lemos na cozinha com o frigorífico aberto, indeciso sobre o que tirar.

" Oh, bom dia, doutor. Sente-se que eu preparo-lhe o pequeno almoço; trouxe pão fresco, ainda está quente." convida a senhora solícita " Então, e a D. Luísa como está?"

O Dr Lemos deixa-se cair numa cadeira com um suspiro e responde:

" A menina nasceu por volta das quatro e meia da manhã. Está em observação, mas eles acham que poderá sair dentro de uma, duas semanas. Agora, a Luísa não está nada bem; perdeu muito sangue..."

" Há de recuperar, então, não vamos pensar o pior." aconselha a D.Clotilde " Então, outra menina? Como se vai chamar? A Joaninha já sabe?"

" A Joaninha é uma marota." diz Natália que entra nesse momento com a sobrinha ao colo " Não quis vestir calças e tive um trabalhão para a convencer a vestir as collants."

" Ah, sua marota, isso não se faz." ralha a D.Clotilde " Está muito frio e depois fica constipada." mas a Joaninha não lhe liga.

Reclama o colo ao Pai que a deixa beber um pouco de sumo de laranja.

" Vamos sentar-nos na cadeirinha, Joaninha. O Pai também tem que comer..." e pega na menina que desata num berreiro ensurdecedor.

O Dr Lemos suspira novamente e inclina-se para pegar novamente na filha, mas a D.Clotilde impede-o.

" Não, Dr Lemos, deixe estar. O senhor está cansado e ela tem que aprender que não pode fazer tudo o que quer." diz a senhora e senta a Joaninha na cadeirinha, sem ligar ao choro.

Natália sorri e senta-se também. A sobrinha ainda funga, mas a D.Clotilde dá-lhe um fatia de pão com manteiga que a menina inspecciona cuidadosamente.

" Vou deitar-me um bocado. Só as posso ver depois das quatro." anuncia o Dr Lemos, levantando-se. " Ela chama-se Clara."

CONTINUA


terça-feira, 1 de janeiro de 2019

O DIABINHO - PARTE III


A Joaninha assusta-se e começa a chorar.

D.Clotilde acalma a menina, falando num jogo muito divertido que se chama " procura dos sapatinhos de casa" e abre uma porta do armário.

A Joaninha espreita, não encontra os sapatinhos e abana a cabeça. A D.Clotilde abre a outra, a menina volta a espreitar e tira os sapatinhos.

" Agora, vamos guardar as botas." e a menina obedece.

Dá o lanche à menina, estende uma manta no chão da cozinha e senta-a aí com uns brinquedos enquanto passa a ferro.

Como ninguém lhe atende o telemóvel, e já muito preocupada, a D.Clotilde telefona ao marido, não pode deixar a menina sozinha.

" Claro que não!" concorda o marido " Vou só telefonar aos rapazes e sigo para aí."

Sossegada, a D.Clotilde resolve dar banho à Joaninha que se diverte a fingir que é um peixinho.

Veste-lhe o pijama, senta-a na cadeirinha e tenta ligar para o Dr Lemos que continua a não atender.

É o que diz ao marido quando este chega.

" Coitado, deve estar tão desesperado... Alguém há-de dizer alguma coisa; vamos ter calma." aconselha e volta a descer.

Vai beber um café e ler o jornal na confeitaria da esquina. 

D.Clotilde está a preparar o jantar da Joaninha quando tocam à porta.

É a irmã do Dr Lemos, vem tomar conta da sobrinha.

" E a D.Luisa? " pergunta a D.Clotilde " Tentei falar com o Dr Lemos, mas ele não atende."

" Está em observação." responde Natália " Estão a ver como ela reage, mas o bebé é capaz de nascer esta noite. Mas está na hora de se ir embora, o meu irmão pediu-me para ficar cá. São quase sete horas, faça o favor de se ir embora."

" Vou só deixar o meu nº de telemóvel; se precisarem de alguma coisa, estejam à vontade."

Despede-se da menina e da Natália e vai ter com o marido.

" Não vamos pensar o pior!" repete o marido " O bebé pode ter que ficar uns tempos na incubadora..."


CONTINUA


segunda-feira, 31 de dezembro de 2018

O DIABINHO - PARTE II


Enquanto Luisa está na casa de banho, D.Clotilde abre as janelas, faz a cama e limpa o pó.

Está a ligar o aspirador quando Luisa abre a porta e a senhora ajuda-a.

Mas Luisa não se quer deitar, prefere ficar no cadeirão e diz que vai trabalhar um bocadinho.

D.Clotilde não discute, continua a trabalhar e assegurando-se que a senhora não precisa de nada, vai tratar do quarto da Joaninha e da sala comum.

Os brinquedos estão espalhados pelo quarto e D.Clotilde acha que está na altura da Joaninha aprender a arrumar.

Fazer da arrumação dos brinquedos um jogo, embora compreenda que, por causa da situação complicada que estão a viver, não tenham pensado nisso.

" Vou tentar hoje!" decide e animada com a ideia, serve o almoço a Luisa que pede depois que a ajude a deitar-se.

A mãe de Luisa aparece e D.Clotilde aproveita para ir buscar a Joaninha à creche.

A menina resolve brincar às escondidas com D.Clotilde e a senhora entra no jogo, " ralhando" com a educadora:

" Ah, não sabe onde está a Joaninha?? E, agora o que digo aos pais?" e a Joaninha lá aparece, toda contente por ter enganado a D.Clotilde.

" Ela está a portar-se bem?" pergunta D.Clotilde à educadora.

" Às vezes, isola-se, não quer brincar, não fala." diz a educadora " Talvez seja porque vai ter um irmão..."

" Ou porque vê a Mãe sempre deitada, sem poder brincar com ela." acrescenta a D.Clotilde.

" Ah, sim, como está a D.Luisa? " e a D.Clotilde abana a cabeça:

" Vai hoje ao médico; espero que a deixe levantar, pelo menos, andar pela casa. Coitadinha, já está cheia de estar deitada, não tem posição.." conta a D.Clotilde e despede-se.

Quando entra em casa, o INEM está lá, a avó da Joaninha está com a mala na mão, pronta para sair.

" O que foi???" questiona a D.Clotilde e a senhora só diz:

" A Luisa sentiu-se mal, telefonamos ao médico e ele está já à nossa espera no hospital. Já telefonei ao meu genro e ele deve estar a caminho. Não se preocupe, nós telefonamos quando soubermos alguma coisa."


CONTINUA



domingo, 30 de dezembro de 2018

O DIABINHO


Às vezes, a Joaninha é um pequeno diabinho.

Hoje, não quer calçar as botas, o Pai já está a ficar desesperado, mas a D.Clotilde não se incomoda com o choro.

Calça-lhe as botas, veste-lhe o kispo, pede-lhe para dizer adeus ao Papá e sai com ela ao colo.

A Joaninha continua a chorar, mas a D.Clotilde não liga, conta-lhe historinhas e a menina acaba por se calar.

Quando a entrega à educadora, a Joaninha já se esqueceu de que não "gota" das botas e só falo no gato da história.

Antes de voltar a casa, a D.Clotilde compra alguns legumes para a sopa da família e cruza-se com o Pai da Joaninha no átrio.

O Dr Lemos está cansado, diz que a mulher não tinha posição, só conseguiu adormecer de madrugada.

" Ainda estava a dormir; a senhora vá ver como ela está daqui a um quarto de hora. Se precisar de alguma coisa, ligue-me para o telemóvel." recomenda.

" Não se preocupe; eu trato de tudo. Vá trabalhar descansado." e o senhor aperta-lhe a mão e apressa-se a sair.

Tem uma reunião importante e já está um pouco atrasado.

A D.Clotilde abre a porta do quarto devagarinho; Luisa ainda dorme, está a respirar calmamente, o que a sossega.

Vai para a cozinha, prepara tudo para o pequeno almoço e volta ao quarto.

Pousa o tabuleiro em cima da comoda e abre os cortinados.

Luisa já está acordada, tem grandes olheiras e agradece quando a D.Clotilde a ajuda a sentar-se.

" Estou cansada de estar deitada; começo a não ter posição." confessa.

" Pois. Mas o médico não vem cá hoje? Pode ser que a deixe levantar-se..." diz a D.Clotilde " Agora, vai tomar o pequeno almoço nas calmas e depois  eu ajudo-a a ir à casa de banho. " e sorri.

Luisa também sorri e observa:

" Da Joaninha, a gravidez foi tranquila. Nunca pensei que isto pudesse acontecer."

" Nada é igual. Nem a gravidez, nem os bebés. O corpo reage de maneira diferente; se calhar, estava em baixo de forma quando engravidou e o corpo ressentiu-se. Não se preocupe; vai correr tudo bem." aconselha a senhora que volta à cozinha.

CONTINUA


sábado, 29 de dezembro de 2018

A VIAGEM DE AUTOCARRO - FIM


O mês passa e as senhoras deixam de ver a D.Matilde. 

Um dia, a D.Guida encontra-a numa confeitaria conhecida, a D.Matilde não podia estar mais satisfeita e está ansiosa que o bebé nasça.

" Parece que está mais nova, mais alegre." conta a D.Guida.

" Um trabalho fixo não é tão stressante." opina a D.Clotilde que tem uma grande surpresa em meados do mês.

O casal aceita uma nova proposta de trabalho e vai viver para o Dubai.

A D.Clotilde compreende, arriscar é agora, vão ganhar o triplo e quem sabe? quando regressarem, podem abrir a própria empresa.

Claro que a D.Clotilde compreende, fica muito sensibilizada com o bônus generoso que recebe, mas e agora?

A D.Luz e a D.Guida tentam animá-la, mas a D.Clotilde acha que vai ser difícil encontrar um emprego tão bom.

Um dia recebe um telefonema de uns amigos do casal. 

Eles tanto elogiaram o trabalho da D.Clotilde que gostariam de a conhecer e falar um bocadinho com ela.

É que a senhora está a ter uma gravidez complicada, precisa de alguém que ajude, não só com a casa, mas também com o outro filho.

A D.Clotilde tem filhos, gosta de crianças? Sim, sim, tenho dois rapazes e vou adorar tomar conta da Joaninha, responde a D.Clotilde.

" Olha que bom; a senhora estava tão preocupada e tudo se resolveu." comenta a D.Luz.

" Temos que comemorar." diz a D.Guida " Vamos telefonar à D.Matilde e acertar tudo para um sábado."

" E os maridos e os filhos?" pergunta a D.Clotilde.

" Vão também dar uma volta. Merecemos ter umas horas só para nós." responde a D.Guida muito satisfeita com a ideia.

O almoço é um sucesso e resolvem encontrar-se todos os meses.

Afinal de contas, é importante ter amigas que nos apoiem, mesmo que tudo tenha começado por apanharem o mesmo autocarro à mesma hora.


FIM
=============================================================

O Minha Página deseja um BOM ANO 2019...