quarta-feira, 5 de dezembro de 2018

BRITES - PARTE II


Quando chega à esquadra, o Lucas e o Loureiro estão a falar do estranho caso da pessoa que apareceu morta no telhado da Torre Vasques.

Como foi aí que deixou a Amélia, o Detective Brites presta atenção.

" Como é que ninguém notou a falta dela? Segundo o médico-legista, deve lá estar há mais de uma semana." diz o Sargento.

" Logo que se saiba quem é, temos que interrogar toda a gente naquela Torre e não vai ser fácil."  observa Loureiro " Eu vou até lá, tentar perceber o sistema de segurança, como e quem pode aceder ao telhado, etc."

" Eu vou falar com o médico-legista e oh, Brites, vai com o Loureiro e analisa novamente a cena do crime." pede o Lucas.

No átrio da Torre, separam-se. Loureiro vai falar com os seguranças e Brites sobe até ao telhado.

Gabriela, a técnica forense ainda lá está e sorri-lhe.

" Olha quem está aqui! Atribuíram-te o caso? OK....Ela foi encontrada aqui... não, não tinha a roupa rasgada, mas só o médico o pode confirmar. Não há muitas pegadas; dizem que só a equipa de manutenção vem cá." concluí.

Brites olha em volta, mas não vê nada de suspeito.  Há ali uma reentrância, uma espécie de alpendre, mas a Gabriela diz que não há qualquer impressão digital.

" Estranho, não é? Ainda não sabem quem é? " pergunta a técnica e Brites confessa a sua ignorância.

Gabriela despede-se e Brites fica mais uns minutos no telhado a certificar-se não sabe bem do quê.

O polícia que o acompanhou volta a fechar a porta, entrega-lhe a chave e descem.

O elevador abre no 4º Andar e quem é que entra? Amélia que fica boquiaberta a olhar para ele.

" Tu??? Por aqui? " 


CONTINUA


terça-feira, 4 de dezembro de 2018

BRITES


Brites está apaixonado, mas por quem não diz...

Apesar de todas as brincadeiras dos colegas, o Brites não abre a boca.

" Quem será? A jeitosa do 4º Andar? A Técnica forense? " especula o Sargento Lucas " Sempre que o vê, desfaz-se em sorrisos."

" É nessa altura que eu tenho pena de já estar casado!" comenta o Loureiro.

" Vocês já pensaram que a senhora em causa poderá não trabalhar cá? " avisa Gonçalves recentemente transferido de outra brigada, mas que conhecia o Brites do tempo da academia.

" Ao menos, diz-nos: gosta de ruivas, loiras ou morenas?" pergunta o Sargento, mas Gonçalves apenas se ri.

Brites sorri ao descer as escadas. 

Amélia está à espera dele para almoçarem juntos e o restaurante escolhido fica longe da esquadra para evitar encontros imediatos.

O detective está consciente de que será apenas uma questão de tempo até descobrirem tudo, mas, por enquanto vai gozando o momento.

Amélia trabalha num escritório perto do Parque e é aí onde fica o restaurante.

Trocam um beijo intenso e Amélia estende-lhe o menu.

" Não posso ficar muito tempo! Há um problema e já me pediram a ajuda!" diz.

" Um problema? Que tipo de problema?" questiona Brites.

" Oh, nada, alguém se enganou a registar a factura no programa e alterou os preços todos. Mas não falemos disso; vamos gozar o nosso almoço." responde Amélia e propõe comerem o creme de legumes e o peixe espada grelhado.

Despedem-se com relutância em frente ao escritório. 

O Brites pergunta como se chama a empresa e o que fazem, mas Amélia é evasiva.


CONTINUA

segunda-feira, 3 de dezembro de 2018

O PLANO DE AFONSO - FIM


O primeiro fim de semana com o Pai após o " incidente " foi constrangedor.

O Pai sabia que tinha que abordar o assunto, mas não como e os rapazes esperavam que ele não tocasse no assunto.

Já tinha sido complicado ouvir a Mãe dizer que o Pai agora era um homem livre, podia andar com outras mulheres e eles tinham que esperar que ele lhe dissesse que podiam ir até lá.

O Pai estranha o silêncio dos rapazes, principalmente do Afonso, mas não insiste.

Quando voltam para casa da Mãe no Domingo à noite, os rapazes suspiram de alívio. Não sabem como proceder e muito menos com que falar sobre o assunto.

Mas o problema resolve-se por si: o Tio Romeu apanha a Tia Eugénia em flagrante, não com o irmão, graças a Deus, pensam os rapazes, mas com um colega de trabalho.

Durante meses, é o assunto dos almoços de Domingo em casa dos Avós e até o próprio Pai se sente envergonhado.

" Não deve ter pensado que a Tia Eugénia era desse tipo." comenta o Pedro.

" Desse tipo como? " pergunta o Afonso, mas o Frederico faz sinal ao Pedro para não dizer mais nada.

O Tio Romeu divorcia-se, a Tia Eugénia faz as malas e muda-se para outra cidade e a família respira de alívio.

Não se fala mais no affair do Pai com a Tia Eugénia, os rapazes estão agora mais interessados nas suas próprias namoradas e ficam curiosos quando o Pai lhe diz que quer que conheçam alguém.

A namorada do Pai chama-se Rute, é alta, elegante, com olhos verdes e cabelos ruivos.

É simpática e divertida e os rapazes aprovavam o caso.

A Tia Eugénia é apenas uma má recordação e os primos contam-lhe que pouco a vêem, pois está sempre muito " ocupada " com os namorados.

Pedro lamenta que a Mãe não tenha conhecido alguém, o Frederico pensa que ela tem um amigo, mas que acha que é ainda cedo para o conhecerem e o Afonso abstém-se de dar uma opinião.

Tornou-se mais sensato, respeita mais os sentimentos das pessoas e aprendeu que a vida muda numa questão de segundos.


FIM

domingo, 2 de dezembro de 2018

O PLANO DO AFONSO - PARTE IV


A Mãe diz que vai avisar o colégio para não o deixar sair a não ser que esteja acompanhado pelos irmãos, um dos Pais ou os Avós.

Afonso protesta, diz que já não é garoto, mas o Pai interrompe-o:

" Acabas de te comportar como um garoto irresponsável. Por isso, nada de idas ao cinema com amigos, lanches e afins durante um mês."

" Um mês??" repete o Afonso, mas o Frederico aperta-lhe o braço e o irmão fica silencioso.

Deixam os Pais a falarem na sala e reúnem-se no quarto do Frederico. Pedro está furioso e
pergunta:

" Onde estavas com a cabeça? Tu não pensas nos outros? Agora eu e o Frederico temos que ser as tuas amas-secas. Oh, pá, és tão egoísta!"

" Para com isso, Pedro. O pior não é isso, é outra coisa!" intervém o Frederico e conta-lhe o que se passou em casa do Pai que explica o mesmo à Mãe nesse momento.

Omite o nome da cunhada, diz apenas que estava " na cama com uma senhora".

A Mãe faz um sorriso forçado e comenta:

" Estamos divorciados e isso iria acontecer. O problema é que o Afonso surpreendeu-te e foi porque tu deste carta branca para entrarem e saírem da tua casa quando quisessem."

" Não vás por aí! Não é esse o verdadeiro problema; o Afonso tem que ser contrariado e pode ser culpa minha..." admite o Pai " Mas temos que resolver isto da melhor maneira. Vamos descansar; telefono-te amanhã." e saí.

A Eugénia já deve ter ido para casa, pensa, mas que grande embrulhada esta! Como é que vou resolver o assunto?

No quarto, o Pedro está calado; não quer acreditar. Com tantas mulheres no Mundo, o Pai está a ter um caso com a Tia Eugénia?

O Pedro não gosta muito dela, acha-a um pouco superficial, convencida de que é a melhor do Mundo.

" Não vamos dizer nada a NINGUÉM!" decide " Principalmente à Mãe!"

" Claro que não! Ninguém aqui é idiota!" ralha o Frederico " Mas o que vamos fazer em relação ao Pai e à Tia Eugénia??? "

CONTINUA

sábado, 1 de dezembro de 2018

O PLANO DE AFONSO - PARTE III


O telemóvel toca novamente, mas Afonso está mais preocupado com o facto de estar a escurecer e não conhecer o local onde se encontra.

O autocarro aparece, Afonso suspira de alívio e senta-se.

Meu Deus, o Pai e a Tia Eugénia? Há quanto tempo? Como? Terá sido por causa disso que se divorciaram?

Tem mil perguntas, mas não sabe em quem confiar.

O autocarro chega ao Parque, daqui o Afonso pode orientar-se. 

Mas ainda não quer ir para casa e arrasta os pés. 

Acaba por se sentar no muro de uma casa em frente do colégio e é aí que o Frederico o encontra.

" Oh, Afonso! Onde é que estiveste? " grita o irmão " Está toda a gente à tua procura. O Pai diz que saíste a toda a pressa de casa, nem teve tempo de te impedir."

Afonso volta a suspirar, mas não responde. Frederico senta-se ao lado dele e diz:

" A Mãe está muito aflita e o Pai está pronto para telefonar à polícia. Temos que regressar, mas diz-me o que se passa???"

" Não sei se deva dizer!" confessa o irmão desanimado.

" Porquê? " insiste o Frederico e Afonso acaba por lhe contar tudo.

Frederico está abismado e repete: " Tens a certeza? "

" Claro que tenho a certeza. A Tia Eugénia estava na cama com o Pai." responde o Afonso aborrecido. " Achas que foi por isso que se divorciaram? "

" Sei lá!" confessa o Frederico " Vamos regressar e ver o que acontece. Bico calado, espera que o Pai diga alguma coisa. " aconselha.

Regressam a casa, onde Afonso é recebido por entre suspiros de alívio e gritos.

CONTINUA

sexta-feira, 30 de novembro de 2018

O PLANO DE AFONSO - PARTE II


O porteiro não acha nada estranho o Afonso pedir-lhe para abrir a porta.

Aliás, o Senhor Engenheiro foi bem claro: sempre que os meus filhos aparecerem e eu não estiver cá, deixe-os entrar.

O Afonso entra, larga a mochila e o anorak no hall e visita a cozinha.

Vai a passar no corredor que vai para os quartos quando ouve vozes.

O Pai está em casa? Não o ouviu entrar? 

Bate à porta, entra sem esperar resposta e vê o Pai na cama abraçado à Tia Eugénia, mulher do tio Romeu.

Afonso fica estupefacto, a Tia Eugénia solta um grito e tapa-se e o Pai diz, zangado:

" O que fazes aqui a esta hora? Porque é que não telefonaste para saberes se podias ou não vir? "

Afonso não responde, foge do quarto, derruba o tabuleiro que tinha preparado e, arrastando a mochila e o anorak, saí.

Desce as escadas rapidamente, passa pelo porteiro que o tenta, sem sucesso deter e está na rua.

Está tão nervoso que perde o sentido de orientação e quando dá por si, não sabe onde está.

Tenta acalmar-se, dirige a uma paragem para se orientar.

Ora, bolas, está a ir para Sul e a casa da Mãe e o colégio ficam para Norte.

Estuda o percurso de um autocarro e talvez este sirva. Pode sair no Parque, dali já sabe como ir para casa.

O telemóvel toca, mas Afonso ignora-o. 

Ou é o Pai ou a Mãe e ele já sabe que vai ouvir um grande sermão.

CONTINUA

quinta-feira, 29 de novembro de 2018

O PLANO DE AFONSO


Afonso tem um plano.

Se conseguir despistar o Frederico e o Pedro, apanha o autocarro em frente ao Shopping e vai para casa do Pai.

Ao princípio, achou um absurdo o divórcio, mas depois, até descobriu vantagens.

Quando quer fugir à vigilância da Mãe, que continua a não tolerar faltas de educação ou pedidos inadequados, vai para casa do Pai, certo de que este fará tudo para o manter bem-disposto.

Abrir o porta-moedas da Mãe e retirar de lá cinco euros foi fácil. Quando descobrirem, vai receber um sermão, mas que importa?

Infelizmente, encontra o Frederico que lhe pergunta onde é que ele vai com tanta pressa, mas Afonso despista-o, dizendo que vai estudar para casa de um amigo.

Frederico ainda protesta, quer telefonar à Mãe para confirmar, mas Afonso afasta-se sem lhe prestar atenção.

Cá está ele na paragem, à espera do 345. Já tentou ligar para o telemóvel do Pai, mas este não atende.

Pode estar numa reunião e não estar em casa, mas Afonso já é um grande amigo do porteiro e está convencido de que este o deixará entrar.

O 345 lá aparece, já não era sem tempo e o Afonso entra.

Paga o bilhete, instala-se num lugar perto da porta e está com atenção às paragens.

Volta a ligar para o telemóvel do Pai, este continua sem atender e Afonso continua a achar que não vai haver problema.

Faz sinal de paragem, saí e atravessa a rua.  Mais uns metros e chega a casa do Pai.


CONTINUA

quarta-feira, 28 de novembro de 2018

A LISTA - O FIM


O Natal e o Ano Novo passam com o João e a Maria mais relaxados do que é habitual e até a trocarem umas piadas.

Em Janeiro, Maria aceita a proposta do cliente do João e apresenta a demissão à empresa.

Recebe umas piadas maldosas e começa a ser tratada como se fosse invisível.

Como está de saída, Maria não se preocupa e concentra as energias em resolver os detalhes do divórcio.

A casa tem que ser vendida rapidamente e o dinheiro dividido para cada um comprar um apartamento.

Fazem o inventário do recheio da casa e escolhem as peças de que gostam mais para irem para os respectivos apartamento. 

O resto será vendido ou oferecido, ainda não sabem. 

Consultam um advogado e está quase tudo definido quando finalmente se reúnem com os filhos e lhe contam o que vai acontecer.

Afonso fica histérico e dá um grande soco a Maria. João intervém de imediato e castiga-o, o que surpreende o filho mais novo, habituado que está a obter tudo o que quer do Pai.

Frederico e Pedro perguntam se não há hipótese de se reconciliarem e quando respondem que não, querem saber o que acontecerá dali para frente.

" Nada, apenas vão ter duas casas. Vão para o mesmo colégio, têm as mesmas actividades, as mesmas rotinas. E, se quiseram dormir hoje em minha casa e se eu estiver livre, podem ficar; amanhã, regressam a casa da Mãe. O que queremos é que vocês estejam felizes." explica o João.

Isso sossega os dois rapazes e Maria suspira de alívio. Podia ter sido pior!

O verdadeiro problema é com as respectivas famílias, mas lá os conseguem convencer que o divórcio é a melhor solução para ambos.

A vida recomeça com novos desafios e novas listas para a Maria que se confessa realizada, se bem que não totalmente feliz (ainda).

Até mesmo para o João a vida fica diferente quando aceita um novo cargo e passa a viajar mais.

E ninguém sabe se não vão encontrar um dia alguém que os compreenda verdadeiramente.


FIM



terça-feira, 27 de novembro de 2018

A LISTA - PARTE V


A Berta escuta-a atentamente e acha que ela deve ir para fora com o João.

" Para conversarem verdadeiramente. Não te preocupes com os miúdos; eu e o Jaime ficamos com eles. Vamos à Serra da Estrela; em vez de 4, vamos 7. Não faz qualquer diferença; o Hotel tem baby sitter, actividades para crianças e por isso,  eu e o Jaime também vamos relaxar." e sorri para a irmã, embora esteja preocupada, pois, confessa ao marido, aquele casamento está nas últimas.

O João aceita a ideia, um pouco relutante é certo, mas a Maria atribui isso ao excesso de trabalho.

Conseguem falar, não estão distraídos com os miúdos, a família ou os telefonemas de trabalho, mas a única coisa em que ambos estão de acordo é que a Maria deve mudar de emprego.

O João acha que pode ajudar, um dos seus clientes está à procura de alguém com formação em Marketing e pode ser uma boa oportunidade para ela crescer mais na área.

A ideia do divórcio fica em cima da mesa... 

Não para já, há muita coisa a discutir, a decidir, principalmente a Maria.

Ainda por cima, o Natal é dentro de umas semanas e não é realmente a altura ideal para se falar em divórcio.

Não era bem isto que Maria esperava do fim do semana, mas tem que admitir que é a única solução.

Talvez sejam mais felizes assim... 

Até mesmo os miúdos que adoraram a ida à Serra da Estrela com os tios e os primos.

" Talvez seja melhor!" diz Berta ao marido nessa noite " Há muita tensão entre eles e o João aproveita tudo para a provocar e ela está com os nervos à flor da pele."

" O João sempre foi brincalhão, mas, às vezes exagera. Em parte, compreendo as queixas dela." concorda o Jaime.

" Não sei como os miúdos vão reagir. Principalmente o Afonso. A Maria acha que o João o mima demais." responde a Berta.

" Sim, aquele miúdo está a ficar pedante e quando o João perceber isso, pode ser tarde demais. Porque o Frederico e o Pedro são garotos simpáticos, interessados, educados, mas o Afonso... se fosse nosso filho, não lhe permitia que se comportasse assim. A Maria vai ter grandes problemas com ele." observa o marido.


CONTINUA




segunda-feira, 26 de novembro de 2018

A LISTA - PARTE IV


" Bolas!" exclama o João quando fecham a porta " Quase que os expulsavas com essa cara de enterro! O que se passa contigo?"

" O que se passa comigo??? Também te posso perguntar a mesma coisa! Que ideia foi essa de falares na minha lista e os deixares gozarem-me?" repete a Maria.

" Lá estás tu a fazer uma tempestade num copo de água. Foi uma brincadeira; parece que não sabes o que é uma brincadeira.!" reclama o marido.

" Claro que sei o que é uma brincadeira, mas podemos brincar com outras coisas, não achas?" responde a Maria.

" O QUE SE PASSA CONTIGO? Estás sempre a reclamar. Por causa do teu emprego, o Frederico quer isto, o Pedro aquilo!" refila o João.

" Talvez se me escutasses, não teria que reclamar. Mas a única pessoa a quem escutas verdadeiramente é o Afonso. Se ele te pedisse a Lua, desconfio bem que lha davas!" diz a Maria, indignada.

" Não, não estamos a discutir o que se passa com as crianças. Estamos a falar sobre o que tu queres! " interrompe o João. " Começo a estar farto das tuas atitudes; estás sempre aborrecida, tudo te incomoda e fazes figura de parva em simples jantares como este."

" Fiz figura de parva por tua causa! Porque é que não me deixas em paz? " reage a Maria e sabe que disse um grande disparate.

O João olha-a por um minuto e observa:

" Sim, eu deixo-te em paz. Estou cansado; vou dormir. Tu fazes o que quiseres; chora a noite inteira se te apetecer. Não quero saber!" e deixa-a sozinha na cozinha.

Maria suspira, deixa a Máquina a lavar e espreita os filhos.

Antes de se deitar, manda um SMS à irmã:

" Pequeno almoço amanhã? Tenho muito que falar."

CONTINUA


domingo, 25 de novembro de 2018

A LISTA - PARTE III


" Algum problema com o João, com os miúdos? " insiste a Berta " Ou com o teu emprego?"

" Sabes como é, já me habituei a trabalhar com pessoas malucas. Ainda vão arruinar a empresa, mas o que posso eu fazer? " diz Maria.

" Procurar uma alternativa, principalmente se está a interferir na tua vida pessoal." observa Berta " E a relação com o João? "

" Os problemas habituais. O Frederico quer praticar voleibol, mas o João acha que ele deve ir para o ténis. O Pedro quer aprender a tocar guitarra e o João diz que é um absurdo. Em contrapartida, não nega nada ao Afonso e os outros dois ficam furiosos." conta a Maria. " Temos discutido exactamente por isso."

" E tens toda a razão! "  concorda a irmã " Vou falar com o Jaime, ele pratica voleibol num clube perto de casa e o Frederico pode ir com ele. Quanto ao Pedro, sou madrinha dele e pagar-lhe as lições de guitarra é uma óptima ideia.Isto está resolvido, mas agora vamos falar do que se passa contigo, do porquê dessa tristeza toda."

Nesse momento, o João abre a porta da cozinha e pergunta:

" Então, não voltam para a mesa? O que é que se passa? Andem lá, ainda temos que falar sobre o 2º desejo da Maria!" acrescenta, trocista.

" Oh, João, esquece isso! " aconselha Berta ao passar por ele.

João segura o braço da mulher e murmura:

" Vê lá se pões uma cara mais alegre. Parece que estás num enterro! "

Maria sacode-lhe a mão delicadamente e volta para a sala.

A conversa está animada, Gonçalo conta anedotas e Margarida já bebeu um pouco mais do que devia.

Maria sorri apenas; não tem vontade nenhuma de conversar e suspira de alivio quando se vão embora.

CONTINUA

sexta-feira, 23 de novembro de 2018

A LISTA - PARTE II


Devo ter falado durante o sono e o João ouviu, pois durante um jantar de amigos, o Gonçalo pergunta-me, em tom de confidência, mas suficientemente alto para todos ouvirem:

" Então, queres ir para Gstaad? Para gastares o que não tens?" e a mesa explode em gargalhadas.

Fulmino o João com o olhar, mas o meu marido encolhe os ombros e também se ri.

" Não me queres levar contigo? Mas tu pagas!" comenta a Beatriz.

" Também quero ir! Só para ver o desfile de estrelas de Hollywood por lá!" diz a Margarida.

" Mas tu não gostas de neve; o que vais fazer para lá? " questiona a minha irmã sensatamente.

Respiro fundo e explico:

" O objectivo é exactamente esse: perguntarem-me porquê. Quero fazer qualquer coisa diferente, desafiar-me!"

" E fazeres uma coisa que detestas é um desafio ?" observa o meu marido.

" Ou estás simplesmente aborrecida e queres atenção!"  brinca o Gonçalo.

A minha irmã abana a cabeça e a Beatriz ri novamente.

Não digo mais nada e continuamos a comer. 

O Gonçalo e o João discutem um novo projecto e a Beatriz e a Margarida falam sobre um desfile de moda.

Eu e a minha irmã não participamos em qualquer das conversas e quando me levanto para ir à cozinha, ela segue-me.

" O que se passa contigo, Maria? "

Eu desato a chorar e confesso:

" Não sei!"


CONTINUA

quinta-feira, 22 de novembro de 2018

A LISTA



Sabes, adoro fazer listas.

Por isso, este ano, juntamente com o cartão de Natal, vou enviar a lista dos presentes que quero receber.

Pelo gozo... os comentários divertidos e a surpresa se algum dos meus amigos a seguir à risca.

Vou começar por pedir uma viagem à Gstaad ou a Aspen... 

Um contrasenso, pois não gosto de esquiar... 

Talvez a pergunta que façam seja: porque não ir a Madrid ou a Londres, já que adoro Museus, Teatros?

É o que quero que descubram: porque é que estou a pedir uma viagem a um local que não me diz nada?

Por ser diferente? Para me desafiar? Para contrariar a minha rotina?

E, passamos ao nº 2.

Um workshop de cozinha básica... outra coisa que os vai fazer pensar.

Detesto tudo o que tenha a ver com a cozinha. 

Cortar vegetais, fazer a sopa, preparar a carne ou o peixe ou mesmo um bolo...

Não sou o que vulgarmente se chama " um garfo", um "gourmet"...

A comida agora é aborrecida e até gostava de comer...

Mas depois... tudo mudou...


CONTINUA

quarta-feira, 21 de novembro de 2018

AS DIFICULDADES DE BERNARDES - O FIM


Brites está satisfeito quando relata a conversa com o porteiro.

Os escritórios funcionaram ali, mas o armazém ficava na zona baixa da cidade.

Conhecia relativamente bem os funcionários, pessoas discretas e bem-educadas e foi realmente uma pena terem fechado de um dia para o outro.

Numa semana, esvaziaram os escritórios e entregaram as chaves.

" Não sei porquê... " explica Brites " Alguma coisa me dizia que devia ver o espaço e cheirou-me a lixívia. Pode ser um tiro no escuro, mas chamei a equipa forense. Ela pode ter morrido ali."

Lucas não teve tanta sorte. O advogado mudou de cidade e não deixou endereço.

" E o armazém? Onde é? " pergunta Bernardes.

O armazém fica numa zona um pouco isolada, o portão está fechado com um cadeado que forçam.

Cheira a pó, a velho. Acendem lanternas e há caixotes empilhados, mobília, computadores encostados a um canto.

Bernardes faz sinal a Lucas e avança para a parte de trás.

Há uma porta fechada que Lucas força.  

Tapam a boca, o cheiro é nauseabundo e os dois têm a certeza de que encontraram o local dos crimes e quem sabe, o corpo de uma outra vítima.

Chamam a equipa forense para analisar a cena e Soeiro diz que os caixotes estão cheios de material de contrafação.

Brites acha que limparam os discos dos computadores, mas está convencido de é possível recuperar alguma coisa.

Quanto ao Loureiro, está a analisar novamente os relatórios do médico legista relativos aos outros dois casos e a interrogar as testemunhas.

O caso está longe de estar resolvido, mas Bernardes está bastante satisfeito.

Todos estão a colaborar, estão a confiar nele e vão ser uma bela equipa.

Como ele, o Torcato e o Tavares fizerem com o Inspector Leandro.

Mentalmente, agradece a este tudo o que aprendeu.

FIM

segunda-feira, 19 de novembro de 2018

AS DIFICULDADES DE BERNARDES - PARTE V


" O facto de ter pago à irmã e a outra pessoa uma determinada quantia para retirarem a queixa, não quer dizer que ele não tenha assassinado a mulher." observa Brites.

" Certo, mas pode ter pago a alguém. Uma das hipóteses é lavagem de dinheiro; as empresas dele são perfeitas demais." insiste Loureiro.

Bernardes fica pensativo e Soeiro interrompe-o:

" As outras vítimas trabalhavam numa empresa chamada " Corcel". "Desapareceram" depois de um turno extra. Sei que vi isso nestes processos." e abre-os.

Lucas começa a folhear o outro processo e encontra o nome da empresa.

" Então, vamos investigar essa empresa e saber se esta nova vítima também trabalhava lá. Quero saber tudo: quem são os sócios, contas bancárias, impostos, etc." ordena Bernardes, satisfeito com o rumo da investigação.

Contudo, o relatório do médico legista arrasa uma das hipóteses: o ADN recolhido dos ferimentos da vítima não é do marido.

Mas Bernardes está convencido de que a solução está na empresa "Corcel" que cessou a actividade há uns meses.

" Isto está a ficar muito estranho!" confessa Soeiro.

" Mais uma razão para investigarmos a fundo a empresa." diz o Bernardes.

Brites diz que vai falar com o porteiro do edifício onde funcionou a Corcel.

Lucas descobre o nome do advogado que prestava serviços de consultadoria na empresa e apressa-se a seguir a pista.

Bernardes acaba por ficar sozinho na divisão e suspira, satisfeito.

Conseguiu comunicar com a equipa e o resultado está a ser óptimo.

Será que vão resolver o caso?

CONTINUA

domingo, 18 de novembro de 2018

AS DIFICULDADES DE BERNARDES - PARTE IV


No dia seguinte, reúnem-se para discutir o assunto pendente.

Segundo Brites, o marido tratou as queixas de violência doméstica como um assunto secundário (afinal, até foram retiradas) e afirmou-se como um homem "mudado, responsável".

Bernardes e Lucas também não tiveram muita sorte com a irmã. Esta mostrou-se distante, repetiu várias vezes que tinha interpretado mal a situação. Decidiram não insistir mais no assunto e retiraram-se.

Soeiro encontrou dois outros casos com pormenores semelhantes e vai falar ainda de manhã com os detectives responsáveis.

" A questão é: será que mudou mesmo? " diz Bernardes.

" Os extractos bancários são perfeitos demais!" comenta Lucas e Soeiro concorda.

" Droga, lavagem de dinheiro? " sugere Brites e Bernardes acredita que é uma hipótese a considerar.

" Mas porquê matá-la? " questiona Lucas " Há ferimentos defensivos, por isso, ela tentou defender-se. E ela estava em boa forma física."

" Ele pode ter começado a bater-lhe, ela defendeu-se e ele matou-a!" observa Soeiro.

" Ou pode ter sido uma outra pessoa, alguém que ela conhecia bem." interrompe Loureiro, o agente de ligação, calado até aí.

Surpreendidos, todos se voltaram para ele.

" O processo relativo à outra queixa está selado, mas encontrei um detective que se lembra do caso. Não há certezas, mas consta que a mulher recebeu uma determinada maquia para retirar a queixa. Por isso, ele também pode ter oferecido dinheiro à irmã." explica o agente.

" Por isso, a irmã não quer falar." concluí Lucas.

" Sim, mas porque acha que foi uma outra pessoa a matá-la?" insiste Bernardes.


CONTINUA

sábado, 17 de novembro de 2018

AS DIFICULDADES DE BERNARDES - PARTE III


Os três homens olham uns para os outros...

O Inspector não deixa de ter razão.... 

Não lhe deram o benefício da dúvida, pois convenceram-se de que Lucas assumiria o comando e ressentiram a nomeação daquele homem que não teria mais do que 40 e tal anos.

Soeiro interrompe o silêncio, cumprimentando-os com um:

" Olá, mas o que se passa? Morreu alguém? "

" A partir de hoje, quem chegar atrasado, paga uma multa." decide Bernardes " Hoje, é a vez do Soeiro que vai pesquisar todos os casos em que a vítima apareceu asfixiada num local deserto.  Mulher, entre 25, 30 anos e com sinais de violação. A ver se encontramos uma ligação entre esses casos e o presente."

Brites respira fundo e pergunta:

" Gostava de interrogar novamente o marido. Estive a pesquisar e encontrei arquivadas algumas queixas contra ele por violência doméstica."

" Dela? " observa Bernardes.

" Não, ao que parece, uma das queixas foi feita pela irmã dele.  A outra, não consegui saber o nome. Pedi mais dados; aguardo resposta!" explica o Detective Brites.

" Também pedi os extractos bancários deles. Pode ser um motivo!" acrescenta o Sargento Lucas.

" Ok, então, o Brites vai falar outra vez com o marido para saber o que ele diz sobre essas queixas e eu e o Lucas vamos falar com a irmã dele." diz Bernardes.

" E eu? " a voz do Agente de Ligação parece a de uma criança birrenta.

" O Senhor tenta descobrir quem foi a outra pessoa que apresentou queixa contra o marido." e, com um sorriso, Bernardes volta a entrar no gabinete.


CONTINUA


quinta-feira, 15 de novembro de 2018

AS DIFICULDADES DE BERNARDES - PARTE II



Leandro deixava-o expor as ideias e, concordasse ou não, explicava-lhe as razões.

Bernardes tentou fazer a mesma coisa com o Sargento Lucas, mas este ficou calado, à espera de instruções.

"Fui promovido cedo demais!" murmura baixinho, mas cala de imediato esse pensamento.

Se foi promovido, foi porque o mereceu, porque mostrou iniciativa, interesse, capacidade.

Por isso, esta brigada tem que entrar nos " eixos" e vai ser hoje, resolve. 

Levanta-se e abre a porta do gabinete.

Os outros sobressaltam-se e o Sargento Lucas apressa-se a dizer:

" Bom dia, Inspector, não sabíamos que já cá estava !"

" E, no entanto o meu gabinete fica em frente da porta!" comenta Bernardes, sarcástico.

O Sargento fica sem saber o que dizer. Talvez deva desculpar-se, mas explicar o quê?

Nesse momento, entra, ofegante  o Agente de Ligação.

" Bolas, pensei que não chegava cá hoje..." e as palavras morrem-lhe nos lábios ao ver o Inspector no meio da sala.

" Creio que já tínhamos falado nisto. Temos um dever a cumprir e o 1º é, sem dúvida, entrar a horas! Meus Senhores, eu não sei o que se passa; não os posso ajudar se não me disseram o que querem. Por isso, vamos pôr as cartas na mesa? " continua Bernardes.

" Impressão sua, Sr Inspector!" reage o Sargento Lucas " Cumprimos sempre as instruções que dá."

" Mas não é só isso que eu quero. Também quero ouvir as vossas ideias, as vossas opiniões. Caso contrário, como é que eu sei que são os homens indicados para resolver o assunto? Que estão atentos aos pormenores? Que escutam verdadeiramente os que as testemunhas dizem?" protesta o Inspector.

CONTINUA


AS DIFICULDADAS DE BERNARDES


Bernardes, agora Inspector, está desanimado.

Há uma certa hostilidade na brigada e ele não sabe muito bem como contornar a situação.

Talvez seja novo demais e os mais velhos achem que deviam ter sido um deles a ser promovido.

Mas ele esforçou-se bastante para atingir aquele posto e a culpa não é dele se os outros não o fizeram.

Que pena o Tavares e o Torcato terem sido transferidos para outra brigada! 

Eram uma boa equipa, se bem que a verdadeira estrela fosse o Inspector Leandro.

Ai, Leandro, que pena não estares aqui para me aconselhares, pensa Bernardes.

A porta abre-se e o novo Inspector levanta a cabeça para ver quem é.

É o Detective Brites, calmo, inteligente, mas muito pouco comunicativo. 

Atrás dele, vem o Sargento Lucas, eficiente e distante. 

Falta o Detective Soeiro e o agente de ligação Pontes.

Estes chegam quase sempre atrasados e às vezes, Bernardes pensa que eles fazem de propósito.

Já insinuou que há horários a cumprir, mas eles limitaram-se a olhá-lo como se ele fosse uma espécie rara.

Se fosse o Leandro, isto teria sido resolvido num instante, mas Bernardes sabia bem que não era como ele.

Tinha ideias próprias, formas de trabalhar diferentes, mas estava disposto a escutar os outros.

Só que ninguém falava com ele.... cumpriam as ordens à letra, mas não davam qualquer opinião, sugestão.


CONTINUA

quarta-feira, 14 de novembro de 2018

ALICE - O FIM



Relembrei cada conversa que tivemos, cada email que trocamos.

Tinha que encontrar uma pista, alguma coisa que explicasse a atitude do Carlos.

Dinheiro? e quanto mais pensava no assunto, mais me convencia que isso podia ser a chave.

O Carlos não falava abertamente no assunto, aliás dava a impressão de que estava bem na vida, mas, de vez em quando, dizia que estava um pouco " apertado", pois não tinha recebido a " transferência".

Mostrei-me solidária, mas não me ofereci para lhe emprestar dinheiro.

Talvez tivesse compreendido que não iria ser fácil enganar-me e fugir com o meu dinheiro.

Ou tinha encontrado outra mulher aqui na Polónia... 

Ou tinha uma mulher indiana à espera dele e veio à Europa à procura de fundos.

 Ups!" pensei " Isto parece uma novela, um filme!" mas encaixava no puzzle.

Por isso, quais eram as minhas opções?

Ficar aqui e tentar encontrar um emprego? Ou voltar para casa, desfazer-me em desculpas para o Rafael me aceitar de volta?

Ou dar asas ao meu espírito livre e viajar ao sabor do Vento? 

Viver de empregos temporários? Ir para um País exótico e abrir uma loja, uma empresa?

Ou tentar encontrar o Carlos na Índia?

Não, vou viajar ao sabor do Vento...

1ª Etapa - Bélgica.  Trabalhei com o mercado belga, conhecia pessoas, talvez me ajudassem.

Depois.... o Vento me diria quando devia partir.....


FIM