sexta-feira, 5 de outubro de 2018

A COLUNA - O FIM


Sentem o vizinho subir novamente as escadas e a porta a fechar-se.  

Não ouvem mais nada... Silêncio por completo....

Eles também não falam.  

Mara está surpreendida pela ousadia do individuo, mas o João está furioso, tão furioso que ergue a mão a pedir silêncio.

Quando finalmente fala, fá-lo com aquele tom que não admite discussões.

" Nem uma palavra sobre isto na tua coluna! Desvia as atenções para o teu menu vegetariano, descobre mil maneiras de decorar a mesa... não quero saber! mas lançar para o ar rumores... NÃO!!!! Chega, Mara."

Pega no casaco e é agora ele quem bate com a porta.

Mara fica no meio do corredor a tentar definir o estado de espírito... 

Espantada? Abismada? Aterrorizada? Não, porquê?

Conhece bem o João; sabe que ele precisa apenas de desanuviar e quando voltar, até pedirá desculpa pelo sucedido.

Suspira e volta a sentar-se em frente do computador.

Afinal, tem uma coluna para escrever.   

Mas as palavras do João fazem todo o sentido e segue o conselho.

Hoje, fala sobre as perguntas que vai fazer à nutricionista e à instrutora de yoga.

Dos videos, dos livros que já consultou sobre o assunto...

Amanhã, ninguém se vai lembrar da discussão dos vizinhos do andar de cima.

Apenas eles, pois recomeçam a discutir e a Mara decide colocar os headphones para se concentrar totalmente no que está a escrever.

FIM



quinta-feira, 4 de outubro de 2018

A CRÓNICA - PARTE V


Há uma porta que se fecha com violência e nas escadas, sentem-se uns passos apressados.

O que terá acontecido? Quem está a descer? Ela ou ele? Para onde vai?

Tocam à campainha e o João interroga a Mara com os olhos. Estão à espera de alguém?

Quem quer que seja, está apressado, pois não larga o botão.

O João abre a porta devagar e depara com um individuo alto, vestido desportivamente.

Está despenteado, nota-se que está muito irritado e quando fala, o João tem uma certa dificuldade em o compreender.

" Oh, pá, é o marido da tal Mara? A tal da coluna do Gosto? " pergunta.

" Sim, efectivamente esse é o nome da minha mulher. Posso saber o que se passa? " responde o João, calmamente.

" Ouça lá, que história é essa da sua mulher andar a escrever sobre o que se passa na minha casa?" observa o outro.

" Em primeiro lugar, gostava de saber com quem falo. Em segundo, a minha mulher escreve sobre o que observa e não se refere em ninguém em especial." explica o João.

" O meu nome não é importante para o caso..."

" Mas eu acho que sim. Bate-me à porta, fala alto e sem o mínimo de educação e espera que eu justifique o comportamento da minha mulher? " esclarece o João, mantendo a voz baixa.

A Mara sabe que não é bom sinal. O João raramente perde o controlo, mas quando o faz, pode ser muito ofensivo.

O vizinho fica um pouco surpreendido e quando volta a falar, nota-se que se está a esforçar para controlar a fúria.

" Eu quero saber o porquê da sua mulher andar a escrever sobre o que se passa na minha casa. É possível?" repete.

" Não, não é possível. Porque não há qualquer explicação a dar. A minha mulher está a falar de má educação e maus vizinhos e verifico que o senhor se enquadra na classificação. Com licença." e fecha a porta.


CONTINUA

quarta-feira, 3 de outubro de 2018

A CRÓNICA - PARTE IV


" Claro que sim!" diz a Mara.

" Por acaso, não pensaste que a vizinha pode ler as tuas crónicas e sentir-se atingida?" comenta o marido.

" Não digo nomes!" defende a Mara e continua a escrever sobre a má educação de certas pessoas, que não sabem o que é a boa vizinhança.

As respostas à crónica anterior acabam de chegar.

Alguns querem saber o menu do almoço e sugerem que lhe dê algumas dicas.

Outros referem-se claramente ao caso do " fantasma" no 2º andar e aconselham que ela consulte um exorcista, pois quem sabe, não estará a casa dela a ser igualmente influenciada por espíritos malditos?

Há um mail interessante, o remetente só assina " 1962TOP" e a Mara não sabe se é o nº da porta, último andar ou simplesmente o ano de aniversário.

" Problemas com vizinhos, Mara, todos temos.  Não pense que é exclusiva...

Quem sabe se não foi uma porta a bater? Ou livros a caírem da estante e alguém assustou-se?

E, mesmo que tenha sido uma discussão, qualquer pessoa tem uma discussão. 

Inofensiva, grave... não interessa... Toda a gente tem, Mara!

Está a dar muito importância a uma coisa que acontece em todas as casas, não só na casa da sua vizinha."

" Gosto deste teu comentador." observa o João. " Vais responder? " pergunta, malicioso.

" Talvez! Pode ser que tenha razão, pode ser que não!" responde a Mara, a pensar, não no comentador, mas na ementa vegetariana que vai colocar na próxima crónica.

Tem uma reunião com uma nutricionista e com uma instrutora de yoga.

Está muito entusiasmada com o assunto e quase esquece os problemas do andar de cima, se nessa noite, não houvesse uma outra discussão, que o próprio João classificou, de brutal.


CONTINUA

terça-feira, 2 de outubro de 2018

A COLUNA - PARTE III


Depois, fez- silêncio absoluto.

A Mara termina a crónica, jantam e o João quer ver um filme no Hollywood.

Adormece a meio, a Mara fica indecisa, não sabe se o deve acordar, pois o João tem um péssimo despertar.

Deixa-o ficar no sofá, deita-se e sente-o mais tarde, a resmungar baixinho.

" Porque é que esta mulher não me acordou? Agora fico com os sonos trocados!" mas a verdade é que adormece uns minutos depois.

No dia seguinte, com a entrega da crónica, ler e seleccionar os mails relativos à anterior, uma reunião com a directora de departamento, Mara só se lembra do que aconteceu quando regressa a casa.

O casal do andar de cima está novamente a discutir e Mara resolve investigar.

Quando abre a porta, vê que a vizinha do andar de baixo teve a mesma ideia e está a subir a escada.

" A Dra está a ouvir isto? " pergunta a D.Rafaela " Estão nisto desde as quatro da tarde. Trabalhei até às duas da tarde, pensei em repousar um bocadinho e não consegui." queixa-se a senhora.

" Ontem à noite, também fizeram barulho, mas como se calaram por volta das dez, não dissemos nada." conta a Mara. 

" Pareciam um casal tão simpático!" suspira a D,Rafaela.

" Vamos bater à porta e ver o que acontece!" sugere a Mara e sobe resolutamente as escadas.

Batem à porta, a discussão para, mas ninguém atende.

" Há aqui quem queira descansar e trabalhar! Podem falar mais baixo?" pede a Mara suficientemente alto para eles ouvirem.

Silêncio... As duas olham uma para a outra e voltam para as respectivas casas.

" Meus caros leitores, não sei o que pensar.

A discussão estava " acesa "... Eu e a vizinha do 2º andar tivemos que ir bater à porta para ver se eles se calavam.

Calaram-se, mas são muito malcriados.... Nem tiveram a gentileza de abrir a porta, pedir desculpa e prometer que teriam mais cuidado daqui para a frente."

" Vais publicar isso? " pergunta o João.

CONTINUA

segunda-feira, 1 de outubro de 2018

A COLUNA - PARTE II


" Domingo... dia de descanso e almoço com os sogros...

Não, não foi um almoço tradicional, cheio de silêncios. Foi mais um " sirvam-se do que quiserem e sentem-se onde houver espaço.".....

Para mim, foi óptimo, pois pude controlar as calorias do prato e não ouvi comentários tipo " oh, minha filha, estás tão magrinha!!! Esta mania das dietas...".

Nem o João deve ter sido massacrado com " Oh, pá, o que se passa com a tua mulher? Não lhe dás de comer?" e o meu caro marido fica furioso e diz-me:

" Porque é que não te esqueces das dietas e comes como um ser humano?" e eu fico sem saber o que é que ele quer dizer verdadeiramente.

Claro que sou um ser humano, mas quero ter um corpo perfeito... 

Falamos nisso na minha próxima crónica, porque estou preocupada com os meus vizinhos de cima.

Esta manhã, ouvi um grande estrondo e depois um grito. 

O que terá sido? Um móvel, uma cadeira?

E quem gritou? Porquê? Magoou-se?

Ou terá sido um fantasma como sugeriu o João?"

Há um novo estrondo e um grande grito. Mara interrompe a crónica e saí do escritório.

O João aparece, vindo da cozinha e pergunta-lhe:

" Foi isto que ouviste esta manhã? " e a Mara sussurra:

" O que achas que é?" mas o João encolhe os ombros e volta para a cozinha.

Os gritos continuam e a Mara tenta decifrar as palavras. Só percebe " traição"...


CONTINUA

domingo, 30 de setembro de 2018

A COLUNA


" Hoje... tenho que escrever alguma coisa para a minha coluna." diz a Mara, mas não se levanta.

É Domingo, chove e sente que não tem nada de novo para dizer.

" A tua coluna de mexericos!" ri-se o João.

" Digo coisas muito interessantes!" afirma a Mara, batendo-lhe no braço.

" Que nem sempre são verdade! Às vezes, apenas adivinhas..."  responde o marido e levanta-se.

Mara volta a deitar-se e fica a matutar no que ele diz.

Aquilo que pensava ser um emprego temporário, apenas para ganhar experiência, tornou-se permanente, exigente.

Gosta da fama, de receber cartas,mails, com elogios, com fortes críticas, mas está na altura de escrever qualquer coisa fantástica.

Algo interrompe a meditação. Alguém deixou cair um móvel no andar de cima e deu um grito.

Pelo menos, foi o que pareceu. Mara fica à escuta, a tentar perceber o que se passa, mas não ouve mais nada.

" Os nossos vizinhos devem ter deixado cair um móvel. Até me assustei com o barulho!" conta ao João enquanto esperam pelo elevador.

" Se calhar, têm um fantasma lá em casa e este diverte-se a atirar coisas ao chão." e João faz uma cara de assustado. " Deixa lá os vizinhos, a tua coluna e vamos gozar o almoço."

" Mas, João, tenho que escrever qualquer coisa." protesta Mara.

CONTINUA


sexta-feira, 28 de setembro de 2018

HOUSE RULES - O FIM


A Carolina desmaia e o Amadeu acusa o júri do facto, chamando-lhes prepotente.

Os outros casais estão embaraçados, não sabem o que dizer.

O júri está muito zangado e pede uns minutos para discutir o assunto.

Quando voltam, estão muito sérios e a Carolina entra novamente em pânico.

A apresentadora do programa pergunta-lhe cordialmente se está melhor, se podem continuar.

Carolina acena que sim e a apresentadora respira fundo.

" Pela primeira vez nesta competição, o júri não vai pontuar esta remodelação. Também pela primeira vez, por falta de desportivismo, educação, vamos expulsar um casal." anuncia.

" Carolina, Amadeu, lamento, mas temos que nos despedir. É a última etapa para vocês." concluí.

Amadeu não quer acreditar, ainda abre a boca para protestar, mas Carolina impede-o.

Despede-se dos outros casais, sussurra-lhes desculpas e saí com um pequeno sorriso.

José e Matilde, Eduardo e Cristina estão a pensar o mesmo: E agora?

" E, agora, cada um fica com os pontos que já tinha. Vamos chamar dois casais suplentes e a próxima casa a ser remodelada é a do José e da Matilde." responde a apresentadora.

Quando se encontram na casa do José e Matilde, Leonardo e Margarida não acreditam na história que lhe contam.

Quando questionados sobre a sala polémica, só dizem que a vão remodelar por completo no desafio das 24 horas.

Os outros acreditam que já têm uma ideia muito clara do que vão fazer.


FIM

quarta-feira, 26 de setembro de 2018

HOUSE RULES - PARTE VI


Quando soa a campainha, ninguém quer acreditar.

Cristina ainda tem dúvidas sobre se ter colocado a cama paralela à janela foi boa ideia.

Matilde não sabe se ter colocado as plantas e o armário para guardar as galochas na lavandaria foi suficiente para a melhorar.

E quanto à Carolina? Tem a certeza absoluta de que a teimosia do marido vai fazer com que seja eliminada.

O José e o Eduardo estão satisfeitos com tudo o que fizeram. Foi trabalho árduo, mas valeu a pena.

O resultado final é óptimo.

O que dirá o júri?

O júri fica encantado com o hall de entrada. 

Cumpre as regras: é simples, é elegante e o papel de parede amarelo com uma risca branca é perfeito.

Gosta também do armário embutido e fica surpreendido por ver que uma das portas abre para um roupeiro espaçoso e a outra leva à casa de banho das visitas.

Entra no escritório/biblioteca e fica abismado.

" Porquê mármore quando o hall de entrada tem soalho? Quebra a harmonia e tem coisas a mais. Devia ser um espaço confortável, mas quase não nos podemos mexer. Terá sido escolha do Amadeu? " pergunta um.

" O Amadeu está a ser problemático. Deve ter forçado as escolhas e a Carolina teve que as aceitar." comenta outro.

" Vamos ver as outras zonas? " sugere o primeiro.

Acham inteligente a escolha das cores para a sala de jantar e a forma como fluí para a sala de estar.

" Foi um bom trabalho de equipa. O Leonardo e a Cristina deram a sua visão pessoal, mas já que optaram por um espaço em aberto, foram inteligentes em manter essa sensação de fluidez." aprova o júri.

Nos quartos e na casa de banho privada houve alguns pormenores que não agradaram, mas no conjunto, foi uma boa remodelação, dizem.

O único problema é com o Amadeu que não aceita as críticas do júri e muito menos a pontuação.



CONTINUA

HOUSE RULES - PARTE V


O Amadeu aparece na manhã seguinte, mas está carrancudo e só ajuda a colocar as louças no lavabo da entrada. 

O José e o Eduardo instalam os moveis da cozinha que chegaram entretanto. 

A Matilde termina o quarto principal e a Cristina está atarefada com o layout da sala de estar.

A Carolina limpa o hall, coloca a mesa no centro e o banco com almofada amarela na parede oposta.

A iluminação está discreta como pediram e satisfeita, vai ajudar a montar a sala de estar.

Ficam satisfeitos com o resultado e cansados, sentam-se por uns minutos.

" Não acham que a bancada é grande demais? " opina o Amadeu.

" Não, está perfeita!" responde a Cristina.

" Quem teve a ideia brilhante de misturar o cinza e o azul?" insiste o marido da Carolina. " Não creio que esteja de acordo com as regras. Falam em rosa, azul e amarelo."

A Matilde não aguenta mais e atira-lhe com uma almofada.

Amadeu é atingido no nariz e prepara-se para rebater, mas chega a designer do programa para ver os progressos e avisar que só faltam algumas horas para o júri tecer as suas considerações.

Aconselha a melhorar um pouco a lavandaria (a zona do José e da Matilde), pede à Cristina e ao Eduardo para tirarem algumas almofadas do sofá e mudarem a disposição dos móveis no quarto de hóspedes.

Fica abismada com o escritório/biblioteca e pergunta:

" Está um pouco excessivo, não acham?" e a Carolina não sabe o que dizer.  

O marido defende a sua visão calorosamente, mas vê-se que a designer não concorda.

A Carolina suspira de alívio quando a designer se vai embora.

Matilde decide colocar algumas plantas na lavandaria e a Cristina leva as almofadas rejeitadas para o quarto de hóspedes.

CONTINUA



terça-feira, 25 de setembro de 2018

HOUSE RULES - PARTE IV


Tanto a Carolina como a Cristina acham que o papel de parede a imitar tijolo em tons de cinza é perfeito.

A mesa tem um tampo de vidro e consideram ter sido sorte encontrarem aquele aparador em madeira igual às pernas da mesa.

Com a promessa de que tudo o que escolheram será entregue no dia seguinte, apressam-se a voltar à casa.

Hoje têm que pintar os tectos e começar a colocar o papel de parede.

Quando chegam, o José e o Eduardo estão exaustos, desanimados e elas ficam preocupadas, pois há ainda muito que fazer e só têm mais 48 horas.

" Diz-me uma coisa, Carolina." pergunta o José " Tu explicaste ao Amadeu o porquê de decidirmos colocar soalho em toda a casa?"

" Sim, para dar uniformidade, continuidade. Porquê? O que se passa? " diz a Carolina, já preocupada.

" Pois... " responde o Eduardo " O teu marido decidiu que o soalho no escritório/biblioteca tem que ser em mármore..."

Carolina não ouve mais e corre em direcção ao escritório, onde Amadeu experimenta a porta que dá para o hall de entrada.

" Ficou óptima!" comenta quando a vê e abre-a para que a mulher passe.

A Carolina dá um grito, não acredita no que ele fez. Cancelou tudo o que ela encomendou e o escritório obedece apenas à visão de Amadeu.

A discussão é tremenda e os outros casais ficam sem saber o que fazer.

Ocupam-se com a pintura das respectivas zonas, o Leonardo coloca o papel na sala de estar e depois o José ajuda-o na outra sala.

A Cristina e a Matilde estão a acabar na cozinha quando ouvem o Amadeu sair.

A Carolina fica e eles apercebem-se de que ela começou a pintar o tecto do hall.

Sem trocarem uma palavra, os quatro vão até ao hall e ajudam-na.

CONTINUA


segunda-feira, 24 de setembro de 2018

HOUSE RULES - PARTE III


" Estão todos malucos! Soalho em toda a casa ? Estava a pensar colocar mármore no Hall de entrada e uma mesa de pé de galo!" explode o Amadeu quando sabe dos planos.

" Isso não é simples nem elegante! Eu vetei essa ideia e tens que me ouvir. E o que ficou decidido tem toda a lógica já que vamos trabalhar num conceito aberto." grita a Carolina, farta da discussão.

" Não faz sentido! O que é que os juízes vão dizer e classificar as zonas? " insiste o Amadeu.

" Trabalho em equipa com toques pessoais. A Cristina e o Eduardo decoram a sala de estar, o José e a Matilde o quarto e a casa de banho privada." responde a Carolina.

" Mas vai arruinar as nossas ideias...." interrompe o marido.

" Acho que até as vai melhorar... Em vez do pé de galo, vi uma mesa com tampo acrílico que é uma beleza e já a comprei!" diz Carolina.

" Isso vai ficar horrível!" protesta Amadeu e Carolina, exasperada, volta a gritar:

" Não se fala mais no assunto! Está decidido!!! Decidi!!! Não admira que o casal tenha desistido. És um grande chato!" acrescenta.

No dia seguinte, contrariado, Amadeu ajuda o José a descarregar a madeira para o soalho.

O Eduardo já o está a colocar na sala de estar e diz que os ajuda logo que puder.

As marcas da cozinha já estão feitas, o canalizador está a instalar os tubos e a Matilde está a conferir as tintas que chegaram naquele momento.

O Amadeu opina que talvez fosse melhor pintar primeiro, mas José acha que não. Quando fizerem isso, tapam o soalho.

O Amadeu continua a dar opiniões e o José perde a paciência. 

" Vai tratar da tua zona que eu e o Eduardo tratamos disto! "

O canalizador está na casa de banho do Hall e Amadeu ajuda-o.

Entretanto, a Cristina e a Carolina estão na loja de móveis a escolher a mobília para a sala de jantar.


CONTINUA

sábado, 22 de setembro de 2018

HOUSE RULES - PARTE II


Entretanto, Leonardo e Margarida relaxam no Spa do Hotel onde ficarão alojados durante a semana de folga e discutem as regras que deixaram para os outros concorrentes.

" Estou preocupado com as escolhas que possam fazer relativamente às cores." diz o Leonardo.

" Estou mais preocupada com a interpretação de simplicidade, elegância e conforto." confessa a Margarida.

" Pois, foi um risco... Espero é que não seja aquele casal novato a fazer a cozinha." suspira o marido.

Mas o casal novato desiste. A discussão com Amadeu foi tão azeda que eles acham que não vale a pena continuar.

Um pouco de competição é saudável, críticas construtivas também, mas dispensam comentários maliciosos e humilhações.

É um problema, os responsáveis pelo programa estão de acordo, mas não podem deixar a remodelação a meio.

Os três casais ficam desesperados; os responsáveis decidem que a zona do casal desistente será um projecto em comum.

É precisamente a cozinha e a sala de jantar que têm que remodelar em conjunto.

" Já que falam em cozinha ampla, porque não abrir tudo e separar as zonas com biombos?" sugere Cristina.

" O que queres dizer? " pergunta o José, mas é o Eduardo quem responde.

" A cozinha abre para a sala de jantar e para a sala de estar."

" A única zona que fica separada é o quarto e a casa de banho privada." concluí a Carolina.

" E o escritório/biblioteca? " intervém o Amadeu que ficou com a zona.

" Só estamos a falar da cozinha, sala de jantar e sala de estar. Não vamos interferir nas outras zonas." explica Matilde.

" E a decoração?" insiste o Amadeu " Querem uma cozinha branca. Isso não vai interferir no resto? "

" Claro que vão ter a cozinha branca, mas os electrodomésticos e os acessórios podem ter cor. Que tal azul claro para a cozinha e um azul mais escuro para a sala de jantar? " alvitra a Cristina.

" Não sei se vai resultar..." começa a dizer Amadeu, mas a mulher interrompe-o " Cala-te, vai tratar do escritório. Eu quero ouvir o que a Cristina tem a dizer. Depois falo contigo."


CONTINUA

sexta-feira, 21 de setembro de 2018

HOUSE RULES


As regras são bem explícitas; não há quem enganar.

1 - Simplicidade, elegância, mas NUNCA esquecer o conforto.

2 - Rosa, Amarelo, Azul, as cores favoritas, mas a usar com MODERAÇÃO.

3 - Iluminação em toda a casa DISCRETA e SUAVE.

4 - Couro só deve ser utilizado no ESCRITÓRIO/BIBLIOTECA.

5 - Cozinha deve ser AMPLA e só aí deve ser utilizado o BRANCO.

As equipas olham umas para as outras, confusas. 

Simples? Elegante? Confortável? Vintage? Retro? Arte? Não há uma pista sobre isso.

Podem pintar as paredes de azul ou não? Talvez um papel de parede estampado em tons de azul e rosa? Ou riscas amarelas e azuis? Ou só rosa?

E o que fazer relativamente ao sofá e aos móveis da sala? E a sala de jantar?

A única coisa fácil, pensa Eduardo, relendo as regras, é o escritório/biblioteca. Se ficar com a zona, vai usar e abusar do couro.

A Cristina está preocupada com a iluminação. Lâmpadas LED?

Já o Amadeu consulta a NET à procura de ideias e a Carolina suspira, completamente desnorteada.

Os outros dois casais não falam. Percorrem a casa à procura de pistas sobre o casal, mas esta não lhes diz muito sobre o Leonardo e a Margarida.


CONTINUA

quinta-feira, 20 de setembro de 2018

O NOVO CASO - FIM


Passam-se algumas semanas.

Leitão decide não comprar o terreno e investir na agricultura biológica.

O jardim já lhe consome muito tempo, inscreveu-se num Clube de jardinagem e participa activamente em torneios amadores de xadrez.

Continua com as caminhadas e às quintas-feiras, janta com o Juiz e com o Dr Oliveira, um advogado que se instalou recentemente na aldeia.

É no jardim que Lopes o encontra naquela sexta-feira. 

Trouxe a família que está já instalada numa cabine no Parque Natural e enquanto exploram o recinto, o ex-sargento resolve informar o Inspector reformado do desenvolvimento recente do caso arquivado.

" Como já lhe tinha dito, não sabemos para onde foi o Gonçalo Mateus Abreu. Mas ela ficou no Brasil e em breve, tornou-se o braço direito de uma determinada organização."

" Criminosa, obviamente. " diz o ex-Inspector.

" Na organização por detrás da legítima." esclarece Lopes " Ao que parece, ela foi visitar um determinado local e foi apanhada num tiroteio entre a polícia e uns assaltantes. Morreu de imediato e a polícia contactou a Embaixada Portuguesa para saber o que fazer com o corpo. Tecnicamente, ela continua a ser Portuguesa."

" E? " pergunta Leitão.

" A família do Gonçalo Abreu não quer ouvir falar nela e a dela muito menos. Por isso, fica por lá. Talvez a dita organização se encarregue do funeral. Mas duvido! " acrescenta Lopes.

Conversam mais uns minutos e Lopes despede-se, pois acha que " a esta hora, os miúdos já enlouqueceram a minha mulher!"

Quanto a Leitão, fica a matutar no caso. 

Porque agora tem todo o interesse em saber o que aconteceu a Gonçalo Mateus Abreu.

Quem sabe se não o vai descobrir quando menos esperar?


FIM



terça-feira, 18 de setembro de 2018

O NOVO CASO - PARTE V


Leitão segue atentamente as notícias sobre o caso do novo Inspector e espera que este investigue a pista que lhe deu.

Está a considerar ir até à capital encontrar-se com um colega quando o Lopes o surpreende com um convite para almoço no Café do Chico.

Sentam-se num canto discreto e Leitão nota que o novo Inspector está inquieto.

O Chico serve os aperitivos e deixa-os sós.

" Então, o que se passa?  A pista do Brasil é válida? " pergunta Leitão.

" Sim, ele esteve lá durante os tempos. Não no Rio, mas sim em João Pessoa. " observa o novo Inspector " Depois, recebeu uma visita inesperada e largou tudo. Acham que foi para a Argentina, mas onde está agora é um autêntico mistério."

" E, sabem quem foi a visita misteriosa? " 

O Chico interrompe-o trazendo o peixe assado com batatas a murro e Leitão fica impaciente.

" Sabem! Juliana Mateus Abreu, a mulher que o traiu!" anuncia Lopes eufórico " Ela não saiu do Brasil; pedimos ajuda para a encontrarmos, mas ela deve ter assumido um nome falso. Deve estar a trabalhar para alguém da pesada."

" Pois... Isto pode significar que o Gonçalo Mateus Abreu não sabia nada e ficou tão horrorizado..." diz o ex-inspector, pensativo.

" Que fugiu com a vergonha..." completa Lopes " Não, não concordo. Isto fez parte do esquema deles. Zangaram-se, ele foi para o Brasil, ela foi até lá para tentar a reconciliação, não deu certo..."

Leitão suspira novamente.  Que história complicada!


CONTINUA

domingo, 16 de setembro de 2018

O NOVO CASO - PARTE IV


" Então, o que me diz da aldeia ter feito parte de uma operação policial? " pergunta o Juiz Lourenço no jantar semanal no Café do Chico.

Leitão fica surpreendido pela pergunta, mas o Juiz não espera resposta e continua a falar.

" Ao que parece, têm um nome muito semelhante ao daquele caso bombástico há uns anos. A oportunista casa com o filho do patrão e limpa as contas pessoais e da empresa. Lembra-se? "

" Trabalhei no caso." admite o ex-inspector.

" Ah, isso é interessante. Primeiro, fugiu ela e mais tarde ele. Pensaram que tinham sido os dois os autores do golpe, mas não tinham provas. Foi isso? " insiste o Juiz.

" Em parte. As provas contra ela eram claras... Ele nem tanto." explica Leitão.

" Almocei há uns meses com um colega em Lisboa que me disse que conhecia alguém da família. Continuam convencidos de que ele fugiu para o Brasil com vergonha do que ela fez." confidencia Lourenço.

" Na altura, não falaram nisso." esclarece o Inspector, mas nesse momento, o Chico trouxe o linguado grelhado com molho de marisco e o Juiz dedicou-lhe toda a atenção.

O resto da noite foi passado a discutir política e estratégias de xadrez.

Leitão fica a matutar no assunto e resolve telefonar ao Inspector Lopes.

Talvez tenham sorte e descubram onde está o Gonçalo Mateus Abreu.

" Acredita que se vai descobrir alguma coisa? O Brasil é um Mundo." Lopes não disfarça o seu cepticismo.

" Eu sei. É um tiro no escuro, mas quem sabe? Até podem lá estar os dois agora em Manaus ou noutro sítio. Não creiam que tenham ido para o Rio ou São Paulo." sugere o ex-Inspector.

" Mas... " O ex-sargento está hesitante; teve sorte, para quê continuar com um caso antigo?

" Oh, Lopes, tente." pede Leitão impaciente.

Só quando desliga é que se lembra que não está mais ao serviço.


CONTINUA


sexta-feira, 14 de setembro de 2018

O NOVO CASO - PARTE III


Coincidência ou não, Leitão encontra o dito casal num dos trilhos favoritos.

Quase colidem e na confusão dos " desculpe, sou um desastrado ", Leitão observa-os atentamente.

Não, ele não é definitivamente o Gonçalo Mateus Abreu. Nem mesmo ela, apesar de só a ter conhecido por fotografia.

Esta tem um aspecto mais simples; a outra era mais sofisticada, mais exuberante.

As pessoas mudam, pensa, mas não. O nome pode ser Mateus Abreu, mas não são os daquele caso antigo que o Lopes desenterrou do arquivo.

Antes de voltar para casa, resolve ir até ao café e lá estão eles a beber café.

A mesa ao lado está desocupada e Leitão instala-se com o jornal.

A conversa é banal; falam das fotos, das mensagens do Face. Não se tratam pelo nome, o que desperta a curiosidade do ex-inspector.

Ela sorri-lhe quando se vão embora e por sorte, deixam os copos de plástico em cima da mesa.

Leitão aproveita o facto de estar sozinho para os recolher com todo o cuidado e quando chega a casa, coloca-os dentro de um saco de plástico limpo que fecha com fita-cola.

Embala-os e envia-os para o Inspector Lopes, pedindo-lhe para o contactar logo que tenha os resultados.

O ex-sargento manda-lhe um mail, eufórico com a descoberta.

" Caro Inspector,

Não são o casal Mateus Abreu que pensávamos. 

Mas estão envolvidos em actos criminosos e são conhecidos pelo nome de Mirita's.

Ela insinua-se a cavalheiros com um certo estatuto na vida, solitários e depois de obter a confiança deles, faz cópia das chaves que dá ao marido que os rouba enquanto ela os entretém num almoço ou outra coisa.

Estamos a preparar uma operação para os prender, mas, mesmo assim, gostaríamos de saber o que aconteceu aos verdadeiros Mateus Abreu."

Sim, também eu, confessa Leitão, desgostoso.

CONTINUA 

quarta-feira, 12 de setembro de 2018

O NOVO CASO - PARTE II


" Sim.." diz Leitão " A Engenheira que casa com o filho do padrão, simula um ataque informático e limpa as contas da empresa.  Na altura, entrevistamos o marido, que se mostrou abismado, chocado, mas fugiu uns dias depois dela."

" Uma admissão de culpa." completa Lopes " Mas tinham a certeza de que ele estava envolvido?"

" Não, não suspeitamos dele, mas, um dia, ele simplesmente desapareceu e não deu notícias." esclarece o ex-inspector " A conclusão óbvia era de que " armaram" os dois o golpe, ele ficou para despistar e depois seguiu-a."

" Fomos contactados pela Interpol; houve um caso similar na Bélgica e os suspeitos são um casal português. Pensam que podem estar cá, porque há registos de saída de portugueses nos dias seguintes à fraude. Mostraram as fotos no aeroporto e identificaram-nos.Como o nome de um desses casais é Mateus Abreu e o nosso caso está aberto, resolvermos seguir a pista." explica o novo inspector.

" Certo." concorda Leitão " Tens processo, novas fotos? O que é que pretendem de mim? "

Lopes abre a pasta e coloca as fotos em cima da mesa.

Leitão observa-as atentamente e diz:

" Ele não é o Gonçalo Mateus Abreu que eu conheci. Ela... pode ser..." concede " Pode ter pintado o cabelo, feito uma operação plástica. E as impressões digitais?"

" Não coincidem com as que temos em arquivo. Mas seguimos um casal com esse nome até cá e gostaríamos de fazer uma investigação discreta...."

" E, como vivo cá, conheço as pessoas e estas podem dar-me mais informações...." termina o ex-inspector.

CONTINUA

terça-feira, 11 de setembro de 2018

O NOVO CASO


O Inspector Leitão gosta da vida na aldeia e até está a pensar em comprar mais algum terreno para trabalhar na agricultura biológica.

Faz caminhadas regularmente pelos trilhos assinalados do Parque Nacional e uma vez por mês, vai até à cidade mais próxima para ir ao cinema, à biblioteca, almoçar com um amigo ou uma exposição temporária.

Por isso, não fica nada satisfeito quando o Sargento Lopes, agora promovido a Inspector, o resolve visitar.

O que aborrece mais é o facto do novo Inspector não ter tido a delicadeza de telefonar antes e perguntado se o podia visitar.

O que é que ensinam agora aos jovens? suspira Leitão.

Nota-se que o novo Inspector está nervoso e hesita em explicar a razão da visita.

Leitão serve-lhe um café e pergunta:

" O que se passa? Não deve ser assim tão grave!"

" Não sei como começar." confessa Lopes.

" Pelo principio. É a melhor maneira. É um caso novo ou antigo? " repete o ex-inspector.

" É antigo e o Inspector trabalhou nele. Não, não há problemas com as suas notas que estão, como sempre, bem claras e organizadas." explica o novo Inspector " É que temos razões para acreditar de que estão em Portugal e podem ter-se escondido aqui."

Leitão fica surpreendido. De vez em quando, aparecem turistas, mas param ali apenas para comprar umas águas, tomar um café antes de subirem para o parque.

" Está a falar de quem? Ainda não me disse de quem fala!" observa Leitão.

" Pois... Estou a falar do casal Mateus Abreu, lembra-se? " diz Lopes.

Então, não se lembra... Pessoas frias, calculistas que "limparam" a empresa dos pais e conseguiram escapar.


CONTINUA





segunda-feira, 10 de setembro de 2018

MISTÉRIO - O FIM


A identificação formal é feita pela irmã, que responde delicada, mas sucintamente às perguntas do Inspector.

" Alguém do gangue já te contactou e assustou-te o suficiente para queres distância de tudo isto." pensa o Inspector e não insiste.

A bala coincide com a arma registada em nome do morto.

" Terá sido morto pela sua própria arma? " especula Leitão.

" Não me admira nada!" admite o Sargento Lopes " O Osório diz que a esta altura já está destruída bem como a moto que o miúdo viu! "

" E os bares? Alguém o identificou? " pergunta o Inspector.

" Sabe como é: nada definitivo. Respostas tipo: é capaz de frequentar, mas sabe, é tanta a gente que não me posso lembrar de todos!" imita o Sargento.

Leitão suspira e dá-se conta de que ultimamente, anda a suspirar muito.

Este caso não tem solução aparente e preocupa-o.

Talvez a Brigada Anti-Gangues tenha sorte, mas Leitão duvida.

Nos tempos mais próximos, ninguém, nem mesmo de Gangues Rivais, vai falar.

Por isso, Leitão autoriza a libertação do corpo do homem tatuado e reforma-se como previsto.

Tem uma casa na aldeia e dedica-se de corpo e alma à jardinagem.

Mas o caso do homem tatuado continua em aberto e ele não está satisfeito com o resultado.

Quem sabe se o Sargento Lopes ou o Detective Osório não o vão resolver?

E, com essa esperança, vai dar uma volta pela aldeia.


FIM