quarta-feira, 11 de abril de 2018

O FIM DO LIVRO - PARTE V


Respondo calmamente às perguntas dos dois polícias. 

Eles querem apenas confirmar os acontecimentos da noite passada e quando pergunto porquê, apenas dizem que a senhora está morta e estão a tentar localizar o marido.

" Muito calados, não acha? " comenta a D.Guida

" Ainda é cedo para dizerem qualquer coisa.  Quem sabe? A senhora pode ter tido um ataque de coração fulminante!" digo.

" Não conseguiste saber nada? Mesmo nada?" interroga-me o Jorge ao almoço.

" Não. Estão apenas a inteirar-se dos factos. Mas que é estranho ele ter desaparecido... é!" confesso.

" Tens a certeza de que ele estava lá? Quem te diz que não gravaram a discussão antes? " sugere o meu amigo.

Olho-o surpreendido. É uma possibilidade... Com as novas tecnologias, tudo é possível.

" É uma possibilidade... não digo que não... Mas não a vou partilhar com a polícia! " acrescento.

Jorge ri-se e diz:

" Depois não digas que não te dou boas ideias!"

A verdade é que os acontecimentos da noite anterior fazem com que reescreva o enredo já alinhavado na minha mente.

O meu editor fica admirado quando lhe envio o primeiro rascunho.

" OH, ISTO É UMA MARAVILHA!" grita tanto ao telefone que a D.Guida se assusta.

Mas o que terá verdadeiramente acontecido no andar de cima?


CONTINUA

segunda-feira, 9 de abril de 2018

O FIM DO LIVRO - PARTE IV


Está zangado, pois, explica, tem um exame dali a umas horas e precisa de descansar.

" Não podemos fazer nada? " interroga e o Senhor Sousa, que vive no 1º Andar e que esteve sempre calado, decide.

" Vamos bater à porta e manifestar-lhe o nosso descontentamento. Amanhã manda-se um mail ao Administrador e diz-se que, se houver uma próxima vez, chama-se a polícia." e começa a subir as escadas.

Os homens seguem-nos e as senhoras ficam a comentar o caso no patamar. 

A discussão tinha cessado, entretanto, mas mesmo assim, o Sousa toca à campainha.

Ninguém atende, mas o Sousa não desiste e dá uma pancada na porta, dizendo bem alto para todos ouvirem.

" Não toleramos mais isto, Dr Mesquita! Vamos apresentar uma queixa formal ao Condominio e, se houver uma próxima vez, chamamos de imediato a polícia!" 

Ainda esperamos uns minutos, mas, como nem o Dr Mesquita nem a mulher abriram a porta (que falta de educação, diz a D.Luisa), regressamos às nossas casas, pensando que o pior tinha passado.

Mas o pior ainda estava para acontecerA D.Guida acorda-me no dia seguinte, muito nervosa e segreda-me:

" Estão dois polícias na sala à sua espera! Bem lhe disse que o Dr ainda estava a dormir, mas eles pediram para o acordar."

" Mas o que se passa? " resmungo, enquanto enfio um roupão e calco os chinelos.

" Parece que o investigador matou a mulher!" sussurra a D.Guida.

CONTINUA     

sexta-feira, 6 de abril de 2018

O FIM DO LIVRO - PARTE III




Nessa noite, estala uma discussão no andar de cima.  

Ouço qualquer coisa a cair... Terá sido a senhora?...

" Já sei que ele esteve cá! Não mintas!" diz o investigador.

Não consigo perceber a resposta da senhora, mas não deve ter agradado ao marido, porque uma porta fecha-se com estrondo.

Fica tudo em silêncio e resolvo reler as minhas notas.

Escrevo no Google " violência doméstica?"  e aparecem-me várias artigos que leio atentamente.
  
Deparo-me com o contacto da APAV e envio de imediato um mail, a solicitar uma entrevista.

Satisfeito com a pesquisa, deito-me por volta das duas da manhã.

Acordo duas horas depois em sobressalto.

Os meus vizinhos estão a ter uma nova discussão

Está a ser bastante violenta e não sou só eu quem sai para o patamar. 

Encontro aí os vizinhos de baixo e eles perguntam-me:

" O que acha? Chamamos a Polícia ou batemos à porta? " sugere a D.Luisa do segundo andar.

" Não vale a pena avisar o Administrador. Ele está fora; temos que ser nós a resolver o assunto!" avisa o Dr Gonçalves do primeiro andar.

Alguém desce as escadas. É o estudante que alugou a casa do casal que está a viver temporariamente na Bélgica.

CONTINUA 

  

 






quarta-feira, 4 de abril de 2018

O FIM DO LIVRO - PARTE II


Nesse dia, quando regresso a casa, ouço vozes no patamar do andar de cima.

É a voz de uma mulher, clara, educada:

" É melhor que ele não te encontre aqui. Desce pelas escadas... tem cuidado, não deixes que ele te veja."

Entro apressadamente em casa, mas não fecho totalmente a porta.

É um rapaz com vinte e poucos anos que desce. Tem cabelo ruivo, um pouco comprido e veste umas calças pretas e um anorak preto.

Lá em cima, a porta bate. A vizinha já deve ter entrado e uns segundos depois, o elevador sobe e para naquele andar.

" Hum, quem será o rapaz? " murmuro " Amante dela? " mas a D.Guida trata de me elucidar na manhã seguinte.

" Sabe quem vi sair ontem daqui do prédio? " e continua sem esperar pelo meu acordo " O filho dos vizinhos de cima."

" Ah, eles têm um filho? " pergunto.

" Sim, deve ter 22, 23 anos. Estão zangados, disse a Madalena da mercearia. Ao que parece, o pai queria que fosse advogado ou coisa assim parecida, mas o rapaz é dado às artes. Por isso, saiu de casa e deve visitar a mãe às escondidas do pai." 

A D.Guida sorri-me e confessa:

" Não percebo qual é o problema. Os filhos têm que ser felizes, não acha?" e, sem esperar por resposta, entra na casa de banho.

Isto muda completamente o enredo.

CONTINUA

segunda-feira, 2 de abril de 2018

O FIM DO LIVRO


Devia começar esta história pelo fim...

A discussão violenta do andar de cima distraiu-me e acabei por ficar a olhar para o écran, sem saber o que escrever.

" O que fizeste? " pergunta o Jorge ao almoço no dia seguinte. " Bateste à porta, telefonaste à polícia?"

" Não, enviei um mail à Administração do Condomínio." replico.

O Jorge sorri. É consultor financeiro; deu-me boas dicas para uma das minhas personagens, mas não lê os meus livros. 

Diz que conhece as personagens tão bem como eu, está ciente das dúvidas e medos de cada uma delas de tanto me ouvir falar. 

Se lesse e o enredo fosse diferente do que pensou, teria uma grande desilusão.

" Mas o que sabes sobre esses teus vizinhos? " insiste.

" Pouco. Sei que ele é investigador e ela professora numa universidade. Quem me contou foi a D.Guida, a senhora que me faz a limpeza." comento.

" Violência doméstica? Estará ele envolvido com uma colega? Ou é ela? " sugere o Jorge. " Vais escrever sobre isso? "

Por acaso, já tinha pensado nisso...


CONTINUA 

 

domingo, 1 de abril de 2018

PAZ



Ups,mais um dia!

Mais uma grande confusão! Porque tenho a impressão de que não controlo nada...

E sinto-me estúpida... 

Talvez porque sinto que isto não é um desafio e eu gosto de um desafio...

Por isso, hoje celebro sozinha a Páscoa...

Por ser egoísta e os egoístas morrem sozinhos? 

Por ser misteriosa? Mas há certos aspectos da nossa vida que são só nossos...

Inveja? Mas inveja de quê? Se tenho tudo o que preciso?

Por isso, o que é que está a correr mal?

Mas hoje não é um bom dia para pensar nisso.

Porque é Páscoa e preciso de PAZ....


BOA PÁSCOA PARA TODOS


quarta-feira, 28 de março de 2018

LUCIANA - O FIM


O primeiro evento fora do Top Model é um sucesso.

Contudo, o dono telefona-lhe e diz que terá que haver algumas alterações, caso queira organizar outro evento no bar.

Consumo mínimo de 2 bebidas, não haverá problemas em decorar o bar de acordo com um tema, mas não haverá dançarinos exóticos ou DJ's a tocar música frenética.

Um fotografo? Poses divertidas? Ok, até pode ser engraçado, mas quem paga? Luciana e o dono desliga, cortando qualquer negociação.

Mesmo assim, a Luciana consegue ter um bom lucro. 

Mas estas coisas acabam por se saber e uma noite no Bar da Cerveja, alguém comenta a festa a que foi no Bar da Esquina.

Gil ouve, suspeita que há dedo da Luciana e confronta-a.

" Oh, pá, deixa-me em paz! O que eu faço fora daqui não te diz respeito!" refuta a Luciana.

" Mas diz ao Anselmo. Ele não merece que o trates assim; deu-te um emprego e se te cortou as asas, foi porque tu abusaste!" responde o Gil.

" Cala-te! Que importância tem? " insiste a Luciana.

" Não percebes nada! Isso é ser-se desleal! Continuas a fazer destas e vais ser despedida." remata Gil.

Luciana encolhe os ombros. Tem a certeza de que ele não vai contar nada ao Anselmo.

E o Gil não conta. O Anselmo encontra o dono do Bar da Esquina um dia na Baixa, almoçam juntos e o outro fala das obras de renovação que pensa fazer no bar.

" Desde que aquela Luciana me pediu para organizar lá uns eventos... " e o Anselmo fica em estado de choque.

Naquela noite, o segurança impede a Luciana de entrar no bar e no dia seguinte, o advogado do Anselmo convoca-a para uma reunião.

E, lá volta a Luciana para o desemprego... Pela loucura, pela irreverência, pela irresponsabilidade....

Quem sabe?


FIM

segunda-feira, 26 de março de 2018

LUCIANA - PARTE V


Queria tanto que o Top Model fosse diferente do Bar da Cerveja!

Tem que reconhecer que a ideia foi infeliz e tem realmente que ter mais cuidado!

Por isso, na manhã seguinte, reorganiza os pedidos e dá o ok imediato (com cópia para o Anselmo, pensa) a uma empresa que pretende alugar o bar para a apresentação de um novo vinho.

Para a fila dos " A considerar", fica uma despedida de solteiro e uma festa " pós divórcio".

Luciana até gostaria de a organizar, tem já uma ideia maluca, mas o Anselmo vetaria e o Gil não a deixaria em paz com insinuações.

" Até posso organizar... Não no Top Model, mas posso contactar outro bar e fazer tudo lá!" diz alto.

Não hesita; envia um mail a dizer que o Top Model tem uma agenda muito sobrecarregada, mas terá todo o prazer em organizar o evento num outro local, igualmente sofisticado.

Contacta o Bar da Esquina, conhece vagamente o dono e acerta detalhes.

O Anselmo não precisa de saber e entra um dinheiro extra na conta.

Satisfeita, Luciana prepara-se para a noite.


CONTINUA  

sexta-feira, 23 de março de 2018

LUCIANA - PARTE IV


O que a Luciana não diz é que é um desfile de "lingerie" e as tapas vão ser feitas com ingredientes afrodisíacos.

Mas não pode prever que alguém beba mais do que a conta e invada o vestiário onde os modelos mudam de roupa.

Que, apesar dos protestos destas, ele insista em ficar e tenha que ser retirado à força pelo segurança.

Ou que tenha tropeçado e caído quando saí e as pessoas presentes no corredor tenham interpretado mal a situação e agredido o segurança.

Felizmente, o Anselmo está no escritório, resolve a situação com diplomacia e oferece uma bebida extra a todos.

Chama a Luciana ao escritório e repreende-a severamente.

" Não tenho culpa que ele tenha bebido demais!" protesta.

" Mas és! " insiste o Anselmo " A partir de hoje, eventos como estes estão cancelados; nem te atrevas a sugerir.  Prepara lançamentos de vinhos, de tequila, de vodca, chocolates, o que queiras... mas desfiles, caça ao tesouro, beijos sexy... estão interditos! Desobedeces e estás na rua... Entendido? " frisa. 

Luciana não se atreve a dizer mais nada. Até gosta de trabalhar aqui...

Decide sair mais cedo e vai para casa.

CONTINUA

quarta-feira, 21 de março de 2018

LUCIANA - PARTE III


Escusado será dizer que a Luciana não explora as possibilidades de emprego agendadas para o dia seguinte.

Os dois meses seguintes passa-os na companhia do Anselmo e do Gil a escolherem as cores, o mobiliário, a contactarem fornecedores, Chefs de cozinha, etc.

Resolvem abrir os bares na mesma noite. 

Para o Bar da Cerveja, anunciam que as duas primeiras cervejas são por conta da casa. 

Para o Bar Top Model, o "dress code" exige vestido branco para as senhoras e camisa xadrez para os homens.

A surpresa será a prova de tapas quentes à meia noite.

Luciana resolve passar a noite no Top Model e o vestido é tão curto que o Gil pergunta se tem a certeza que é " um vestido ".

A Luciana ri-se e esforça-se para que a noite seja um sucesso.

E é. Nos dois bares.

O Gil acha que o fim de semana será ainda melhor, principalmente no Bar da Cerveja.

Um DJ famoso estará lá na sexta-feira e no dia seguinte, uma banda relativamente conhecida.

" E, no Top Model? " pergunta o barman.

" Haverá uma passagem de modelos e por volta da uma da manhã, o Chef Rodrigo apresentará uma nova tapa." responde a Luciana.

" Achas que é o suficiente? " comenta o Gil.

Luciana sorri e não responde.

CONTINUA


segunda-feira, 19 de março de 2018

LUCIANA - PARTE II


Luciana não hesita e conta a história com todos os pormenores.

Gil desata às gargalhadas e diz: 

" És completamente doida! " e o Anselmo, o dono do bar, senta-se ao pé da Luciana.

" O que se passa, Luciana? Mais uma das tuas maluquices? Não queres aproveitar essas ideias malucas que tens e aplicá-las aqui no bar?"

" Aqui? A fazer o quê? Gerente da noite? " brinca Luciana.

" Não, quero reestruturar tudo. Quero abrir dois bares, com decoração e ambiente diferente." conta o Anselmo.

" Bares temáticos? Um sofisticado e outro mais popular? " sugere o Gil.

" Cerveja e champagne? " ri Luciana, mas é exactamente disso que o Anselmo está a falar.

Luciana lembra-se então de que tem um amigo que está a promover uma nova marca de cerveja e poderão patrocinar o novo bar.

" É uma boa ideia!" concorda o Anselmo e o Gil diz:

" Também podemos ter música ao vivo, bandas que estejam a começar...Pode ser um chamariz... E, quanto ao outro? Cocktails exóticos, tapas misteriosas? "

" Podemos convidar chefs conhecidos e desafiá-los a inventar uma tapa. Ou desafiar os próprios clientes." comenta a Luciana.

Os dois homens concordam e decidem ter uma reunião na tarde do dia seguinte para discutirem mais pormenores.


CONTINUA     

sexta-feira, 16 de março de 2018

LUCIANA



No próprio dia em que são despedidos, a Luciana termina tudo com o Mendes.

Quem sabe se ele não fez isto de propósito? 

Ou a culpa terá sido dela por gostar de jogos e homens perigosos?

De levar às coisas até ao limite aceitável.... 

Era inevitável o que aconteceu... Mas valeu o risco....

E, agora? O que fazer? Ainda por cima, veio sem carta para o fundo de desemprego e ela gosta de luxo.

Por isso, começa a contactar amigos e conhecidos. 

A meio da tarde, já tem algumas " portas " a explorar.

" Amanhã, trato disto!" pensa e resolve sair para desanuviar.

Janta num restaurante perto das docas e dá um pulo até ao bar favorito, o Gus.

Ainda é cedo e senta-se na bancada a conversar com o Gil, o barman.

" Então, o que se passa, Luciana? Não há trabalho amanhã? " pergunta o barman.

" Não, despediram-me hoje. Imagina só!" responde.

" O que é que fizeste? " Gil conhece-a muito bem.

CONTINUA

quarta-feira, 14 de março de 2018

PACIÊNCIA - O FIM


O Meireles é organizado e gosta de partilhar ideias. Trabalhar com ele torna-se agradável, pois escuta-a verdadeiramente e respeita-lhe a opinião.

Nem sempre estão de acordo, mas encontram uma solução.

A Rita relaxa e até já ri dos comentários maliciosos da D.Goretti.

O Mendes torna-se um pouco mais civilizado, pois o Daniel, que tomou conta dos processos dele, não tolera " idiotices".

Se ainda continua com a Luciana, a Rita não sabe. Nem quer saber e finge-se admirada quando a D.Goretti lhe confessa que suspeita que eles estão juntos.

" Não, D.Goretti. Nunca reparei em nada, mas também eu e o Mendes estávamos sempre a discutir e o que eu queria, era distância. " comenta.

Tem uns dias de férias para gozar e a Rita resolve aproveitar o fim de semana da Páscoa. 

Só regressa na quarta feira seguinte e encontra o escritório em tumulto.

É a Margarida quem está a atender os telefones, sempre a reclamar contra a Luciana que não deixou nada organizado.

O Daniel parece ter uma montanha de processos em cima da secretária e o chefe está irritado.

" O que se passa? " pergunta a Rita à D.Goretti.

" A Luciana e o Mendes foram apanhados em flagrante no arquivo pelo Daniel. Quase não lhes deu tempo para se vestirem; chamou o Bruno da Secção da Embalagem como testemunha, o Dr Lapa estava a entrar e pumba! Despedidos no acto! " sussurra a D.Goretti.  " Eu não disse que havia qualquer coisa de estranho entre eles? " acrescenta triunfante.

A Rita esboça um sorriso... Quem brinca com o fogo, queima-se...

Talvez o Mendes e a Luciana aprendam a lição.  Mas isso será uma outra história...


FIM

 

domingo, 11 de março de 2018

PACIÊNCIA - PARTE V


A Luciana passa o dia calada e a D.Goretti queixa-se de que " estas meninas modernas não sabem o que querem."

Apenas o Mendes não está preocupado e faz ameaças veladas à Rita sempre que pode.

Esta ignora-as, convencida de que o assunto morrerá ali. 

Contudo, a meio da tarde têm uma discussão tão violenta que a Rita desata a chorar e coloca o lugar à disposição.

O chefe diz-lhe para ir para casa mais cedo; ele falará com o Mendes e analisará o assunto.

Luciana parece aterrorizada e a D.Goretti repete: " Eu bem a avisei de que isto aconteceria um dia."

No dia seguinte, quando a Rita entra ao serviço, o chefe comunica-lhe que deixará de tratar dos processos do Mendes.

" Estas discussões têm que terminar, Rita. Quando tiver razão, responda, não tenha medo.  Não pode bloquear e deixar que o Mendes a maltrate. Ele é um fala-barato; analisei o processo de ontem, estava tudo em ordem e bastou-me dizer isso para ele se calar.  Por isso, Rita, até nova ordem, vai trabalhar com o Meireles; eu tenho orientado o trabalho dele, a Rita tem experiência suficiente para o fazer também e qualquer dúvida, eu estou cá para os ajudar. Está claro, Rita? "

A Rita murmura um " está bem " e sai do gabinete. Não conhece muito bem o Meireles; foi-lhe apresentado quando entrou ao serviço, mas pouco falou com ele. Será boa ideia? interroga-se.

O Meireles terá uns 30 anos, tem uns grandes olhos azuis e um sorriso aberto. Está encostado à secretária dela e estende-lhe a mão, quando ela se aproxime.

" Rita, não é? O chefe disse que vou trabalhar consigo; por isso, adiei as reuniões desta manhã para vermos juntos os detalhes dos processos. "

A Rita olha-o surpreendida. Não há dúvida de que é um bom ponto de partida para o trabalho de equipa.


CONTINUA



sexta-feira, 9 de março de 2018

PACIÊNCIA - PARTE IV


Despe o anorak, descalça as galochas e só de meias, encaminha-se para a escada de acesso ao escritório.

Ouve um riso abafado e nota que há luz na sala do arquivo.

Que estranho! Quem estará na sala a esta hora da manhã? 

A porta está entreaberta, a Rita dá-lhe um ligeiro empurrão e entra.

A Luciana e o Mendes estão meio despidos e envolvidos num abraço intenso. 

Separam-se imediatamente e a Luciana tenta compor a roupa.

A Rita olha-os horrorizada e dá um passo atrás, sem saber bem o que fazer.

É o que basta para que Mendes se aproxime dela e lhe prenda o braço.

" Não vais dizer nada, ouviste? Absolutamente nada! Estás-me a ouvir? " grita.

" Oh, Mendes, larga-a!" pede a Luciana, assustada.

Mas, desta vez a Rita não bloqueia e sacode-lhe o braço cuidadosamente.

" Não digas disparates! Merecias que eu dissesse alguma coisa, mas, não, não vou dizer nada.... Não tenho por hábito dizer mal dos outros. Ao contrário de certas pessoas!" acrescenta.

" Essa piada é para mim? " indaga a Luciana.

O Mendes abre a boca para falar, mas a Rita não quer ouvir.

" Não quero mais conversas! Para mim, o assunto morre aqui! " e saí.

CONTINUA

segunda-feira, 5 de março de 2018

PACIÊNCIA - PARTE III


A Luciana e a D.Goretti saem para almoçar, mas não convidam a Rita.

Raramente a convidam, porque, na verdade têm muito pouco a dizer-lhe. 

A Rita acha a conversa delas oca e elas consideram-na uma " snobe".

" Oh, D.Rita! " alguém toca-lhe no ombro quando saí. É a Matilde que trabalha na secção de embalagem.

" Vamos comer uma pizza... não quer vir? " convida.

As outras raparigas sorriem-lhe e a Rita concorda.

Almoçam numa pizzaria ali perto e a Rita diverte-se imenso.

" Sempre que quiser almoçar connosco, telefone lá para a secção." dizem quando regressam.

Quando entra no gabinete a sorrir, a Luciana diz qualquer coisa maliciosa, mas a extensão da Rita está já a tocar e ela não lhe presta qualquer atenção.

O Mendes não telefona e a Rita concentra-se no trabalho.

Começa a chover e a D.Goretti comenta:

" Bem diziam eles! Parece que vai ser assim o resto da semana!"

" Não me diga! " lamenta-se a Luciana " Detesto chuva."

" Pode ser que não! Eles enganam-se... " interrompe a Rita.

Mas chove toda a noite e no dia seguinte, a Rita está tão encharcada que resolve entrar pelo Armazém.

CONTINUA


sexta-feira, 2 de março de 2018

PACIÊNCIA - PARTE II


A Rita revê o processo.... Talvez lhe tenha escapado alguma coisa...

Não, não falta nada - orçamento, confirmação do cliente, encomenda ao fornecedor. 

Que culpa tem ela se o fornecedor vai ter hoje uma auditoria?

O telefone toca e a Luciana atende. Quando desliga, baixa a voz e confidencia alguma coisa à D.Goretti.

Rita percebe que falam dela... Ou não... Será que está a ficar paranoica?

" Era escusado falar assim com ela. " diz a D.Goretti e a Luciana manda-a calar com um " Shiu".

Então, o Mendes telefonou para o fornecedor para confirmar. Que grande anormal! 

Rita abre um novo processo e  começa a introduzir dados no computador.

A  D.Goretti e a Luciana continuam a conversar. De vez em quando, a conversa tem que ser interrompida, pois a Luciana tem que fazer a triagem das chamadas e ligar para as extensões respectivas.

Chega um visitante que reclama toda a atenção da Luciana e a D.Goretti resolve então limpar os gabinetes e as casas de banho.

Fica muito aborrecida quando encontra a Rita à porta da casa de banho.

" Ah, queria começar por aqui!" queixa-se.

A Rita encolhe os ombros, empurra a porta e entra num dos cubículos. 

A D.Goretti continua a resmungar, parece que fazem de propósito, é sempre a mesma coisa.

" Em vez de estar à conversa, limpava a casa de banho!" murmura a Rita, mas, felizmente a outra não a ouve.

CONTINUA