quarta-feira, 28 de março de 2018

LUCIANA - O FIM


O primeiro evento fora do Top Model é um sucesso.

Contudo, o dono telefona-lhe e diz que terá que haver algumas alterações, caso queira organizar outro evento no bar.

Consumo mínimo de 2 bebidas, não haverá problemas em decorar o bar de acordo com um tema, mas não haverá dançarinos exóticos ou DJ's a tocar música frenética.

Um fotografo? Poses divertidas? Ok, até pode ser engraçado, mas quem paga? Luciana e o dono desliga, cortando qualquer negociação.

Mesmo assim, a Luciana consegue ter um bom lucro. 

Mas estas coisas acabam por se saber e uma noite no Bar da Cerveja, alguém comenta a festa a que foi no Bar da Esquina.

Gil ouve, suspeita que há dedo da Luciana e confronta-a.

" Oh, pá, deixa-me em paz! O que eu faço fora daqui não te diz respeito!" refuta a Luciana.

" Mas diz ao Anselmo. Ele não merece que o trates assim; deu-te um emprego e se te cortou as asas, foi porque tu abusaste!" responde o Gil.

" Cala-te! Que importância tem? " insiste a Luciana.

" Não percebes nada! Isso é ser-se desleal! Continuas a fazer destas e vais ser despedida." remata Gil.

Luciana encolhe os ombros. Tem a certeza de que ele não vai contar nada ao Anselmo.

E o Gil não conta. O Anselmo encontra o dono do Bar da Esquina um dia na Baixa, almoçam juntos e o outro fala das obras de renovação que pensa fazer no bar.

" Desde que aquela Luciana me pediu para organizar lá uns eventos... " e o Anselmo fica em estado de choque.

Naquela noite, o segurança impede a Luciana de entrar no bar e no dia seguinte, o advogado do Anselmo convoca-a para uma reunião.

E, lá volta a Luciana para o desemprego... Pela loucura, pela irreverência, pela irresponsabilidade....

Quem sabe?


FIM

segunda-feira, 26 de março de 2018

LUCIANA - PARTE V


Queria tanto que o Top Model fosse diferente do Bar da Cerveja!

Tem que reconhecer que a ideia foi infeliz e tem realmente que ter mais cuidado!

Por isso, na manhã seguinte, reorganiza os pedidos e dá o ok imediato (com cópia para o Anselmo, pensa) a uma empresa que pretende alugar o bar para a apresentação de um novo vinho.

Para a fila dos " A considerar", fica uma despedida de solteiro e uma festa " pós divórcio".

Luciana até gostaria de a organizar, tem já uma ideia maluca, mas o Anselmo vetaria e o Gil não a deixaria em paz com insinuações.

" Até posso organizar... Não no Top Model, mas posso contactar outro bar e fazer tudo lá!" diz alto.

Não hesita; envia um mail a dizer que o Top Model tem uma agenda muito sobrecarregada, mas terá todo o prazer em organizar o evento num outro local, igualmente sofisticado.

Contacta o Bar da Esquina, conhece vagamente o dono e acerta detalhes.

O Anselmo não precisa de saber e entra um dinheiro extra na conta.

Satisfeita, Luciana prepara-se para a noite.


CONTINUA  

sexta-feira, 23 de março de 2018

LUCIANA - PARTE IV


O que a Luciana não diz é que é um desfile de "lingerie" e as tapas vão ser feitas com ingredientes afrodisíacos.

Mas não pode prever que alguém beba mais do que a conta e invada o vestiário onde os modelos mudam de roupa.

Que, apesar dos protestos destas, ele insista em ficar e tenha que ser retirado à força pelo segurança.

Ou que tenha tropeçado e caído quando saí e as pessoas presentes no corredor tenham interpretado mal a situação e agredido o segurança.

Felizmente, o Anselmo está no escritório, resolve a situação com diplomacia e oferece uma bebida extra a todos.

Chama a Luciana ao escritório e repreende-a severamente.

" Não tenho culpa que ele tenha bebido demais!" protesta.

" Mas és! " insiste o Anselmo " A partir de hoje, eventos como estes estão cancelados; nem te atrevas a sugerir.  Prepara lançamentos de vinhos, de tequila, de vodca, chocolates, o que queiras... mas desfiles, caça ao tesouro, beijos sexy... estão interditos! Desobedeces e estás na rua... Entendido? " frisa. 

Luciana não se atreve a dizer mais nada. Até gosta de trabalhar aqui...

Decide sair mais cedo e vai para casa.

CONTINUA

quarta-feira, 21 de março de 2018

LUCIANA - PARTE III


Escusado será dizer que a Luciana não explora as possibilidades de emprego agendadas para o dia seguinte.

Os dois meses seguintes passa-os na companhia do Anselmo e do Gil a escolherem as cores, o mobiliário, a contactarem fornecedores, Chefs de cozinha, etc.

Resolvem abrir os bares na mesma noite. 

Para o Bar da Cerveja, anunciam que as duas primeiras cervejas são por conta da casa. 

Para o Bar Top Model, o "dress code" exige vestido branco para as senhoras e camisa xadrez para os homens.

A surpresa será a prova de tapas quentes à meia noite.

Luciana resolve passar a noite no Top Model e o vestido é tão curto que o Gil pergunta se tem a certeza que é " um vestido ".

A Luciana ri-se e esforça-se para que a noite seja um sucesso.

E é. Nos dois bares.

O Gil acha que o fim de semana será ainda melhor, principalmente no Bar da Cerveja.

Um DJ famoso estará lá na sexta-feira e no dia seguinte, uma banda relativamente conhecida.

" E, no Top Model? " pergunta o barman.

" Haverá uma passagem de modelos e por volta da uma da manhã, o Chef Rodrigo apresentará uma nova tapa." responde a Luciana.

" Achas que é o suficiente? " comenta o Gil.

Luciana sorri e não responde.

CONTINUA


segunda-feira, 19 de março de 2018

LUCIANA - PARTE II


Luciana não hesita e conta a história com todos os pormenores.

Gil desata às gargalhadas e diz: 

" És completamente doida! " e o Anselmo, o dono do bar, senta-se ao pé da Luciana.

" O que se passa, Luciana? Mais uma das tuas maluquices? Não queres aproveitar essas ideias malucas que tens e aplicá-las aqui no bar?"

" Aqui? A fazer o quê? Gerente da noite? " brinca Luciana.

" Não, quero reestruturar tudo. Quero abrir dois bares, com decoração e ambiente diferente." conta o Anselmo.

" Bares temáticos? Um sofisticado e outro mais popular? " sugere o Gil.

" Cerveja e champagne? " ri Luciana, mas é exactamente disso que o Anselmo está a falar.

Luciana lembra-se então de que tem um amigo que está a promover uma nova marca de cerveja e poderão patrocinar o novo bar.

" É uma boa ideia!" concorda o Anselmo e o Gil diz:

" Também podemos ter música ao vivo, bandas que estejam a começar...Pode ser um chamariz... E, quanto ao outro? Cocktails exóticos, tapas misteriosas? "

" Podemos convidar chefs conhecidos e desafiá-los a inventar uma tapa. Ou desafiar os próprios clientes." comenta a Luciana.

Os dois homens concordam e decidem ter uma reunião na tarde do dia seguinte para discutirem mais pormenores.


CONTINUA     

sexta-feira, 16 de março de 2018

LUCIANA



No próprio dia em que são despedidos, a Luciana termina tudo com o Mendes.

Quem sabe se ele não fez isto de propósito? 

Ou a culpa terá sido dela por gostar de jogos e homens perigosos?

De levar às coisas até ao limite aceitável.... 

Era inevitável o que aconteceu... Mas valeu o risco....

E, agora? O que fazer? Ainda por cima, veio sem carta para o fundo de desemprego e ela gosta de luxo.

Por isso, começa a contactar amigos e conhecidos. 

A meio da tarde, já tem algumas " portas " a explorar.

" Amanhã, trato disto!" pensa e resolve sair para desanuviar.

Janta num restaurante perto das docas e dá um pulo até ao bar favorito, o Gus.

Ainda é cedo e senta-se na bancada a conversar com o Gil, o barman.

" Então, o que se passa, Luciana? Não há trabalho amanhã? " pergunta o barman.

" Não, despediram-me hoje. Imagina só!" responde.

" O que é que fizeste? " Gil conhece-a muito bem.

CONTINUA

quarta-feira, 14 de março de 2018

PACIÊNCIA - O FIM


O Meireles é organizado e gosta de partilhar ideias. Trabalhar com ele torna-se agradável, pois escuta-a verdadeiramente e respeita-lhe a opinião.

Nem sempre estão de acordo, mas encontram uma solução.

A Rita relaxa e até já ri dos comentários maliciosos da D.Goretti.

O Mendes torna-se um pouco mais civilizado, pois o Daniel, que tomou conta dos processos dele, não tolera " idiotices".

Se ainda continua com a Luciana, a Rita não sabe. Nem quer saber e finge-se admirada quando a D.Goretti lhe confessa que suspeita que eles estão juntos.

" Não, D.Goretti. Nunca reparei em nada, mas também eu e o Mendes estávamos sempre a discutir e o que eu queria, era distância. " comenta.

Tem uns dias de férias para gozar e a Rita resolve aproveitar o fim de semana da Páscoa. 

Só regressa na quarta feira seguinte e encontra o escritório em tumulto.

É a Margarida quem está a atender os telefones, sempre a reclamar contra a Luciana que não deixou nada organizado.

O Daniel parece ter uma montanha de processos em cima da secretária e o chefe está irritado.

" O que se passa? " pergunta a Rita à D.Goretti.

" A Luciana e o Mendes foram apanhados em flagrante no arquivo pelo Daniel. Quase não lhes deu tempo para se vestirem; chamou o Bruno da Secção da Embalagem como testemunha, o Dr Lapa estava a entrar e pumba! Despedidos no acto! " sussurra a D.Goretti.  " Eu não disse que havia qualquer coisa de estranho entre eles? " acrescenta triunfante.

A Rita esboça um sorriso... Quem brinca com o fogo, queima-se...

Talvez o Mendes e a Luciana aprendam a lição.  Mas isso será uma outra história...


FIM

 

domingo, 11 de março de 2018

PACIÊNCIA - PARTE V


A Luciana passa o dia calada e a D.Goretti queixa-se de que " estas meninas modernas não sabem o que querem."

Apenas o Mendes não está preocupado e faz ameaças veladas à Rita sempre que pode.

Esta ignora-as, convencida de que o assunto morrerá ali. 

Contudo, a meio da tarde têm uma discussão tão violenta que a Rita desata a chorar e coloca o lugar à disposição.

O chefe diz-lhe para ir para casa mais cedo; ele falará com o Mendes e analisará o assunto.

Luciana parece aterrorizada e a D.Goretti repete: " Eu bem a avisei de que isto aconteceria um dia."

No dia seguinte, quando a Rita entra ao serviço, o chefe comunica-lhe que deixará de tratar dos processos do Mendes.

" Estas discussões têm que terminar, Rita. Quando tiver razão, responda, não tenha medo.  Não pode bloquear e deixar que o Mendes a maltrate. Ele é um fala-barato; analisei o processo de ontem, estava tudo em ordem e bastou-me dizer isso para ele se calar.  Por isso, Rita, até nova ordem, vai trabalhar com o Meireles; eu tenho orientado o trabalho dele, a Rita tem experiência suficiente para o fazer também e qualquer dúvida, eu estou cá para os ajudar. Está claro, Rita? "

A Rita murmura um " está bem " e sai do gabinete. Não conhece muito bem o Meireles; foi-lhe apresentado quando entrou ao serviço, mas pouco falou com ele. Será boa ideia? interroga-se.

O Meireles terá uns 30 anos, tem uns grandes olhos azuis e um sorriso aberto. Está encostado à secretária dela e estende-lhe a mão, quando ela se aproxime.

" Rita, não é? O chefe disse que vou trabalhar consigo; por isso, adiei as reuniões desta manhã para vermos juntos os detalhes dos processos. "

A Rita olha-o surpreendida. Não há dúvida de que é um bom ponto de partida para o trabalho de equipa.


CONTINUA



sexta-feira, 9 de março de 2018

PACIÊNCIA - PARTE IV


Despe o anorak, descalça as galochas e só de meias, encaminha-se para a escada de acesso ao escritório.

Ouve um riso abafado e nota que há luz na sala do arquivo.

Que estranho! Quem estará na sala a esta hora da manhã? 

A porta está entreaberta, a Rita dá-lhe um ligeiro empurrão e entra.

A Luciana e o Mendes estão meio despidos e envolvidos num abraço intenso. 

Separam-se imediatamente e a Luciana tenta compor a roupa.

A Rita olha-os horrorizada e dá um passo atrás, sem saber bem o que fazer.

É o que basta para que Mendes se aproxime dela e lhe prenda o braço.

" Não vais dizer nada, ouviste? Absolutamente nada! Estás-me a ouvir? " grita.

" Oh, Mendes, larga-a!" pede a Luciana, assustada.

Mas, desta vez a Rita não bloqueia e sacode-lhe o braço cuidadosamente.

" Não digas disparates! Merecias que eu dissesse alguma coisa, mas, não, não vou dizer nada.... Não tenho por hábito dizer mal dos outros. Ao contrário de certas pessoas!" acrescenta.

" Essa piada é para mim? " indaga a Luciana.

O Mendes abre a boca para falar, mas a Rita não quer ouvir.

" Não quero mais conversas! Para mim, o assunto morre aqui! " e saí.

CONTINUA

segunda-feira, 5 de março de 2018

PACIÊNCIA - PARTE III


A Luciana e a D.Goretti saem para almoçar, mas não convidam a Rita.

Raramente a convidam, porque, na verdade têm muito pouco a dizer-lhe. 

A Rita acha a conversa delas oca e elas consideram-na uma " snobe".

" Oh, D.Rita! " alguém toca-lhe no ombro quando saí. É a Matilde que trabalha na secção de embalagem.

" Vamos comer uma pizza... não quer vir? " convida.

As outras raparigas sorriem-lhe e a Rita concorda.

Almoçam numa pizzaria ali perto e a Rita diverte-se imenso.

" Sempre que quiser almoçar connosco, telefone lá para a secção." dizem quando regressam.

Quando entra no gabinete a sorrir, a Luciana diz qualquer coisa maliciosa, mas a extensão da Rita está já a tocar e ela não lhe presta qualquer atenção.

O Mendes não telefona e a Rita concentra-se no trabalho.

Começa a chover e a D.Goretti comenta:

" Bem diziam eles! Parece que vai ser assim o resto da semana!"

" Não me diga! " lamenta-se a Luciana " Detesto chuva."

" Pode ser que não! Eles enganam-se... " interrompe a Rita.

Mas chove toda a noite e no dia seguinte, a Rita está tão encharcada que resolve entrar pelo Armazém.

CONTINUA


sexta-feira, 2 de março de 2018

PACIÊNCIA - PARTE II


A Rita revê o processo.... Talvez lhe tenha escapado alguma coisa...

Não, não falta nada - orçamento, confirmação do cliente, encomenda ao fornecedor. 

Que culpa tem ela se o fornecedor vai ter hoje uma auditoria?

O telefone toca e a Luciana atende. Quando desliga, baixa a voz e confidencia alguma coisa à D.Goretti.

Rita percebe que falam dela... Ou não... Será que está a ficar paranoica?

" Era escusado falar assim com ela. " diz a D.Goretti e a Luciana manda-a calar com um " Shiu".

Então, o Mendes telefonou para o fornecedor para confirmar. Que grande anormal! 

Rita abre um novo processo e  começa a introduzir dados no computador.

A  D.Goretti e a Luciana continuam a conversar. De vez em quando, a conversa tem que ser interrompida, pois a Luciana tem que fazer a triagem das chamadas e ligar para as extensões respectivas.

Chega um visitante que reclama toda a atenção da Luciana e a D.Goretti resolve então limpar os gabinetes e as casas de banho.

Fica muito aborrecida quando encontra a Rita à porta da casa de banho.

" Ah, queria começar por aqui!" queixa-se.

A Rita encolhe os ombros, empurra a porta e entra num dos cubículos. 

A D.Goretti continua a resmungar, parece que fazem de propósito, é sempre a mesma coisa.

" Em vez de estar à conversa, limpava a casa de banho!" murmura a Rita, mas, felizmente a outra não a ouve.

CONTINUA



quarta-feira, 28 de fevereiro de 2018

PACIÊNCIA





" NÃO GRITES!" e toda a gente olha.

Que gritaria é aquela? Ainda ninguém despiu os casacos...

" Bem lhe disse para não atender os telefones antes das nove!" pensa a D.Goretti, pois reconhece a voz da Rita, que está já muito nervosa e com a cara vermelha.

Mas a Rita sempre gostou de chegar dez, quinze minutos mais cedo. Diz ela que assim tem tempo para organizar convenientemente o trabalho.

 D.Goretti encolhe os ombros; não percebe a diferença entre estar já preparada quando alguém telefona e ter que pedir desculpa e oferecer-se para retribuir a chamada, pois o computador ainda não está ligado, etc.

" Já te expliquei que hoje vão estar encerrados... Mas eu disse isso tudo; não somos exclusivos... há mais gente..." e, pouco depois, a Rita desliga.

" Não entendo! Devo realmente ser muito burra, porque não entendo!" repete.

" Não entende o quê? " pergunta a D.Goretti. " Já sabe que ele é um parvalhão e não aceita as opiniões dos outros... Já lhe disse várias vezes para só o atender às nove; é a sua hora de entrada."

" Não, é a hora a que devo começar a trabalhar." explica pacientemente a Rita.

" Pois, pois.... " e a D.Goretti afasta-se para falar com a Luciana.

CONTINUA





sábado, 24 de fevereiro de 2018

O ACIDENTE - O FIM


Resolvi ficar em casa da minha Mãe... Não sei porquê, mas não quis ficar sozinha com o Jaime na minha casa super moderna.

Apesar dos conselhos médicos, comecei o meu trabalho de pesquisa e um dos meus colegas confirmou as suspeitas do detective.

Não sobre a Madalena, mas sobre a proposta de fusão. Ele também não estava de acordo.

Concorda comigo: a empresa está sólida no mercado, para quê arriscar?

Poucos dias depois, sei que a Madalena está a organizar os relatórios financeiros e o meu colega avisa-me de que ela encontrou umas pequenos "desvios".

" Que desvios???  Deixei as contas direitas! Não brinco em serviço!!!" contesto e a minha Mãe sugere:

" Desacreditar-te? " e o detective Figueiredo, quando sabe, concorda.

" Mas não se preocupe; já informamos os Administradores da situação. Queremos que eles alinhem. Já não é só a Madalena que nos interesse." e não diz mais nada.

Umas semanas mais tarde, o Grupo retirou a proposta de fusão.  Uma das empresas do grupo era suspeita num caso de tráfico humano e o escândalo prejudicou os negócios.

Pouco tempo depois, a Madalena despediu-se e o caso dos travões do meu carro ficou arquivado, por falta de provas.

Eu e o Figueiredo achamos que tínhamos muito em comum e estamos a viver juntos.

A relação com o Jaime melhorou, ele e o Figueiredo são grandes amigos, o que não agrada muito ao meu ex.

Quanto ao trabalho,  não voltei para a empresa. 

Decidi abrir uma pequena empresa de consultadoria, ter mais tempo para mim, para o meu filho e para o Figueiredo.

E, sobretudo... não ter acidentes por causa de travões cortados e interesses empresariais.



FIM


quinta-feira, 22 de fevereiro de 2018

O ACIDENTE - PARTE V




Figueiredo hesita antes de responder.


" Está ao corrente da proposta de fusão que a empresa recebeu? " e eu fico espantada.



" Não, ocupo um cargo importante, mas não a esse ponto." explico " Mas porquê? " insisto.


" Segundo sabemos, a proposta foi apresentada por um Grupo, em que o marido da D.Madalena tem interesses. Aliás, a oficina onde deixa o carro para reparar pertence a esse Grupo." acrescenta.

Começo a ter uma ideia do que se poderá estar a passar e quando o detective se prepara para falar novamente, interrompo:

" Foi efectivamente a Madalena quem me recomendou essa oficina e terá todo o interesse em que eu não esteja na empresa enquanto decorrerem as discussões. Porque, eventualmente comunicar-me-iam e eu opor-me-ia." declaro.

" Acha que a Madalena poderá estar envolvida no acidente? " atalha a minha Mãe.

" É uma das pistas que estamos a averiguar. Pode explicar-me porque é que se oporia a essa fusão? " questiona-me o detective.

" A situação da empresa é sólida e teriam que me pedir um parecer financeiro... Teria que ter acesso também às contas do Grupo, pesquisar o mercado... Não, não neste momento, a empresa pode sobreviver sozinha." declaro.

" Talvez tenha sido por isso que alguém mexeu nos travões do teu carro. " sugere a minha Mãe.

O detective despede-se e eu peço à minha Mãe para convencer o médico a deixar-me ir para casa.

Tenho muito em que pensar....


CONTINUA

segunda-feira, 19 de fevereiro de 2018

O ACIDENTE - PARTE IV



A Mãe trouxe-o hoje, mas o Jaime pouco fala. Senta-se numa cadeira ao fundo do quarto a jogar qualquer coisa no telemóvel.

Fico destroçada; pensei que poderíamos conversar, saber o que ele pensa e quer. 

Fecha-se em copas; parece estar muito à vontade com a avó e nota-se que a visita está a ser uma " seca ".

A Mãe sorri e percebo que tem alguma a coisa a dizer, mas a presença do Jaime impede-a.

Chega um dos detectives que está a investigar o meu caso. O Jaime fica curioso e até gostaria de lhe fazer umas perguntas, mas a avó manda-o sair do quarto.

O detective, Figueiredo creio, abre um bloco de notas e diz:

" Investigamos todos os nomes que a D.Madalena nos deu. Um deles está a viver em Londres e os restantes estão já a trabalhar noutras empresas. Funcionários exemplares e os que têm carro, não utilizam a oficina onde deixa o seu. "

" Mas falaram mesmo com eles? " interrompe a minha Mãe.

" Sim, sim..." confirma Figueiredo " O que se passou, está resolvido e nem querem pensar mais no assunto." olha-me fixamente e pergunta:

" Conhece bem a D.Madalena?" 

" Não somos íntimas, mas trabalhamos juntas há uns quatro, cinco anos. Conhecemo-nos bem o suficiente para desenvolvermos os projectos." respondo.

" Porquê? Suspeita de alguma coisa? " questiona a minha Mãe.


CONTINUA

sexta-feira, 16 de fevereiro de 2018

O ACIDENTE - PARTE III





Mas não tenho tempo para reflectir sobre o assunto, pois a polícia faz-me uma visita.

Não tenho culpa que o acidente tivesse ocorrido (se calhar, pensaram que eu estava intoxicada com álcool), pois a perícia determinou que alguém "mexeu" nos travões.

O nome da oficina onde levo o carro quando tenho problemas? Sei o nome do mecânico? Quando é que foi a última vez que levei o carro lá?

Recebi mails, telefonemas estranhos, em tom de ameaça? Rio-me, se os recebesse, limpava-os de imediato, digo.

Nessa altura, a Madalena, a minha assistente, interrompe e fala de um incidente que acha ser importante para o caso.

" Não se lembra quando despediu o Chefe da Manutenção e este a ameaçou? Tivemos que chamar a segurança... E, da manifestação que os Chefes de Turno fizeram por ter reorganizado os horários? "

A polícia fica interessada e pede detalhes. A Madalena prontifica-se a entregar todos os elementos no dia seguinte.

A minha Mãe fica aborrecida por não lhe ter contado.

" E, se o Jaime estivesse contigo? " 

Pois, naquele dia, em vez de ir para a escola, o Jaime foi para o Centro Comercial com uns amigos.

CONTINUA


quarta-feira, 14 de fevereiro de 2018

O ACIDENTE - PARTE II


Não sei porquê, mas lembrei-me da minha Mãe, dos comentários que fazia sobre a vida apressada que levava.

" Goza o tempo... vais perder muita coisa, se continuas assim..."

Analisando agora a situação, de que me serve ter subido até ao topo se o meu ex mal fala comigo e o meu filho é um estranho?

Na altura do divórcio, acusei-o de ser pouco ambicioso... Ele não respondeu; virou costas e saiu de casa, da minha vida.

Falamos o indispensável sobre o filhote, que prefere a companhia dele à minha.

Por amigos comuns, sei que a empresa de informática que abriu pouco depois do divórcio está a ter sucesso.

Mas nunca me apresentou uma proposta nem eu a pedi.

Magoei-o? Como? 

Um dia, perguntei à minha Mãe que, sensatamente, respondeu:

" Se não o sabes, é porque nunca prestaste atenção!" 

Atenção a quê?


CONTINUA


 

terça-feira, 13 de fevereiro de 2018

O ACIDENTE




Morri?... Não morri?

Não sei.... estou dorida demais para pensar...

Custa-me a respirar e o rosto do médico é uma mancha branca...

Afinal, o que é que se passou?... Será possível alguém desligar esse alarme?

" Siga o meu dedo..." alguém diz e eu tento ordenar os meus pensamentos....

Onde é que eu estava antes de tudo acontecer? No carro?

Tenho que fazer um esforço e lembrar-me...

Sei que recebi um telefonema quando entrei no carro. 

Era da escola a perguntar-me onde estava o meu filho que tinha ido passado o fim de semana com o Pai.

Entrei em pânico e resolvi ir de imediato ao escritório do meu ex.



CONTINUA

quinta-feira, 8 de fevereiro de 2018

LATITUDE - O FIM


Jaime está ciente do prazo....

Mas está num impasse... É um momento decisivo na narrativa... 

Não é o Latitude aceitar a missão que está em causa... 

O problema é que poderá não escapar... 

"Matar" uma personagem que o público começa a conhecer poderá ser um erro fatal.

Mas é a única alternativa... Caso contrário, o Latitude passará o resto da vida a " fugir " e ele é um homem corajoso...

Por isso, quando chega a casa e abre o computador, Jaime escreve os últimos capítulos.

Latitude é descoberto, torturado e morto.

É um sucesso, o livro, mas Jaime não está contente...

Já se tinha afeiçoado ao feitio do Latitude, tão parecido com o seu....


FIM

terça-feira, 6 de fevereiro de 2018

LATITUDE - PARTE V


Quando entra na sala de reuniões, reconhece de imediato o Inspector Graça e o Comissário Maurício. Não conhece o terceiro homem que apenas sorri quando o cumprimenta.

Depois dos cumprimentos da praxe, surpreendem-no ao mostrarem fotos dele a conversar com um director da tal empresa interessada nos seus serviços de segurança.

Latitude fica boquiaberto; não notou nada de estranho. " Devo estar a perder qualidades!" pensa, mas lembra-se de que a reunião foi num local público e que, certamente não era ele a pessoa a vigiar.

" Quem é ele? " pergunta e o Inspector Graça ri-se.

" Temos quase a certeza de que essa empresa é uma fachada, uma " lavandaria". Pensamos que pertence ao Grupo do Maurício, a " cara " por detrás da qual eles escondem as operações de protecção/ extorsão dos bares da zona da Ria." explica o Comissário Maurício.

" O assassinato do Joaquim do Bar da Estrela pode estar relacionado com essas operações." conclui Latitude.

" Talvez." concorda Graça " É o que que te queremos propor. Que aceites o trabalho de Director de Segurança e tentes saber como a operação funciona."

" Isto está óptimo!" grita Leonardo " E agora? Vai aceitar? "

Jaime acaba de fumar o cigarro e diz:

" É cedo demais para o afirmar."

" Oh, pá, olha o prazo!"



CONTINUA