quarta-feira, 28 de fevereiro de 2018

PACIÊNCIA





" NÃO GRITES!" e toda a gente olha.

Que gritaria é aquela? Ainda ninguém despiu os casacos...

" Bem lhe disse para não atender os telefones antes das nove!" pensa a D.Goretti, pois reconhece a voz da Rita, que está já muito nervosa e com a cara vermelha.

Mas a Rita sempre gostou de chegar dez, quinze minutos mais cedo. Diz ela que assim tem tempo para organizar convenientemente o trabalho.

 D.Goretti encolhe os ombros; não percebe a diferença entre estar já preparada quando alguém telefona e ter que pedir desculpa e oferecer-se para retribuir a chamada, pois o computador ainda não está ligado, etc.

" Já te expliquei que hoje vão estar encerrados... Mas eu disse isso tudo; não somos exclusivos... há mais gente..." e, pouco depois, a Rita desliga.

" Não entendo! Devo realmente ser muito burra, porque não entendo!" repete.

" Não entende o quê? " pergunta a D.Goretti. " Já sabe que ele é um parvalhão e não aceita as opiniões dos outros... Já lhe disse várias vezes para só o atender às nove; é a sua hora de entrada."

" Não, é a hora a que devo começar a trabalhar." explica pacientemente a Rita.

" Pois, pois.... " e a D.Goretti afasta-se para falar com a Luciana.

CONTINUA





sábado, 24 de fevereiro de 2018

O ACIDENTE - O FIM


Resolvi ficar em casa da minha Mãe... Não sei porquê, mas não quis ficar sozinha com o Jaime na minha casa super moderna.

Apesar dos conselhos médicos, comecei o meu trabalho de pesquisa e um dos meus colegas confirmou as suspeitas do detective.

Não sobre a Madalena, mas sobre a proposta de fusão. Ele também não estava de acordo.

Concorda comigo: a empresa está sólida no mercado, para quê arriscar?

Poucos dias depois, sei que a Madalena está a organizar os relatórios financeiros e o meu colega avisa-me de que ela encontrou umas pequenos "desvios".

" Que desvios???  Deixei as contas direitas! Não brinco em serviço!!!" contesto e a minha Mãe sugere:

" Desacreditar-te? " e o detective Figueiredo, quando sabe, concorda.

" Mas não se preocupe; já informamos os Administradores da situação. Queremos que eles alinhem. Já não é só a Madalena que nos interesse." e não diz mais nada.

Umas semanas mais tarde, o Grupo retirou a proposta de fusão.  Uma das empresas do grupo era suspeita num caso de tráfico humano e o escândalo prejudicou os negócios.

Pouco tempo depois, a Madalena despediu-se e o caso dos travões do meu carro ficou arquivado, por falta de provas.

Eu e o Figueiredo achamos que tínhamos muito em comum e estamos a viver juntos.

A relação com o Jaime melhorou, ele e o Figueiredo são grandes amigos, o que não agrada muito ao meu ex.

Quanto ao trabalho,  não voltei para a empresa. 

Decidi abrir uma pequena empresa de consultadoria, ter mais tempo para mim, para o meu filho e para o Figueiredo.

E, sobretudo... não ter acidentes por causa de travões cortados e interesses empresariais.



FIM


quinta-feira, 22 de fevereiro de 2018

O ACIDENTE - PARTE V




Figueiredo hesita antes de responder.


" Está ao corrente da proposta de fusão que a empresa recebeu? " e eu fico espantada.



" Não, ocupo um cargo importante, mas não a esse ponto." explico " Mas porquê? " insisto.


" Segundo sabemos, a proposta foi apresentada por um Grupo, em que o marido da D.Madalena tem interesses. Aliás, a oficina onde deixa o carro para reparar pertence a esse Grupo." acrescenta.

Começo a ter uma ideia do que se poderá estar a passar e quando o detective se prepara para falar novamente, interrompo:

" Foi efectivamente a Madalena quem me recomendou essa oficina e terá todo o interesse em que eu não esteja na empresa enquanto decorrerem as discussões. Porque, eventualmente comunicar-me-iam e eu opor-me-ia." declaro.

" Acha que a Madalena poderá estar envolvida no acidente? " atalha a minha Mãe.

" É uma das pistas que estamos a averiguar. Pode explicar-me porque é que se oporia a essa fusão? " questiona-me o detective.

" A situação da empresa é sólida e teriam que me pedir um parecer financeiro... Teria que ter acesso também às contas do Grupo, pesquisar o mercado... Não, não neste momento, a empresa pode sobreviver sozinha." declaro.

" Talvez tenha sido por isso que alguém mexeu nos travões do teu carro. " sugere a minha Mãe.

O detective despede-se e eu peço à minha Mãe para convencer o médico a deixar-me ir para casa.

Tenho muito em que pensar....


CONTINUA

segunda-feira, 19 de fevereiro de 2018

O ACIDENTE - PARTE IV



A Mãe trouxe-o hoje, mas o Jaime pouco fala. Senta-se numa cadeira ao fundo do quarto a jogar qualquer coisa no telemóvel.

Fico destroçada; pensei que poderíamos conversar, saber o que ele pensa e quer. 

Fecha-se em copas; parece estar muito à vontade com a avó e nota-se que a visita está a ser uma " seca ".

A Mãe sorri e percebo que tem alguma a coisa a dizer, mas a presença do Jaime impede-a.

Chega um dos detectives que está a investigar o meu caso. O Jaime fica curioso e até gostaria de lhe fazer umas perguntas, mas a avó manda-o sair do quarto.

O detective, Figueiredo creio, abre um bloco de notas e diz:

" Investigamos todos os nomes que a D.Madalena nos deu. Um deles está a viver em Londres e os restantes estão já a trabalhar noutras empresas. Funcionários exemplares e os que têm carro, não utilizam a oficina onde deixa o seu. "

" Mas falaram mesmo com eles? " interrompe a minha Mãe.

" Sim, sim..." confirma Figueiredo " O que se passou, está resolvido e nem querem pensar mais no assunto." olha-me fixamente e pergunta:

" Conhece bem a D.Madalena?" 

" Não somos íntimas, mas trabalhamos juntas há uns quatro, cinco anos. Conhecemo-nos bem o suficiente para desenvolvermos os projectos." respondo.

" Porquê? Suspeita de alguma coisa? " questiona a minha Mãe.


CONTINUA

sexta-feira, 16 de fevereiro de 2018

O ACIDENTE - PARTE III





Mas não tenho tempo para reflectir sobre o assunto, pois a polícia faz-me uma visita.

Não tenho culpa que o acidente tivesse ocorrido (se calhar, pensaram que eu estava intoxicada com álcool), pois a perícia determinou que alguém "mexeu" nos travões.

O nome da oficina onde levo o carro quando tenho problemas? Sei o nome do mecânico? Quando é que foi a última vez que levei o carro lá?

Recebi mails, telefonemas estranhos, em tom de ameaça? Rio-me, se os recebesse, limpava-os de imediato, digo.

Nessa altura, a Madalena, a minha assistente, interrompe e fala de um incidente que acha ser importante para o caso.

" Não se lembra quando despediu o Chefe da Manutenção e este a ameaçou? Tivemos que chamar a segurança... E, da manifestação que os Chefes de Turno fizeram por ter reorganizado os horários? "

A polícia fica interessada e pede detalhes. A Madalena prontifica-se a entregar todos os elementos no dia seguinte.

A minha Mãe fica aborrecida por não lhe ter contado.

" E, se o Jaime estivesse contigo? " 

Pois, naquele dia, em vez de ir para a escola, o Jaime foi para o Centro Comercial com uns amigos.

CONTINUA


quarta-feira, 14 de fevereiro de 2018

O ACIDENTE - PARTE II


Não sei porquê, mas lembrei-me da minha Mãe, dos comentários que fazia sobre a vida apressada que levava.

" Goza o tempo... vais perder muita coisa, se continuas assim..."

Analisando agora a situação, de que me serve ter subido até ao topo se o meu ex mal fala comigo e o meu filho é um estranho?

Na altura do divórcio, acusei-o de ser pouco ambicioso... Ele não respondeu; virou costas e saiu de casa, da minha vida.

Falamos o indispensável sobre o filhote, que prefere a companhia dele à minha.

Por amigos comuns, sei que a empresa de informática que abriu pouco depois do divórcio está a ter sucesso.

Mas nunca me apresentou uma proposta nem eu a pedi.

Magoei-o? Como? 

Um dia, perguntei à minha Mãe que, sensatamente, respondeu:

" Se não o sabes, é porque nunca prestaste atenção!" 

Atenção a quê?


CONTINUA


 

terça-feira, 13 de fevereiro de 2018

O ACIDENTE




Morri?... Não morri?

Não sei.... estou dorida demais para pensar...

Custa-me a respirar e o rosto do médico é uma mancha branca...

Afinal, o que é que se passou?... Será possível alguém desligar esse alarme?

" Siga o meu dedo..." alguém diz e eu tento ordenar os meus pensamentos....

Onde é que eu estava antes de tudo acontecer? No carro?

Tenho que fazer um esforço e lembrar-me...

Sei que recebi um telefonema quando entrei no carro. 

Era da escola a perguntar-me onde estava o meu filho que tinha ido passado o fim de semana com o Pai.

Entrei em pânico e resolvi ir de imediato ao escritório do meu ex.



CONTINUA

quinta-feira, 8 de fevereiro de 2018

LATITUDE - O FIM


Jaime está ciente do prazo....

Mas está num impasse... É um momento decisivo na narrativa... 

Não é o Latitude aceitar a missão que está em causa... 

O problema é que poderá não escapar... 

"Matar" uma personagem que o público começa a conhecer poderá ser um erro fatal.

Mas é a única alternativa... Caso contrário, o Latitude passará o resto da vida a " fugir " e ele é um homem corajoso...

Por isso, quando chega a casa e abre o computador, Jaime escreve os últimos capítulos.

Latitude é descoberto, torturado e morto.

É um sucesso, o livro, mas Jaime não está contente...

Já se tinha afeiçoado ao feitio do Latitude, tão parecido com o seu....


FIM

terça-feira, 6 de fevereiro de 2018

LATITUDE - PARTE V


Quando entra na sala de reuniões, reconhece de imediato o Inspector Graça e o Comissário Maurício. Não conhece o terceiro homem que apenas sorri quando o cumprimenta.

Depois dos cumprimentos da praxe, surpreendem-no ao mostrarem fotos dele a conversar com um director da tal empresa interessada nos seus serviços de segurança.

Latitude fica boquiaberto; não notou nada de estranho. " Devo estar a perder qualidades!" pensa, mas lembra-se de que a reunião foi num local público e que, certamente não era ele a pessoa a vigiar.

" Quem é ele? " pergunta e o Inspector Graça ri-se.

" Temos quase a certeza de que essa empresa é uma fachada, uma " lavandaria". Pensamos que pertence ao Grupo do Maurício, a " cara " por detrás da qual eles escondem as operações de protecção/ extorsão dos bares da zona da Ria." explica o Comissário Maurício.

" O assassinato do Joaquim do Bar da Estrela pode estar relacionado com essas operações." conclui Latitude.

" Talvez." concorda Graça " É o que que te queremos propor. Que aceites o trabalho de Director de Segurança e tentes saber como a operação funciona."

" Isto está óptimo!" grita Leonardo " E agora? Vai aceitar? "

Jaime acaba de fumar o cigarro e diz:

" É cedo demais para o afirmar."

" Oh, pá, olha o prazo!"



CONTINUA
 

domingo, 4 de fevereiro de 2018

LATITUDE - PARTE IV


" Olha o Latitude! Que andas a fazer? Disseram-me que estavas suspenso? Por causa de uma stripper? " diz baixinho o Salgado.

Latitude ignora o comentário e pergunta: " O que se passou aqui? "

" À primeira vista, parece ser um assalto violento, mas não temos a certeza. Há muitas coisas a ter em conta." responde o Salgado, acendendo um cigarro.

" Então, suspeitam de mais alguma coisa? " observa o ex-detective, mas o Salgado abana a cabeça e ri-se.

" Não posso dizer mais nada! Vamos tomar um café um dia destes? " e com um aperto de mão, afasta-se.

Latitude fica parado no meio da rua. Tem que descobrir o que se passou, mas o acesso ao local do crime está vedado.

Só se " assaltar " o bar à noite, mas afasta logo essa ideia da mente. Talvez consiga alguma coisa através do Gonçalves da equipa forense.

Telefona-lhe quando chegar a casa, decide, mas não o faz, porque recebe uma chamada do Comando a pedir-lhe para se apresentar na Sede naquela tarde às 14h30.

O Comando a pedir-lhe para se apresentar na Sede? O que aconteceu?


CONTINUA



quarta-feira, 31 de janeiro de 2018

LATITUDE - PARTE III


Neste ponto da narrativa, o telefone toca e Jaime solta um palavrão.

Atende zangado, mas Leonardo, o agente, limita-se a rir.

" Então, como vai isso? " pergunta e Jaime, engolindo em seco, diz:

" Estaria melhor se não interrompesses!"

" Disseste que me enviavas a sinopse dentro de quinze dias. Já passou um mês e continuo sem saber nada sobre o enredo do livro. " queixa-se o agente. " Só sei que é sobre o Detective Latitude, mas o que é que ele vai fazer? "

" Ainda não decidi!"  e Leonardo enfurece-se.

" Ainda não escreveste nada??? Oh, pá, mas o que é que andas a fazer? Há um prazo a cumprir, entendes? "

Jaime opta por não dizer nada e despede-se rapidamente, cortando-lhe novas recriminações.

É que teve uma ideia e tem pressa em a colocar no papel.

" A rua ao pé do bar está cheia de polícias e Latitude olha os rostos, à procura de algum conhecido.

Perto da porta, está o Detective Salgado. O Latitude conhece-o dos tempos em que trabalhou nos Roubos Violentos.

" Oh, Salgado." chama-o e o outro vira-se.

CONTINUA

 

terça-feira, 30 de janeiro de 2018

LATITUDE - PARTE II


Joaquim encolhe os ombros... 

Já sabe que ele não vai confessar nada, mas tem quase a certeza de que há uma mulher no meio...

Suspira, porque foi sempre por causa de uma mulher que o Latitude se meteu em trabalhos... 

Mas está longe da verdade, porque a proposta que o Latitude recebeu foi para organizar a segurança de uma grande empresa.

Oferecem um bom salário, carro da empresa e carta branca para os instalar sistemas de alarme que achar conveniente.

Latitude sabe que um ex-colega aceitou uma proposta semelhante e teve bastante sucesso.

Por isso, está hesitante.  Amanhã vai almoçar com o ex-colega para confirmar detalhes e depois conversar com a irmã e o cunhado sobre o assunto.

Talvez aceitasse a proposta, se o bar não tivesse sido assaltado naquele fim de semana e o Joaquim assassinado.

Por quem? Porquê? São as perguntas que o Latitude faz de imediato.


CONTINUA

domingo, 28 de janeiro de 2018

LATITUDE


O Detective Latitude passa os dias no bar...

Desde que foi suspenso por causa daquele affair com a stripper...

" Onde é que estavas com a cabeça?" ralhou a irmã " Um detective com uma carreira brilhante... inacreditável!"

Mas Latitude encolheu os ombros e desperdiça os dias a beber cerveja e a jogar dardos.

" Não achas que devias fazer qualquer coisa de útil? " pergunta o Joaquim, o dono do bar " Não é que me importe que estejas aqui... Os clientes sentem-se seguros por verem o polícia sentado no bar... mas não achas que está na altura de voltares ao trabalho? "

" Não sei se quero voltar." responde Latitude " Não vão confiar em mim... Estava a pensar em abrir uma agência de detectives..."

" E andares a seguir maridos e mulheres infiéis." Joaquim ri.

" Ou espionagem industrial..." diz o ex-detective, seguro de si.

" Porquê? Alguém já falou contigo sobre isso?" Joaquim fica interessado.

Latitude sorri....



CONTINUA

quinta-feira, 25 de janeiro de 2018

DOMINGO Á NOITE - O FIM


O Vasco desvaloriza a situação; o desaparecimento do Dr Fontes pode não estar ligado ao da Fátima.

Não se deve preocupar... Não lhe diz respeito; a empresa tem que resolver os problemas pendentes e ela limita-se a ajudar no que for possível.

Mais nada, acrescenta ao despedir-se. Vera sente-se mais reconfortada e quando o Dr Saavedra lhe propõe encarregar-se de parte dos projectos da Fátima, concorda.

Tem uma pequena reunião com a Ana para decidirem como organizar os projectos, mas evita falar mais no assunto.

A Alice é que continua curiosa e na pausa para café a meio da tarde, pergunta:

" O que é que acham de tudo isto? "

" Não sei verdadeiramente o que pensar." responde a Ana " Estou mais preocupada em decifrar a letra da Fátima." 

Mas a Alice não desarma e continua: " Ela e o Dr Fontes são ou não cúmplices? "

" Oh, Alice, não sabemos! É uma pista que a polícia está a seguir e pode não dar em nada. Desaparecerem os dois na mesma altura pode ser coincidência." observa Vera. 

" Não acho!" comenta a Alice, mas as outras duas já estão cansadas do assunto e voltam para as respectivas secretárias.

Mais tarde, sabem que o desaparecimento do Dr Fontes não tem nada a ver com o da Fátima.

O que ele fez exactamente, a empresa não comentou para grande tristeza da Alice.

Quanto à Fátima, está no Brasil. Foi atrás de um sujeito que conheceu via Internet e que a tinha convencido a investir numa empresa em expansão.

Claro que era tudo bluff, o que ele queria era dinheiro dela.

A Fátima só percebe isso quando chega ao Brasil e verifica que nada do que ele diz é verdade.

Com vergonha, não regressa a Portugal.


FIM


terça-feira, 23 de janeiro de 2018

DOMINGO Á NOITE - PARTE V




Vera não quer acreditar, Jaime compreende isso pela expressão dela.

" O Dr Fontes e a Fátima envolvidos? " repete.

" Tudo leva a crer que eles estão envolvidos, não só romanticamente, mas também num esquema de burla." adianta Jaime.

" Burla? Burla aqui na Empresa? " pergunta Vera.

" É apenas uma pista que estamos a seguir." confirma Gonçalo " O que queremos saber agora é se notou alguma coisa estranha entre eles."

" Não, não. Pensei apenas que eram dois colegas a almoçarem juntos." confessa Vera.

O Inspector sorri e diz:

" A colega Alice afirma que eles estão envolvidos." mas Vera apressa-se a contradizê-lo: 

" A Alice é um pouco exagerada." e após mais uma troca de impressões, deixam-na sair.

Vera encosta-se à parede. A mente está num turbilhão.

A Fátima e o Dr Fontes, os dois suspeitos de burla? Não admira que tenha tentado tirar-lhe os projectos dos dois maiores clientes.

Telefona ao Vasco e combinam encontrar-se para almoço.

A Alice já está no seu posto de trabalho, mas Ana está a falar com o Dr Saavedra.

CONTINUA

domingo, 21 de janeiro de 2018

DOMINGO À NOITE - PARTE IV


O Inspector levanta-se quando a Vera entra na sala.  Vera sorri em resposta e senta-se.

Fica calada; espera pacientemente que lhe façam perguntas. Ao contrário de Alice, pensa o Inspector, que ofereceu logo uma série de informações.

" A Dra Vera trabalha na mesma área que a Dra Fátima? Como descreveria a sua relação com ela? " pergunta o Inspector, observando-a atentamente.

" Não éramos amigas intimas, mas havia cortesia, respeito profissional. Até que..." e interrompe-se.

" Até que? " questiona o detective " A D.Alice diz que a Dra Fátima modificou muito nos últimos meses, que se achava superior aos outros." 

Vera sente-se desconfortável, mas Jaime insiste na questão e tem que responder.

" Sim, começou a intrometer-se nos meus projectos e tivemos uma discussão muito amarga por causa disso. O Dr Saavedra, o director do Departamento, teve que interferir e reorganizar as funções de cada uma." confirma Vera.

" Terá sido por causa do tal homem com quem andava? O que sabe sobre ele? " observa Gonçalo.

" Não sei grande coisa. Nem sequer tenho a certeza disso! Não vou negar que ela mudou o estilo de roupa, de vestuário e deixou praticamente de falar connosco. Mas, se foi por causa do homem com quem a vimos almoçar algumas vezes no shopping.... não posso confirmar." confessa Vera.

" Mesmo se eu lhe disser que é o Dr Fontes Almeida, do Departamento de Informática e que está também desaparecido ? " interpela Jaime.

CONTINUA

quarta-feira, 17 de janeiro de 2018

DOMINGO Á NOITE - PARTE III


Faz-se silêncio e todos apressam-se a sentar. Os telefones recomeçam a tocar e há já alguém que os atende.

Não a Alice que, descarada, fica parada em frente do Director à espera que este fale.

O Director está acompanhado por um senhor franzino, com ar de doente que se apoia numa bengala e dois homens mais novos que se depreende serem da Polícia.

" Ah, Alice, este Senhor é o marido da Fátima e estes são o Sargento Jaime Peres e o Detective Gonçalo Luis. " apresenta-os à recepcionista que os cumprimenta com um sorriso e um aperto de mão.

"  Estes Senhores têm umas perguntas a fazer sobre a Dra Fátima. Como a Alice, a Dra Vera e a Engenheira Ana são as pessoas que lidam mais com ela, não se importam de os ajudarem? " diz e virando-se para os dois polícias, acrescenta " A Alice leva-os para a Sala de Reunião e podem conversar lá à vontade."

Alice assim faz enquanto o Director acompanha o marido da Fátima até ao elevador.

Aquele Senhor franzino e doente era o marido prepotente? Prepotente era a Fátima, pensam as duas colegas, sem se atreverem a expressar isso em palavras.

Meia hora depois, aparece a Alice e anuncia alto: 

" Querem falar contigo agora, Vera." e, baixinho, confessa: " Eu contei-lhes sobre o affair!"

" Oh, Alice." recrimina a Vera " Não temos a certeza disso."

" Mas não faz mal dizer." atalha a Ana " Pode ter importância para o caso."

CONTINUA 

domingo, 14 de janeiro de 2018

DOMINGO Á NOITE - PARTE II


No dia seguinte, Vera atrasa-se um pouco e está já preocupada com a boca que vai ouvir.

Mas, quando entra no escritório, está uma grande confusão.

Os telefones tocam sem parar e todos falam alto, altamente excitados. 

" O que se passa? " pergunta Vera e a Alice, a recepcionista pergunta-lhe:

" Ninguém te disse? Ninguém te telefonou? " e quando Vera abana a cabeça, continua, deliciada:

" A Fátima foi dada como desaparecida."

Vera olha-a incrédula. A Fátima, a quem a recente promoção subiu à cabeça e está a fazer a vida negra aos colegas?

" Não.... Estás a gozar comigo??? " repete, mas a Ana, que trabalha no gabinete ao lado, confirma:

" O marido está agora reunido com o Chefe. Veio acompanhado por um Inspector e um Sargento. Ao que parece, disse-me a Eugenia que ouviu antes de fechar a porta da sala de reuniões, ela saiu daqui na 6ª Feira e não foi para casa. Se calhar, fugiu com o dito cujo." sugere.

" Não tens a certeza disso!" corta a Vera.

" Pois não.... Mas é provável..." concorda a Alice. " Se me perguntarem, eu digo."

" Vais dizer o quê? Que achamos que ela está a ter um caso e que fugiram os dois?" comenta Vera. " Não será melhor atendermos o telefone? Devem pensar que estamos em greve!" 

Nesse momento, a porta abre-se e o Director do Serviço aparece.

CONTINUA


quinta-feira, 11 de janeiro de 2018

DOMINGO À NOITE


" Ah, quem me dera que não tivesse que trabalhar amanhã..." lamenta-se Vera.

Vasco não responde. Está tranquilo, confortável e quer gozar o momento, saboreando o vinho e o calor do fim da tarde.

Mas Vera repete a ladainha e Vasco suspira. 

" Já te disse o que penso sobre o assunto. Faz qualquer coisa, mas deixa de te lamentar." e sai da sala, sem saber o que enfurecia mais.

Os queixumes ou a incapacidade em resolver o assunto. Ou seja, uma alternativa.

Vera também suspira. 

Ele tem toda a razão; devia tomar uma providência e está sempre a adiar uma decisão que só ela pode tomar.

" As coisas talvez melhorem amanhã." convence-se, mas está consciente de que diz isto há muito tempo.


CONTINUA






domingo, 7 de janeiro de 2018

LEANDRO E NATAL - O FIM


Leandro dorme até tarde e resolve preparar um " brunch " com o que sobrou da ceia de Natal.

Está  a acabar quando o telemóvel toca. É da Brigada Anti-Fraude, o Inspector Dantas, será que o colega pode passar por lá?

" Alguma coisa grave? " pergunta Leandro e o colega afirma estar relacionado com o caso que está a investigar.

Curioso, Leandro arruma tudo e, em menos de uma hora, está sentado em frente ao Inspector Dantas que folheia um dossier volumoso.

Dantes não deve ter mais de quarenta anos e nota-se que está nervoso. Diz a Leandro que foi promovido há pouco e está ainda a ambientar-se.

" O Sargento Meireles falou-me do seu interesse no Bando que se intitula os " Poderosos". Sabemos que a base deles é em Vilar dos Tristes e um dos seus negócios é o jogo ilegal. Creio que o colega pensa que esse tal Zé do Laço trabalhou para eles? "

" Enquadra-se no que ele fazia. Fraudes com cheques, apostas, etc. Estive com ele há algum tempo, precisamente em Vilar dos Tristes, mas não o pressionei, porque não era relevante para o caso que estava a investigar na altura." responde Leandro.

" Compreendo. Tenho que lhe confessar: temos um homem infiltrado no Bando e foi através do Zé do Laço que conseguimos que ele entrasse no esquema. Infelizmente, foi descoberto e pensamos que mataram o Zé do Laço como aviso." confessa Dantas.

" Atirar com um carro contra uma esquadra de polícia é isso mesmo: um aviso." comenta Leandro, secamente.

Dantas fica um pouco embaraçado, mas Leandro ignora-o.

" O que aconteceu com o vosso homem? " exige saber o inspector.

" Conseguimos tirá-lo de lá...."

" Mas não evitaram a morte do Zé do Laço.  Vou querer falar com o vosso homem, porque isto vai ser uma investigação conjunta." decide Leandro, mas Dantas não o contradiz.

Afinal, Leandro é o inspector mais antigo.

Ao sair do gabinete de Dantas, Leandro já está a marcar o número de telemóvel do Bernardes.

" Lamento interromper as férias, Bernardes, mas preciso de ti e da tua organização." é o que pensa enquanto espera que o sargento lhe responda.



FIM