quarta-feira, 22 de julho de 2015

BELLA - IV PARTE



" Olá, Alice. Está tudo bem consigo? “ perguntou Gustavo e pouco faltou para Alice deixar cair o auscultador. Teresa levantou a cabeça e a cadelinha aproximou-se curiosa de Alice que fez um esforço para responder civilmente.
Olá, Dr Gustavo. Estou bem e o Senhor?” e olhou para Teresa, que lhe fez sinal de que não falaria com ele. Mas não era com a mulher que o Dr Gustavo queria falar.
Obrigada. Era mesmo consigo que eu queria falar, Alice. Queria que me fizesse as malas; duas, pelo menos. O resto vejo depois com a Teresa. Não se importa de fazer isso agora enquanto eu vou dar um passeio com a Bella?”
Claro que não, Dr Gustavo!” respondeu Alice, consciente da agitação crescente de Teresa.
Óptimo!” sorriu Gustavo “ Estou estacionado em frente ao portão. Ponha a trela na cadela e traga-a até aqui. Acha que uma hora e meia chega para me fazer as malas? Levo-as quando trouxer a cadela!” e sem lhe dar tempo para reagir, desligou.
Teresa atirou a chávena contra a parede e Alice deu um grito. Assustada, Bella começou a ladrar, mas Alice impôs silêncio com um “ssh” forte.
Dra Teresa, o Dr Gustavo está lá fora e vai levar a cadela a passear. Quando eu regressar, vou telefonar à sua irmã e pedir-lhe para vir até cá... A senhora tem que falar com alguém da família...” sugeriu, colocando a trela à cadela e levando-a para o jardim.

(Continua)

domingo, 19 de julho de 2015

BELLA - III Parte



Então, então...” repetia Alice “ Vai ver que é só um mal-entendido!” mas Teresa abanou a cabeça e soluçou:
Não, ele tem OUTRA! Quer casar com ela!” e Alice teve que se sentar com o espanto.
Bella tentou chamar-lhe a atenção, mas a Alice afastou-a bruscamente. Ainda abriu a boca para dizer qualquer coisa, mas nenhum som saiu e só o choro de Teresa interrompia o silêncio.
A cadelinha enroscou-se no cesto. “ Que se passa com esta gente? Ainda ontem riam e agora choram. Não entendo nada!” e fechou os olhos.
O telefone assustou-as e Alice levantou-se pesadamente. Também ela não sabia o que pensar e muito menos o que dizer àquela mulher chorosa. Quem diria que toda aquela paixão ia desaparecer?
Suspirou e pegou no auscultador: “ Bom dia!” tentou ser o mais natural, mas a sua voz soou rouca e a pessoa do outro lado notou.

(Continua)

quarta-feira, 15 de julho de 2015

BELLA - II PARTE



Percorreu a casa inteira, farejou-o em todas as divisões, mas não o encontrou.
Estranho! ” pensou “ Onde se meteu? “ e voltou para a sala. As luzes já estavam apagadas e a cadelinha resolveu ficar ali entre o sofá e a mesa do café.
O dia seguinte amanheceu cheio de Sol e a cadelinha espreguiçou-se satisfeita. Resolveu ir até à cozinha e ficou apreensiva porque estava deserta. Geralmente, ele já lá estava a fazer café e abria-lhe a porta que dava para o jardim.
Tinha que esperar que alguém aparecesse e Deus queira que não demorassem muito. Precisava mesmo de ir ao jardim e sabia muito bem que a Alice não gostava nada que ela fizesse xixi ali.
Em breve, ouviu a chave na fechadura e precipitou-se ao encontro da Alice que apanhou um valente susto.
Oh, Bella, o que fazes aqui? Porque é que não estás no jardim? “ exclamou mas a cadelinha escapou-se.
Deu uma grande volta pelo jardim, cheirando as rosas e os amores-perfeitos e obrigou o gato da vizinha a subir rapidamente para uma árvore. “ Que ousadia!” disse Bella “ Tens árvores no teu jardim!”
Satisfeita, entrou novamente na cozinha que cheirava já a café. Mas estacou ao ver a dona sentada à mesa, ainda em roupão e a Alice a dar-lhe um abraço.

(Continua)

segunda-feira, 13 de julho de 2015

BELLA




Esta é a história de uma cadelinha que vivia no meio de sedas sussurrantes e veludos macios.
Havia igualmente um grande jardim que ela gostava de explorar.  E no jardineiro tinha um bom amigo, apesar das partidas que lhe pregava.
A vida decorria ociosamente até que uma noite houve vozes alteradas e uma porta batida com força. A cadelinha ficou curiosa e foi até à sala onde encontrou alguém a chorar. Aproximou-se dela, pôs o focinho nos seus joelhos e esperou por uma festa. Esperou em vão, pois ignoraram-na e a cadelinha foi então à procura da outra pessoa da casa.



(Continua)

quinta-feira, 9 de julho de 2015

VELUDO



Veludo confortável,

Que se torna numa segunda pele...

Numa sensação de conforto

que envolve todo o meu corpo...

Que conquista tudo...

Até a alma...

Sinto o roçar macio do veludo

na minha pele nua..........

Sinto os teus braços em mim...

Primeiro, tocam-me no pescoço e

depois descem pelas costas....

Lentamente.....


TEMA: Palavras de Veludo
Poema a publicar numa nova colectânea brevemente


domingo, 5 de julho de 2015

SUSPENSO




Não sei o que está escrito no Vento...
Já não lhe escuto a voz...
E sinto-me tão só....
Como se o tempo estivesse em suspenso...
À espera de uma palavra mágica 
para recomeçar a girar...


sexta-feira, 3 de julho de 2015

IMPORTA



Hoje...
Nem uma história sobre a chuva quero escrever...
Quero apenas esquecer... Mas esquecer o quê verdadeiramente?
Para ser sincera... isso nem mais importa....



domingo, 28 de junho de 2015

SOM EM MIM



Este é o som...
Do poema que escrevo nas gotas da chuva
Num grito violento...
Num doce sussurro....

Este é o som...
Da minha voz num dia perfeito de Sol
que me aquece a pele e me faz sonhar ...

Mesmo quando estou triste e cansada...
e as palavras soem

tristes, chorosas...


POEMA A SER PUBLICADO NA COLECTÂNEA "SOM DE POETAS" DA EDITORA PAPEL D'ARROZ

quinta-feira, 25 de junho de 2015

PERDIÇÃO



Esta noite, vou deixar a luz acesa...
Como quando tinha medo do escuro
e não sabia como podia colorir as sombras
Ou sentir a frescura da brisa no meu corpo...

O corpo que agora desnudo tranquilamente...

Todos os meus gestos são agora tranquilos...
Seguros...
Se, às vezes, deixo que a sedução, 
a provocação transpareça no meu olhar...
É porque beijar-te...
Não é um sonho...
É uma perdição...


Poema de minha autoria publicado no livro "Entre o Hoje e o Amanhã" em 2011


segunda-feira, 22 de junho de 2015

A SEDUÇÃO




António continua seduzido.
Pela vida... Pelo prazer de a viver... Nas palavras... Nas emoções...
O que nunca antes compreendeu é um labirinto que tem que explorar...
É a paixão que se encontra escondida em qualquer momento da vida e que António nunca deixou que interferisse no seu percurso.
Será isto o Amor?” questiona. Abre a boca para perguntar, mas compreende que só ele pode encontrar a resposta.
Que poderá nunca encontrar, porque o Amor tal como a Vida vive-se.
Na sua forma mais simples...
No corpo... Na alma...
Nesse momentos que se fecham depois em memórias preciosas...


quinta-feira, 18 de junho de 2015

DESCONFIO




O Vento...
É sempre charmoso... 
Sempre galanteador...
Mas desconfio quando me beija os lábios e me jura amor eterno...



segunda-feira, 15 de junho de 2015

SENSAÇÃO




Fala-se de café
Do cheiro forte do café
Do sabor intenso,
audaz e provocador,
que se mistura na saliva...
E o que dizer da sensação de calor
que nos invade...
E que nos faz sentir,
por um momento,
perfeitos?


quinta-feira, 11 de junho de 2015

O MUNDO DA LUA




I
LUA SURREAL

…..Para onde fujo quando a dor se torna insuportável e nada mais há a dizer.
Apenas esta vergonha do Mundo real....Como se me sentisse culpada de existir...
No Mundo da Lua, não tenho nome. Não importa o que faço nem o que digo...
Posso, apenas, existir e escorregar no tempo e nas memórias das cores da Lua.
O branco....O preto...Um convite, um desejo que quero viver....
Num turbilhão, num retrato que reconheço, porque existo.
Não é uma fantasia...Sei que não o é, mesmo que os outros o afirmem e desistam.
Dizem que a Lua é uma princesa encantada. 
Que teve um amor proibido como eu e foi repudiada e condenada a viver nas sombras.
Mas as sombras pintam-se e continua-se a amar. Procura-se no Vento sinais de paixão. 
Pela vida, pela vontade de a conquistar, de fazer parte dela.
Intensamente...
Continuo a ser estranha, louca...Surreal como as telas que pinto e não entendes.
Porque estás preso; não sabes como soltar a alma e vaguear. E amordaças-me!
No reino da senhora da noite, sou o meu próprio desafio.

II

LUA CHEIA

….Espero pela Lua Cheia.
Pelo fim do exílio das palavras que sempre venerei. 
Em que deixarei de percorrer caminhos e labirintos, vazia, gelada.
Não posso enganar o tempo. Não posso fugir do brilho da Lua.
Quero reencontrar-me com o silêncio tranquilo da tua pele e sonhar acordada.
A Lua, a Senhora da Noite, deixa-me.
Porque ninguém a desafia, ninguém trai segredos.
Somos cúmplices nos cheiros, nos desejos, nas paixões que nos embriagam.
Somos a prata derramada nos corpos suados dos amantes.
Volto, então a escrever poemas de louvor à Lua... Onde ninguém diz que sou estranha...

NOTA:

Um dos primeiros textos escritos para a editora Lua de Marfim e publicado em 2013 na sua colectânea "O Mundo da Lua"

segunda-feira, 8 de junho de 2015

UMA VEZ QUE SEJA



Esta é uma história de amor...
Um amor tão intenso que até as palavras empalidecem...
Um amor que vive despido de preconceitos... Arrojado e egoísta...
Mas tão fugaz e poderoso que seria pecado não o sentir...
Uma vez que seja na vida....




sexta-feira, 5 de junho de 2015

AFINAL




Esta é uma carta diferente...
Pois não a escrevo para alguém, mas sobre alguma coisa...
A arrogância.... O que posso eu dizer sobre a arrogância?
Escreve-se no corpo, lê-se nas palavras, rasga-se nos gestos...
Mas o que magoa mais é o olhar agressivo...
De quem, afinal, não acrescenta nada de novo à vida...



segunda-feira, 1 de junho de 2015

O "SE"




Hoje, pensei no verdadeiro significado do “se”...
Se pudesse... Se tivesse dito...
Mas não se fez, não se disse... Por isso nunca se saberá...
Se o Mundo seria diferente se a verdade tivesse sido dita...



quinta-feira, 28 de maio de 2015

CEGO



O amor é cego e matou-me.
Naquele ano, naquele dia, naquela hora...
Quando finalmente te confrontei e percebi que nunca gostaste de mim.
Fui apenas um joguete nas tuas mãos, um meio para atingir um fim e todas as palavras que me disseste eram falsas.
Estou destroçada... Sinto-me humilhada...
Mas é a fúria que me corrompe a alma que me assusta verdadeiramente...
Porque agora eu grito... Bem alto e só pergunto: Onde errei?
Ter acreditado em todas as histórias que me contaste e que agora sei que são mentiras?
Ou porque ignorei a voz dos outros, afastei-os do meu caminho para me dedicar a ti?
Sinto vergonha de mim... Das palavras ofensivas com que destruí as amizades de outrora... Da solidão que enche a minha vida...
Por minha culpa... Porque te quis amar por completo... Porque o amor tem que ser assim...
Mas nunca pensei que alguém pudesse ser tão egoísta, que só se amasse a si próprio e que maltratasse tanto os outros.
Vejo as horas que perdi à tua espera, as horas que não vivi por mim...
Os amigos de quem me afastei e que não me conhecem... Tratam-me como se fosse uma estranha....
E não sei o que fazer... O que dizer...
Porque fui cega por amor e deixei que me matasse...
Enquanto que tu continuas por aí, vaidoso e egoísta...

TEMA PROPOSTO "QUANDO O AMOR É CEGO" - ESTA É A MINHA RESPOSTA




segunda-feira, 25 de maio de 2015

COM PAIXÃO




Se eu pudesse...
Se eu soubesse como...
Escreveria o teu nome na Lua
Nessa Lua Cheia,
alegre e provocadora
Que seduz o teu corpo
Todas as noites,
com paixão...

sexta-feira, 22 de maio de 2015

O HOJE




Hoje... 
Quantas vezes escrevi “hoje”?
E o “hoje” de hoje é diferente, porquê?
Porque me lembrei da minha Mãe e a saudade... 
A saudade sufocou-me...

Em memória da minha Mãe

26.02.1924 - 23.05.2010

terça-feira, 19 de maio de 2015

HISTÓRIAS SOBRE A NOITE




Ah, a noite...
O que esconde a noite?
Ela é insinuante, intensa...
Sedutora, exótica...
Ou simplesmente erótica?

Ah, a noite...
Onde me refugio...
Para pensar em ti e amar-te
nos gestos e nos olhares...
Para os quais nunca encontrarei palavras...

Porque a noite é mágica...
E não há nada que explique a magia...


sábado, 16 de maio de 2015

DISCURSOS DA CHUVA



Hoje é uma noite de chuva
E não tenho um poema para escrever
Pois continuo sem ter palavras,
palavras brilhantes que falem do tempo,
que pensem em ti...
Num discurso sobre o meu desejo,
a minha paixão pela vida...

Mas para quê falar em memórias,
em memórias gloriosas
que se confundem agora com lamentos?
Para quê falar em paixão,
essa paixão que acorda os sentidos
e os insinua em ti?

Hoje é uma noite de chuva...
E eu não sei o que fazer ou sentir...
Estou parada na estrada da vida...
Não sei o que espero...
Se espero por palavras

Ou simplesmente por mim...

POEMA PUBLICADO NA COLECTÂNEA "POEMA-ME" APRESENTADA HOJE AO PÚBLICO EM LISBOA

terça-feira, 12 de maio de 2015

DEIXAR




Esta noite....
Deixo as luzes acesas e enfrento o espelho...
Não escondo nem as rugas nem as brancas... Nem o cansaço do olhar...
Apenas me escondo do Mundo... Nesta noite, neste quarto...
Onde deixo que me amem...


sábado, 9 de maio de 2015

OS VAMPIROS - EXCERTO



“ Quero uma história sobre vampiros!” pede o Vasco, aos gritos
A Vera empurra o irmão para o lado e diz: “ Não, avô. Não lhe dê ouvidos; ele só gosta de sangue e de facas. Eu quero uma história sobre princesas.”
Outra vez?” protesta o Vasco “ Hoje é a minha vez de pedir uma história e eu quero uma sobre vampiros!” e o avô Manuel sorri aos dois meninos.
E, se eu contar uma história com vampiros e com princesas? ” sugere e o Vasco fica muito satisfeito. Deita a língua de fora à irmã, como quem diz “estás a ver como vou ter os meus vampiros?” e senta-se aos pés do avô.
O avô Manuel pensa um bocado antes de começar. Contar uma história sobre vampiros e princesas era a única maneira de os manter quietos; se fizesse a vontade à Vera, o Vasco ia interromper vezes sem conta a história e iam acabar todos por ficarem muito irritados.
Esta é a história do Jaime, um jovem vampiro que vivia numa floresta muito densa, onde não entrava a luz do Sol. Porque os vampiros morrem quando expostos à luz do Sol e escolhiam sítios como esta floresta para viverem.
A verdade é que o Jaime estava aborrecido, cansado de cavalgar num local tão sombrio, do cheiro das velas, de se vestir sempre de preto...Enfim, de ser igual a toda a gente que morava no castelo.

Queria saber como era cavalgar num sítio cheio de luz e de verde.Como eram as outras pessoas, o que vestiam e o que comiam.

Excerto do meu conto infantil "Os Vampiros" 

quarta-feira, 6 de maio de 2015

SIMPLESMENTE




Esta noite, perdoa-me...
Se não respondo ao teu sorriso... Ao teu beijo...
Se me refugio no silêncio e não digo nada...
Não sei se sinto culpa... Se tenho pena de mim...
Sei que devo enfrentar todos esses medos... mas hoje...simplesmente...
não quero pensar nisso...


OBRIGADA





Como sabem, participo na Colectânea "POEMA-ME" que será lançada em Lisboa no próximo dia 16 de Maio.

Por motivos vários, não estarei presente no lançamento, mas gostaria de compartilhar com todos o prazer que é ter mais um dos meus poemas publicados.

Obrigada

sábado, 2 de maio de 2015

O SAPO CANTOR


Esta é a história de um sapo vaidoso que queria ser cantor de ópera.
Apresentou-se em público certo dia e cantou tão mal que toda a gente se foi embora.
Desapontado, entra num bar e eis o que acontece:

"
Desanimado, entrou num café e esteve quase para voltar para trás, tão alta estava a música. Mas não era só a música, pois o café estava cheio de gente bem disposta, que acompanhava o refrão da canção. O sapo vaidoso avançou por entre a multidão e viu que, ao fundo da sala, havia um palco, um microfone e uma grande tela onde apareciam palavras. “O que é isto?” perguntou o vaidoso ao sapo mais próximo. Este olhou-o como se ele fosse doutro planeta e respondeu: “É karaokê! Não sabes o que é karaokê?” e o vaidoso sorriu apenas para que o outro não percebesse que ele realmente não sabia o que era.
A música acabou e houve um grande aplauso quando um sapo com um fato branco e uma cabeleireira vermelha subiu ao palco. Na tela, apareceu o nome da canção e depois, a letra. O sapo fantasiado agarrou no microfone, fez uns passos de dança que puseram toda a gente a rir e começou a cantar.
Em breve, toda a gente cantava e dançava e o sapo vaidoso deu por si a participar activamente.”Isto é divertido!” pensou e cansado, foi até ao bar. Sentou-se, pediu uma cerveja e quando lha serviu, o empregado perguntou-lhe: “Então, não vai arriscar?”. “Eu? Não tenho jeito!” afirmou o vaidoso, mas o empregado abanou a cabeça e disse: “Tente! Escolha uma canção fácil e siga em frente!” e gritou bem alto “Este Senhor é o próximo!”
Houve logo aplausos, sapos a gritarem nomes de canções, mas o vaidoso resolveu cantar uma canção rock que ouvia muitas vezes na rádio. Em cima do palco, com o holofote em cima dele, o sapo deu um grito, tal como o cantor original e, satisfeito com a resposta do público, continuou.
A voz saiu-lhe calma, segura e cada vez mais confiante, o sapo vaidoso até dançou, acompanhado por uma multidão divertida.
Quando terminou, estava feliz. Já nem se lembrava do que tinha acontecido antes e festejou o resto da noite com os novos amigos.

"
Excerto do meu conto infantil "O Sapo Cantor"

terça-feira, 28 de abril de 2015

O EX-AMANTE - UM DESAFIO



OBRIGADA!
Salvaste-me a vida; tenho a certeza de que este jantar seria um fiasco se não me ajudasses. Mas que ideia a dele, convidar de uma hora para a outra o patrão para jantar!!! Disse-lhe tantas vezes que esta seria uma semana complicada em termos de trabalho e ele esqueceu-se!!!
Pois, homens egoístas! Diz-me uma coisa: achas realmente que as 2 quiches e várias saladas vão resultar?... E de sobremesa, a mousse de manga e a salada de frutas, será que o francês vai gostar?...
Ah, não te disse que ele é francês??? Ou luso-francês, não sei bem; sabes que o teu irmão só explica metade das coisas e eu tenho que adivinhar a outra metade. Que horas são? Tenho tempo para um duche rápido e fazer qualquer coisa a este cabelo. Não tive tempo de ir ao cabeleireiro; vou ter que o prender. Tu ficas, não é verdade? Vai a casa mudar de roupa e volta. Sempre seremos duas a sofrer e a ter um sorriso fixo. Onde é que o teu irmão tinha a cabeça??? Porquê hoje e não no fim de semana?...
Já cá estás! Ainda bem; eles estão a caminho... Mais 5, 10 minutos segundo o teu irmão!
Achas que estou bem? Não estou muito sexy? E o cabelo como está? Ah,ah... não estamos a ficar mais novas; temos que ter um pouco mais de cuidado. Não seria engraçado se o francês ou luso-francês se interessasse por ti? O André já morreu há dois anos e não tens 60 anos! Tens 42 anos; podes perfeitamente voltar a casar... Ah, são eles! Vamos lá; sorri. Temos que sorrir... Não sei o que o teu irmão lhe disse sobre mim....
Ah....Boa Tarde, é um prazer conhecê-lo... Flores! Mas não tinha que se incomodar... Muito obrigada; são lindas. Esta é a minha cunhada Beatriz, irmã do Filipe. Vai jantar connosco também...
Mas entre para a sala; o Filipe vai trazer-lhe uma bebida. Fique à vontade; nós voltamos já. Beatriz?...
...O que se passa comigo? Vi um fantasma, Beatriz, um fantasma e não sei o que fazer...

Sim, conheço-o muito bem! Vivi um ano e meio com ele, Beatriz; um dia estava tudo bem e no outro, desapareceu sem qualquer explicação. Nunca mais soube dele; e agora é o patrão do Filipe???... Tenho que me sentar que não me sinto bem... Sei lá se um copo de água resolve isto!!!

O meu desafio:
escrever no comentário o que pensam que vai acontecer (entre 5 - 10 Linhas) 
Obrigada.

sábado, 25 de abril de 2015

BANAL E TRISTE




Hoje não tenho qualquer história a contar...
E não posso dizer porquê...
Falha-me a voz... As palavras...
Há lágrimas nos meus olhos... 
E sinto-me banal e triste...




quarta-feira, 22 de abril de 2015

O JANTAR FALHADO


Margarida vai dar um jantar. E amaldiçoa ter gabado os seus (inexistentes) dotes culinários. Mas o que podia ela fazer se a conversa favorita no escritório era comida e a troca de receitas? E, tinha que ser honesta, algum dia tinha que retribuir os convites dos colegas e já:
“… Que dizes cozinhar tão bem, porque é que não nos deslumbras com um jantar?” sugere a Ana, famosa pelas sobremesas inovadoras.
Este fim-de-semana, por exemplo?” acrescenta a Matilde, que adora improvisar pratos com ingredientes tradicionais.
As outras que ouviam atentamente, acenaram com a cabeça em sinal de concordância.
Margarida não pode recusar e ei-la agora a pensar como há-de resolver o assunto. Só se pedir ajuda à Mãe, mas já sabe que esta vai fazer um grande discurso.
Não te disse que devias aprender a cozinhar em condições? E agora? Tens que me pedir ajuda…” etc, etc e por isso, quando lê na montra da loja Gourmet perto de casa “serviço de catering”, não hesita e pergunta:
Claro que sim, minha senhora. Temos várias ementas para vários preços. Basta a senhora escolher e nós entregamos tudo no dia e hora combinada. Até podemos servir mediante o pagamento de uma taxa extra. Não? …”
A ementa para sábado:
Entrada:
Camarões salteados com alho, piri-piri e coentros
Queijo Camember assado com oregãos
Pão variado e tostas
Prato Principal
Bifes com natas e pimenta em grão
Sobremesa

Crepes com molho de chocolate e chantilly
"

Excerto do meu conto "Adivinha quem vem jantar" enviado para a Editora Pastelaria Studios para a colectânea com o mesmo nome

segunda-feira, 20 de abril de 2015

OS AMANTES



É certo e sabido que o Joaquim entra às 08h55 no café, pede um café em chávena escaldada e senta-se naquela mesa em frente ao vidro, calado, à espera.
E às 08h59, 09h00, com passo apressado e ainda a abotoar o casaco passa a Catarina. 
Dois minutos depois chega o autocarro, ela entra e o Joaquim levanta-se, paga o café e saí.
De segunda a sexta, esta é a rotina do Joaquim e diz-se por aí que está apaixonado pela Catarina, aquela ruiva esbelta e sexy, mulher do Vicente. O que ela viu no Vicente, ninguém sabe, pois este é atarracado, um pouco gordo e calvo. É uma simpatia, verdade seja dita e os empregados, que também frequentam o café, classificam-no como um patrão exigente, mas justo.
Mas a pergunta continua a ser: será que a Catarina casou-se com ele por causa do dinheiro? Ou haverá ali uma outra história mais macabra?
Oh, rapaz, não digas disparates!” pede-me o Tio Manuel quando me atrevo a contar-lhe as minhas suspeitas à hora de almoço e o café tem pouca gente.

Ora, tio, estamos no século XXI e se estivesse mais tempo na Net, lia histórias ainda mais macabras!” respondi, indignado.

Excerto do meu Conto publicado na Colectânea da Editora Pastelaria Studios e subordinada ao tema "A Mulher do Próximo".

sábado, 18 de abril de 2015

POEMA-ME








É uma honra ter uma vez mais um dos meus poemas seleccionado

pela Editora Lua de Marfim e publicado na colectânea acima ...

E será sempre um prazer contar-vos 

uma história da noite 

ou fazer um discurso à chuva...

Obrigada por partilharem 

comigo esta viagem....


quarta-feira, 15 de abril de 2015

EM NOME DE



Choro....
Por ti... Só por ti...
Pela angústia que leio no teu olhar....
Uma angústia que ninguém tão pequeno devia sentir....
Ou mesmo esse terror e solidão que te pesam nos ombros e que não sabes, não compreendes o que é.....
Não sentes o sol nem partilhas os gritos de alegria de quem brinca tão feliz ........
Porque o teu corpo queixa-se...
Da fome que o assalta....
Do lugar sujo e frio onde te deitas... E onde sonhas... e como sonhas!!!
Que alguém te aconchegue a roupa com um sorriso...
Um sorriso que já viste... mas quando?... Já nem te lembras...
Sabes apenas que esse alguém desapareceu e te deixou sozinho...
Deixando-te à mercê de um mundo egoísta e déspota.........



domingo, 12 de abril de 2015

VERDADEIRAMENTE




Não sei que promessas a vida me fez... Lembro-me apenas dos sonhos...
Dos que desapareceram numa nuvem de cinza...
Dos que duraram um segundo, mas fazem com que ainda sorria...
E às vezes, pergunto-me:
O que faço aqui? O que quero verdadeiramente?...
Mas nem a vida me responde...


quinta-feira, 9 de abril de 2015

PEDRAS




Fácil devassar a vida dos outros e lançar pedras...
Talvez queira esconder como a sua vida não é tão perfeita como diz...
Como se sente só e vulnerável...
Tenho pena de si... Não confunda com inveja...
Porque eu sei que a minha vida não é perfeita, mas vivo-a.... Com alma....


domingo, 5 de abril de 2015

EI-LOS QUE PARTEM




Ei-los que partem...
Sem um olhar....
Se olharem, a partida será ainda mais dolorosa, porque os rostos dos que ficam reflectem a mesma dor, a mesma angústia.
E pensa-se: que País é este que deixa fugir quem o ama tanto?
É esse o grito mudo de quem parte, de quem fica amarrado a uma saudade que nunca desaparecerá...
Essa saudade que ninguém compreende, porque se entranha, profunda, na alma, no coração.
Ah, que bom seria dizer: “Não partas!”, prometer soluções que, depois se transformam em pó e ouvir na voz uma revolta surda e verdadeira...
Mas partir na incerteza, com apenas promessas?
Dói...
Como dói! Como torna os dias e as noites amargos! Como destrói o olhar e o sorriso!
Porque cada dia é um sobressalto, cada noite uma angústia...
E o silêncio é um pesadelo...
Esquecem-se os prazeres, vive-se com as promessas...
De um telefonema, de um e-mail, de uma conversa via Skype...
Falta o toque, o beijo, o abraço... o calor humano...
Por isso, respondam-me...
Porque alguém deve saber a razão porque este País ignora as vontades do seu povo....

A minha resposta ao desafio proposto pela Editora Papel d'Arroz sobre a partida.



quarta-feira, 1 de abril de 2015

É MENTIRA - O MAROTO DO TIO BERNARDO




Já perdi conta aos anos que vivo nesta vila simpática onde todos se conhecem e se tratam por tu.
O progresso já se instalou, claro está, mas há regras, porque conseguimos que fosse declarada Patrimônio Nacional.
É o local ideal para escrever os meus romances policiais com um leve toque erótico, e o sucesso que estou a ter surpreendeu-me.
O meu editor está a pressionar-me para que faça uma pequena viagem de apresentação do novo livro, mas estou relutante. Desde que a minha mulher morreu, tornei-me mais solitário e não tenho muito paciência para elogios e perguntas sem nexo.
Por isso, quando o Jaime me veio visitar, achei que ele seria a pessoa ideal para apresentar o livro.
O Jaime estudou literatura moderna, é tradutor e conhece muito bem a minha obra. Já leu o novo livro, tem uma opinião sobre o tema que pode partilhar com o público.
Oh, tio, mas não fui eu quem escreveu o livro. As pessoas vão querer saber como te inspiraste, o porquê de misturar o policial com o erótico, etc....”
Dá a tua opinião! Diz que me quis afastar do crime tradicional, do detective corrupto... Inventa...” sugiro, mas o Jaime não está convencido e abana a cabeça.
Oh, tio Bernardo, está louco. Um livro é muito pessoal; sei lá porque resolveu escrever uma história sobre uma mulher detective e porque é que ela tem um "affair" com um stripper suspeito de homicídio. Porque lhe chamou Renata.” expõe veementemente. Lembra-me o meu irmão Miguel que também adorava um bom debate.
Dá a tua opinião!” repito “Renata era o nome da tua tia...”
Tenho a certeza absoluta de que a tia Renata não era... maluca, digamos!” confessa Jaime
Rio-me também e digo:
Mas era sexy....” e o Jaime atalha envergonhado: “ Não preciso de saber!”
"
Excerto do meu conto sobre a "Mentira" e publicado na Colectânea da Editora Pastelaria Studios com o mesmo nome.