sábado, 2 de maio de 2015

O SAPO CANTOR


Esta é a história de um sapo vaidoso que queria ser cantor de ópera.
Apresentou-se em público certo dia e cantou tão mal que toda a gente se foi embora.
Desapontado, entra num bar e eis o que acontece:

"
Desanimado, entrou num café e esteve quase para voltar para trás, tão alta estava a música. Mas não era só a música, pois o café estava cheio de gente bem disposta, que acompanhava o refrão da canção. O sapo vaidoso avançou por entre a multidão e viu que, ao fundo da sala, havia um palco, um microfone e uma grande tela onde apareciam palavras. “O que é isto?” perguntou o vaidoso ao sapo mais próximo. Este olhou-o como se ele fosse doutro planeta e respondeu: “É karaokê! Não sabes o que é karaokê?” e o vaidoso sorriu apenas para que o outro não percebesse que ele realmente não sabia o que era.
A música acabou e houve um grande aplauso quando um sapo com um fato branco e uma cabeleireira vermelha subiu ao palco. Na tela, apareceu o nome da canção e depois, a letra. O sapo fantasiado agarrou no microfone, fez uns passos de dança que puseram toda a gente a rir e começou a cantar.
Em breve, toda a gente cantava e dançava e o sapo vaidoso deu por si a participar activamente.”Isto é divertido!” pensou e cansado, foi até ao bar. Sentou-se, pediu uma cerveja e quando lha serviu, o empregado perguntou-lhe: “Então, não vai arriscar?”. “Eu? Não tenho jeito!” afirmou o vaidoso, mas o empregado abanou a cabeça e disse: “Tente! Escolha uma canção fácil e siga em frente!” e gritou bem alto “Este Senhor é o próximo!”
Houve logo aplausos, sapos a gritarem nomes de canções, mas o vaidoso resolveu cantar uma canção rock que ouvia muitas vezes na rádio. Em cima do palco, com o holofote em cima dele, o sapo deu um grito, tal como o cantor original e, satisfeito com a resposta do público, continuou.
A voz saiu-lhe calma, segura e cada vez mais confiante, o sapo vaidoso até dançou, acompanhado por uma multidão divertida.
Quando terminou, estava feliz. Já nem se lembrava do que tinha acontecido antes e festejou o resto da noite com os novos amigos.

"
Excerto do meu conto infantil "O Sapo Cantor"

terça-feira, 28 de abril de 2015

O EX-AMANTE - UM DESAFIO



OBRIGADA!
Salvaste-me a vida; tenho a certeza de que este jantar seria um fiasco se não me ajudasses. Mas que ideia a dele, convidar de uma hora para a outra o patrão para jantar!!! Disse-lhe tantas vezes que esta seria uma semana complicada em termos de trabalho e ele esqueceu-se!!!
Pois, homens egoístas! Diz-me uma coisa: achas realmente que as 2 quiches e várias saladas vão resultar?... E de sobremesa, a mousse de manga e a salada de frutas, será que o francês vai gostar?...
Ah, não te disse que ele é francês??? Ou luso-francês, não sei bem; sabes que o teu irmão só explica metade das coisas e eu tenho que adivinhar a outra metade. Que horas são? Tenho tempo para um duche rápido e fazer qualquer coisa a este cabelo. Não tive tempo de ir ao cabeleireiro; vou ter que o prender. Tu ficas, não é verdade? Vai a casa mudar de roupa e volta. Sempre seremos duas a sofrer e a ter um sorriso fixo. Onde é que o teu irmão tinha a cabeça??? Porquê hoje e não no fim de semana?...
Já cá estás! Ainda bem; eles estão a caminho... Mais 5, 10 minutos segundo o teu irmão!
Achas que estou bem? Não estou muito sexy? E o cabelo como está? Ah,ah... não estamos a ficar mais novas; temos que ter um pouco mais de cuidado. Não seria engraçado se o francês ou luso-francês se interessasse por ti? O André já morreu há dois anos e não tens 60 anos! Tens 42 anos; podes perfeitamente voltar a casar... Ah, são eles! Vamos lá; sorri. Temos que sorrir... Não sei o que o teu irmão lhe disse sobre mim....
Ah....Boa Tarde, é um prazer conhecê-lo... Flores! Mas não tinha que se incomodar... Muito obrigada; são lindas. Esta é a minha cunhada Beatriz, irmã do Filipe. Vai jantar connosco também...
Mas entre para a sala; o Filipe vai trazer-lhe uma bebida. Fique à vontade; nós voltamos já. Beatriz?...
...O que se passa comigo? Vi um fantasma, Beatriz, um fantasma e não sei o que fazer...

Sim, conheço-o muito bem! Vivi um ano e meio com ele, Beatriz; um dia estava tudo bem e no outro, desapareceu sem qualquer explicação. Nunca mais soube dele; e agora é o patrão do Filipe???... Tenho que me sentar que não me sinto bem... Sei lá se um copo de água resolve isto!!!

O meu desafio:
escrever no comentário o que pensam que vai acontecer (entre 5 - 10 Linhas) 
Obrigada.

sábado, 25 de abril de 2015

BANAL E TRISTE




Hoje não tenho qualquer história a contar...
E não posso dizer porquê...
Falha-me a voz... As palavras...
Há lágrimas nos meus olhos... 
E sinto-me banal e triste...




quarta-feira, 22 de abril de 2015

O JANTAR FALHADO


Margarida vai dar um jantar. E amaldiçoa ter gabado os seus (inexistentes) dotes culinários. Mas o que podia ela fazer se a conversa favorita no escritório era comida e a troca de receitas? E, tinha que ser honesta, algum dia tinha que retribuir os convites dos colegas e já:
“… Que dizes cozinhar tão bem, porque é que não nos deslumbras com um jantar?” sugere a Ana, famosa pelas sobremesas inovadoras.
Este fim-de-semana, por exemplo?” acrescenta a Matilde, que adora improvisar pratos com ingredientes tradicionais.
As outras que ouviam atentamente, acenaram com a cabeça em sinal de concordância.
Margarida não pode recusar e ei-la agora a pensar como há-de resolver o assunto. Só se pedir ajuda à Mãe, mas já sabe que esta vai fazer um grande discurso.
Não te disse que devias aprender a cozinhar em condições? E agora? Tens que me pedir ajuda…” etc, etc e por isso, quando lê na montra da loja Gourmet perto de casa “serviço de catering”, não hesita e pergunta:
Claro que sim, minha senhora. Temos várias ementas para vários preços. Basta a senhora escolher e nós entregamos tudo no dia e hora combinada. Até podemos servir mediante o pagamento de uma taxa extra. Não? …”
A ementa para sábado:
Entrada:
Camarões salteados com alho, piri-piri e coentros
Queijo Camember assado com oregãos
Pão variado e tostas
Prato Principal
Bifes com natas e pimenta em grão
Sobremesa

Crepes com molho de chocolate e chantilly
"

Excerto do meu conto "Adivinha quem vem jantar" enviado para a Editora Pastelaria Studios para a colectânea com o mesmo nome

segunda-feira, 20 de abril de 2015

OS AMANTES



É certo e sabido que o Joaquim entra às 08h55 no café, pede um café em chávena escaldada e senta-se naquela mesa em frente ao vidro, calado, à espera.
E às 08h59, 09h00, com passo apressado e ainda a abotoar o casaco passa a Catarina. 
Dois minutos depois chega o autocarro, ela entra e o Joaquim levanta-se, paga o café e saí.
De segunda a sexta, esta é a rotina do Joaquim e diz-se por aí que está apaixonado pela Catarina, aquela ruiva esbelta e sexy, mulher do Vicente. O que ela viu no Vicente, ninguém sabe, pois este é atarracado, um pouco gordo e calvo. É uma simpatia, verdade seja dita e os empregados, que também frequentam o café, classificam-no como um patrão exigente, mas justo.
Mas a pergunta continua a ser: será que a Catarina casou-se com ele por causa do dinheiro? Ou haverá ali uma outra história mais macabra?
Oh, rapaz, não digas disparates!” pede-me o Tio Manuel quando me atrevo a contar-lhe as minhas suspeitas à hora de almoço e o café tem pouca gente.

Ora, tio, estamos no século XXI e se estivesse mais tempo na Net, lia histórias ainda mais macabras!” respondi, indignado.

Excerto do meu Conto publicado na Colectânea da Editora Pastelaria Studios e subordinada ao tema "A Mulher do Próximo".

sábado, 18 de abril de 2015

POEMA-ME








É uma honra ter uma vez mais um dos meus poemas seleccionado

pela Editora Lua de Marfim e publicado na colectânea acima ...

E será sempre um prazer contar-vos 

uma história da noite 

ou fazer um discurso à chuva...

Obrigada por partilharem 

comigo esta viagem....


quarta-feira, 15 de abril de 2015

EM NOME DE



Choro....
Por ti... Só por ti...
Pela angústia que leio no teu olhar....
Uma angústia que ninguém tão pequeno devia sentir....
Ou mesmo esse terror e solidão que te pesam nos ombros e que não sabes, não compreendes o que é.....
Não sentes o sol nem partilhas os gritos de alegria de quem brinca tão feliz ........
Porque o teu corpo queixa-se...
Da fome que o assalta....
Do lugar sujo e frio onde te deitas... E onde sonhas... e como sonhas!!!
Que alguém te aconchegue a roupa com um sorriso...
Um sorriso que já viste... mas quando?... Já nem te lembras...
Sabes apenas que esse alguém desapareceu e te deixou sozinho...
Deixando-te à mercê de um mundo egoísta e déspota.........



domingo, 12 de abril de 2015

VERDADEIRAMENTE




Não sei que promessas a vida me fez... Lembro-me apenas dos sonhos...
Dos que desapareceram numa nuvem de cinza...
Dos que duraram um segundo, mas fazem com que ainda sorria...
E às vezes, pergunto-me:
O que faço aqui? O que quero verdadeiramente?...
Mas nem a vida me responde...


quinta-feira, 9 de abril de 2015

PEDRAS




Fácil devassar a vida dos outros e lançar pedras...
Talvez queira esconder como a sua vida não é tão perfeita como diz...
Como se sente só e vulnerável...
Tenho pena de si... Não confunda com inveja...
Porque eu sei que a minha vida não é perfeita, mas vivo-a.... Com alma....


domingo, 5 de abril de 2015

EI-LOS QUE PARTEM




Ei-los que partem...
Sem um olhar....
Se olharem, a partida será ainda mais dolorosa, porque os rostos dos que ficam reflectem a mesma dor, a mesma angústia.
E pensa-se: que País é este que deixa fugir quem o ama tanto?
É esse o grito mudo de quem parte, de quem fica amarrado a uma saudade que nunca desaparecerá...
Essa saudade que ninguém compreende, porque se entranha, profunda, na alma, no coração.
Ah, que bom seria dizer: “Não partas!”, prometer soluções que, depois se transformam em pó e ouvir na voz uma revolta surda e verdadeira...
Mas partir na incerteza, com apenas promessas?
Dói...
Como dói! Como torna os dias e as noites amargos! Como destrói o olhar e o sorriso!
Porque cada dia é um sobressalto, cada noite uma angústia...
E o silêncio é um pesadelo...
Esquecem-se os prazeres, vive-se com as promessas...
De um telefonema, de um e-mail, de uma conversa via Skype...
Falta o toque, o beijo, o abraço... o calor humano...
Por isso, respondam-me...
Porque alguém deve saber a razão porque este País ignora as vontades do seu povo....

A minha resposta ao desafio proposto pela Editora Papel d'Arroz sobre a partida.



quarta-feira, 1 de abril de 2015

É MENTIRA - O MAROTO DO TIO BERNARDO




Já perdi conta aos anos que vivo nesta vila simpática onde todos se conhecem e se tratam por tu.
O progresso já se instalou, claro está, mas há regras, porque conseguimos que fosse declarada Patrimônio Nacional.
É o local ideal para escrever os meus romances policiais com um leve toque erótico, e o sucesso que estou a ter surpreendeu-me.
O meu editor está a pressionar-me para que faça uma pequena viagem de apresentação do novo livro, mas estou relutante. Desde que a minha mulher morreu, tornei-me mais solitário e não tenho muito paciência para elogios e perguntas sem nexo.
Por isso, quando o Jaime me veio visitar, achei que ele seria a pessoa ideal para apresentar o livro.
O Jaime estudou literatura moderna, é tradutor e conhece muito bem a minha obra. Já leu o novo livro, tem uma opinião sobre o tema que pode partilhar com o público.
Oh, tio, mas não fui eu quem escreveu o livro. As pessoas vão querer saber como te inspiraste, o porquê de misturar o policial com o erótico, etc....”
Dá a tua opinião! Diz que me quis afastar do crime tradicional, do detective corrupto... Inventa...” sugiro, mas o Jaime não está convencido e abana a cabeça.
Oh, tio Bernardo, está louco. Um livro é muito pessoal; sei lá porque resolveu escrever uma história sobre uma mulher detective e porque é que ela tem um "affair" com um stripper suspeito de homicídio. Porque lhe chamou Renata.” expõe veementemente. Lembra-me o meu irmão Miguel que também adorava um bom debate.
Dá a tua opinião!” repito “Renata era o nome da tua tia...”
Tenho a certeza absoluta de que a tia Renata não era... maluca, digamos!” confessa Jaime
Rio-me também e digo:
Mas era sexy....” e o Jaime atalha envergonhado: “ Não preciso de saber!”
"
Excerto do meu conto sobre a "Mentira" e publicado na Colectânea da Editora Pastelaria Studios com o mesmo nome.



domingo, 29 de março de 2015

O MUNDO





Esta noite, pouco importa o que diz o Mundo...
Nada é relevante... Nada é impossível...
Porque hoje lembrei-me do meu Pai e da sua alegria em viver....



quarta-feira, 25 de março de 2015

LIBERTAR





Este não é um bom lugar para estar…
O silêncio incomoda e as palavras, quando as há, ofendem…
Por isso, não falo… 
Falarei longe daqui quando a noite sorrir e eu me libertar....



sábado, 21 de março de 2015

O TEMPO





Não sei o que dirá o tempo ...
De mim... De ti...
Ou desta noite em que desafiamos o Mundo....



quarta-feira, 18 de março de 2015

VIL




Hoje, fala-se em traição…
Traição vil, violenta… O lado escuro da alma, da noite, da vida…
Mas o pior de tudo, é não haver remorsos nem arrependimentos…
E pensar-se que é intocável…


sexta-feira, 13 de março de 2015

O CONVIDADO SURPRESA




O tema do jantar: Máscaras de Veneza.
As cores: preto, branco e dourado.
A mensagem: sedução sofisticada.

A mesa está pronta – a toalha é branca, o tecido damasco. Os guardanapos, também de damasco, também brancos, estão dobrados em triângulo. Os pratos, de design moderno, são pretos com um friso dourado igual ao dos copos.

Optou-se por um arranjo floral simples, de flores campestres e as velas, que se acendem agora, são douradas.

Os convidados obedecem às directivas e as cores dominantes no vestuário são o preto e o branco e o dourado foi escolhido para as máscaras.

Apenas um destoa: está vestido completamente de preto e a máscara é branca, lisa, sem qualquer arabesco.


Quando lhe perguntam o que representa, diz numa voz neutra: “Sou a Morte!”....

Nota:

Excerto do conto enviado para a Editora Pastelaria Studios e subordinado ao tema "Adivinha quem vem jantar"

terça-feira, 10 de março de 2015

ESMAGADAS





Esta noite sonhei com as palavras perfeitas…
Mas acordei vazia, sem vida, sem nada…
Como se as palavras, que sonhei perfeitas,
tivessem sido esmagadas pela violência da chuva...



sábado, 7 de março de 2015

REINVENTAR




Se fechar os olhos, posso:
Sentir...
Cheirar...
Escutar o mar....
A conquistar, a possuir, a amar a areia...
E depois... recuar silencioso e majestoso...
Reinventando-me.... 


terça-feira, 3 de março de 2015

SEDUÇÃO PERFEITA




Hoje só escuto a voz do Vento...
Num poema sempre inacabado, pois é escrito nas gotas da chuva...
Essas gotas que dançam no vidro da minha janela numa sedução perfeita...


sexta-feira, 27 de fevereiro de 2015

IMPOSTO




Há historias que te posso contar sobre a noite…
Sobre o seu exotismo e a sua sensualidade…
Mas hoje a noite está arrogante…
E não sei bem porquê,
mas não ouso quebrar o silêncio imposto…




terça-feira, 24 de fevereiro de 2015

FELIZ





Ninguém devia sentir esta angústia...
Esta solidão que nos esmaga os dias e nos faz gritar de pavor nas noites...
Mas há quem a tenha no olhar, entranhada no corpo...
E só por isso nunca se sentirá feliz....



sexta-feira, 20 de fevereiro de 2015

SAÍDA





Surpreende-me a chuva num dia já de si triste…
Um dia pesado, sem sonhos...
E estou presa num labirinto, sem conseguir encontrar a saída….




quarta-feira, 18 de fevereiro de 2015

UM MINUTO QUE SEJA




Por um minuto...
Um minuto que seja...
Esquece...
Esquece-te do Mundo egoísta e déspota...
Do medo e da solidão...
Mas não da paixão que sentiras quando fechares os olhos...
E voares para fora de ti...
Nesse labirinto de cores que é a esperança...


segunda-feira, 16 de fevereiro de 2015

DESAFIO AO FRIO




Esta noite,
desafio o frio...
Lendo em voz alta um poema de amor...
Pronunciando lentamente cada palavra... 
Deixando que o corpo lhes dê voz..
Intensamente....


sexta-feira, 13 de fevereiro de 2015

PRAZER





Hoje fala-se de amor...
Não dos amores escondidos do Vento e da Lua,
mas dos meus...
Do prazer com que se definem na memoria da noite...


segunda-feira, 9 de fevereiro de 2015

PENA




Às vezes, quero esquecer-me das boas maneiras...
Da discrição... Da paciência...
E dizer finalmente o que deve ser dito...
Em nome de todas as ofensas e insultos que escutei...
Mas, depois, penso friamente...

E sei que não vale a pena.... 

quinta-feira, 5 de fevereiro de 2015

MALTRATAR




Não, não preciso que digas nada... Não quero saber...
As tuas opiniões, as tuas ideias...
Cansam-me... Ouço-as há anos....
Apenas as palavras mudam...
Mas tu continuas igual: agrides a vida,
Embora esperes que ela te recompense...
E, por isso, maltratas os outros...



segunda-feira, 2 de fevereiro de 2015

OCULTAR



Esta não é uma mentira.
Oculto apenas a verdade deste amor ilícito, este amor que incomoda os outros.
Sei que não vai durar para sempre; algo mo diz...
Não sei se é a lógica, a razão ou apenas experiência da vida...
Neste momento, sinto-me amada... E não tenho palavras para o explicar...
Não preciso que mo diga diariamente, que durma sempre na minha cama ou que esteja sentado à minha mesa a reclamar o jantar.
Gosto dos nossos encontros secretos.
Dos restaurantes discretos que escolhemos para conversarmos verdadeiramente, com alma, com prazer. De grandes passeios à beira-mar e dos SMS provocadores.
E o que dizer desses beijos que percorrem a alma e das mãos que procuram o meu corpo nesse prazer intenso que nos une?
Sem que haja qualquer mentira entre nós...
Um dia, começam as desculpas, os SMS mais breves, mais espaçados até terminarem por completo.
E sabe-se... Sabe-se que terminou e não se procura uma explicação, não se tenta descobrir onde se falhou, porque aconteceu.
Porque esteve sempre escrito naquele olhar em que o prazer se reflectiu...
Na voz do coração que nos fala suave, secretamente, mas que se ignora.
E avançamos pela vida, um pouco magoados, porque nunca se aceita bem o fim, mas dignos.

Texto escrito em resposta ao tema proposto pela editora "Lua de Marfim" e publicado na colectânea PREMONIÇÕES (lançamento 01 de Fevereiro 2015)


quinta-feira, 29 de janeiro de 2015

NADA



Hoje,
não tenho palavras brilhantes
para descrever a brisa...
Porque hoje nada foi perfeito...
Li desprezo nos olhares,
nas vozes ouvi raiva ...
E quis gritar também...
Mas não consegui...


segunda-feira, 26 de janeiro de 2015

MEDO




Por vezes,
tenho medo...
Não o posso negar... Não o posso explicar...
Há apenas uma janela que se abre e rasga o véu da normalidade do dia...
Nada será igual, porque deixei que o medo se pintasse nas paredes nuas do meu tempo...
E perco um dia da minha vida... Porque tive medo de falhar...
Mesmo sabendo que falhar faz parte da vida!


quinta-feira, 22 de janeiro de 2015

DIFERENTE



Como eu gostaria que o passado não interferisse no presente…
Como eu gostaria de acordar e não ser saudada por um dia frio, cinzento…
Mesmo que seja Verão e o céu me sorria num convite sedutor…
A brincar na praia, a construir castelos na areia e ser a sereia por quem o mar se apaixona…
Como eu gostaria que tudo fosse diferente…


sábado, 17 de janeiro de 2015

MOMENTO ZEN




Por vezes,
não sei mesmo o que dizer…
Não entendo que importância tem para o Mundo,
o meu corte de cabelo, as cores dos meus vestidos
ou o que faço no meu tempo livre…
Há tanta coisa com que o Mundo se devia preocupar que eu só pergunto…
Que mal faz se eu me sentar na posição de Buda e usufruir de um momento Zen?





segunda-feira, 12 de janeiro de 2015

NO SILÊNCIO




Hoje apenas se sente o silêncio
Puro... Cristalino... Brilhante...
E nem me atrevo a pensar....
Para que o Diabo não acorde
e não destrua a paz com que o silêncio me abraça... 


quarta-feira, 7 de janeiro de 2015

2ª CARTA AO FUTURO




Esta é uma carta ao Futuro.
Uma carta original, porque duvido que no Futuro alguém saiba sequer o que é escrever.
O Futuro estará completamente dominado pela tecnologia e as coisas mais simples serão as raridades de hoje.
É o que me preocupa, porque o ser humano estará ainda mais despido de emoções.
Se mais cruel ou egoísta, não sei.
Tenho apenas a certeza de que será mais ingrato e tenho medo que o Futuro apague o pouco que nos define.
É um duelo de palavras; entre o “quero” e o “posso fazer”. Envergonha-me dizer que o “quero” está a vencer, porque não há valores, não se fala aos sentimentos.
Cala-se, destrói-se porque se quer ser o mais forte. 
Mas, quando menos se espera, a Vida castiga-nos e não sabemos como enfrentar a derrota.
O Futuro não é uma história fantástica; encaro o Futuro com medo.
Estarei velha e sozinha. Estarei esquecida pelo tempo, perdida num Mundo que não sabe que eu existo.
Como posso imaginar o Futuro se o Presente já me está a esquecer?

Resta-me apenas viver....

sexta-feira, 2 de janeiro de 2015

VOEM




Hoje,
fala-se sem falar...
Pensa-se,
mas as palavras não são ditas...
Por medo que as deturpem... Que as usem contra nós...
Ou simplesmente pela dor que nos causam...
Há muito que só as penso... Depois escrevo-as e deixo que voem...


sexta-feira, 26 de dezembro de 2014

A VERDADE





Ignoro...
Os teus discursos sobre respeito...
Esse respeito que nunca tens pelos outros, mas de que tanto falas...
Posso repetir cada uma das tuas palavras...
Como posso contar todas as vezes em que pisaste, humilhaste, magoaste alguém...
Porque a verdade...
A verdade é sempre a tua... nunca a dos outros....

terça-feira, 23 de dezembro de 2014

NATAL







O meu presente de Natal!

Obrigada à Lua de Marfim por ter seleccionado o meu texto.

E sobretudo obrigada a vocês... 

Por estarem aí...

Festas Felizes....


terça-feira, 16 de dezembro de 2014

NEM SEMPRE



Nem sempre a vida é mágica...
Mas, por vezes, há imagens que nos falam...
Palavras que nos sorriem e olhares....
Olhares que nos consolam, que nos acariciam...
Que, apesar de tudo,
fazem com que se sorria também...


sábado, 13 de dezembro de 2014

MORRER DE AMOR




Diz-me...
O que é morrer de amor... Pois acho que já morri...
Que outro nome poderei dar?... A todo este vazio que me apunhala...
Aos olhos baços... aos lábios sem cor... A esta cara encovada...
Diz-me se morri... Pois há dias em que me interrogo sobre o que faço aqui...


quarta-feira, 10 de dezembro de 2014

O NADA




Esta é uma carta ao Sol...
Uma carta sobre o brilho, sobre o dourado...
Para esquecer o frio da noite...
A solidão... O silêncio...
E depois... o nada....


sexta-feira, 5 de dezembro de 2014

EXÍLIO




Um dia... exilei as palavras na Lua...
Hoje, procurei-as... Intensamente...
Mas as palavras ignoraram-me... Desprezaram-me...
E sou eu agora quem fica presa nesse exílio...
Pois não sei o que dizer para que me perdoem...


segunda-feira, 1 de dezembro de 2014

TARDE FRIA





Este é o meu desafio...
Escrever cartas... Sem que sejam de amor...
Porque não falar sobre o poema favorito?
Ou sobre o prazer de apenas sentir o corpo?
De como esse momento se torna numa memória perfeita...
Numa tarde fria de Outono...


quinta-feira, 27 de novembro de 2014

RESPIRA-SE



Abram alas...
Não falem... Desfaçam os sorrisos...
Pois algo me diz que hoje haverão más noticias...
E se as houver, digam-nas depressa...
Não preencham o tempo com banalidades!
Digam a verdade nua e crua...
Será um choque, eu sei... Pois a verdade magoa...
Mas, pelo menos, foi dita...
E assim respira-se....




domingo, 23 de novembro de 2014

REDUZIDA

Podemos escrever muitas cartas na vida, algumas divertidas, outras mais tristes, mas nunca pensamos verdadeiramente como uma carta nos pode surpreender, magoar até.
Não, nunca pensei receber uma carta tão seca, tão formal que tive que a ler uma outra vez para ter a certeza de que compreendi o conteúdo.
A primeira reacção foi amarfanhar a pobre carta e protestar contra a estupidez de quem a enviou. Depois, mais calma, alisei o papel e reli-a.
Uma vida inteira reduzida a isto – uma simples folha de papel cheia de termos pomposos.
Posso voltar a usar o meu nome de solteira se quiser; fico com a casa e tudo o que estava só em meu nome – o resto será dividido como previsto.
Nem isso me consegues dizer!!! Podíamos conversar sobre o assunto; mas não, tinhas que pedir ao teu advogado para me mandar esta carta.
Sim, estou furiosa e com vontade de te telefonar. Ou talvez te escreva uma carta, uma carta verdadeira escrita com o coração, que deixe a nu a minha dor.
Pensando bem, para quê desperdiçar as palavras com alguém que as poderia utilizar contra mim?
Golpe baixo, meu caro, atitude de quem se sente inseguro. E tens o Mundo a teus pés!


Nota:
"Tema: Carta"
Excerto do texto desenvolvido para o tema, mas não enviado para a Editora para publicação na Colectânea"

terça-feira, 18 de novembro de 2014

ESTA



Esta é...
Uma carta escrita para apaziguar a dor…
A dor que fala alto…
A dor que não se compreende e que grita no silêncio do corpo…
Só as palavras me ouvem… A chuva chora comigo e o Vento sussurra-me carícias…
Tenho medo… Já não é o medo de te perder…
É o medo de não me apaixonar pelas palavras…
Por isso, escrevo esta carta… Escrevi frases curtas de propósito…
Talvez o Vento a leve até ti… Mas agora não faço questão…
Porque é só uma carta escrita para apaziguar a dor…


quarta-feira, 12 de novembro de 2014

SETE



7 pequenas histórias que vou contar...
Se em prosa ou em poema... não é essa a mentira. A mentira está escondida no sorriso de quem mente, de quem grita bem alto para que não haja qualquer dúvida:
É MENTIRA!”
E o pior de tudo é que a mentira está tão impregnada na pele, nos pensamentos que distorce sempre a verdade.
A verdade é sempre a sua verdade, os outros estão sempre confusos, são sempre levianos, seres inúteis que, infelizmente tem que tolerar.
Fique em paz com a sua mentira: viva-a, siga-a.
Apenas peço respeito, essa palavra que apregoa bem alto, como uma bandeira.
A sua mentira é tentar disfarçar uma insegurança que a humilha...
Se a admitisse, talvez tivesse uma surpresa...
Mas como não o quer fazer, encolho os ombros e sigo o meu caminho.
Não vou negar as minhas mentiras, a minha insegurança, os meus momentos de orgulho. Posso não ser totalmente feliz, pois ninguém o é, mas sei que não estou a mentir a mim própria.
Essa é a pior mentira de todas. A primeira grande mentira...


sábado, 8 de novembro de 2014

CARTA AO FUTURO



Eu?
Resolvi ser original e escrever uma carta ao Futuro.
A um Futuro que quero que seja diferente do Presente.
Blá, blá, os desejos de toda a gente, mas a verdade é que não quero muito.
Quero estar apenas confortável e não ter medos. Medo de envelhecer, de estar sozinha...
Mas se o estive sempre (sozinha), o que será diferente no Futuro? 
O ficar ainda mais esquecida no egoísmo dos outros.
Sonho alto, eu sei ao esperar demais das pessoas que não sabem dar. Mas esse é o mal do Presente em que não há compaixão e as frases começam todas por “Eu quero”...
Eu quis muita coisa; fui egoísta até ao extremo. 
Um dia, perdi-me e fiquei sem saber o que fazer. 
Pior, o que dizer, o que queria verdadeiramente.
Ainda hoje não sei. Sei o que não quero e isso é o começo. 
É uma porta que abri no labirinto do meu próprio egoísmo e que não posso voltar a cruzar.
Apesar de todas as dúvidas...
Porque temos que ter dúvidas para crescermos, para evoluirmos e sinceramente não sei se o Futuro responderá a tudo. Se deixaremos de pensar como indivíduos e seremos apenas um todo, uma mente colectiva. Sem traços pessoais que nos definam.
E é aí que começam os medos que não quero ter e que descrevo nestas palavras.
Porque tive tanto medo no Passado e esse Medo... não posso voltar a sentir.
Vou repetir o que já disse; espero que me perdoes, mas é a verdade.
Quero sentir-me confortável e não ter medos.
Se tiver medo, não vivo e tenho que aproveitar o tempo que resta...
O Futuro é hoje, porque o respiro... Porque o escrevo...
Amanhã a história é outra....
Obrigada por me escutares.

terça-feira, 4 de novembro de 2014

CONTOS DE PRAZER - 3ª E ÚLTIMA PARTE



3ª PARTE

A MISTURA

Decidir? O quê, se tudo o que posso fazer é sentir? Este cheiro que me assalta as narinas?
O cheiro forte do café; o adocicado do chocolate numa pausa, num encontro com o tempo.
O que faço primeiro? Bebo o café fumegante ou como o bombom estaladiço?
Não sei; e não gosto de me sentir indecisa ou apressada. Gosto de degustar; tenho prazer em comer.
Há quem diga que o chocolate estraga o sabor do café. Eu acho que o completa; até faz com que sobressaia e torna-se difícil resistir.
Vou beber um gole do café e depois trincar cuidadosamente o bombom. É de menta, o recheio que se solta e brinca descaradamente com o sabor do café.
Tomo um segundo gole de café. Tem ainda tempo para se juntar ao que resta do recheio de menta, que manipula com gosto. Sorrio....
A pessoa que se senta à minha frente pergunta porquê. Mas não respondo; volto a trincar o bombom, deixo-o amolecer...
Deixo os sentidos em alerta para viverem o prazer.
Intensa...Profundamente...
É o último gole de café; já está morno, mas bebo-o o mais devagar possível. Consegue limpar-me a boca do sabor do chocolate e fica ali a pairar, vitorioso.
Mas não sabe que há ainda um bocadinho de bombom.
Que meto à boca, surpreendendo-o....