sexta-feira, 27 de fevereiro de 2015

IMPOSTO




Há historias que te posso contar sobre a noite…
Sobre o seu exotismo e a sua sensualidade…
Mas hoje a noite está arrogante…
E não sei bem porquê,
mas não ouso quebrar o silêncio imposto…




terça-feira, 24 de fevereiro de 2015

FELIZ





Ninguém devia sentir esta angústia...
Esta solidão que nos esmaga os dias e nos faz gritar de pavor nas noites...
Mas há quem a tenha no olhar, entranhada no corpo...
E só por isso nunca se sentirá feliz....



sexta-feira, 20 de fevereiro de 2015

SAÍDA





Surpreende-me a chuva num dia já de si triste…
Um dia pesado, sem sonhos...
E estou presa num labirinto, sem conseguir encontrar a saída….




quarta-feira, 18 de fevereiro de 2015

UM MINUTO QUE SEJA




Por um minuto...
Um minuto que seja...
Esquece...
Esquece-te do Mundo egoísta e déspota...
Do medo e da solidão...
Mas não da paixão que sentiras quando fechares os olhos...
E voares para fora de ti...
Nesse labirinto de cores que é a esperança...


segunda-feira, 16 de fevereiro de 2015

DESAFIO AO FRIO




Esta noite,
desafio o frio...
Lendo em voz alta um poema de amor...
Pronunciando lentamente cada palavra... 
Deixando que o corpo lhes dê voz..
Intensamente....


sexta-feira, 13 de fevereiro de 2015

PRAZER





Hoje fala-se de amor...
Não dos amores escondidos do Vento e da Lua,
mas dos meus...
Do prazer com que se definem na memoria da noite...


segunda-feira, 9 de fevereiro de 2015

PENA




Às vezes, quero esquecer-me das boas maneiras...
Da discrição... Da paciência...
E dizer finalmente o que deve ser dito...
Em nome de todas as ofensas e insultos que escutei...
Mas, depois, penso friamente...

E sei que não vale a pena.... 

quinta-feira, 5 de fevereiro de 2015

MALTRATAR




Não, não preciso que digas nada... Não quero saber...
As tuas opiniões, as tuas ideias...
Cansam-me... Ouço-as há anos....
Apenas as palavras mudam...
Mas tu continuas igual: agrides a vida,
Embora esperes que ela te recompense...
E, por isso, maltratas os outros...



segunda-feira, 2 de fevereiro de 2015

OCULTAR



Esta não é uma mentira.
Oculto apenas a verdade deste amor ilícito, este amor que incomoda os outros.
Sei que não vai durar para sempre; algo mo diz...
Não sei se é a lógica, a razão ou apenas experiência da vida...
Neste momento, sinto-me amada... E não tenho palavras para o explicar...
Não preciso que mo diga diariamente, que durma sempre na minha cama ou que esteja sentado à minha mesa a reclamar o jantar.
Gosto dos nossos encontros secretos.
Dos restaurantes discretos que escolhemos para conversarmos verdadeiramente, com alma, com prazer. De grandes passeios à beira-mar e dos SMS provocadores.
E o que dizer desses beijos que percorrem a alma e das mãos que procuram o meu corpo nesse prazer intenso que nos une?
Sem que haja qualquer mentira entre nós...
Um dia, começam as desculpas, os SMS mais breves, mais espaçados até terminarem por completo.
E sabe-se... Sabe-se que terminou e não se procura uma explicação, não se tenta descobrir onde se falhou, porque aconteceu.
Porque esteve sempre escrito naquele olhar em que o prazer se reflectiu...
Na voz do coração que nos fala suave, secretamente, mas que se ignora.
E avançamos pela vida, um pouco magoados, porque nunca se aceita bem o fim, mas dignos.

Texto escrito em resposta ao tema proposto pela editora "Lua de Marfim" e publicado na colectânea PREMONIÇÕES (lançamento 01 de Fevereiro 2015)


quinta-feira, 29 de janeiro de 2015

NADA



Hoje,
não tenho palavras brilhantes
para descrever a brisa...
Porque hoje nada foi perfeito...
Li desprezo nos olhares,
nas vozes ouvi raiva ...
E quis gritar também...
Mas não consegui...


segunda-feira, 26 de janeiro de 2015

MEDO




Por vezes,
tenho medo...
Não o posso negar... Não o posso explicar...
Há apenas uma janela que se abre e rasga o véu da normalidade do dia...
Nada será igual, porque deixei que o medo se pintasse nas paredes nuas do meu tempo...
E perco um dia da minha vida... Porque tive medo de falhar...
Mesmo sabendo que falhar faz parte da vida!


quinta-feira, 22 de janeiro de 2015

DIFERENTE



Como eu gostaria que o passado não interferisse no presente…
Como eu gostaria de acordar e não ser saudada por um dia frio, cinzento…
Mesmo que seja Verão e o céu me sorria num convite sedutor…
A brincar na praia, a construir castelos na areia e ser a sereia por quem o mar se apaixona…
Como eu gostaria que tudo fosse diferente…


sábado, 17 de janeiro de 2015

MOMENTO ZEN




Por vezes,
não sei mesmo o que dizer…
Não entendo que importância tem para o Mundo,
o meu corte de cabelo, as cores dos meus vestidos
ou o que faço no meu tempo livre…
Há tanta coisa com que o Mundo se devia preocupar que eu só pergunto…
Que mal faz se eu me sentar na posição de Buda e usufruir de um momento Zen?





segunda-feira, 12 de janeiro de 2015

NO SILÊNCIO




Hoje apenas se sente o silêncio
Puro... Cristalino... Brilhante...
E nem me atrevo a pensar....
Para que o Diabo não acorde
e não destrua a paz com que o silêncio me abraça... 


quarta-feira, 7 de janeiro de 2015

2ª CARTA AO FUTURO




Esta é uma carta ao Futuro.
Uma carta original, porque duvido que no Futuro alguém saiba sequer o que é escrever.
O Futuro estará completamente dominado pela tecnologia e as coisas mais simples serão as raridades de hoje.
É o que me preocupa, porque o ser humano estará ainda mais despido de emoções.
Se mais cruel ou egoísta, não sei.
Tenho apenas a certeza de que será mais ingrato e tenho medo que o Futuro apague o pouco que nos define.
É um duelo de palavras; entre o “quero” e o “posso fazer”. Envergonha-me dizer que o “quero” está a vencer, porque não há valores, não se fala aos sentimentos.
Cala-se, destrói-se porque se quer ser o mais forte. 
Mas, quando menos se espera, a Vida castiga-nos e não sabemos como enfrentar a derrota.
O Futuro não é uma história fantástica; encaro o Futuro com medo.
Estarei velha e sozinha. Estarei esquecida pelo tempo, perdida num Mundo que não sabe que eu existo.
Como posso imaginar o Futuro se o Presente já me está a esquecer?

Resta-me apenas viver....

sexta-feira, 2 de janeiro de 2015

VOEM




Hoje,
fala-se sem falar...
Pensa-se,
mas as palavras não são ditas...
Por medo que as deturpem... Que as usem contra nós...
Ou simplesmente pela dor que nos causam...
Há muito que só as penso... Depois escrevo-as e deixo que voem...


sexta-feira, 26 de dezembro de 2014

A VERDADE





Ignoro...
Os teus discursos sobre respeito...
Esse respeito que nunca tens pelos outros, mas de que tanto falas...
Posso repetir cada uma das tuas palavras...
Como posso contar todas as vezes em que pisaste, humilhaste, magoaste alguém...
Porque a verdade...
A verdade é sempre a tua... nunca a dos outros....

terça-feira, 23 de dezembro de 2014

NATAL







O meu presente de Natal!

Obrigada à Lua de Marfim por ter seleccionado o meu texto.

E sobretudo obrigada a vocês... 

Por estarem aí...

Festas Felizes....


terça-feira, 16 de dezembro de 2014

NEM SEMPRE



Nem sempre a vida é mágica...
Mas, por vezes, há imagens que nos falam...
Palavras que nos sorriem e olhares....
Olhares que nos consolam, que nos acariciam...
Que, apesar de tudo,
fazem com que se sorria também...


sábado, 13 de dezembro de 2014

MORRER DE AMOR




Diz-me...
O que é morrer de amor... Pois acho que já morri...
Que outro nome poderei dar?... A todo este vazio que me apunhala...
Aos olhos baços... aos lábios sem cor... A esta cara encovada...
Diz-me se morri... Pois há dias em que me interrogo sobre o que faço aqui...


quarta-feira, 10 de dezembro de 2014

O NADA




Esta é uma carta ao Sol...
Uma carta sobre o brilho, sobre o dourado...
Para esquecer o frio da noite...
A solidão... O silêncio...
E depois... o nada....


sexta-feira, 5 de dezembro de 2014

EXÍLIO




Um dia... exilei as palavras na Lua...
Hoje, procurei-as... Intensamente...
Mas as palavras ignoraram-me... Desprezaram-me...
E sou eu agora quem fica presa nesse exílio...
Pois não sei o que dizer para que me perdoem...


segunda-feira, 1 de dezembro de 2014

TARDE FRIA





Este é o meu desafio...
Escrever cartas... Sem que sejam de amor...
Porque não falar sobre o poema favorito?
Ou sobre o prazer de apenas sentir o corpo?
De como esse momento se torna numa memória perfeita...
Numa tarde fria de Outono...


quinta-feira, 27 de novembro de 2014

RESPIRA-SE



Abram alas...
Não falem... Desfaçam os sorrisos...
Pois algo me diz que hoje haverão más noticias...
E se as houver, digam-nas depressa...
Não preencham o tempo com banalidades!
Digam a verdade nua e crua...
Será um choque, eu sei... Pois a verdade magoa...
Mas, pelo menos, foi dita...
E assim respira-se....




domingo, 23 de novembro de 2014

REDUZIDA

Podemos escrever muitas cartas na vida, algumas divertidas, outras mais tristes, mas nunca pensamos verdadeiramente como uma carta nos pode surpreender, magoar até.
Não, nunca pensei receber uma carta tão seca, tão formal que tive que a ler uma outra vez para ter a certeza de que compreendi o conteúdo.
A primeira reacção foi amarfanhar a pobre carta e protestar contra a estupidez de quem a enviou. Depois, mais calma, alisei o papel e reli-a.
Uma vida inteira reduzida a isto – uma simples folha de papel cheia de termos pomposos.
Posso voltar a usar o meu nome de solteira se quiser; fico com a casa e tudo o que estava só em meu nome – o resto será dividido como previsto.
Nem isso me consegues dizer!!! Podíamos conversar sobre o assunto; mas não, tinhas que pedir ao teu advogado para me mandar esta carta.
Sim, estou furiosa e com vontade de te telefonar. Ou talvez te escreva uma carta, uma carta verdadeira escrita com o coração, que deixe a nu a minha dor.
Pensando bem, para quê desperdiçar as palavras com alguém que as poderia utilizar contra mim?
Golpe baixo, meu caro, atitude de quem se sente inseguro. E tens o Mundo a teus pés!


Nota:
"Tema: Carta"
Excerto do texto desenvolvido para o tema, mas não enviado para a Editora para publicação na Colectânea"

terça-feira, 18 de novembro de 2014

ESTA



Esta é...
Uma carta escrita para apaziguar a dor…
A dor que fala alto…
A dor que não se compreende e que grita no silêncio do corpo…
Só as palavras me ouvem… A chuva chora comigo e o Vento sussurra-me carícias…
Tenho medo… Já não é o medo de te perder…
É o medo de não me apaixonar pelas palavras…
Por isso, escrevo esta carta… Escrevi frases curtas de propósito…
Talvez o Vento a leve até ti… Mas agora não faço questão…
Porque é só uma carta escrita para apaziguar a dor…


quarta-feira, 12 de novembro de 2014

SETE



7 pequenas histórias que vou contar...
Se em prosa ou em poema... não é essa a mentira. A mentira está escondida no sorriso de quem mente, de quem grita bem alto para que não haja qualquer dúvida:
É MENTIRA!”
E o pior de tudo é que a mentira está tão impregnada na pele, nos pensamentos que distorce sempre a verdade.
A verdade é sempre a sua verdade, os outros estão sempre confusos, são sempre levianos, seres inúteis que, infelizmente tem que tolerar.
Fique em paz com a sua mentira: viva-a, siga-a.
Apenas peço respeito, essa palavra que apregoa bem alto, como uma bandeira.
A sua mentira é tentar disfarçar uma insegurança que a humilha...
Se a admitisse, talvez tivesse uma surpresa...
Mas como não o quer fazer, encolho os ombros e sigo o meu caminho.
Não vou negar as minhas mentiras, a minha insegurança, os meus momentos de orgulho. Posso não ser totalmente feliz, pois ninguém o é, mas sei que não estou a mentir a mim própria.
Essa é a pior mentira de todas. A primeira grande mentira...


sábado, 8 de novembro de 2014

CARTA AO FUTURO



Eu?
Resolvi ser original e escrever uma carta ao Futuro.
A um Futuro que quero que seja diferente do Presente.
Blá, blá, os desejos de toda a gente, mas a verdade é que não quero muito.
Quero estar apenas confortável e não ter medos. Medo de envelhecer, de estar sozinha...
Mas se o estive sempre (sozinha), o que será diferente no Futuro? 
O ficar ainda mais esquecida no egoísmo dos outros.
Sonho alto, eu sei ao esperar demais das pessoas que não sabem dar. Mas esse é o mal do Presente em que não há compaixão e as frases começam todas por “Eu quero”...
Eu quis muita coisa; fui egoísta até ao extremo. 
Um dia, perdi-me e fiquei sem saber o que fazer. 
Pior, o que dizer, o que queria verdadeiramente.
Ainda hoje não sei. Sei o que não quero e isso é o começo. 
É uma porta que abri no labirinto do meu próprio egoísmo e que não posso voltar a cruzar.
Apesar de todas as dúvidas...
Porque temos que ter dúvidas para crescermos, para evoluirmos e sinceramente não sei se o Futuro responderá a tudo. Se deixaremos de pensar como indivíduos e seremos apenas um todo, uma mente colectiva. Sem traços pessoais que nos definam.
E é aí que começam os medos que não quero ter e que descrevo nestas palavras.
Porque tive tanto medo no Passado e esse Medo... não posso voltar a sentir.
Vou repetir o que já disse; espero que me perdoes, mas é a verdade.
Quero sentir-me confortável e não ter medos.
Se tiver medo, não vivo e tenho que aproveitar o tempo que resta...
O Futuro é hoje, porque o respiro... Porque o escrevo...
Amanhã a história é outra....
Obrigada por me escutares.

terça-feira, 4 de novembro de 2014

CONTOS DE PRAZER - 3ª E ÚLTIMA PARTE



3ª PARTE

A MISTURA

Decidir? O quê, se tudo o que posso fazer é sentir? Este cheiro que me assalta as narinas?
O cheiro forte do café; o adocicado do chocolate numa pausa, num encontro com o tempo.
O que faço primeiro? Bebo o café fumegante ou como o bombom estaladiço?
Não sei; e não gosto de me sentir indecisa ou apressada. Gosto de degustar; tenho prazer em comer.
Há quem diga que o chocolate estraga o sabor do café. Eu acho que o completa; até faz com que sobressaia e torna-se difícil resistir.
Vou beber um gole do café e depois trincar cuidadosamente o bombom. É de menta, o recheio que se solta e brinca descaradamente com o sabor do café.
Tomo um segundo gole de café. Tem ainda tempo para se juntar ao que resta do recheio de menta, que manipula com gosto. Sorrio....
A pessoa que se senta à minha frente pergunta porquê. Mas não respondo; volto a trincar o bombom, deixo-o amolecer...
Deixo os sentidos em alerta para viverem o prazer.
Intensa...Profundamente...
É o último gole de café; já está morno, mas bebo-o o mais devagar possível. Consegue limpar-me a boca do sabor do chocolate e fica ali a pairar, vitorioso.
Mas não sabe que há ainda um bocadinho de bombom.
Que meto à boca, surpreendendo-o....


quarta-feira, 29 de outubro de 2014

CONTOS DE PRAZER - 2ª PARTE


2ª PARTE

O PROVOCADOR

Adoro provocar-te...
Ver como a tua boca se entreabre, antecipando um prazer que te vou negar.
Por enquanto...
Quero contornar os teus lábios, acenar-te com o cheiro e fazer-te salivar.
Só depois é que te deixo mordiscar-me e sinto como a tua língua fica enfeitiçada.
Esmago-me completamente contra os teus dentes, derrama-se o recheio que desliza lentamente pela garganta e o teu corpo explode.
É uma onda gigante, uma sensação de calor brutal que te queima e que és incapaz de descrever.
Não resistes; fechas os olhos, emites sons de prazer, um prazer profundo, enraizado e que perdurará em ti por tempos infinitos.
O que interessa a chuva irritante a bater nos vidros?
Ou a discussão que não leva a nada no quarto ao lado?
Ou mesmo o livro que apertas contra o peito como um tesouro, um talismã?
A tua vida é este momento em que continuo a entranhar-me na tua corrente sanguínea numa aventura impossível.
Depois? ...
Sinceramente, não quero saber o que acontecerá depois.
Se vais continuar a ler, interromper a discussão e acalmar os protagonistas ou escolher um outro chocolate para esqueceres....pouco me importa.
Sei que o prazer que te dei foi e continuará a ser único.








domingo, 26 de outubro de 2014

DESENCONTROS - O DIÁRIO DELA


Dia 0

"Escreve" dizem-me...
Como se pudesse descarregar no papel toda a dor que ressoa na minha alma...
Como se este diário fosse um romance de cordel, escrito pela heroína sofrida, com um final feliz.

Dia 1

Tentei escrever...
Mas tudo falhou e por isso, tentei escrever sobre a chuva.
Porque está uma noite de chuva e estou sozinha.
Num palco, onde só existo eu, a luz do candeeiro e chuva...

Dia 2

Chuva...
Chamei-lhe, uma vez, impiedosa; noutra, agradeci-lhe por ter ocultado as minhas lágrimas.
Hoje não sei o que lhe chamaria ou o que lhe agradeceria.
Estou cansada e doente e nem de ti quero falar.
Por isso, hoje vou fechar a luz mais cedo e, se a chuva resmungar, deixa.

Dia 3

O pior de tudo é a angústia que fica, o que não consigo explicar...
Porque não sei porque partiste...
Sei que te desejei intensamente; amei-te loucamente e continuo louca, porque tenho saudades de ti...
Ontem, porque hoje tenho que fazer qualquer coisa...
Qualquer coisa diferente, que mude o tempo e a vida.
O quê, ainda não sei.

Excerto do meu conto/história de amor publicado na colectânea "Beijos de Bicos" da Editora "Pastelaria Studios"


terça-feira, 21 de outubro de 2014

LUST



Sentei-me confortavelmente...
Comprei uma resma de papel, imprimi a minha pesquisa sobre os pecados mortais e abri o Word...
" Escrevo sobre a gula? Ou sobre a luxúria?" pensei " O chocolate podia ser a personagem principal" e, durante uns minutos, escrevi palavras associadas com chocolate e gula.
" Não, é capaz de ser banal demais. Prefiro a luxúria." e, segura de mim, apaguei o que tinha escrito e recomecei.
Em negrito, o título "LUST" e tomei nota mentalmente de que, algures no conto, teria que explicar o porquê da palavra em inglês.

"Lust...
A luxúria... O pecado da carne...
O pecado de sentira sensualidade à flor da pele...
O meu corpo em pecado...."

Mas continuei a martelar nas teclas, sem pensar no encadear das palavras, das frases, preocupada apenas em deixar fluir a ideia.
Falei sobre o cheiro na pele, comparei o prazer a um rio em tormenta.
Questionei a importância do pecado, se estava a falar em amor... A luxúria no amor...

Excerto do meu conto "LUST" sobre os 7 Pecados Mortais publicado na Colectânea com o mesmo nome da Editora Pastelaria Studios.

quinta-feira, 16 de outubro de 2014

SOM EM MIM


Percorro a noite
à tua procura...
Falo-te
por entre a chuva,
ansiosa pelo som
da tua voz em mim...
Depois...
Desiludo-me contigo
e com o tempo...

TELA DE VICTOR NIZOVTSEV

segunda-feira, 13 de outubro de 2014

SOPHIA



Esta é a história de uma gata felpuda...
O nome é Sophia, com “ph”, por ser francesa e aristocrata. Não é aventureira e desdenha o jardim, preferindo a suavidade dos tapetes. Até que um dia, confusa com a multidão que invade a casa, os choros e os lamentos, foge para a cave e ali fica.
Nunca lá esteve; é um local escuro e com um cheiro estranho, mas sente-se segura. Não entende a comoção, não sabe ainda que o dono morreu e está sozinha. Enrosca-se em cima de uma velha manta e adormece.
Quando acorda e se aventura até lá cima, estranha o silêncio. Mia, percorre as salas vazias, à procura de comida e do dono. Mas há qualquer coisa que mudou, Sophia sente-o e entra em pânico.
Volta a percorrer a casa, à procura de uma janela, uma porta aberta para fugir para o jardim, também ele já diferente, cheio de folhas secas e relva pisada.
O que se passa? Repete Sophia incessantemente. Onde está o seu amado dono? E se saiu, porque é que não lhe deixou leite na tigela com o nome dela gravado?
Sente uma porta a abrir-se, uma chave a ser pousada na mesa e precipita-se ao encontro de quem chega. Mas a desilusão é imensa; não é o dono, é a filha do dono, vestida de preto e com os olhos vermelhos. Sophia estaca e olha-a, desconsolada. A senhora sorri e baixa-se para a afagar.

Excerto do conto escrito e publicada no Colectânea "Patas, Pelos e Penas" da Editora Pastelaria Studios

quarta-feira, 8 de outubro de 2014

CONTOS DE PRAZER - 1ª PARTE


O SEDUTOR

Relaxo com uma chávena de café na mão.
Deixo que esse cheiro agridoce me domine e fujo da manhã cinzenta, da chuva aborrecida, do vento frio.
Não sei se estou no Brasil ou no Taiti; estou onde o sonho me leva e tudo é diferente.
Até o ritmo, o sorriso e, sobretudo, o desejo.
Esse desejo incontrolável que aprisiona os sentidos e torna a vida banal.
Apressada e insignificante! Ou talvez seja eu quem é insignificante! Não sei...
Neste momento, não penso em nada. Saboreio o café com todo o tempo do Mundo.
Sei que tenho que voltar, entrar novamente naquele escritório desarrumado e sorrir serenamente.
Como se fosse surda, imune ao veneno escondido em cada uma das palavras que ali se pronuncia.
Não conheço tais palavras; as minhas podem soar banais e frouxas, mas, pelo menos, fui eu quem as escolheu e lhes deu tempo e espaço.
Não o café; deixo que seja ele a seduzir-me, a consolar-me e até os meus segredos já lhe confessei.
Tenho pena de deixar o café barulhento, o calor humano.
Mas o sabor está ainda tatuado na boca; o cheiro entranhado nas narinas e o sonho do País quente ainda não se desvaneceu.
Perfuma-me o dia; liberta-me da mesquinhez e escrevo na mente histórias mirabolantes.
Sorrio misteriosamente; estarei louca por ler tudo isto numa chávena de café que os outros bebem para acordar?
Se estou, viva a loucura! Ainda bem que sou louco e que poucos me entendem...
Nunca serão felizes por completo, porque quem desconhece a arte de sedução, não a vê, não a sente numa simples chávena de café...está perdido!


quarta-feira, 1 de outubro de 2014

VIAGEM

Viajo algures.
Por entre as cores do arco-íris quando tocam as ondas do mar. Ou desafiam a brisa.
Ou quando me provocam e abrem as portas ao infinito. Sem que haja um dia marcado para voltar. Porque não quero voltar; quero libertar-me do hoje...
Viajo em sonhos.
Invento Mundos; desenho-os em cores exóticas. Nas minhas cores exóticas e loucas, porque falam de luminosidade, de alma. Essa alma que sonha em mim e me dita as palavras.
Viajo em mim.
Sem limites. Sem dor. Apenas com o olhar. Ou o riso que se revela franco, cristalino como nunca o ouvi. E porque tanto anseio...
Viajo, simplesmente viajo.
Não para outro País, outro Continente. Descubro-me; penso-me sem nós que me atem, controlem.
Porque o Mundo assim escreve e eu obedeço. Sem que seja feliz...
Viajo, livre.
Posso estender a mão e apreciar a brisa, sem que me achem louca. E se for, gozo esse momento de loucura por completo...
Continuo a viajar
Mesmo quando a viagem física acaba. Viajo sem rumo, exploro o prazer de momentos perfeitos.
De páginas em branco... Que preencho devagar... A qualquer hora, com a palavra mais simples...
Poderia descrever a minha viagem à Irlanda.... Falar sobre a razão de lhe chamarem a “Ilha Esmeralda”, sobre a simpatia do povo.
Mas não diria nada de novo... Seria apenas uma descrição e viajar é muito mais do que isso.
É o que fica guardado na memória, é o impacto, é aquele sorriso que não se repetirá...
O sorriso com que escrevo agora... Porque me lembro de como fui feliz naquela semana, com aquelas pessoas, naquele País verde e molhado.
Mas é apenas um capítulo num história que ainda não tem fim.
Porque ainda estou aqui e a próxima viagem será sempre a mais importante, o fim de tudo...
Mas se acreditar que é o fim, não estarei a assinar uma sentença de morte?
Por isso vou continuar a viajar no labirinto da minha Mente.


RESPOSTA AO DESAFIO/TEMA PROPOSTO PELA EDITORA PASTELARIA STUDIOS E PUBLICADO NA COLECTÂNEA “AQUELA VIAGEM”

sexta-feira, 26 de setembro de 2014

APAIXONADAMENTE


Meu amor,
Não sei se isto é uma carta de amor.
Aquela que nunca escrevi, porque te amei apaixonadamente.
Tão forte que até doía só de pensar em ti.
Hoje escrevo-a para me lembrar de ti.
Agora que te despediste de mim e de tudo o que fizemos juntos.
Acordo vazia; arrasto o corpo e os pés pelo tempo e penso sempre que estás no jardim e, a qualquer momento, vais entrar para beber um café.
Continuo a fazer os teus queques preferidos que ofereço ao rapaz que trata agora do jardim.
Às vezes, ele sugere plantar coisas diferentes, mas eu não deixo.
Ele abana a cabeça; deve pensar que estou maluca, senil, mas tu querias o jardim assim e se o mudasse agora, perdia-te.
A sala também está igual. Nem arrumei na estante o livro que estavas a ler e sei bem que não o vou ler.
Como poderia? Ouviria sempre a tua voz a explicar-me os detalhes mais interessantes do enredo...
Mas a loucura maior talvez tenha sido deixar o cão apropriar-se da tua poltrona. Não tenho coragem de o enxotar; sentimos muito a tua falta...
Não era isto o que queria dizer... Queria falar-te de amor, de sentidos à flor da pele. De desejo a jorrar no corpo...
Nunca precisamos de palavras para dizer como éramos importantes um para o outro. Sabíamos pelo olhar, pelo toque, pelo beijo.
Por isso, amor, não posso escrever uma carta de amor, porque sei que sabes, não podes ter esquecido, que te amei e te continuarei a amar...
Apaixonadamente, amor.
E nunca te vou dizer adeus... exactamente por isso.


Luz

Resposta a um passatempo da Editora Pastelaria Studios 
(publicado no blog da editora)

sábado, 20 de setembro de 2014

SORRISO "EXCERTO DO MEU CONTO SOBRE CAFÉ E CHOCOLATE"


Breve introdução:
O desafio era escrever sobre Café e Chocolate.  Escrevi sobre alguém que:

"
Ok, até posso ser viciada em chocolate e café.
Até posso ter peso a mais e evitar olhar para o espelho para não me assustar com a silhueta.
Mas tens que concordar que a minha vida não é fácil e se bem que saiba que este não é o caminho correcto – comer para esquecer – o teu não é muito melhor.
Enquanto berras e dizes as maiores barbaridades, eu bebo um café. Cheiro-o, sorvo-o enquanto escuto as histórias dos outros. Há os faladores, sempre a contarem histórias inacreditáveis; outros são mais discretos, não se confessam, mas ouvem avidamente.
Naquele café, somos uma família e sentimos a falta uns dos outros. Porque a pausa para o café é sagrada – o mundo para, desaparece e a nossa vida é apenas nossa.
Mas como te vou convencer disso? Que tudo é possível e que eu sou a protagonista numa história em que decido o final. Poderá não ser o teu final, talvez não seja o meu, mas evado-me da agressividade que dizes não ter.
É mais fácil trincar um bombom e deixar que se derreta lentamente do que discutir contigo e perder a razão.
Misturo os sabores do café e do chocolate num bolo de prazer, numa aventura que ninguém compreende.
Porque acham que é um deperdício de sabores, de aromas. Mas é exactamente por causa dos sabores, dos aromas que tudo se torna mais intenso.
A minha cara parece uma lua cheia. Mas eu gosto de observar a Lua enquanto como um chocolate de leite.

De me enrolar numa manta, com um bom livro na mão e beber uma grande chávena de café com leite.
"
Nota: Este Conto está publicado na Colectânea Café & Chocolate (Pastelaria Studios)

sábado, 13 de setembro de 2014

"ANTÓNIO SEDUZIDO" (EXCERTO DO MEU CONTO SOBRE SEDUÇÃO)


Breve Introdução:

Um desafio na aula de Português: seduzir e como seduzir. Escrever um poema que seduza o leitor.
António está pouco à vontade com o tema, pois "escrever , “com floreados” como diz, não é realmente a sua área". Mas eis que....



"O poema é curto, simples e cheio de musicalidade. É isso que intriga o António e que faz com que o volte a ler. Pausadamente, saboreando cada uma das estrofes.
Fala de amor? Amor escondido no nevoeiro? Estará o autor a falar de um amor proibido, contrariado? Proibido por quem? E porquê?
António folheia o livro, procura um outro poema que responda às questões deste.
Mas os outros poemas apenas falam de memórias de outros dias. Alguns estão carregados de uma tal dor que até o magoam.
É um poeta triste, esconde a angústia no mar, confessa-se à Lua, encontra conforto nas sombras.
Está preso a um passado que não consegue esquecer e de que fala em palavras simples, humanas.
António procura outros livros do poeta; quer ler outros poemas, saber como ele fala da sedução.
O poema não fala em sedução, mas António apaixona-se.
Deixa que essas palavras tão simples, tão humanas, o seduzam, lhe inflamem os sentidos.
Fica confuso; a mente, sempre prática, analítica, não compreende as emoções que a percorrem.
António sente-se como se tivesse perdido o controlo sobre a vida, sobre todos os planos perfeitos que delineou e pergunta-se se não estará louco.
Lembra-se do que a professora disse na aula “..seduzir o corpo e a alma.” e compreende que seduzir é ver para além do horizonte, descobrir na banalidade das coisas a cor.
No poema que escreve, António confessa-se.
Como sempre desdenhou as palavras, nunca confiou nelas...
Nunca lhes deu voz, confundiu-as...Tornou-as secas, agrestes; não lhes abriu a alma...
E, agora?
Atravessa a linha do horizonte…
Calmamente…
Abrindo a porta ao mistério e reinventando-se.
Por entre as memórias da Lua e a lucidez do Mar.
"

quarta-feira, 3 de setembro de 2014

LUA DE MARFIM



É com prazer que informo que participo 
nesta nova Colectânea 
organizada pela editora Lua de Marfim.

Caso desejem adquirir um exemplar,
podem contactar directamente
a editora para o e-mail:
antologias.luademarfim@gmail.com

 A Colectânea anterior, 
na qual também participei,
chama-se "Cartas"




domingo, 18 de agosto de 2013

ESTA NOITE





Esta noite,

        quero perder-me na tua voz

           libertar nela o prazer do meu corpo

              acolher-te em mim....

Esta noite,

        quero sentir o beijo das tuas palavras

             na minha pele,

                espreguiçar-me no teu desejo....

                           Intensamente...

                               Esta noite.....




 Tela de Omar Ortiz