Dizer-te O que escrevo no nevoeiro A sombra do teu corpo num poema Perfumado com palavras Veementes Ardentes Perco a noção do tempo Na entrega completa do corpo nu De alma exposta Apaixonadamente
Não posso explicar a manhã, mas posso divagar sobre a noite. A noite sem tempo, apaixonada e provocadora na memória das tuas palavras. Ou na carícia das minhas, num sussurro de pele. Falo sobre o tempo, numa noite que não tem tempo.
dizer o que pensas agora. Neste precioso momento, em que tudo poderá acontecer, porque tudo está em branco.
Poderá ser tarde depois. E não viverás a paixão, como te apareceu no toque leve da manhã. E no olhar, tão carinhoso, tão quente no despertar, só verás sombras.
Hoje, sou eu quem te pede que fiques. Aqui, nos meus braços, envolto num abraço quente. Nos meus lábios, preso num beijo intenso. Num corpo que se despe apressadamente.
Escreve-me no teu mundo. Abre-me as portas, deixa que a tua luz me acaricie. Respira-me. Sussurra-me nas tuas palavras. Escolhe as favoritas para que perdurem. E, quando de madrugada me deixares, ressoem em mim… Sempre….
Esta noite não tenho o tempo contado. E ao apelo da minha fantasia, escondida, mas não esquecida, sucumbirei. Serei um poema exótico, uma voz despojada de tabus num corpo nu.
Breve é uma palavra perfeita. Para contar uma história de amor. Em que falo com as tuas mãos. Inesperado é também uma palavra perfeita. Só assim consigo descrever o calor, esse calor com que surges em mim. Mas o prazer em me amares, quando te sinto a amar-me, é apenas indescritível.
Consigo ver o Vento, mesmo que o meu poema fique inacabado. Escuto as vozes do Vento, mesmo quando as luzes estão apagadas e ninguém sabe que estou ali. Pinto cores no Vento, dou-lhe formas abstractas, quando me abraça o desespero. Nunca lhe grito, porque o Vento uiva mais alto que a dor. A dor que quero esquecer, tenho que esquecer, não sei como esquecer. Talvez o Vento saiba. Ou talvez não, por a dor ser minha.
Amar-te, um disparate? Nunca o será, se já o disse. Amo-te, esqueço-te, lembro-te em todos os minutos do meu dia. Sei como te quero, como te desejo. Como pode isso ser um disparate?
Posso falar sempre do Vento, deixar que, nas memórias do tempo, enterre as minhas. Mas o sabor da tua pele, a clareza do teu desejo, completam os momentos da tua ausência. Fico prisioneira da minha própria paixão, escondo a cara como se tivesse vergonha... Vergonha porquê? E de quê? Nunca de te amar.....
Se eu não soubesse como te amo... Assim, veemente, intensamente.... Talvez esta paixão que sinto, e no meu corpo te descreve, esmorecesse. Talvez a minha alma não fosse livre e a verdade não fosse um segredo, só nosso... Talvez soubesse a resposta à pergunta, e lhe roubasse o encanto… De não saber o porquê de tanto te amar….