Meu
amor,
Não
sei se isto é uma carta de amor.
Aquela
que nunca escrevi, porque te amei apaixonadamente.
Tão
forte que até doía só de pensar em ti.
Hoje
escrevo-a para me lembrar de ti.
Agora
que te despediste de mim e de tudo o que fizemos juntos.
Acordo
vazia; arrasto o corpo e os pés pelo tempo e penso sempre que estás
no jardim e, a qualquer momento, vais entrar para beber um café.
Continuo
a fazer os teus queques preferidos que ofereço ao rapaz que trata
agora do jardim.
Às
vezes, ele sugere plantar coisas diferentes, mas eu não deixo.
Ele
abana a cabeça; deve pensar que estou maluca, senil, mas tu querias
o jardim assim e se o mudasse agora, perdia-te.
A
sala também está igual. Nem arrumei na estante o livro que estavas
a ler e sei bem que não o vou ler.
Como
poderia? Ouviria sempre a tua voz a explicar-me os detalhes mais
interessantes do enredo...
Mas
a loucura maior talvez tenha sido deixar o cão apropriar-se da tua
poltrona. Não tenho coragem de o enxotar; sentimos muito a tua
falta...
Não
era isto o que queria dizer... Queria falar-te de amor, de sentidos à
flor da pele. De desejo a jorrar no corpo...
Nunca
precisamos de palavras para dizer como éramos importantes um para o
outro. Sabíamos pelo olhar, pelo toque, pelo beijo.
Por
isso, amor, não posso escrever uma carta de amor, porque sei que
sabes, não podes ter esquecido, que te amei e te continuarei a
amar...
Apaixonadamente,
amor.
E
nunca te vou dizer adeus... exactamente por isso.
Luz
Resposta a um passatempo da Editora Pastelaria Studios
(publicado no blog da editora)















