" Hoje... tenho que escrever alguma coisa para a minha coluna." diz a Mara, mas não se levanta.
É Domingo, chove e sente que não tem nada de novo para dizer.
" A tua coluna de mexericos!" ri-se o João.
" Digo coisas muito interessantes!" afirma a Mara, batendo-lhe no braço.
" Que nem sempre são verdade! Às vezes, apenas adivinhas..." responde o marido e levanta-se.
Mara volta a deitar-se e fica a matutar no que ele diz.
Aquilo que pensava ser um emprego temporário, apenas para ganhar experiência, tornou-se permanente, exigente.
Gosta da fama, de receber cartas,mails, com elogios, com fortes críticas, mas está na altura de escrever qualquer coisa fantástica.
Algo interrompe a meditação. Alguém deixou cair um móvel no andar de cima e deu um grito.
Pelo menos, foi o que pareceu. Mara fica à escuta, a tentar perceber o que se passa, mas não ouve mais nada.
" Os nossos vizinhos devem ter deixado cair um móvel. Até me assustei com o barulho!" conta ao João enquanto esperam pelo elevador.
" Se calhar, têm um fantasma lá em casa e este diverte-se a atirar coisas ao chão." e João faz uma cara de assustado. " Deixa lá os vizinhos, a tua coluna e vamos gozar o almoço."
" Mas, João, tenho que escrever qualquer coisa." protesta Mara.
CONTINUA
3 comentários:
As colunas sociais ou de mexericos como muitas vezes se diz têm um público fiel e exigente. Atento. Por isso, pode ser considerado uma forma de jornalismo como qualquer outra. Até porque no resto do jornalismo também já se torna difícil distinguir entre truth e fake news... muito bem introduzido esse pormenor do móvel que caiu... fica os suspense, a sério, suspense a sério...
Cuidado com os fantasmas. lool!
Beijos – Boa Noite!
Começa bem, kkk :))
Hoje » Sussurrei ao mar.
Bjos
Votos de uma boa noite.
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